Estudantes de especialização realizam intervenções em grupos de terceira idade


A população brasileira envelheceu rapidamente nos últimos anos. Entre 2005 e 2015, a proporção de pessoas com mais de 60 anos passou de 9,8% para 14,3% da população total. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de idosos chegou a 24,9 milhões e a esperança de vida média ao nascer atingiu os 75,5 anos. Foi com base nesta realidade que os estudantes da primeira turma do curso de especialização técnica em Saúde do Idoso, do Câmpus Joinville, realizaram seus projetos de conclusão de curso. O objetivo é apresentar propostas que possibilitem aos idosos melhorar as condições de saúde, autonomia, integração e participação efetiva na sociedade.

A partir de pesquisas científicas e bibliográficas e intervenção em grupos de idosos, os alunos apresentaram um seminário em que foram abordados problemas comuns na terceira idade e que merecem maior atenção da saúde pública, dos profissionais da área e da sociedade como um todo. Os temas trabalhados pelos grupos foram: "Acidente vascular cerebral (AVC) em idosos e principais fatores de risco", "Causas de quedas em idosos", "O uso de prótese dentária e a nutrição do idoso" e "Atividade física na terceira idade".

Conforme a coordenadora do curso, Betina Barbedo Andrade, todos os trabalhos foram muito bem produzidos, com atenção às necessidades desta parcela da população que mais faz uso dos serviços de saúde. "As transformações no padrão de saúde da população exigem medidas organizadas para seu tratamento, controle e prevenção. Temos um país que vai precisar muito de técnicos nesta área", ressalta a professora. Neste aspecto, ela enfatiza que o IFSC salta na frente, pois o curso de especialização técnica em Saúde do Idoso em Joinville é pioneiro e inovador. "É uma oportunidade ímpar de formação técnica e humana para o cuidado do paciente idoso".

Prevenindo o AVC


Conhecido popularmente como derrame, o acidente vascular cerebral (AVC) é a principal causa de incapacidade neurológica e uma das principais causas de morte no mundo – a segunda no Brasil. Em Joinville, no ano passado, o AVC respondeu por 9% das causas de mortalidade. Apesar de grave, existem medidas preventivas que diminuem os riscos de sua incidência. Foi o que motivou o técnico em Enfermagem Matheus Augusto Modesto Nascimento a trabalhar o tema. "Toda população deve ser alertada dos riscos e saber como identificar um AVC", enfatiza.

Os principais fatores de risco são história familiar, genética, hipertensão arterial, doenças cardíacas, diabetes, tabagismo, alcoolismo e obesidade. A pesquisa ação foi trabalhada com o grupo de idosos do Centro de Estudos e Orientação da Família (Cenef), em que os participantes foram levados a reconhecer os fatores de risco e como mudá-los. "Alguns destes fatores não tem como mudar. Mas a maioria pode ser amenizada com mudanças simples no estilo de vida, como atividade física e controle da alimentação", explica o aluno da especialização técnica.

Em casos de AVC, o mais importante é agir rápido. Por isso, Matheus orientou os idosos a usarem a sigla Samu para identificar os principais sintomas, indicando a sequência "sorrir", "abraçar", "música" e "urgência". "Com AVC, a pessoa entorta a boca de um lado só, perde força e não consegue levantar um dos braços e não consegue cantar ou falar direito. Aí, deve-se levar o paciente rapidamente para o hospital", ensina. "Tempo perdido é cérebro perdido." Em Joinville, o hospital de referência para atendimento de AVC é o São José e os primeiros atendimentos podem ser prestados pelo Samu (192) e prontos atendimentos (PA).

Cuidado com as quedas


As alunas Elenir da Silveira e Marcia Hilário Machado optaram por se aprofundar em outro problema bastante comum em idosos, as quedas. Em 2012, por exemplo, foram registradas 86.149 internações de idosos motivadas por quedas, das quais 4.130 foram em Santa Catarina e 35 em Joinville. "A queda é um dos problemas mais comuns entre os idosos e pode provocar fraturas com consequências graves, como imobilidade física e traumas psicológicos", explicam.

Após pesquisa bibliográfica, as alunas produziram um panfleto de orientação a idosos, familiares e profissionais que trabalham na área sobre os riscos de quedas e formas de prevenção. Segundo o levantamento que elas fizeram, a maioria das quedas ocorre dentro de casa. "Mudanças simples, como a retirada de tapetes, melhoria da iluminação e instalação de barras de apoio no banheiro, já ajudam a deixar o local mais seguro", orientam as cartilhas distribuídas em grupos de idosos.

Nutrição e próteses dentárias


O idoso vai muito ao médico e pouco ao dentista. A constatação das alunas Cintia Jussara Brach de Camargo e Edith Weiss Gracher Lehnert foi o pontapé para a pesquisa que elas desenvolveram durante o curso pós-técnico em Saúde do Idoso. Durante as pesquisas, elas chegaram à conclusão de que o uso de próteses desajustadas acaba fazendo com que os idosos selecionem os alimentos que comem, o que pode causar carência alimentar. "O uso e a necessidade de próteses podem ser tanto causa quanto consequência da capacidade mastigatória insatisfatória", explicam.

Por isso, durante palestras em grupos de idosos e em cartilhas produzidas sobre o tema, as alunas enfatizaram a importância da consulta regular ao dentista e o uso de próteses ajustadas, em caso de perdas dentárias. Junto com a carência nutricional, próteses mal ajustadas trazem perdas estéticas, psicológicas, trabalhistas e de saúde sistêmica.

Vida mais ativa


"A ampliação do tempo de vida é uma das maiores conquistas da humanidade, mas se quisermos que o envelhecimento seja uma experiência positiva, devemos investir na atividade física. É uma das maneiras mais eficientes para a melhoria da qualidade de vida dos idosos", afirma a aluna Edna de Jesus Ribeiro, que trabalhou o tema junto a grupos de terceira idade do bairro Costa e Silva. "Além de saúde, a atividade física promove a independência e a autonomia nas atividades do cotidiano."

Segundo Edna, os tipos de atividades mais adequadas para a terceira idade são a dança, que evita o isolamento social e melhora o humor e o convívio; a caminhada, que controla, trata e previne doenças; a musculação, que mantém e aumenta a força muscular; e os alongamentos, que ajudam a manter as capacidades motoras, como flexibilidade, equilíbrio, coordenação motora e força. "Todo movimento é válido", destaca.

Totalmente gratuito, o curso de especialização técnica em Saúde do Idoso está organizado em dois semestres, com aulas presenciais duas vezes por semana e a distância (EaD), via plataforma digital, totalizando 360 horas. A próxima turma será aberta no segundo semestre deste ano.

Por Liane Dani | Jornalista IFSC

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