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Projeto do IFSC transforma resíduos da construção em blocos para pavimentação de escola pública em Içara

EXTENSÃO Data de Publicação: 04 set 2019 18:08 Data de Atualização: 05 set 2019 10:56

Estudantes de Engenharia Civil do Câmpus Criciúma do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) estão utilizando resíduos da construção civil para produzir blocos de concreto pré-moldados que serão usados no calçamento de uma escola pública de Içara. Além de atender a uma demanda da comunidade externa, o projeto busca encontrar alternativas para reutilização de um resíduo ainda pouco reaproveitado no Brasil.

O projeto de extensão “Sustentabilidade ao vivo e em cores - concretos reciclados e coloridos” é coordenado pelo professor Diego Haltiery, com a participação das estudantes Marcele Rockenbach e Laura Pereira da Rosa. Desde o primeiro semestre deste ano, o grupo testa diferentes materiais e produzem blocos de concreto pré-moldados para o calçamento do Centro de Educação Infantil A Magia do Aprender, escola pública municipal de Içara. A previsão é de que eles sejam instalados no final de setembro. Chamados de pavers, estes blocos de concreto estão sendo produzidos de maneira sustentável, a partir da reciclagem de Resíduos de Construção e Demolição (RCD) que substituem a areia na produção de argamassa. 

Dados da Associação Brasileira para a Reciclagem de Resíduos da Construção Civil (Abrecon) indicam que 50% dos municípios brasileiros ainda destinam seus resíduos sólidos em aterros sanitários, lixões ou locais inadequados. Quando descartados de maneira incorreta, estes sólidos podem promover a proliferação de doenças e causar danos ao meio ambiente.

“O projeto em desenvolvimento proporciona aos alunos e professores uma oportunidade de ouvir as demandas e opiniões da comunidade para que, juntos atuem, de forma transformadora e efetiva”, ressalta o professor.

Amarelinha

A ideia surgiu a partir de uma demanda da escola, que precisava pavimentar uma parte do pátio. Os membros do projeto de extensão receberam doação de resíduos e cimento de duas empresas da região, a 3R's e a Supremos Cimentos. Além da utilização dos resíduos de demolição, o projeto também utiliza pigmentos para criar uma marcação visual nos blocos, que serão usados para compor um jogo de Amarelinha.

“O projeto consiste em um caminho, como se fosse uma pequena passarela de um ou dois metros de largura. Seguido disso, teria uma Amarelinha, demarcada com as placas coloridas, e um ‘labirinto’ para as crianças brincarem”, explica Marcele. No Câmpus São Carlos do IFSC, onde estudava antes de vir para o Câmpus Criciúma, Marcele já participava de uma ação do programa IFSC Sustentável. “Fiquei sabendo deste projeto aqui e fui atrás, pois realmente gosto desta área. Eu estudei durante um bom tempo Engenharia Ambiental e Sanitária e, apesar de não ser a área que eu realmente queria, sempre achei bem interessante toda a parte sustentável”, afirma.

Para Laura, por ser a construção civil um dos setores que mais produz resíduos, é importante que uma visão de sustentabilidade seja ensinada ainda nos cursos de graduação. “O projeto contribui de forma positiva para a formação dos alunos, no âmbito de conscientizar futuros engenheiros civis da importância do aproveitamento de resíduos gerados pela nossa área”, diz. “Poder levar para a comunidade aquilo que estudamos, testamos e desenvolvemos no Câmpus junto com os professores, através da extensão, é muito importante”, conclui.

Para o coordenador, o projeto mostra que o IFSC tem capacidade de coletar e reaproveitar resíduos sólidos de forma mais sistemática. A intenção é que futuramente o Câmpus adquira um britador de mandíbulas, máquina projetada para britar rochas resistentes e outros materiais da construção civil, com o intuito de processar os resíduos produzidos pelo próprio Câmpus em aulas práticas e construções. Além do projeto de extensão, o professor também pesquisa a resistência do concreto produzido com o resíduo da construção civil no lugar da areia.

EXTENSÃO CÂMPUS CRICIÚMA