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Equipe Red Tails busca recursos para ser a primeira equipe do IFSC na Fórmula SAE

ENSINO Data de Publicação: 13 mai 2019 11:00 Data de Atualização: 14 mai 2019 15:46

“Um colega italiano me disse que, em Maranello, é mais fácil entrar na Ferrari do que na equipe de Fórmula SAE da universidade de lá”, conta Gabriel Carvalho, capitão da equipe Redtails, formada por estudantes do Câmpus Florianópolis e que será a primeira equipe do IFSC a participar da Fórmula SAE brasileira. “Vamos de qualquer forma na competição. Mas precisamos de recursos para podermos nos qualificar para as etapas dinâmicas, não apenas das estáticas”, explica Eduardo Centenaro, aluno de Engenharia Elétrica, outro fundador da Redtails.

A Fórmula SAE é a maior competição de carros elétricos do mundo. A SAE International, antigamente Society of Automobile Engineers ("Sociedade de Engenheiros de Automóveis"), é uma organização responsável pelos estudos em engenharia automobilística, e indústrias montadoras de automóveis. “Aqui no Brasil, apesar de a competição já existir desde 2004, a SAE ainda caminha de modo lento nessa relação com o mercado. Lá fora, ter passado pela competição aumenta em muito as chances de emprego. Mas as empresas brasileiras já reconhecem um estudante que passou por uma equipe de SAE como um profissional diferenciado”, explica Eduardo.

Isso porque a SAE não é uma simples competição “de carrinhos”. Nela, cada equipe simula ser uma empresa de engenharia, como o mercado de trabalho que o aluno verá lá fora. Os participantes aprendem sobre a engenharia em si, mas também sobre gestão de pessoas, comunicação interpessoal, desenvolvimento de projetos e trabalho em equipe. “O aprendizado é tão amplo que temos, na equipe, cerca de 40 pessoas. São estudantes que representam todas as engenharias do Câmpus e, dos cursos técnicos, acho que só não temos alunos de Saneamento”, conta Gabriel. 

A ideia para a Redtails surgiu com Gabriel (primeiro à direita, na foto. Eduardo é o outro de camiseta branca), aluno da Engenharia Elétrica e do curso técnico em Eletrotécnica, um fã de competições automotivas. Quando o Câmpus Florianópolis começou a desenvolver um carro elétrico, veio a vontade de criar um outro veículo, específico para competições. Isso era março de 2018. “Pesquisando o regulamento e conversando com outras equipes, vimos que precisávamos de uma boa estrutura para começar. Fomos montando tudo aos poucos e, em novembro, tínhamos uma equipe de 30 pessoas. Dessas, 11 foram para a Fórmula SAE Brasil, em Piracibaba (SP)”.

A estrutura das demais equipes mostrou o quanto era preciso profissionalizar a Redtails – que ainda não tinha esse nome. “O nome foi escolhido porque dois dos integrantes são fãs de aviação. E, na Segunda Guerra Mundial, havia um esquadrão da Aeronáutica norte-americana que era formado só por negros, pois havia um comandante negro, mas, na época, não podia haver um negro comandando brancos. Para se diferenciar, os bicos e as caudas dos aviões eram vermelhas, de onde veio o termo Redtails Angels”, conta Eduardo. Já para símbolo, o time escolheu uma raposa, animal que representa agilidade e inteligência. 

Atualmente, o projeto está finalizado. Agora começa a busca por recursos para construir o chassi e o carro. Por questões burocráticas, não é permitido o patrocínio direto da equipe, por se tratar de um projeto de instituto federal, mas é possível fazer permutas, com divulgação das marcas que apoiarem a equipe. “Nós vamos para competição ou sim, ou sim. Mas a forma de participação é que está dependendo dos recursos. São dois tipos de provas: estáticas e dinâmicas. Para as dinâmicas, precisamos ter o carro funcionando perfeitamente e, para isso, precisamos de recursos”, detalha Eduardo. 

E não é apenas a divulgação da marca que ajuda as empresas que apoiam a Redtails. “A empresa onde trabalho atualmente, a Soma, é uma das patrocinadoras. É uma empresa pequena, de oito, dez funcionários. Ao compartilhar experiências da Redtails com eles, eles perceberam que podiam melhorar a gestão da empresa e tornar processos mais simples, aumentando o rendimento da equipe”.

Segundo ele, essa primeira participação é a que exige maior investimento, pois tudo precisa ser construído do zero. “Nas próximas, o valor cai cerca de 50%, pois reaproveitamos motores, chassi, diversas peças e estruturas. A ideia é ter o carro rodando para testes já em julho, para ajustar até a competição, normalmente realizada no fim do ano”. A equipe também criou uma conta em um site de financiamento coletivo.

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