Pular para o conteúdo

Notícias

Inclusão na prática marca Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

CÂMPUS FLORIANÓPOLIS-CONTINENTE Data de Publicação: 18 out 2018 20:17 Data de Atualização: 18 out 2018 20:34

Tornar o mundo mais inclusivo para pessoas com deficiência foi o tema das atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do Câmpus Florianópolis – Continente. Nos dois dias de evento, terça (16) e quarta (17), foram realizadas palestras, rodas de conversa e atividades lúdicas, coordenadas pelos alunos das duas turmas do curso técnico em Eventos.

No primeiro dia, a programação teve palestras, rodas de conversa e apresentações culturais, como Outubro Rosa, cinema e debate sobre autismo, grupo de capoeira da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE), palestra sobre empreendedorismo para redução de desigualdades e sobre educação inclusiva e acessibilidade.

No segundo dia, os alunos e visitantes do câmpus puderam participar de diversas atividades lúdicas, como experiências sensoriais, arte adaptada (pintura com o pé), passeio com cadeira de rodas e esportes adaptados, como dominó às cegas, boliche vendado, basquete colaborativo, entre outros. Segundo a professora Bruna Dorabiallo, do curso de Eventos, a ideia foi desenvolver atividades voltadas ao tema da Semana, que este ano é “Ciência para a Redução das Desigualdades”. “Este é o primeiro ano que a gente foca no tema, e não apenas adapta a área técnica ao tema. Os alunos coordenaram as atividades e optaram por seguir à risca o tema da Semana”, explica Bruna.

A aluna Francilaine Gonçalves coordenou a atividade de experiência sensorial, na qual os participantes foram desafiados a degustar diversos temperos, sentir o olfato, tato e a identificar sons sem o auxílio da visão. “O feedback que tivemos dos alunos é de que é muito agoniante não poder enxergar. Então, acho que muitos colocaram a mão na consciência sobre as dificuldades de uma pessoa com deficiência”, explica Francilaine. Identificar os cheiros foi o maior desafio para os participantes, e o tato, a atividade com mais acertos.

Cão-guia

Na tarde de quarta-feira, o Câmpus Florianópolis – Continente recebeu o estudante Jackson Pereira e o médico veterinário e instrutor de cães-guia do Instituto Federal Catarinense (IFC) André Sturion. Eles participaram de uma roda de conversa sobre deficiência visual e a utilização do cão-guia e o trabalho realizado pelo Centro de Formação de Treinadores e Instrutores de Cães-Guia e Centro de Treinamento de Cães-Guia do IFC. Kalil, um labrador branco que é cão-guia de Jackson, foi a atração da tarde.

Jackson é cego e está com Kalil há cerca de quatro anos. Em 2014, ele se inscreveu em uma lista de espera para interessados no Programa Cão-Guia, apoiado pelo Governo Federal, incorporado em 2011 ao programa “Viver sem Limite”, do Plano Nacional da Pessoa com Deficiência. Em 2015, ele foi chamado pelo Centro de Formação do IFC, em Camboriu, e considerado apto a receber o cão-guia. Após a fase de treinamento e adaptações, ele abandonou a bengala e começou a sair por aí com o Kalil.

Para receber um cão-guia, o deficiente visual precisa ter uma vida ativa – ou seja, deve estar trabalhando ou estudando e ter a necessidade de sair de casa todos os dias, de forma independente. André faz o acompanhamento de Jackson e Kalil, e falou sobre a estrutura e objetivos do Centro, que forma instrutores e treinadores de cães-guia para atuarem em todo o Brasil. “Nosso objetivo não é fornecer o cão-guia, mas formar os profissionais. Porém, não podemos formá-los sem ter os cães para o treinamento”, explica André. Ele também contou como são criados os cães, o papel da família socializadora, que fica com os filhotes por cerca de 15 meses, o processo de treinamento e a adaptação ao cego, que recebe o cão por outorga de uso do Governo Federal.

O instrutor explica também que “aprender a andar com o cão-guia é o mesmo que aprender a dirigir, precisa de treinamento”. Segundo ele, o “cão-guia é uma tecnologia assistiva, como a bengala. É importante que o cego aprenda a utilizar os dois”.

O público fez muitas perguntas sobre o quotidiano de Jackson e Kalil. O estudante conta que começou a ficar cego aos 12 anos, e foi aos 17, já no Ensino Médio, que passou a ter mais problemas. Chegou a parar de estudar por um tempo por não ter material adaptado na escola. Porém, na Unisul, onde cursa Engenharia Sanitária, encontrou o apoio e recursos para continuar estudando, e hoje faz estágio no setor de Licenciamento Ambiental da Eletrosul. Também pratica esportes como corrida e surf e participa de campeonatos.

Para ele, o cego precisa ser incluído na sociedade, mas também deve ser cobrado, seja no trabalho ou no ambiente escolar. Afirma que a pessoa com deficiência não deve ser tratada como um “super herói” ou “vítima”, pois pode ter condições de ter uma vida produtiva e feliz. Ainda sobre o mercado de trabalho, alerta que cada deficiente tem potencialidades e dificuldades específicas, que devem ser levadas em conta, e não apenas serem contratados pelas empresas para “cumprir cotas”.

André e Jackson estiveram no câmpus convidados pela estudante Joana Caldeira, do curso técnico em Eventos. Ela é voluntária na Associação Catarinense para a Integração do Cego (Acic) no guiamento de cegos em atividades de inclusão esportiva e cultural. Por isso, teve a ideia de trazer os usuários da Acic para conhecer o câmpus e conversar com os alunos. Além de Jackson, outros usuários participaram de atividades, falando sobre inclusão e esporte adaptado.

Dicas ao encontrar um usuário de cão-guia:

- Quando encontrar um usuário de cão-guia, fale com a pessoa e não com o cão;

- Não toque, acaricie ou distraia o cão-guia enquanto está trabalhando. Distrair o cão pode provocar acidentes;

- Somente interaja com o cão-guia com a autorização do usuário e após a retirada do arreio;

- O usuário de cão-guia tem o direito de ingressar e permanecer com o animal em veículos e estabelecimentos públicos e privados de uso coletivo. Exceção são os locais de acesso restrito, como UTIs de hospitais, salas de manipulação de medicamentos, local de preparação de alimentos, entre outros.

(Fonte: IFC – Câmpus Camboriu)

Saiba mais:

Para saber mais sobre a pós-graduação para formação de instrutores e treinadores de cães-guia e sobre o cadastro regional para interessados em receber um cão-guia, acesse o site do Câmpus Camboriu do IFC: www.camboriu.ifc.edu.br.

Também é possível ligar para (47) 2104 0800 | (47) 2104 0895, ou enviar e-mail para ctcaesguia@ifc-camboriu.edu.br.

CÂMPUS FLORIANÓPOLIS-CONTINENTE EVENTOS