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Mulheres na Engenharia: professora e egressas do Câmpus Chapecó contam suas experiências

CÂMPUS CHAPECÓ Data de Publicação: 26 jul 2021 15:49 Data de Atualização: 27 jul 2021 15:45

Os cursos de graduação que têm menos mulheres, entre os 20 maiores cursos em números de matrículas no Brasil, são principalmente das áreas de exatas e tecnológicas. Os dados do Censo do Ensino Superior de 2019 mostram que a Engenharia Mecânica é o curso com a menor presença feminina, apenas 10,1% das matrículas, seguido respectivamente das graduações em Sistemas de informação (14%), Engenharia civil (30,2%) e Engenharia de produção (33,7%).

Na Engenharia de Controle e Automação do Câmpus Chapecó do IFSC, por exemplo, das 240 matrículas ativas, apenas 21 são de mulheres. Isso também reflete no número de estudantes que já concluíram a graduação, pois do total de 74, oito são do gênero feminino.

Apesar dos números revelarem que esses cursos têm predominância masculina, isso não impede que elas ganhem espaço e demonstrem competência na área. Conversamos com engenheiras mulheres, professora e egressas do Câmpus Chapecó do IFSC, que contam suas experiências. Afinal de contas, mulheres podem, sim, se dar bem nas engenharias e onde mais elas quiserem.

Inscrições de 03 a 06 de agosto

Fique ligada(o)! Se você tiver interesse em estudar Engenharia de Controle e Automação, no Câmpus Chapecó, a inscrição para a turma que inicia no segundo semestre de 2021 será de 03 a 06 de agosto, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Veja aqui as informações.

Primeira engenheira do câmpus

Pricila Cerezolli, de 27 anos, foi a primeira engenheira mulher a se formar pelo Câmpus Chapecó do IFSC, em 2016. Atualmente, atua como Analista de Business Intelligence em uma empresa de desenvolvimento de software na área da saúde. O intercâmbio foi uma das experiências que mais a marcou na graduação, pelas oportunidades proporcionadas. 

No Canadá, trabalhou por três meses em um dos laboratórios do departamento de engenharia mecânica e aeroespacial da Carleton University, onde era a única mulher. No entanto, pode conhecer e trocar experiências com diversas engenheiras, não só do Canadá, mas também de outros países como Índia e México. 

“O que eu pude perceber, não só através da minha experiência, mas também a partir da troca com estas mulheres engenheiras de outros países, é que devemos buscar os espaços acadêmicos e de trabalho alinhados com nossos valores, onde somos respeitadas enquanto mulheres e profissionais. Quando começarmos a ocupar esses espaços, mostrando o nosso diferencial, acredito que cada vez mais vamos estimular a participação feminina no mercado de trabalho, nos encaminhando na busca para a equidade” afirma Pricila.

Ela acredita que muitas mulheres desistem de ingressar ou continuar na engenharia, justamente pelas questões de assédio e discriminação, e com isso mulheres talentosas e com potencial para atuar na área acabam tomando outros rumos. Diz ainda que as boas experiências precisam ser compartilhadas:

“Vejo, por exemplo, que muitas empresas têm desenvolvido projetos e programas relacionados à participação de mulheres nas mais diversas áreas, inclusive em cargos de engenharia e liderança. E isso não só como uma forma de atrair mais mulheres, mas para incentivar que elas permaneçam nesses cargos. Este tipo de ação acaba refletindo nas demandas do mercado de trabalho, chamando a atenção desse público para atuação nessa área. Acredito que esta é uma forma bastante interessante de abrir portas, gerar oportunidades, estimulando a maior participação e engajamento de mulheres dentro desta área”, relata.

Recém formada

A última turma a se formar na Engenharia do Câmpus Chapecó contou com três formandas mulheres, algo pouco comum e a ser comemorado. Uma delas foi Mariana Mileny da Silva, de 25 anos. Mariana sempre demonstrou interesse em estudar a mecânica por trás das coisas, tanto é que antes da Engenharia já havia feito um curso técnico em mecatrônica. Atualmente, atua como Projetista Jr. em uma empresa especializada em soldagem, área que despertou seu interesse na graduação.

Inserida em espaços predominantemente masculinos desde os 14 anos, ela afirma: “Não posso negar que há muito assédio e muita discriminação por parte dos homens, vivenciei diversos episódios onde questionaram minha capacidade de fazer as coisas e sempre senti que para ganhar algum mérito, precisaria me esforçar e trabalhar duas vezes mais do que um homem comum. Esse tipo de atitude desanima bastante e chega um ponto que você começa a se perguntar se você está na área certa ou se nasceu pra fazer isso mesmo. Mas colocando seus sentimentos em primeiro lugar, você consegue se valorizar e ver o quanto você é especial por estar vivendo tudo isso e seguindo em frente”.

E ainda lembra: “Consegui criar muitos vínculos especiais e tive amigos homens maravilhosos que me apoiaram desde o início, mas sempre há um receio de se aproximar de algum homem e minha intenção ser enxergada de forma errônea”.

Mariana acredita que as engenheiras devem mostrar, cada vez mais, seus trabalhos e depoimentos para que as pessoas possam ver que não é tão incomum quanto parece mulheres ocupando esses espaços. Também destaca que os homens devem fazer sua parte na hora de corrigir colegas que estão sendo machistas e preconceituosos para poder acabar com a normalização desses comportamentos.    

Engenheira e professora

Desde muito cedo, a professora do Câmpus Chapecó Keli Damin, de 32 anos, já despertava interesse pelas exatas, tanto que na escola as disciplinas de física, química e matemática eram as que mais gostava. Por isso, optou fazer Engenharia de Materiais, pela afinidade com a área. Depois da graduação, chegou a trabalhar por cinco anos em uma metalúrgica, atuando no pavilhão da fundição, onde dos cerca de 70 trabalhadores, apenas duas eram mulheres.

Ela relata que a maioria deles sempre a respeitou, pelo menos dentro da empresa. Mas também diz já ter sofrido assédio fora do ambiente de trabalho, nas confraternizações da empresa. “Em 2012, não se falava muito como se fala hoje em assédio, então eu só fui perceber que aquilo era assédio há pouco tempo. Por isso, é muito importante que essas questões sejam amplamente debatidas, porque eu acabei sendo assediada várias vezes e eu achava que a pessoa só estava falando aquilo porque estava no churrasco e estava bêbada”, conta.

Para ela, falta as meninas se identificarem com a área, ver outras mulheres trabalhando e tendo cargos de chefia dentro da engenharia. “As engenheiras mulheres poderiam ir para as escolas de ensino básico contando como é a rotina, o trabalho delas. As meninas têm que se identificar com as mulheres engenheiras para que elas sintam-se atraídas pela área”, sugere.

Conselho para as futuras engenheiras

Ao final, as entrevistadas deixaram conselhos para as futuras engenheiras: “Siga sua intuição e confie no seu potencial. Sei que essa frase é bem clichê, mas se a gente parasse para ouvir cada besteira que os outros falam para desanimar nossa jornada, não chegaríamos tão longe. É um curso difícil para todos, então não desista nos primeiros obstáculos! Se é o que você gosta, siga em frente que vai dar tudo certo”, diz Mariana.

“Persista! Não deixe que as dificuldades sejam fatores decisivos para suas escolhas, utilize os desafios a seu favor, como combustível para aprender e crescer ainda mais. Acredite em você em primeiro lugar, em quem você é, no que deseja, no seu potencial e não desista de alcançar os seus objetivos. Todo o esforço e dedicação valem a pena, é recompensador!”, afirma Pricila.

“Se é da vontade delas, que realmente cursem engenharia, o IFSC  é um espaço bem aberto, bem sadio com relação a isso. Eu acho que elas têm que cursar o que elas querem e não se prender ao “ah, é um curso de homem ou é um curso de mulher”. Elas têm que fazer o que querem!”, pondera a professora Keli.

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