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Pesquisa sobre esfoliantes biodegradáveis a partir da casca da manga é destaque em competição acadêmica

CÂMPUS JARAGUÁ DO SUL-CENTRO Data de Publicação: 27 mar 2019 07:00 Data de Atualização: 27 mar 2019 10:09
Pesquisa sobre esfoliantes biodegradáveis a partir da casca da manga é destaque em competição acadêmica

4 de abril é o último dia de inscrições do Desafio IFSC de Ideias Inovadoras. A iniciativa, que visa promover o empreendedorismo e a inovação tecnológica em seus alunos, premia as melhores ideias com valores em dinheiro para que elas saiam do papel e sejam colocadas em prática como projetos de pesquisa aplicada.

Isso foi o que aconteceu com um grupo de quatro alunos do Câmpus Jaraguá do Sul-Centro, que formou a equipe Mangaláticos e conquistou a 6ª colocação na edição 2018 do Desafio. Fazer polímeros biodegradáveis que evitam a destruição e a poluição do meio ambiente foi a motivação desse grupo.

Após observarem a grande quantidade de cascas que são jogadas fora diariamente nos lixos, os integrantes da equipe resolveram investir tempo num projeto que pudesse encontrar uma finalidade comercial para essa grande quantidade de matéria orgânica. “Resolvemos extrair da casca da manga a substância necessária para fazer microesferas biodegradáveis, que são aquelas bolinhas normalmente encontradas no sabonete que servem para fazer esfoliação da pele”, conta Evelin Caroline Bilibio de Andrade, hoje já egressa do Ensino Médio Técnico Integrado em Química.

Os estudantes perceberam que as microesferas utilizadas nos produtos esfoliantes tradicionais não possuem destinação adequada, pois o tratamento do esgoto das cidades não dá conta de remover da água esse produto. “O plástico de que são feitas essas esferas demora centenas de anos para se decompor e, devido ao tamanho do material, as estações de tratamento não conseguem reter esse plástico e ele acaba sendo jogado nos rios e mares. Por isso nós estamos desenvolvendo uma microesfera biodegradável que vai se decompor naturalmente em cerca de um ano”, explica o mangalático Júlio Spezzia de Souza, que também concluiu o curso no final do ano passado, mas que ao lado de Evelin, segue auxiliando na pesquisa, ainda sob a orientação do professor Juliano Ramos.

Ao utilizar um material extraído de rejeitos orgânicos e que permite a degradação rápida das microesferas, o grupo espera contribuir para resolver problemas como o dano ambiental gerado pela produção de celulose que é a matéria-prima para as microesferas biodegradáveis e a grande quantidade de plástico que acaba nos oceanos e que, por consequência, também é ingerida e acumulada por seres vivos.

Sem parar

O valor conquistado em setembro passado na final do Desafio IFSC de Ideias Inovadoras está sendo aplicado na aquisição de materiais e equipamentos necessários para a conclusão do projeto. Porém, além do foco no produto, os estudantes também participaram de eventos ligados às áreas de Química e de empreendedorismo.

Atualmente eles estão analisando parâmetros e realizando experimentos para o refinamento da metodologia. “As proporções e os ingredientes já estão prontos. Mas ainda precisamos uniformizar as microesferas e trabalhar na parte dos relatórios”, conta Vinicius de Moraes, atualmente na 7ª fase do Ensino Médio Técnico Integrado em Química.  

Os “Mangaláticos” seguem até abril produzindo microesferas para o produto. Também no próximo mês será adicionado um creme ou um sabonete líquido às microesferas. Por fim, até maio, o produto será enviado para consumidores para que possa ser testado. 

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