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Debates sobre história da ciência reúnem pesquisadores e professores em Jaraguá do Sul

EVENTOS Data de Publicação: 26 jul 2019 13:11 Data de Atualização: 26 jul 2019 13:29

As grandes descobertas da ciência costumam ser apresentadas nos livros didáticos como sendo fruto da genialidade de um pesquisador. Isaac Newton, por exemplo, é considerado um dos “pais” da Mecânica – com as Leis de Newton (inércia, superposição de forças e ação e reação) e a criação da lei da Gravitação Universal é apresentada a partir de uma situação caricata da maçã que cai sobre a cabeça do cientista. Mas será que a ciência possui “pais” e “mães”? E o modelo atual de ensino de ciências para crianças e adolescentes atrai ou afasta esses estudantes da pesquisa científica? Para discutir esses temas e compartilhar trabalhos acadêmicos da área, o Câmpus Jaraguá do Sul-Rau recebeu, entre 22 e 24 de julho, a 7ª edição da Jornada Nacional de História da Ciência e Ensino.

Com palestras, minicursos, workshops e apresentações de pôsteres, a Jornada reuniu em Jaraguá do Sul cerca de 200 participantes vindos de todas as regiões do Brasil. Segundo a professora Maria Helena Beltran, que atua na PUC de São Paulo e esteve na organização de todas as edições do evento, a Jornada é um espaço de diálogo entre a universidade e a escola básica, trazendo a história da ciência e a construção do conhecimento de maneira contextualizada. “A ciência é um patrimônio que pertence a toda a humanidade e o professor carrega o compromisso de levar esse conhecimento a todos os níveis de ensino”, destaca.

Destinado a professores de todas as redes de ensino e também a estudantes de licenciatura, o evento contou com pesquisadores e trabalhos de diversas áreas do conhecimento, desde a engenharia e a biologia até a medicina e o direito. “A história da ciência abrange muitas áreas, que têm a sua própria essência e são base para toda a tecnologia que temos atualmente. O que a história da ciência faz é lançar um olhar contextualizado sobre esse desenvolvimento científico”, explica Iara Campestrini Binder, coordenadora do evento.

Ouça um trecho da entrevista da professora Maria Helena Beltran, da PUC-SP, sobre o que é a história da ciência e como ela pode ser utilizada por professores do ensino básico.

Debate sobre Fritz Müller

Com a proposta de valorizar a região em que a edição da Jornada ocorre, a organização escolheu como tema do evento deste ano o pesquisador e naturalista Fritz Müller. Nascido na Alemanha em 1822, ele e sua família se mudaram em 1852 para a então Colônia Blumenau, na província de Santa Catarina. Além da cidade do Vale, o homenageado do evento também trabalhou durante 11 anos em Florianópolis – na época ainda chamada de Desterro – e foi na capital catarinense que desenvolveu a maior parte dos estudos que contribuíram para a comprovação da teoria evolutiva de Charles Darwin.

Para o pesquisador Luiz Roberto Fontes, que é especialista na vida e obra de Müller, o alemão que escolheu Santa Catarina para viver ainda é desconhecido da maioria da população e merece ser mais valorizado por suas contribuições para diversas áreas. “Eu, por exemplo, tive contato pela primeira vez com Fritz Müller por causa do trabalho que ele desenvolveu na pesquisa com cupins. Mas ele teve muitas outras contribuições: foi pioneiro na comprovação do darwinismo, foi fundamental para a consolidação da biologia como ramo autônomo da ciência, teve um trabalho na área da poesia, enfim, são muitas facetas”, conta.

Ouça a seguir Luiz Fontes explicando como estudos realizados em Santa Catarina contribuíram para comprovar a teoria de Darwin.

Instituto Mülleriano

Para homenagear Fritz Müller e também fazer com que seu nome seja associado ao fomento da ciência, a Jornada também reservou um espaço para a criação do Instituto Mülleriano. A instituição terá o objetivo de viabilizar a execução de pesquisas ligadas às áreas em que Fritz Müller desenvolveu seus estudos – principalmente as ciências naturais – e seu papel será de articular projetos de pesquisa e oportunidades de financiamento. “A ideia é fazer com que os pesquisadores não se preocupem com a parte burocrática, mas sim com o desenvolvimento do estudo. Pra isso, o Instituto vai receber projetos e, então, ir atrás de fontes de fomento, como editais e até empresas”, explica uma das responsáveis pela criação da entidade, a historiadora Ana Maria Ludwig Moraes.

O Instituto Mülleriano será sediado em Rio do Sul, mas fomentará pesquisas em todo o estado. A instituição ainda não foi oficialmente criada, mas interessados podem entrar em contato pelo e-mail institutomulleriano@gmail.com.

Participaram da organização da 7ª Jornada Nacional da História da Ciência e Ensino o IFSC, o Instituto Federal Catarinense (por meio do Campus Araquari), o Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (Unidavi) e o Instituto Histórico de Blumenau (IHB).

Veja aqui fotos do evento.

Clique aqui e assista também a trechos da apresentação do conjunto de metais da Orquestra IFSC Jaraguá do Sul realizada na abertura do evento, no dia 22 de julho.

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