Projetos integradores de Enfermagem combinam pesquisa e intervenção na comunidade


Você sabia que apenas 32,6% das mães amamentam seus filhos até o sexto mês exclusivamente com o leite materno? Que 10% dos brasileiros nascem com, ou adquirem, algum tipo de deficiência? Que 15% das crianças são obesas? Que um doador de órgãos pode ajudar até oito pessoas? Que uma das ações mais eficazes para prevenir a infecção hospitalar é a lavagem correta das mãos? E que o aumento da população idosa tem contribuído para ampliar o número de cuidadores? Algumas informações podem parecer irrelevantes para a maioria da população, mas não para os profissionais da saúde, que, cada vez mais, apostam na disseminação da informação e de orientações adequadas para melhoria da qualidade de vida e do acesso às políticas públicas de saúde.

Durante a apresentação dos projetos integradores (PI) deste semestre, no dia 15, os alunos do curso técnico subsequente em Enfermagem do Câmpus Joinville apresentaram seus trabalhos de pesquisa e de intervenção na comunidade como contribuição para melhorar o acesso à informação. A apresentação do PI é requisito obrigatório para a conclusão do curso e tem como objetivo incentivar os futuros profissionais a trabalhar com pesquisa e extensão comunitária.

Os projetos começam já no início do curso e, no último semestre, são finalizados para a apresentação pública. Nesta edição, 18 alunos se envolveram na realização de seis projetos diferentes, com a orientação das professoras Débora Rinaldi Nogueira, Joanara Rozane da Fontoura Winters, Juraci Maria Tischer, Jaqueline Vicentin Patel Gabardo, Marlete Scremin e Roni Regina Miquelluzzi.

Sensibilização interna

Para os alunos Aluísio Eger e Rafaela Stolle, a sensibilização para os aspectos relacionados à deficiência física deve começar dentro do curso, para que os profissionais de Enfermagem possam entender a importância da sua atuação e lutar por mais espaço nas equipes multidisciplinares, especialmente nas escolas, já que 10% dos brasileiros têm algum tipo de deficiência física. "Uma equipe completa é aquela que tem um olhar integral para o indivíduo", explicou Aluísio, lembrando que o trabalho do técnico em enfermagem deve ir além da reabilitação. "Precisamos incluir a prevenção nas nossas atribuições."

Indiferença, falta de infraestrutura adequada e acessibilidade, problemas com aceitação e até mesmo a superproteção dos pais foram os principais problemas relatados pelos futuros técnicos em enfermagem, durante as palestras realizadas com os estudantes do curso. O projeto "Sensibilizando estudantes da área de saúde para a compreensão das questões inerentes à deficiência física na sociedade" abordou temas como cuidados, reabilitação, assistência, histórico evolutivo e saúde do idoso.

Rafaela, que sofreu um acidente de moto durante a execução do projeto e precisou usar cadeira de rodas por dois meses, vivenciou as principais dificuldades de pessoas com problema de locomoção. "O técnico em Enfermagem também pode colaborar para melhorar a qualidade nos ambientes escolares", afirmou.

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Outro projeto de sensibilização interna, desta vez com os alunos dos cursos técnicos integrados em Eletroeletrônica e Mecânica, foi o PI "Doação de órgãos: a conscientização através do conhecimento", desenvolvido por Arielle Silva Gomes dos Santos Rudnick, Cristiane Day Martendal, Lucas Gabriel Odelli e Patrícia Meier.

Conforme os formandos, a doação de órgãos é vista pela sociedade como um ato de solidariedade, coragem e amor por parte dos familiares. Mas, como a decisão é feita em momentos muito difíceis, é preciso que as pessoas já tenham conversado sobre o assunto antes. A opção por trabalhar com os adolescentes levou em conta justamente o objetivo de formar multiplicadores. "A doação de uma pessoa pode salvar até oito vidas. Então, por mais doloroso que seja, é preciso conversar em casa. Os doadores precisam avisar os familiares sobre sua decisão", explicaram.

Nas palestras, os alunos de Enfermagem usaram vídeos, depoimentos e jogos interativos para esclarecer dúvidas dos 500 adolescentes atendidos no projeto e ressaltar o quanto a doação de órgãos é importante. No ano passado, 2.333 pessoas morreram na fila de espera por transplante no Brasil.

Alimentação saudável

O projeto "Prevenção da obesidade a partir da idade escolar", dos alunos Emerson Eduardo Rebés Salgueiro e Sirley Aparecida Pinheiro também foi trabalhado na escola, mas desta vez na rede municipal. "A obesidade apresenta índices alarmantes e tem adquirido significância na área de saúde, devido ao impacto que causa na vida das crianças, trazendo consequências físicas, sociais, econômicas e psicológica", justificaram.

A partir de pesquisas que mostram que 15% das crianças são obesas (em 1974, este índice era de 1,4%) e que as principais causas estão associadas ao estilo de vida que combina maus hábitos alimentares e sedentarismo, o grupo decidiu focar o trabalho em orientações básicas para uma alimentação saudável.

Por se tratarem de alunos da pré-escola, os futuros profissionais de enfermagem usaram a literatura e o teatro para deixar o tema mais atraente e acessível durante os encontros com as crianças, com idade entre cinco e sete anos. A intervenção na escola também teve uma parte específica para os pais, que foram chamados para uma palestra sobre a importância de alimentos saudáveis e de atividades físicas para o crescimento saudável dos filhos.

Aleitamento materno

Até os seis meses de idade, os bebês devem ser alimentados somente com leite materno e não precisam de chás, sucos, outros leites e nem mesmo de água. Entretanto, apenas 32,6% das brasileiras amamentam exclusivamente com leite materno durante os seis primeiros meses de vida do bebê. A intenção de melhorar estes números levou as alunas Márcia Havreluk Lopes, Renata Maia das Neves da Silva e Rosane Hartkopf Pabst a realizarem o PI "Ações educativas com puérperas em uma maternidade pública sobre a importância do aleitamento materno".

Em visitas à maternidade, as alunas conversaram com as mulheres que tiveram filhos recentemente para conhecer suas dúvidas e problemas. "Muitas tiveram experiências negativas com a amamentação anteriormente", descobriram. Assim, as alunas partiram para intervenções educativas como medidas de apoio e de reorientação para que a amamentação tivesse êxito.

O grupo também elaborou um panfleto educativo para sensibilizar sobre as vantagens do leite materno nas diferentes fases da vida do bebê. "Através de dinâmicas educativas, a mulher tende a se sentir mais segura e empoderada para continuar a amamentação após a alta hospitalar", enfatizaram. O grupo trabalhou com 68 puérperas.

A importância da lavagem das mãos

A infecção hospitalar é um sério problema de saúde pública e uma das ações mais importantes e eficazes de prevenção é a lavagem das mãos, conforme estudo dos alunos do curso técnico em Enfermagem, Ágatha Couto Valverde, Alana Dupont Silva e Caroline Cleide Cardoso. Eles realizaram o projeto "Ação de educação em saúde: orientação sobre higienização das mãos para familiares na sala de espera de uma unidade de terapia intensiva".

Conforme os alunos, os visitantes podem tanto levar para a UTI quanto trazer de lá microrganismos envolvidos nas infecções. "O desafio é fazer o controle, a redução e prevenção das infecções hospitalares, que resultam no aumento da morbidade e da mortalidade dos pacientes."

No período de um mês, os alunos visitaram a sala de espera da UTI de um hospital da cidade para conversar com os visitantes, alertar para o problema e orientar sobre a forma correta de higienizar as mãos antes e depois das visitas, tanto com sabão quanto com álcool.

Cuidando de quem cuida

Tendo em vista o aumento da população idosa e, consequentemente, do número de cuidadores, o grupo formado por Amanda Elisa Breis, Ana Paula Bressan, Heitor Guimarães e Janaina Lima Merino decidiu abordar o tema "Cuidado ao cuidador familiar". Eles lembraram que, diferente do cuidador profissional, que tem um horário específico de trabalho, o cuidador familiar tem uma sobrecarga muito grande por estar 24 horas à disposição do paciente. "Nestes casos, o cuidado vai além da troca de curativos ou administração de remédios."

Para o estudo, o grupo selecionou um núcleo familiar em que a esposa cuida do marido há cinco anos, desde que ele sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). Foram realizadas seis visitas para conhecer a rotina do casal e fazer o levantamento das principais necessidades. O trabalho foi completado com a apresentação de temas específicos para o desempenho da função, como informações sobre o AVC, doenças não transmissíveis e riscos de quedas do paciente, e de melhoria da qualidade de vida da cuidadora, como estilo de vida, exercícios de alongamento, automassagem e controle de estresse.

"O suporte psicossocial aos cuidadores familiares é essencial para o desempenho da sua função. Mesmo tendo apoio dos demais membros da família, o grau de dependência do paciente é com o cuidador. Mas, para cuidar do parente, o cuidador precisa cuidar também de si mesmo", ressaltaram.


Por Liane Dani | Jornalista IFSC

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