Projetos transformam resíduos em brinquedos


O que seriam resíduos de indústrias têxteis do Vale do Itajaí se transformam em brinquedos e em materiais para serem utilizados em aulas de consciência ambiental no projeto de pesquisa “De lixo a bicho: proposição de materiais lúdicos residuais para ações de educação socioambiental” e no projeto de extensão “De lixo a bicho: ações de educação socioambiental por meio de materiais lúdicos residuais”, do Câmpus Itajaí. Os dois projetos estão formando redes colaborativas que envolvem alunos, servidores, empresas têxteis do Vale do Itajaí, mulheres apenadas do regime fechado da Unidade Prisional Feminina de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba (Paraná), e escolas públicas da região com o propósito de reutilizar resíduos limpos e promover atividades socioeducativas.

 

Tudo começou com a ideia de confeccionar brinquedos com materiais que seriam descartados para promover aulas de consciência ambiental. Foi quando a coordenadora do projeto, Rita Peixe, procurou empresas têxteis da região para uma parceria para doação de restos de tecidos e fios. Com os materiais e as ideias de jogos, elaboradas em conjunto com alunos e professores, ela fez com que o projeto chegasse à Unidade Prisional Feminina de Piraquara e permitisse a capacitação de mulheres presas. De Piraquara, os brinquedos saem prontos para serem utilizados em escolas da rede básica de ensino. “É uma rede colaborativa baseada na articulação entre instituições e onde o aprendizado também se dá em rede. Vamos congregando forças para um objetivo em comum”, explica a coordenadora.

Um dos primeiros brinquedos produzidos foi uma adaptação do jogo das cinco Marias. Chamado de bichoruga, o brinquedo é feito com restos de tecidos e de conchas e, ao invés da utilizar pedras ou saquinhos de arroz, como é feito no jogo tradicional, foram confeccionadas tartarugas e águas-vivas. Os brinquedos são produzidos por mulheres apenadas, que têm parte da pena reduzida por conta do trabalho realizado no projeto. A escolha da unidade prisional foi feita porque há em Piraquara um canteiro de trabalho e um projeto, chamado de Todas [C] Elas, que promove aulas de confecção de produtos artesanais.


Os materiais produzidos já estão sendo utilizados para capacitação de professores da rede básica de ensino de Itajaí. Na escola de Campo Maria do Carmo Vieira, os professores já receberam os kits de bichoruga e estão sendo capacitados para utilizá-las em sala de aula. A proposta é que os brinquedos auxiliem os professores a mostrar como o descarte incorreto de resíduos gera um grande problema ambiental. No caso do plástico, por exemplo, é comum que as tartarugas marinhas o confundam com águas-vivas e a ingestão de menos de um grama do produto pode levar uma tartaruga juvenil à morte. “Estima-se que em 2050, haja mais plástico do que peixes nos oceanos e com a bichoruga e a brincadeira é mais fácil entender essa problemática”, explica a professora Laura Kremer, uma das integrantes do projeto.

 

Além do aspecto ambiental, com a bichoruga também se trabalha a coordenação motora das crianças. “Há cerca de 12 maneiras diferentes de jogar e em todas elas se trabalha o desenvolvimento da criança e suas habilidades manual e visual”, avalia o bolsista do projeto Cássio Fabre.

Apoiam o “De lixo a bicho” as empresas Círculo S/A, Instituto Adelina/Dudalina, Oceano, a Cooperativa de Maricultores de Penha e a ONG Bonequeiras Sem Fronteiras. “No caso do projeto 'De lixo a bicho', acreditamos que há vantagens em todo o processo. Os trabalhos manuais são muito indicados para ajudar na saúde das pessoas, estimulando a coordenação motora, a concentração e também é uma ótima forma de terapia, para passar o tempo e se distrair. As mulheres da unidade prisional de Piraquara aproveitam o material que disponibilizamos e aprendem as técnicas do feito à mão, atividade que posteriormente pode ser uma opção para sua geração de renda. Assim, elas contribuem também com o aprendizado consciente e lúdico de diversos estudantes da região. Essa rede colaborativa traz benefícios para nós, que podemos participar e contribuir para com a parte social e educativa desta comunidade através da doação de nossos produtos, estimulando a aprendizagem de uma nova atividade para as mulheres, como uma ocupação na unidade prisional e que chega até a educação ambiental de jovens”, avalia o gerente de Marketing da Círculo S.A., Osni de Oliveira Junior.

O projeto “De lixo a bicho: proposição de materiais lúdicos residuais para ações de educação socioambiental” é um dos contemplados pelo edital do Pibic-EM e o projeto “De lixo a bicho: ações de educação socioambiental por meio de materiais lúdicos residuais” é um dos contemplados pelo edital Aproex 03/2016 - ambos editais internos do IFSC. 

Por Beatrice Gonçalves / Jornalismo IFSC

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