Congresso Brasileiro de Engenharia de Fabricação incentiva pesquisa aplicada

 

O IX Congresso Brasileiro de Engenharia de Fabricação (Cobef), realizado em Joinville na semana passada, de 26 a 30 de junho, trouxe à tona uma discussão muito importante: a promoção da pesquisa aplicada como ferramenta para o fortalecimento da indústria nacional. Durante os cinco dias de evento, pesquisadores de todo país apresentaram 465 trabalhos de pesquisa, trocaram experiências e, especialmente, puderam conhecer as demandas dos arranjos produtivos, por meio de sessões temáticas com profissionais das indústrias de fabricação e visitas técnicas.

"Precisamos promover a pesquisa aplicada, auxiliar na formação de profissionais com visão crítica para solucionar problemas e aprimorar processos de manufatura. Assim, vamos agregar maior valor ao produto brasileiro", destaca o presidente da comissão organizadora do Cobef e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Joinville, Adriano Fagali de Souza. "A interação entre pesquisadores e indústrias contribui para oxigenar pesquisadores quanto aos temas de pesquisa", complementa.

Para o diretor-geral do Câmpus Joinville do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e diretor financeiro do Comitê Organizador do Cobef, Valter Vander de Oliveira, a aproximação entre pesquisadores e indústria traz muitas perspectivas boas para o cenário nacional. "A pesquisa é a mola propulsora do desenvolvimento. E temos um potencial muito grande para investir em novas relações entre a indústria e a universidade", enfatiza.

Promovido pela Associação Brasileira de Engenharia e Ciências Mecânicas (ABCM), o Cobef deste ano foi organizado pela UFSC, IFSC e Unisociesc, que sediou o evento. Durante todo congresso, foram apresentados 465 trabalhos de pesquisa nas áreas de fundição; usinagem; metrologia; tribologia; conformação; metalurgia do pó; manufatura virtual; engenharia de superfícies; soldagem e união de materiais; novas tecnologias de fabricação; processos de adição de materiais; processamento de materiais não metálicos e compósitos; e projeto manufatura e montagem.

Inovação e educação

A aproximação entre universidade e indústria também foi destaque na palestra com o professor Ozires Silva, engenheiro aeronáutico considerado o pai da indústria aeronáutica brasileira por fundar a Embraer, em 1969. Na abertura do Cobef, no dia 26, Ozires Silva usou o tema "Produtos do mundo no Brasil... e produtos do Brasil fora do mundo?!?" para discutir os resultados limitados do país nos avanços da produção nacional e instigar os pesquisadores a buscarem soluções para a indústria brasileira.

"Temos que trabalhar para ter mais gente competente e capaz de entender que o mundo moderno é uma sociedade de conhecimento", destacou Ozires, lembrando que a educação é a base para o futuro. "Hoje, o ensino é exercido de forma distante da realidade. Precisamos encontrar novas fórmulas, com ousadia e vontade de mudar", pontuou.

Neste sentido, ele destacou o exemplo da Embraer, que, desde que foi criada, vem superando desafios e tornando-se exemplo de inovação. "Sempre diziam que nosso primeiro avião não voaria. Depois do voo, que não seria fabricado. Quando fabricado, manifestavam dúvidas se seria vendido com sucesso no Brasil. Vendemos, e mais, exportamos. Hoje, voamos em 90 países", contou.

Sobre os segredos de sucesso da Embraer, Ozires lembrou que, junto com educação, criatividade, manutenção da propriedade intelectual dos produtos e esquemas de apoio e de relacionamento, a liderança também foi um fator essencial. "Sempre insisto que a motivação, o entusiasmo, o amor pelo que se faz e a crença no sucesso são fundamentais."

Presença do IFSC

Além de participar da organização do Cobef, o IFSC também teve representatividade na apresentação de pesquisas produzidas na rede, como as da professora Kelly Patrícia Dias Schweed, do Câmpus Joinville, e do professor Gil Magno Chagas, do Câmpus Jaraguá do Sul – Rau, que elogiaram o congresso. "Foi muito bom trocar informações, ver o que os pesquisadores estão fazendo, conhecer seus trabalhos, todos importantes para a área de mecânica", comentou professora Kelly.

O contato com professores conceituados da área e com pesquisas atuais de tecnologia moderna também foi destacado pelo professor Gil, que observou que o trabalho realizado no IFSC está em sintonia com a demanda nacional. "Estamos focando na pesquisa aplicada de forma proativa, buscando a resolução de problemas. Trabalhamos a pesquisa como princípio educativo", enfatizou o professor de Jaraguá.

No total, o IFSC teve doze trabalhos apresentados durante o Cobef, entre projetos integradores, trabalhos de conclusão de curso e pesquisas.

Por Liane Dani | Jornalista IFSC

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