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Evento do IFSC debate literatura com autores nacionais

CÂMPUS GAROPABA Data de Publicação: 07 jun 2017 21:00 Data de Atualização: 06 fev 2018 15:30


Pequena cidade do litoral Sul de Santa Catarina, Garopaba foi o cenário escolhido para abrigar a história do renomado livro Barba ensopada de sangue, cujo autor, o gaúcho Daniel Galera, participou na quarta (7) da 1ª Garopa Literária, evento promovido pelo Câmpus Garopaba do IFSC. Diante de uma plateia de aproximadamente 100 pessoas no centro de eventos do câmpus, Daniel falou sobre sua relação com a cidade e sobre os bastidores da produção do livro. “Vi em Garopaba um potencial narrativo. Encontrei aspectos da cidade que me deram vontade de escrever. Já estive em vários lugares que não me deram a mesma vontade literária”, disse.

Traduzido para mais de dez línguas, Barba ensopada de sangue, quarto romance de Daniel Galera (à direita na foto), narra a história fictícia de um professor de educação física sem nome (tratado apenas por “ele”) que busca refúgio em Garopaba após o suicídio do pai, ao mesmo tempo em que tenta saber a verdade sobre o avô, que desapareceu há anos e teria sido assassinado na cidade.

O autor, nascido em 1979 em São Paulo e que cresceu em Porto Alegre, conhecia Garopaba desde a adolescência como turista e teve a ideia de usar a cidade catarinense de 18 mil habitantes como cenário para o livro depois de ir morar lá, em 2008. “Quando vim para cá, não tinha ideia de escrever o livro. Queria ficar sozinho, em uma cidade menor, onde não conhecia ninguém. Achei que era a hora de fazer isso”, contou o escritor, que viveu em Garopaba por um ano e meio.

Alguns personagens têm características tiradas de moradores locais, embora nenhum seja puramente inspirado em uma pessoa. Um dos capítulos foi escrito ainda na cidade catarinense e os outros em Porto Alegre, onde o escritor voltou a morar.

O evento – uma mistura de palestra com entrevista e bate-papo mediado pelo também escritor e professor universitário Paulo Scott – do qual Daniel Galera participou na 1ª Garopa Literária tinha como tema “Garopaba como cenário literário”. Em Barba ensopada de sangue, o autor mostrou uma Garopaba além das belezas naturais e do lado “paradisíaco” que costumam aparecer em outras obras que têm a cidade como ambiente. Um detalhe curioso é que não há, por exemplo, surfistas na história, embora ela se passe numa região conhecida pela prática do surfe.

A vida fora da temporada de verão, ganha-pão de grande parte dos garopabenses, aparece no livro: a história se passa de fevereiro a novembro. Durante o tempo em que viveu na cidade, chamaram a atenção do autor também temas como as histórias da pesca da baleia, a migração em massa de gaúchos para a região e os conflitos culturais causados por ela.

Nem por isso a natureza deixa de ter espaço na obra e, em determinado momento da conversa, Daniel falou sobre meio ambiente – afinal, a 1ª Garopa Literária faz parte da programação da Semana do Meio Ambiente do Câmpus Garopaba. Para ele, as novas tecnologias e a própria consciência humana afastam o homem da natureza, mas esse não é um comportamento sustentável no longo prazo. “Vemos a natureza como ‘aquilo lá fora’. Temos que ver se vamos nos entrosar com o resto do ambiente ou continuaremos a fingir que somos especiais”, comentou.

Pensando grande

Quem sabe, um dia Garopaba torne-se uma referência em evento sobre literatura como é Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, onde ocorre anualmente, desde 2003, a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Pensando grande assim, a estudante Morgana Kretzmann, do primeiro semestre do curso superior de tecnologia em Gestão Ambiental do Câmpus Garopaba, explica a origem da Garopa Literária, idealizada por ela.

“Por que não ser um local para um festival literário? Acho que tem esse potencial em Garopaba para que se torne um polo para eventos sobre literatura”, avalia Morgana, que atua como atriz, dramaturga e roteirista e veio morar recentemente em Garopaba com o marido, o escritor Paulo Scott, depois de dez anos vivendo no Rio de Janeiro. Fez o vestibular para o IFSC ano passado e está desde março estudando câmpus.

O coordenador do curso de Gestão Ambiental, João Henrique Quoos (na foto, com Morgana e Daniel Galera), também acredita que a Garopa Literária pode se tornar grande. Para ele, “este é o primeiro passo para futuras edições do evento, sempre com a intenção de tornar Garopaba uma referência cultural, um local de debates e encontros entre leitores, autores e interessados em literatura em geral”.

Como parte da Semana do Meio Ambiente, a Garopa Literária trouxe autores que, de alguma maneira, abordam o meio ambiente em suas obras, como o próprio Daniel Galera e Santiago Nazarian, Paulo Scott, Patricia Galelli e Viegas Fernandes da Costa (que, além de escritor, é professor do Câmpus Garopaba). Todos vieram gratuitamente, apenas com o IFSC arcando com custos de transporte e hospedagem. “Sempre fantasiei que pudesse haver um evento literário em Garopaba e hoje isso se tornou realidade”, festejou Daniel Galera, o autor de Barba ensopada de sangue.

Programação

A programação da 1ª Garopa Literária inclui palestras, debates e oficinas que começaram na segunda, dia 5, e vão até sexta, 9. No sábado, 10, às 18h, ocorre o encerramento oficial, no Centro Histórico de Garopaba, com show ao vivo, intervenções urbanas e bate-papo informal entre escritores convidados do evento.

Saiba mais sobre a Garopa Literária no site do Câmpus Garopaba e na página do evento no Facebook

Por Felipe Silva | Jornalista IFSC

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