Jogo desenvolvido no IFSC auxilia no atendimento psicológico de crianças


Quando ainda estava cursando o técnico em Informática no IFSC, Jean Rigo da Silva resolveu pensar no desenvolvimento de um jogo como trabalho final para o projeto integrador. Em conversa com uma amiga psicóloga surgiu a ideia de pensar em um jogo que pudesse auxiliar no atendimento de crianças vítimas de violência. Agora cursando Análise e Desenvolvimento de Sistemas no Câmpus Gaspar e como servidor do IFSC (Jean é técnico do laboratório de Informática), ele está aprimorando ainda mais o jogo.

“A Vanderléia Batista é psicóloga do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Gaspar e estava estudando o uso de jogos de tabuleiros para o atendimento de crianças vítimas de violência. Eu havia feito alguns workshops sobre o desenvolvimento de jogos e resolvemos trabalhar juntos nesta ideia. A procura por jogos sérios, como são chamados esses modelos de jogos que têm como propósito ir além da diversão, é alta e esse é, entre os mercados de game, o que mais cresce.”

Jean conta que ficou cerca de seis meses desenvolvendo o jogo "Spacey Kid e as Habilidades Sociais" para o projeto integrador, que foi a primeira versão do jogo. Nela, o jogador precisa construir um foguete com materiais recicláveis e partir para uma aventura pelo espaço. No meio da viagem, o foguete cai em um planeta e, para passar de fase, o jogador precisa utilizar suas habilidades sociais para encontrar as peças e retornar para casa.


A versão mais atual, desenvolvida por Jean após fazer um curso de programação da Universidade de Michigan dos Estados Unidos, é chamada de "Astro Kid e as Habilidades Sociais" e tem duas fases. A primeira com o foguete e as habilidades sociais e a outra fase com a temática alienígena. “O objetivo é fazer com que o jogador aja de maneira assertiva para passar por portais (escolhendo respostas através de interfaces com opções), descrever suas habilidades e fornecer outras informações que o profissional (psicólogo, professor, assistente social) necessitam das crianças que são vítimas de violência e têm dificuldades para se expressar.

A ideia é utilizar o flow (em português fluxo- estado de alta concentração no jogo) para conseguir estas informações com as crianças. O flow se dá pelo ajuste da mecânica do jogo através de técnicas de design de game, onde o jogo não deve ser muito fácil, o que leva ao tédio, ou muito difícil, que leva o jogador a frustração. É o equilíbrio da dificuldade e algumas técnicas de design gráfico que conseguem induzir o jogador a um alto grau de concentração no jogo.” 


O jogo é voltado para crianças entre 8 a 10 anos e está sendo utilizado no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Gaspar. “O que nós observamos nas crianças vítimas de violência é um comportamento agressivo, passivo e de baixa autoestima e o uso de jogos nos auxilia a estabelecer uma maior interação. Elas conseguem falar dos seus desejos e expressar sentimentos sem serem agressivas. No caso do Astro Kid, em um determinado momento do jogo, quando se chega a uma caverna, as crianças precisam reconhecer suas qualidades e esse é um processo muito importante no atendimento dessas crianças”, explica a psicóloga Vanderléia Batista.

Ela conta que através da brincadeira, a criança consegue se expressar melhor. “O que eu vejo é que os olhos delas brilham quando eu proponho que elas joguem videogame, isso aumenta a motivação delas e diminui a resistência. A lógica do jogo está baseada em uma teoria da psicologia que se chama Treino de Habilidades Sociais (THS) e que tem sido trabalhada por Zilda Del Prette e Almir Del Prette, que são professores da Universidade Federal de São Carlos. A proposta deles é estimular nas crianças habilidades como de empatia, assertividade, fazer amizades e solução de problemas.”

O trabalho, desenvolvido por Jean e Vanderléia, foi premiado na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia realizada pelo Câmpus Gaspar do IFSC, pelo câmpus Blumenau da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pelo câmpus Blumenau do Instituto Federal Catarinense (IFC) de 2016 como o melhor projeto da área de informática.“É motivador pensar no aspecto social que a tecnologia pode promover e que podemos contribuir de alguma forma. Vejo que este trabalho também estimula a relação do IFSC com a comunidade”, avalia Jean da Silva.

Por Beatrice Gonçalves / Jornalismo IFSC

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