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Conheça o Carlos e sua história de perseverança por uma vaga no IFSC

CÂMPUS JARAGUÁ DO SUL-RAU Data de Publicação: 17 ago 2017 21:00 Data de Atualização: 06 fev 2018 15:33


Você já ouviu falar que não se pode “dormir no ponto”, não é? Quem “dorme no ponto” acaba ficando para trás ou perdendo aquilo que está buscando. Mas foi justamente a ideia de dormir no ponto que fez Carlos Alexandre Rodrigues Silveira, de 33 anos, conquistar seu objetivo. Determinado a entrar no curso técnico em Mecânica do IFSC em Jaraguá do Sul, ele passou 12 horas seguidas – inclusive a madrugada inteira – em frente ao Instituto esperando para garantir a vaga que seria distribuída por ordem de chegada aos interessados.

Natural de Rio Grande (RS), Carlos já havia tentado uma vaga no curso técnico do Câmpus Jaraguá do Sul-Rau por meio do sorteio de vagas. Inscrito no processo seletivo da turma noturna, ele ficou fora da lista dos sorteados. Em seguida, no dia 26 de julho, veio ao IFSC novamente para buscar a vaga por meio do “chamadão”, no qual as vagas não preenchidas na primeira chamada são distribuídas aos demais candidatos conforme a ordem da lista de espera do sorteio. Mas, infelizmente, não teve sorte. “Eram 14 vagas e eu era o 40º na fila do chamadão, mas a última vaga foi preenchida pela pessoa que estava na minha frente, com o número 39”, conta.

Persistente por natureza, ele não perdeu as esperanças. Foi graças à sua persistência, por exemplo, que ele conseguiu um emprego na área de usinagem numa multinacional de Jaraguá do Sul e, em seguida, também conquistou o acesso a um curso de formação profissional oferecido internamente na empresa. Desta vez, seu objetivo era a vaga no curso técnico em Mecânica e não seriam as duas portas fechadas – a primeira no sorteio e a segunda no chamadão – que iriam desanimá-lo.

Depois de perder a vaga na turma da noite para a pessoa em 39º colocação na lista do chamadão, Carlos imediatamente procurou a Secretaria Acadêmica em busca de informações sobre as vagas remanescentes que tinham sido anunciadas para o turno vespertino. “Me disseram que havia cinco vagas para o período da tarde, mas que eu teria que esperar pela divulgação das vagas remanescentes e que elas seriam preenchidas por ordem de chegada”, lembra.

Nos dias seguintes, voltou a consultar a Secretaria Acadêmica mais três vezes até que, em 31 de julho, uma segunda-feira, recebeu a informação de que as vagas remanescentes tinham sido divulgadas e que as inscrições ocorreriam no dia seguinte, a partir das 9h, por ordem de chegada. “Isso eram umas sete horas da noite. Aí eu fui pra casa com o plano de acordar cedo e vir para o IFSC lá pelas cinco horas da manhã”.

Mas, além de esperançoso, Carlos também estava ansioso. Ao chegar em casa, ficou pensando se não haveria uma outra maneira de chegar mais cedo e, de fato, garantir uma das cinco vagas do curso. “Foi aí que eu conversei com minha mulher e pedi: ‘me faz um café que eu vou dormir lá na frente hoje de noite’”, recorda com um sorriso no rosto.

Trabalhador do primeiro turno – que começa às 4h42 na empresa –, acordar cedo não seria problema. Mas dormir no carro, longe da família e apenas com um travesseiro e uma coberta não é algo comum para ele. A motivação para esse esforço vinha, principalmente, da vontade de se especializar na área de Mecânica e crescer na profissão. “A gente tem que estar sempre estudando para conseguir melhorar, inclusive dentro da empresa”, afirma.

Às nove horas da noite daquela segunda-feira, Carlos estacionou o carro, um Pálio branco, em frente ao número 445 da rua dos Imigrantes, no bairro Rau. Conversou com o vigilante que estava de plantão e perguntou se haveria problema em dormir por ali, dentro do carro. “O vigia foi lá dentro da escola, conversou com alguém e voltou pra me dizer que tudo bem, desde que fosse fora do câmpus. Então eu entrei no carro e por ali fiquei”.

Na medida em que as horas passavam, outros candidatos surgiam. “De madrugada veio a segunda pessoa, mas era pro curso técnico em Eletrotécnica. Depois, chegou o segundo que queria Mecânica, assim como eu”. Pontualmente às nove da manhã, Carlos estava com a documentação em mãos e era o primeiro da fila na Secretaria Acadêmica para a matrícula no curso.

Pai das crianças Nicollas, Nathaly e Kemily e casado há 14 anos com Vanessa, agora ele também é estudante da primeira fase do curso técnico em Mecânica do Câmpus Jaraguá do Sul-Rau do Instituto Federal de Santa Catarina.

Por Daniel Augustin Pereira | Jornalista IFSC

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