Aluna do Proeja vence concurso gastronômico em Florianópolis

 

A mistura de peixe, açaí, milho e macadâmia rendeu a Dorvalina Luíza Pereira, 58 anos, estudante do quinto semestre do curso Proeja de Cozinha, ofertado em parceria pelos câmpus Florianópolis e Florianópolis-Continente o primeiro lugar em um prêmio de gastronomia em Florianópolis. Conhecida como “Valina”, ela tem como uma de suas paixões valorizar pratos típicos da Capital catarinense. “Tudo que faço é por amor. Quero resgatar a nossa gastronomia, que é bem simples, mas que pode ser sofisticada com um tempero mané. Quem nasceu aqui tem que se preocupar com isso.”


O concurso vencido por Valina foi organizado pelo chef Blaise Bourbonnais, de Florianópolis. Na etapa final, realizada em 5 de setembro, no Câmpus Florianópolis-Continente, cada participante tinha que elaborar um prato que tivesse açaí, milho, macadâmia e mais um elemento de sua escolha. A estudante do IFSC escolheu um peixe que poucos conhecem, mas que é bastante comum na região Sul da Ilha, onde mora: a pixirica. “Ninguém dá muito valor a esse peixe porque ele tem um cheiro forte, mas é só tirar as vísceras. O gosto dele é muito bom.”

O resultado da mistura, que agradou aos jurados, foi surpresa até para Valina: ela nunca tinha feito o prato – “Peixe crocante ao molho de açaí à moda do manezinho” – até o momento do concurso. “Imaginei que ficaria bom porque os gostos ficam bem harmônico”, conta. Pesou a experiência de que, “nasceu dentro de um restaurante”, como ela mesma diz, já que seus pais eram donos de um restaurante quando ela era criança. Depois, a própria Valina foi dona de restaurantes na Costa de Dentro e no Pântano do Sul, bairros do Sul da Ilha de Santa Catarina.

“Trabalho em cozinha desde os 10 anos”, afirma. Hoje Valina, que também foi copeira na Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), divide-se entre três ocupações principais: trabalha como babá, vende filés e postas de peixes congeladas e ainda prepara almoços e jantares para eventos. A rotina pesada é ainda mais difícil por ter que tomar três ônibus para ir e outros três para voltar entre sua casa, na Praia dos Açores, e o Câmpus Florianópolis-Continente. “Às vezes consigo carona com meu filho, mas, quando não dá, levo por volta de 1h45 até chegar em casa.”

Valina ficou 34 anos sem estudar desde que concluiu a quarta série do ensino fundamental. Por meio da educação de jovens e adultos (EJA), terminou o ensino fundamental na Armação do Pântano do Sul e fez as duas primeiras séries do ensino médio no Morro das Pedras, ambos bairros do Sul da Ilha. Decidiu inscrever-se para o IFSC por causa da paixão pela cozinha. “Quando nasci, morávamos no Centro, e sempre quis estudar aqui, desde quando era Escola Industrial e Escola Técnica. Somos sempre aprendizes e aqui vejo que alunos e professores aprendem um com o outro”, comenta. Na semana passada, Valina foi a Natal contar sua experiência como aluna da EJA no XIII Encontro Nacional de Educação de Jovens e Adultos (Eneja). Depois que concluir o curso, ela pretende dar aulas de cozinha em casa.

 

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