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Como a educação profissional pode contribuir para o combate à desinformação?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 22 dez 2021 17:21 Data de Atualização: 23 dez 2021 16:58

Chegamos ao final do segundo ano de publicações do IFSC Verifica, canal de comunicação científica concebido pela equipe da Diretoria de Comunicação do IFSC para combater a desinformação, no contexto da pandemia de Covid-19.

Desde maio de 2020, quando demos início ao então projeto de extensão, até o final de 2021, publicamos 43 posts com o objetivo de disponibilizar aos nossos leitores informação qualificada, clara e confiável sobre a pandemia. Foi e tem sido um trabalho desafiador, já que os avanços da ciência, as lições e as dúvidas em torno dos muitos aspectos desse tipo de situação se renovam a cada dia.

Olhando em perspectiva, percebemos o quanto aprendemos desde o primeiro semestre de 2020, quando as vacinas ainda estavam sendo desenvolvidas e as características da nova enfermidade iam sendo compreendidas. Neste fim de 2021, já não há como contestar que os cuidados de prevenção, aliados à proteção proporcionada pelas vacinas, levam a um cenário mais otimista em relação à ideia de que, sim, a pandemia pode ser controlada.

Contamos, desde o início, com o apoio essencial do corpo de pesquisadores do IFSC, que foram nossas fontes prioritárias de informação em tudo o que abordamos em torno da pandemia nesses 20 meses. Sem a generosidade desses docentes e técnicos, que compartilharam seus conhecimentos e nos ajudaram a entender melhor o que estávamos vivendo, não teríamos obtido resultados relevantes – expressos, inclusive, na conquista de três troféus no Prêmio Fapesc de Jornalismo em Ciência, Tecnologia e Inovação e a condição de finalistas na etapa estadual do Prêmio Confap. O bom desempenho de nossas publicações nesses concursos importantes é, para nós, sinal de que todo o esforço em busca de informação qualificada cumpriu seus objetivos.

Que venha 2022, com mais combate à desinformação

A partir do próximo ano, o IFSC Verifica mantém seu propósito de contribuir socialmente para o combate à desinformação, valorizando o conhecimento científico, a tecnologia e a inovação. Optamos, porém, por ampliar o leque temático de nossas publicações, passando a abordar assuntos para além da pandemia de Covid-19, que foi o motor de nossas pautas nos meses iniciais.

Percebemos que há muito a contribuir quando se trata da necessidade de educação para a ciência em nossa sociedade. Vale lembrar o cenário atual de questionamentos em relação às finalidades do trabalho científico, como já abordamos neste post do Blog do IFSC. E retomar, também, os impressionantes dados da pesquisa “Percepção pública da ciência e tecnologia no Brasil”, lançada em 2019, que mostrou que, embora a maioria (73%) das pessoas pensem que a ciência e a tecnologia trazem benefícios à sociedade, um percentual ainda maior (90%) não sabe citar o nome de um cientista brasileiro, ou não consegue identificar (88%) uma instituição nacional que faça pesquisa científica.

Em outras palavras, embora o senso comum reconheça a importância da ciência e os benefícios que ela traz à sociedade, as pessoas tendem a apresentar dificuldade para perceber o quanto de ciência existe em seu cotidiano. Para o professor do Câmpus São José Marcelo Girardi Schappo, que atua na área de Física e desenvolve projetos de divulgação científica em diversas frentes, isso é indicativo da grande necessidade que temos hoje de educação para a ciência. “Há um desafio enorme a ser superado, ou seja, se as pessoas não conhecem a ciência, elas não têm como reconhecer os produtos e os benefícios da ciência dentro da vida delas”, observa o professor. No vídeo abaixo, ele fala um pouco mais sobre a importância de que as pessoas percebam a relação entre ciência e cotidiano.

Internet, pseudociências e desordem informacional

Além do aparente sentimento de afastamento nutrido pelas pessoas em relação à ciência, outro desafio a enfrentar é o que os estudiosos da área da comunicação têm chamado de “desordem informacional” – que tem as populares “fake news” como a sua manifestação mais saliente – outro post do Blog do IFSC, em 2020, abordou esse tema.

Impulsionadas pelo maior acesso que as redes digitais disponibilizam, as “fake news” – ou, dizendo de maneira mais apropriada, a desinformação – são criadas com intenção maliciosa, no intuito de confundir, tirar a credibilidade de instituições ou pessoas e disseminar mentiras. A desinformação é o principal veículo para a alimentação de teorias da conspiração e ideias de descrédito ao conhecimento científico. Dois exemplos expoentes, que todos já devem ter ouvido falar, são a ideia da Terra plana e o movimento anti-vacina. Mas há muitos outros: os que questionam as mudanças climáticas, aqueles que justificam preconceitos raciais e de gênero com argumentos supostamente biológicos, os que sustentam a hipótese criacionista e rechaçam a teoria da evolução das espécies, a imensa quantidade de pessoas que acreditam na astrologia – que Schappo define como “a Terra plana socialmente aceita” e os negacionistas do holocausto.

Para o professor Marcelo Schappo – que se dedica intensamente a ações educativas que combatam mitos e pseudociência -, o negacionismo da ciência e as teorias da conspiração não surgiram com a internet. Tanto a “Terra plana” quanto o negacionismo dos benefícios da vacina são ideias bastante anteriores à popularização das redes digitais. “O que a internet trouxe foi a possibilidade desses negacionistas se encontrarem, de formarem grupos e, com isso, ganharem força, voz e visibilidade”, analisa.

Além disso, os algoritmos das mídias sociais também tendem a mostrar para os usuários apenas os conteúdos relacionados ao que eles costumam acessar, o que não favorece o pensamento crítico e a consulta a ideias de contraponto. “Por outro lado, é inegável que a internet permite de forma muito abrangente que o conhecimento científico de qualidade também seja disponibilizado. Então o problema não é a internet, ela não é a vilã da história. Muita gente hoje se informa por redes sociais, mas em canais que têm credenciamento científico e idoneidade”, complementa o pesquisador.

Existe luz no fim do túnel?

Contra a desinformação, a melhor estratégia de combate é a informação qualificada, clara e confiável, democratizada em veículos de acesso livre, produzida a partir de fontes idôneas e apresentada em linguagem acessível. São muitas as iniciativas que têm se apresentado com esse perfil em veículos de comunicação, programas de divulgação científica e mesmo nas redes sociais, onde cientistas, professores e pesquisadores têm cada vez mais disponibilizado conhecimento qualificado em seus perfis.

O IFSC Verifica pretende ser mais uma alternativa de informação científica qualificada em meio à pandemia de desinformação. Enquanto instituição de educação profissional, científica e tecnológica, o potencial do IFSC na produção e compartilhamento desse tipo de conhecimento é imenso: afinal, atuamos num amplo leque de níveis de ensino, numa gama muito grande de eixos tecnológicos e áreas do conhecimento.

“O IFSC faz um trabalho de excelência na questão de geração de conhecimento. Eu acredito que o IFSC, com sua abrangência e capilaridade e, principalmente, com a marca dos institutos federais, que é a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, tem muito a contribuir com a questão do combate à desinformação”, analisa a pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IFSC, Flávia Maia Moreira – professora da área de Ciências Biológicas no Câmpus São José.

Flávia destaca que a natureza das atividades do IFSC favorece a interdisciplinaridade, e isso representa também grande potencial para a abordagem de assuntos relevantes para a sociedade. “A proximidade entre as diferentes áreas é um diferencial do IFSC e da Rede, com muitas possibilidades de articulações de projetos”, ressalta. O conhecimento produzido dentro da instituição tem na extensão um dos caminhos para impactar a sociedade, além da disponibilização de informações em linguagem acessível, por meio da divulgação de ciência e tecnologia. 

O professor Marcelo Schappo tem percepção semelhante. “O IFSC é um berço de informação, tanto na própria questão da produção de conhecimento, pois temos pesquisadores de ponta nas mais diversas áreas, como também com o corpo de jornalismo bastante capacitado para comunicar o conhecimento com palavras acessíveis ao público que nos acompanha. A simbiose é perfeita”, elogia. Schappo observa também que esse potencial se estende a todas as instituições de ciência e tecnologia, em especial as universidades públicas e institutos federais. “Aqui a gente pode atacar vários mitos, pseudociências e desinformação de forma proativa”, acrescenta.

Continue acompanhando o IFSC Verifica

Faremos uma pausa estratégica durante o mês de janeiro para reorganizar nosso canal, e também para aproveitar um pouco as férias escolares (todos merecemos!). Em fevereiro, o IFSC Verifica retorna às suas publicações mensais, sempre buscando desmistificar questões delicadas e esclarecer assuntos do nosso dia a dia, à luz da ciência e da tecnologia. Continue conosco e vamos em frente!

Saiba mais

A pandemia de Covid-19 e a onda de desinformação nos obrigam a um constante aprendizado. Saiba mais sobre a importância da informação no Blog do IFSC e no IFSC Verifica.

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Tem alguma dúvida sobre assuntos de ciência e tecnologia? Quer comentar algo sobre este post? Escreva pra gente enviando e-mail para verifica@ifsc.edu.br.

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