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Alunas do IFSC alcançam projeção internacional com iniciativa para combater suicídio

INOVAÇÃO Data de Publicação: 25 jun 2019 13:32 Data de Atualização: 25 jun 2019 13:41
Alunas do IFSC alcançam projeção internacional com iniciativa para combater suicídio

Cinco alunas do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) foram selecionadas para a final de uma competição internacional de tecnologia apenas para meninas, o Technovation Challenge. A última etapa será no Vale do Silício, na Califórnia (EUA), região conhecida por abrigar empresas de alta tecnologia.

A equipe estuda no ensino médio técnico integrado em Informática, no Câmpus Xanxerê, e ficará nos Estados Unidos de 12 a 16 de agosto deste ano. É lá que as alunas apresentarão o que desenvolveram para a competição: um aplicativo de celular para auxiliar no combate ao suicídio. Com esta ideia, as estudantes representam o Brasil na disputa pelo primeiro lugar contra outros cinco grupos, de diferentes partes do mundo: Albânia, Espanha, Estados Unidos, Índia e Kazaquistão.

"É um marco para a cidade e a região e ampliará os horizontes dos jovens e especialmente das meninas para área da tecnologia. Elas estão abrindo uma porta gigante", explica o professor de Informática do IFSC e mentor do grupo, Alex Weber. 

Além de aprenderem mais na área de tecnologia da informação, as alunas também precisaram do auxílio de outros servidores do IFSC, como do setor de psicologia, para tratar com sensibilidade e cuidado o tema do suicídio. "Independente de todos os obstáculos que enfrentamos até aqui, chegar na final é uma grande vitória, porque vamos conseguir divulgar o aplicativo e incentivar outras meninas a participar", afirma a estudante Emanuela Maraskin, que se uniu com outras quatro estudantes para desenvolver a ideia: Ana Júlia Giacomeli, Anna Carolina Ferronato da Silva, Clara Noemi Pithon da Silva e Jhuly Kefny da Silva Carvalho. 

O resultado da semifinal foi divulgado nesta terça-feira (25), no site oficial da competição. As seis finalistas são: 

1) Powerful Daisies, do Brasil, com o aplicativo "Safe Tears", que tem como funcionalidade um copo com lágrimas que ajuda os jovens a monitorar seu estado emocional. Para esse monitoramento basta acrescentar ou retirar ‘lágrimas’ do copo. O nível de lágrimas vai subindo (ou descendo) de acordo com o que o jovem está sentido. E diferentes níveis geram mensagens de apoio, alertas, dicas de encaminhamentos e até sugestões de busca por auxílio profissional.

2) CoCo, do Kasaquistão, propôs um jogo 3D para celular chamado "Teco" que interage e desafia o usuário a fim de melhorar a consciência ambiental.

3) D3c0ders, da Albânia, tem o foco de auxiliar mulheres abusadas com o aplicativo Gjejzâ. Oferece testes para diagnosticar a situação doméstica, divide informações gerais, e oferece apoio psicológico e médico.

4) LPSN, da Espanha, quer auxiliar a salvar a vida de mulheres com o aplicativo "When&Where". Ele é capaz de identificar a localização e as rotas por onde a mulher passa e, caso ela modifique o trajeto ou pare, o aplicativo interage com a usuária.

5) Team Uproot, dos Estados Unidos, propôs o aplicativo para o sistema iOS "Uproot". A ideia é identificar e conter informações gerais sobre espécies de plantas, especialmente as nocivas e invasivas. 

6) Tech Witches, da Índia, propuseram o aplicativo "Maitri", que permite interação entre crianças abrigadas em orfanatos e idosos que vivem em lares especiais.

Suicídio aumentou 22% nos últimos cinco anos

A ideia do grupo de Xanxerê, de desenvolver um aplicativo de celular para tentar prevenir o suicídio, surgiu em razão do crescente número de mortes por este motivo, especialmente entre os mais jovens. "Nós sempre pensamos em temas com o objetivo de ajudar as pessoas. Pensamos em depressão, distúrbios alimentares e percebemos que todos esses transtornos poderiam levar ao suicídio", conta a estudante Anna Carolina.

O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mostra que, somados os últimos 20 anos, foram registrados 11.621 suicídios em Santa Catarina. Somente em 2018, foram confirmados 731 suicídios no estado. Cinco anos antes (2013), foram 573. Há 10 anos, 487. Há 15 anos, foram 405. E, há 20 anos, as mortes por este motivo foram 398.

Ao analisar os números, é possível inferir que, até o início dos anos 2000, o número de suicídios aumentava em torno de 1% a 2% a cada cinco anos. A partir de 2003, o percentual começou a subir drasticamente, chegando a 15% se comparado os dados de 2008 e 2013. Depois desse período, os números não pararam mais de aumentar e, quando comparamos 2018 com cinco anos antes (2013), o aumento foi de 22%. Em outras palavras: não é apenas uma “impressão”. O número de suicídios está crescendo, e muito.

“Importantíssimo que o assunto suicídio seja abordado entre os adolescentes com conhecimento e sensibilidade, pois os índices de suicídio e tentativas de suicídio nessa idade estão aumentando muito”, relata a psicóloga do Câmpus Xanxerê, Cristina Folster, que orientou a equipe nas informações constantes no aplicativo "Safe Tears". 

A psicóloga aponta que várias publicações e estudos tentam explicar esse crescimento (negativo) entre os mais jovens. Os principais motivos giram em torno dos seguintes motivos: 1) as crianças e adolescentes estão cada vez mais sozinhos em casa; 2) há pouco diálogo/abertura com os pais e familiares para falar sobre questões emocionais; 3) crianças/adolescentes que crescem sem saber o que é frustração (o "não") e então não sabem lidar com as adversidades da vida; 4) mal uso da internet; 5) relações cada vez mais líquidas.

Outra preocupação gira em torno dos meninos e homens. O número de suicídios entre eles é muito maior do que entre as meninas/mulheres. Uma das principais explicações está no fato de que elas falam e confidenciam mais do que eles. “As meninas relatam às amigas ou me procuram quando não estão bem e relatam quando pensam em suicídio, então consigo realizar uma intervenção. Já os meninos procuram menos, não comentam o que pensam com os outros, como se fosse sinal de fraqueza”, conta Cristina.

Como auxiliar na prevenção

1) “A pessoa que pensa em suicídio, na verdade, não quer acabar com a própria vida e sim com o sofrimento ao qual está passando. Se ela perceber que há outras saídas e pessoas que podem ajudá-la, ela não irá cometer suicídio”, afirma a psicóloga Cristina;

2) Se alguém relatar que está pensando em suicídio, a pessoa deve ouvir sem julgamentos e dar importância ao que está escutando. Nunca minimizar como, por exemplo, comparar os sofrimentos ("tem gente que não tem nem o que comer e você aí sofrendo por causa de um namoro” ou “isso não é nada vai passar”);

3) Mostrar para a pessoa que está sofrendo que ela não está sozinha. E acompanhá-la ao procurar ajuda profissional;

4) Leia e busque auxílio sobre o tema no Centro de Valorização da Vida (CVV). Segundo o CVV, 90% dos suicídios podem ser prevenidos.

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