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Pesquisadores debatem diversidade e diferenças de gênero no ambiente escolar em evento internacional e no Seurs

EVENTOS Data de Publicação: 05 jul 2019 16:33 Data de Atualização: 05 jul 2019 17:01
As escolas são formadas por uma diversidade de pessoas, onde as diferenças podem ser de classe social, etnia, cor da pele, idade, gênero, sexualidade e religião, por exemplo. Trabalhar práticas pedagógicas em que estas diferenças são levadas em conta é um dos grandes desafios da educação para promover a convivência respeitosa no ambiente escolar. Este é o tema central dos projetos sobre pedagogia queer apresentados pelo professor do Iury de Almeida Accordi, do Câmpus Joinville e pela extensionista Andréia Ambrósio Accordi, aluna do Câmpus Caçador, no 1º Encontro Latino-americano sobre Pesquisa Educacional e Saber Pedagógico, realizado na Cidade do México, e no 37º Seminário de Extensão Universitária da Região Sul (Seurs), em Florianópolis.

Apresentado no Seurs na quarta-feira, 3 de julho, o projeto "Discutindo diversidade e diferenças de gênero no ambiente escolar" foi um dos quatro do IFSC na programação do seminário. Com o tema "Extensão e Inovação", o seminário reforça o conceito de uma extensão universitária transformadora da realidade social. Já no México, entre os dias 20 e 22 de junho, os projetos "Pedagogia queer: lidando com as diferenças de gênero na escola" e "Construindo um currículo queer" fizeram parte do eixo temático "Educação inclusiva, diferenças humanas, diversidade cultural e étnica, pedagogias alternativas". O IFSC é apoiador dos dois eventos.

"Existe um diálogo bem forte em torno das práticas pedagógicas inclusivas, especialmente no Brasil, México e Colômbia, e uma vontade de afinar o discurso de investigação pedagógica, para socialização das experiências", avalia professor Iury, que é coordenador de Pesquisa, Inovação e Extensão do Câmpus Joinville. Ele explica que o projeto de pesquisa de construção de um currículo queer, ainda em desenvolvimento, é um desdobramento do projeto de extensão que abordou as diferenças de gênero na escola. "Temos aqui a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão", destaca.

O professor Iury lembra mais um fator importante: o trabalho em parceria entre os câmpus Joinville e Caçador. É que o projeto "Pedagogia queer: lidando com as diferenças de gênero na escola" faz parte do trabalho de conclusão de curso (TCC), da extensionista Andréia Ambrósio Accordi, no curso de especialização em Interdisciplinaridade e Práticas Pedagógicas na Educação Básica, do Câmpus Caçador do IFSC.

Intervenção

O trabalho relata uma intervenção interdisciplinar de extensão realizada durante a primeira edição da Jornada de Direitos Humanos e Sociedade do Câmpus Joinville. O evento, realizado em 11 de setembro do ano passado, foi parte do projeto integrador (PI) "Discussão da sexualidade e identidade de gênero", dos estudantes da quarta fase do curso técnico em Enfermagem, Alquenjar Rosentaski De Borba, Camila Ariane Dutra e David Willian Sperber Sell, e coordenado pela professora Carla Simone Leite de Almeida. O projeto "Lidando com as diferenças de gênero no ambiente escolar" integrou a programação em que o tema diversidade de gênero e sexualidade norteou debates, dinâmicas, rodas de conversa, oficinas e atividades culturais.

Em conjunto com estudantes do curso técnico em Dança e do professor Jessé Cruz, da Escola de Educação Básica Professor Germano Timm, Andréia trabalhou quatro oficinas - estética corporal, corpo e espaço, diversidade no plural e ocupação de direitos, com o objetivo de discutir como as pessoas se percebem, criam rótulos e idealizam corpos perfeitos. "Essa vivência possibilitou que os participantes refletissem tanto em relação à aceitação dos outros como diferentes, como também a si mesmos com suas contradições e peculiaridades", observa Andréia.

Então na primeira fase do curso técnico em Enfermagem, a estudante Janaína da Silva da Rosa foi uma das participantes das oficinas. Segundo ela, foi uma experiência diferente, de contato corporal, aceitação, expressão e liberdade, de entender que não existe um padrão. "Ao me aceitar, também tenho que espalhar isso. Porque o que eu sofri com o bullying, com as coisas que falavam pra mim, outras pessoas também sofrem."

Segundo professor Iury e a extensionista Andreia, este tipo de avaliação demonstra a importância de projetos nesta área. "Considerando-se que não há como isolar a escola do seu entorno social e que situações que ocorrem nela têm relação com o que está fora dela, a escola se torna um lugar privilegiado para reflexão e debate de temas ligados ao gênero", afirmam os pesquisadores.
 
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