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Labta proporciona atividades assistidas com cão para crianças da comunidade externa

CÂMPUS PALHOÇA BILÍNGUE Data de Publicação: 06 set 2019 15:48 Data de Atualização: 13 set 2019 17:37

O Laboratório de Tecnologia Assistiva (Labta) do Câmpus Palhoça Bilíngue começou no final de agosto a proporcionar a crianças da comunidade externa atividades com apoio de cães do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina. Às quartas-feiras, três crianças de 5 e 6 anos interagem por uma hora com os cães Tchak ou Marlei, acompanhadas de suas mães e pela professora Ivani Cristina Voos, do IFSC, que tem formação em educação especial.

As interações são realizadas na sala do Labta e em outros espaços do terreno do câmpus. Incluem contato direto e brincadeiras com o cão, com estímulos feitos pela professora do IFSC, pelas mães e pelo bombeiro responsável - no caso de Tchak, o capitão Alan Delei Cielusinsky, e no de Marlei, o soldado Willian Valdeley Marques. 

Eliatriz Freitas, 36 anos, trouxe a filha de 5 anos para a primeira sessão de atividades com Tchak (cujo nome pronuncia-se como o “Chuck” do ator americano Chuck Norris), na quarta-feira, 4 de setembro. A menina tem síndrome de Moebius, que causa paralisia de nervos cranianos. Surda, ela está aprendendo língua brasileira de sinais (Libras) no Centro de Capacitação de Profissionais de Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS), ligado à Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE), em São José.

Eliatriz buscou o IFSC depois de saber sobre a possibilidade de atendimento com o cão Tchak. “Eu já tinha visto algumas iniciativa de fora do Brasil com esse tipo de tratamento que tiveram bastante resultado”, comenta. Tanto para ir ao IFSC como para o CAS, ela e a filha precisam percorrer os mais de 70km que separam a cidade onde moram, São João Batista, de Palhoça e São José.

Moradora de Palhoça, Aline Garcia, 38 anos, ficou sabendo sobre a possibilidade de atendimento para o filho de 5 anos, que tem autismo e hipotonia muscular, por meio de uma professora que é estudante do Câmpus Palhoça Bilíngue e trabalha na creche onde o menino fica. “Um médico já havia recomendado esse contato com animais e eu também já havia lido a respeito”, conta. Na primeira semana, o menino pouco interagiu com Tchak, mas, na segunda, “já estava mais solto”, como relata a mãe.

O filho de Karina Selma, 28 anos, era o mais empolgado com a presença de Tchak no atendimento realizado na primeira semana de setembro. O menino de 6 anos, que teve paralisia cerebral por complicações no parto, fez carinho no cão, segurou sua coleira no deslocamento da sala do Labta para o pátio do câmpus e jogou várias vezes uma bola de brinquedo para que Tchak fosse buscar. “Ele ama cachorro. Acho que esse atendimento aqui vai ajudá-lo muito”, diz Karina, também moradora de Palhoça. 

Experiência

Tchak é da raça labrador e completou 10 anos de vida no último 3 de setembro. O capitão Alan, 35 anos, que o acompanha no IFSC, atua com atendimento assistido por cães há uma década. Já trabalhou em hospitais e na Associação de Pais e Amigos do Excepcionais (Apae) em Xanxerê e na Grande Florianópolis. Ele faz o trabalho voluntariamente, fora de sua jornada de trabalho. “É algo gratificante e a gente vê resultado. É difícil ter alguém que não goste de cachorros”, resume.

Alan compara o atendimento feito no IFSC com o que viu na Apae, que é voltado para o desenvolvimento das crianças. “No hospital, era algo mais lúdico”, lembra. O cão Tchak atua em buscas e resgates e, por isso, é treinado para ser dócil mesmo com pessoas que nunca viu antes. “E isso é natural dele também. É uma raça muito dócil. E essa interação com várias pessoas é positiva também para o cachorro”, explica.

Atendimento

A professora Ivani Voos, responsável pelo Labta, explica que o atendimento feito é uma atividade assistida por cão e não  terapia, pois ela não tem formação nessa área. Segundo Ivani, os estudos já feitos na área apontam que esse tipo de atividade traz à tona novos comportamentos e formas de se relacionar com as pessoas e acontecimentos.

“Por exemplo, para um aluno autista que apresenta comportamentos muito agressivos ou de autoagressão, o cão proporciona uma sensação de tranquilidade que minimiza ou até interrompe a crise, possibilitando a essa pessoa conseguir retornar às atividades escolares ou cotidianas que são interrompidas em função das crises”, exemplifica.

Os atendimentos com as três crianças estão previstos até dezembro. Não haverá abertura de novas vagas até o fim do ano, a não ser que uma das famílias desista das atividades.

Parceria

A parceria assinada em julho entre o Câmpus Palhoça Bilíngue e o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina visa promover a oferta de atendimento educacional especializado para estudantes com deficiência. A atividade é uma proposta do Labta e tem como objetivo potencializar as habilidades cognitivas, motoras e sensoriais, aprimorando conhecimentos formais e de vida cotidiana dos alunos, com a colaboração de um bombeiro e do seu cão.

O Câmpus Palhoça Bilíngue é a primeira instituição de ensino na Grande Florianópolis com a qual o Corpo de Bombeiros firmou parceria para um trabalho dessa natureza. A ideia do projeto surgiu durante um atendimento realizado a um aluno do IFSC com paralisia cerebral e deve durar o semestre inteiro.

Saiba mais sobre essa parceria e sobre o Labta

Você também pode conferir mais informações sobre essa iniciativa, aqui, através da IFSC TV. 

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