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Extensão Brasil reforça importância do voluntariado na vida acadêmica

EXTENSÃO Data de Publicação: 24 set 2019 14:42 Data de Atualização: 24 set 2019 15:21

A emoção do seu João, de 85 anos, ao entrar na sua casa “brilhante” graças ao revestimento interno com caixas de leite; a mulher que encontra no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) motivos para superar, aos poucos, a morte do marido e dos dois filhos; os adolescentes que entenderam o quanto o bullying é prejudicial; a menina que conseguiu denunciar os abusos que sofria; o casal que emocionou com sua história de amor; as crianças da Aldeia Condá que sentiram a sua cultura valorizada; os dois estudantes do Câmpus Canoinhas que descobriram a força e a importância do voluntariado. São histórias e personagens reais que fazem do Extensão Brasil um projeto tão significativo para seus participantes, como o João Victor Tischler Nizer, do superior de tecnologia em Alimentos, e a Liliane Matsuzawa Figueiredo, do técnico integrado em Alimentos.

Os estudantes do Câmpus Canoinhas participaram da edição deste ano do Extensão Brasil, realizada de 3 a 9 de agosto, em Chapecó. Durante o período de execução, os 35 participantes desenvolveram atividades relacionadas às áreas temáticas da Extensão (comunicação, cultura, direitos humanos e justiça, educação, meio ambiente, saúde, tecnologia e produção e trabalho), em espaços disponibilizados pela prefeitura de Chapecó, como centros de convivência, unidades do Cras, Casa Abrigo, Associação de Deficientes Visuais, grupos de mulheres e grupos de artesãos.

“Sem dúvida, foi a melhor experiência da minha vida. Foi maravilhosa, transformadora. Conheci crianças que me falaram que o sonho da vida delas era conseguir dormir tranquilas, ter o que comer, não precisar trabalhar no dia seguinte. Foi triste, mas foi o que me fez mudar o jeito de pensar, de ver a vida. Vi o quanto a gente é ingrata com as coisas que a gente tem, porque a gente tem tudo e ainda reclama”, testemunha Liliane, que acredita que todos os estudantes deveriam participar de um projeto como este para vivenciar a realidade das outras pessoas. “É uma realidade que a gente não está acostumada, mas que está aqui do nosso lado.”

Para o Extensão Brasil, Liliane inscreveu a oficina “Uma dose de amor pode transformar a vida de alguém”, que já havia desenvolvido em Canoinhas no ano passado, pelo Edital Protagonismo Discente. “Foi o que me motivou a participar neste ano, porque meu projeto fazia justamente o que o Extensão faz, que é expandir o IFSC, através de projetos, pesquisas, visitas”, explica. Além da própria oficina, Liliane também desenvolveu atividades em outros projetos, como de autoestima, empoderamento feminino e língua brasileira de sinais (libras). “A gente aprendeu bem mais que ensinou.”

Experiências diferentes

Ao contrário de Liliane, que estreou neste ano no Extensão Brasil, João Victor fazia parte da lista de “veteranos”. No ano passado, de 14 a 25 de novembro, ele participou da primeira edição, realizada na região metropolitana de Brasília, no Distrito Federal. Depois de ter conhecido a realidade da Cidade Estrutural, uma comunidade de cerca de 35 mil habitantes, originada a partir de uma ocupação de catadores de materiais recicláveis próxima ao lixão do Distrito Federal, já considerado o maior da América Latina e fechado em janeiro do ano passado, João considerou a experiência deste ano mais leve. “Embora a região tenha vulnerabilidade social, é diferente e não tão grande como em Brasília. Tivemos relatos bem chocantes, de violência, bullying, abusos sexuais, mas não tão intensos quanto em Brasília, nada tão chocante quanto lá”, compara.

Mesmo considerando a última experiência mais “confortável”, João Victor sabe o quanto o projeto é importante. “É um projeto muito lindo, pela transformação que ele faz na vida do estudante. A vida acadêmica não se faz somente sentado em sala de aula. Se faz com atividades de extensão e pesquisas, que ajudam a construir nossa ética pessoal e profissional”, ressalta o estudante, lembrando que nenhuma operação vai ser igual, porque cada região e cada público têm as suas peculiaridades. “É preciso perceber o quão diferentes são as pessoas.”

Para o Extensão Brasil, João apresentou um projeto sobre bullying, mas também atuou em outras frentes de trabalho, como na ação comunitária Brasil Sem Frestas, em que os voluntários do IFSC se somaram aos voluntários de Chapecó para reforma da casa de um xará seu. Com placas de embalagens de caixa de leite, o projeto Brasil Sem Frestas faz o revestimento interno das paredes de construções que sofrem com a chuva, vento e frio. “Era um dia muito frio e as frestas entre as tábuas da casa do seu João eram bem grandes. Forramos toda casa, tiramos os entulhos e até arrumamos um cantinho com a guitarra e sanfona dele, que já foi cantor e sanfoneiro. Quando entrou, a primeira coisa que ele disse foi ‘minha casa tá brilhando’. A emoção dele nos contagiou, porque estamos levando esperança, nem que seja um pouco”, conta.

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