Fazendo Gênero: confira destaques do segundo dia

 

 

O congresso internacional Mundo de Mulheres, que acontece na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) durante esta a semana junto ao seminário Fazendo Gênero, chegou ao segundo dia. O evento, que conta com a parceria operacional do IFSC, deve reunir 8,5 mil pessoas de todos os continentes para pensar a temática de gênero. Após a abertura enérgica da noite de 31 de julho, os ânimos deram lugar ao aprofundamento dos debates. Confira o que foi destaque no evento na terça-feira (01).

 

Geração de renda em pauta

 

As atividades não ficam concentradas na universidade. Duas comunidades remanescentes de quilombos em Garopaba receberam congressistas. Tanto no Quilombo Aldeia quanto no Morro do Fortunato, as mulheres têm procurado converter a agricultura familiar e produção artesanal de alimentos em renda. A visita foi mediada por Naima Valadares e Serena Cestari, alunas do curso técnico em Guia de Turismo do Câmpus Garopaba do IFSC, sob orientação das professoras Alessandra Maria Espíndola e Juliani Brignol Walotek.

 

A comunidade do Morro do Fortunato ocupa cinco hectares de uma colina com vista para a Lagoa e praia do Siriú. Abriga 45 famílias, que vivem da pesca e da agricultura familiar. Seus moradores nativos descendem de Vó Ciloca que se distanciou dos engenhos no período da abolição da escravatura para se instalar no vilarejo. Na década de 90, a comunidade passou a pleitear as terras, mas o reconhecimento como remanescente de quilombo se deu em 2007 com a validação da Fundação Cultural Palmares.

 

No roteiro, as moradoras relataram sua vontade de organizar o comércio dos alimentos e condimentos tradicionais através do projeto Doce Dafurtuna, que unificou a produção de 12 mulheres da comunidade. O grupo fará parte de uma turma do projeto de extensão do IFSC Mulheres Sim, que busca capacitar mulheres para a geração de renda.

 

As mulheres do Quilombo Aldeia, por sua vez, tem contato com o grupo do Fortunato para organizar sua produção artesanal. A Aldeia, comunidade remanescente que abriga hoje 58 famílias, tem na tradição do benzimento as pistas sobre sua origem.  No Câmpus Garopaba, um grupo de estudos se prepara para resgatar a história da comunidade. “Os relatos dos moradores por vezes não condizem com a bibliografia que se tem sobre a Aldeia” observa Walotek, idealizadora do projeto.

 

A luta quilombola passa por novos obstáculos. Em agosto, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar uma ação direta de inconstitucionalidade que revoga o reconhecimento de terras quilombolas. No evento, os grupos quilombolas se juntam ao coro dos movimentos pelo direito à terra e sindicatos rurais. Diversas associações de produtos artesanais estarão expondo seus produtos na Tenda de Economia Solidária instalada no pátio do Câmpus Trindade da UFSC até sexta-feira, 4 de agosto.

 

Iconografia em consolidação

 

As tardes têm sido agitadas no evento. Acontecem oficinas, fóruns de debates, simpósios e mostras audiovisuais por todo o câmpus. Na Tenda da Saúde, o Instituto de Bioética Anis reuniu dezenas de congressistas para discutir direitos reprodutivos. A organização têm feito campanhas por políticas públicas voltadas ao aborto e foi mediadora dos conflitos legais envolvendo a epidemia do vírus Zika no Brasil.

 

Nos espaços abertos da universidade, as ativistas da Marcha Mundial de Mulheres deram início à mobilização para a manifestação agendada para a tarde de hoje, 2 de julho, a partir das 16h no centro de Florianópolis. Tânia Slongo, uma das coordenadoras da Marcha na cidade, estava organizando a customização de batuques para dar apoio a paralização. “A batucada é essencialmente brasileira, nossas manifestações aqui são mais coloridas, vivas”, explica. O ritmo do início da marcha deve ser dado pelo coletivo Cores de Aidê, cujo ensaio na tarde de ontem lotou a Tenda Mundo de Mulheres.

 

Conferência

 

As noites são reservadas para as conferências e apresentações artísticas. Na terça-feira, a conferência no Guarapuvu foi aberta pelo grupo de tecido acrobático Nós, Passarinhas. A performance Nuestros Cuerpos envolvia a temática da pressão estética sobre as mulheres. A conferência, em seguida, foi ministrada pela militante uruguaia Lilian Celiberti. A frente do grupo Articulación Feminista Marcosur, Celiberti deu um panorama dos direitos das mulheres na América Latina.

 

As conferências, tendas, fóruns de discussão, simpósios e apresentações artísticas têm as portas abertas ao público durante toda a semana. Acesse o site do evento para conferir a programação e saiba como foi o primeiro dia de evento.

 

Por Eduarda Hillebrandt | Estagiária de Jornalismo IFSC


AddThis Social Bookmark Button
   
Estude no IFSC - Vagas abertas - Clique aqui
 
 Cadastro de interesse

Observatório de egressos

Carta de serviços ao cidadãoAcesso à informação
Ouvidoria
Desenvolvido em Joomla!