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Como foi o tempo em 2021? Monitoramento das informações auxilia na previsão do tempo e estudos climatológicos

CÂMPUS CANOINHAS Data de Publicação: 14 jan 2022 15:39 Data de Atualização: 17 jan 2022 14:34

O dia mais quente, a temperatura mais baixa, o mês que mais choveu. Assim como os próprios fenômenos naturais, os dados meteorológicos também chamam a atenção. Mas, o que é curiosidade para alguns é assunto sério quando lembramos a importância do monitoramento e do estudo destes dados para entender as condições do tempo, prever fenômenos extremos e planejar estratégias de prevenção e recuperação de danos.

Com base nos dados registrados pela estação meteorológica instalada no Câmpus Canoinhas do IFSC e nos relatórios mensais das Condições do Tempo no Planalto Norte Catarinense, elaborados pelo Centro Integrado de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cigerd) – Regional de Canoinhas da Defesa Civil de Santa Catarina, os técnicos em meteorologia Cristiano Zucco e Maria Taís Zucco apresentam uma análise das principais informações sobre as condições climáticas em 2021.

“A estação meteorológica do IFSC Câmpus Canoinhas é muito importante para monitorar as condições meteorológicas em nosso município, tanto na área urbana como na rural, servindo como uma grande ferramenta de auxílio na previsão do tempo e desenvolvimento de estudos climatológicos da nossa região”, enfatizam os irmãos canoinhenses, que se formaram no curso técnico em Meteorologia em julho de 2019, no Câmpus Florianópolis do IFSC.

Temperatura

Quem lembra do dia mais frio do ano? Em Canoinhas, a menor temperatura foi a registrada pela estação meteorológica do IFSC em 30 de julho: -4,8°C. “A atuação de uma forte e intensa massa de ar frio de origem polar ocasionou vários dias de temperaturas baixas e negativas no final do mês de julho em todo estado”, explicam os técnicos.

Mas se o frio foi extremo, o oposto não ocorreu. “As temperaturas máximas registradas no ano de 2021 foram amenas com poucos dias de calor, sem extremos, devido à influência do fenômeno climático La Niña e períodos de neutralidade”, justificam. A maior temperatura registrada em Canoinhas foi há menos de um mês, 33,3°C em 16 de dezembro.

Acompanhe no gráfico as temperaturas mínimas e máximas de cada mês:

Chuva

O acumulado de chuva no ano passado foi de 1.192,6 mm. Os relatórios mostram que o mês de janeiro teve o maior acumulado de chuva, com 317,2 mm registrados, e o mês que menos choveu foi abril, com apenas 8,4 mm. “O ano apresentou períodos de pouca chuva, favorecendo a crise hídrica em decorrência da estiagem”, comentam Cristiano e Taís.

Seguem os dados de cada mês:

  • Janeiro 317,2 mm
  • Fevereiro 71,6 mm
  • Março 174,4 mm
  • Abril 8,4 mm
  • Maio 56 mm
  • Junho 113,6 mm
  • Julho 30,6 mm
  • Agosto 40,6 mm
  • Setembro 97,4 mm
  • Outubro 180,8 mm
  • Novembro 40,6 mm
  • Dezembro 61,4 mm
  • Acumulado anual: 1.192,6 mm

Veja a representação no gráfico:

Umidade do ar

Quanto à concentração de água existente no ar, os dados acompanham os baixos índices pluviométricos. E apenas os meses de janeiro (51%) e junho (50%) ficaram dentro dos parâmetros considerados ideais para a saúde dos seres humanos, entre 50 e 60%, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Nos outros dez meses de 2021, a umidade relativa do ar chegou no máximo a 40%. Os dias mais secos foram 18 de fevereiro e 17 de julho, com apenas 25% de umidade no ar.

Confira:

  • Janeiro 51%
  • Fevereiro 25%
  • Março 36%
  • Abril 36%
  • Maio 26%
  • Junho 50%
  • Julho 25%
  • Agosto 32%
  • Setembro 32%
  • Outubro 40%
  • Novembro 30%
  • Dezembro 29%

Veja no gráfico:

Monitoramento

Instalada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) em parceria com o IFSC e Embrapa, a estação meteorológica do Câmpus Canoinhas é uma estação automática com telemetria operacionalmente mantida por energia solar e que engloba a rede de estações meteorológicas operadas pela Epagri no Planalto Norte.

Conforme os técnicos em meteorologia, a estação do IFSC tem um diferencial importante em relação à outra estação existente em Canoinhas, que é justamente o local em que foi instalada, longe de obstáculos que proporcionam menores interferências na captação dos dados. Além disso, possui todas as variáveis necessárias para o monitoramento do tempo: precipitação em milímetros (mm); umidade em porcentagem (%); temperatura máxima e mínima em graus Celsius (°C); vento; e pressão atmosférica em hectopascal (hPa).

“Com isso temos uma base completa de dados para auxiliar em todos os eventos meteorológicos e no desenvolvimento de estudos científicos”, explicam Cristiano e Taís. Estas variáveis são medidas pela estação em intervalos regulares e os dados transmitidos por celular para o banco de dados em Florianópolis, onde as informações são processadas. Todas as informações estão disponíveis no site da Epagri/Ciram, na plataforma Agroconnect. No mapa, é preciso pesquisar por Canoinhas e selecionar a estação Canoinhas – IFSC 1063, que fica a 776 metros de altura.

Contribuições

Para os técnicos em meteorologia, “é de suma importância para a Defesa Civil e outros órgãos públicos ter acesso aos dados da estação para acompanhar e monitorar os impactos de eventos meteorológicos extremos em nosso município, sendo uma grande ferramenta na prevenção de desastres naturais”.

Neste sentido, eles lembram que Canoinhas é frequentemente impactada por eventos meteorológicos extremos, como inundações graduais, enxurradas, vendavais e tempestades de granizo. No histórico do município, há ainda o registro de tornados nos anos de 1991, 2007 e 2008.

Outro ponto importante é a contribuição destes dados para o setor agrícola, que precisa receber informações das condições meteorológicas favoráveis para o plantio e colheita. “Através do acesso a essas informações, é feito o monitoramento dos impactos de eventos climáticos que afetam o campo, como a estiagem que afeta o nosso município neste início de 2022”, lembram.

Previsão

De acordo com a previsão climática da Epagri para o primeiro trimestre deste ano, a previsão de chuva é distinta para as regiões de Santa Catarina, com chuvas mal distribuídas em todas as regiões. Para o Planalto Norte, a previsão é de chuva próximo a abaixo da média, com dias ensolarados frequentes.

Para janeiro, a média de chuva prevista é de 150 a 210 mm do Oeste ao Planalto. Em fevereiro, a previsão é de 130 a 170 mm de chuvas no Planalto Norte. E, em março, a média na região deve ficar entre 110 e 150 mm.

“Destaque nesta época do ano, sobretudo em janeiro, é a alta incidência de temporais com raios, granizo e ventania em Santa Catarina. Por vezes ocorrem acumulados significativos de chuva em curto espaço de tempo”, informa a Epagri, recomendando o acompanhamento diário dos boletins e informações disponibilizados no site.

Profissão

Segundo o Guia de Cursos do IFSC, o técnico em meteorologia é o profissional que dá suporte direto ao meteorologista, atuando desde a coleta de dados no campo até a disponibilização desses dados com qualidade e clareza. Realiza a leitura, codificação, decodificação e registro dos elementos de observação meteorológica. Além disso, analisa e interpreta dados meteorológicos, organizando-os em bancos de dados. O técnico desta área ainda procede a instalação, operação, aferição e manutenção de estações meteorológicas e desenvolve sistemas computacionais para tratamento e divulgação de informações. No IFSC, o curso técnico em Meteorologia é ofertado no Câmpus Florianópolis.

“Para nós foi uma grande experiência poder ingressar no curso e realizar esse sonho. Tivemos a oportunidade de estagiar na área e trabalhar com excelentes meteorologistas, que foram nossos professores e orientadores, para o desenvolvimento de vários trabalhos, contribuindo para a participação em eventos nacionais e internacionais”, lembram Cristiano e Taís. Um trabalho sobre variabilidade mensal dos extremos de precipitação na Planície Litorânea de Santa Catarina, inclusive, chegou a ser apresentado no Simpósio Internacional de Climatologia.

Taís, que também fez o curso técnico em Edificações do Câmpus Canoinhas, foi bolsista na área de pesquisas climatológicas de Santa Catarina pelo IFSC e Epagri/Ciram. Cristiano foi observador meteorológico da estação meteorológica do Câmpus Florianópolis. Atualmente, eles assinam o Relatório Mensal das Condições do Tempo no Planalto Norte Catarinense produzido pelo Cigerd – Regional de Canoinhas.

Veja os relatórios do último ano:

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