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Pico "verdadeiro" do Cambirela tem nove metros a mais do que indicam cartas do IBGE

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 31 out 2019 16:44 Data de Atualização: 31 out 2019 17:01

Uma expedição de egressos, alunos e professores do curso técnico em Agrimensura do Câmpus Florianópolis fez uma medição mais precisa da altura do Morro do Cambirela, o mais famoso do litoral  da Grande Florianópolis, inclusive nacionalmente, por conta da neve em 2013. Usando técnicas mais avançadas do que a última medição feita, na década de 1960, o grupo descobriu que o Cambirela mede 1.052m, nove a mais do que os 1.043 indicados nas cartas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e 29 metros a mais do que diz o Google Earth.

O dorso mais conhecido é o que fica no norte, cujo topo é visível a partir da rodovia BR-101. É o preferido pelos trilheiros e turistas. Mas o pico mais alto é do lado sul, onde não há trilha aberta. Ao explicar de onde veio a ideia da expedição, Rodrigo Dalmolin dos Santos, egresso do curso técnico em Agrimensura, relembrou um dos desbravadores do Everest, George Mallory - ao ser perguntado repetidamente por repórteres por que motivo queria ele escalar o Monte Everest, ele respondeu a um deles "Porque ele está lá". “Tomadas as devidas proporções, claro”, brinca Rodrigo.
 



Os preparativos para a expedição começaram em 2018 com revisão bibliográfica, expedições de reconhecimento e preparação e o pedido de autorização do levantamento junto ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), órgão responsável pelo Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, onde se encontra o Cambirela.

“Fizemos duas trilhas de reconhecimento, pois precisávamos descobrir como seria levar os aparelhos necessários, como adaptar o equipamento que, normalmente, tem um tripé, para um local em que não seria possível abrir o tripé”, lembra Rodrigo.

Na manhã de 26 de maio, antes do amanhecer, a expedição partiu rumo ao ponto mais alto da montanha. Lá, muito frio e vento durante a uma hora que a equipe precisou ficar para as medições. No total, foram mais de 13 quilômetros e 10 horas de trilha, ida e volta. “Pelo que pesquisamos, foi a primeira trilha oficial para o pico sul do Cambirela”, diz o técnico.

De acordo com a professora do curso Carolina Collischonn, o rastreio funciona da seguinte forma: o receptor colocado no local recebe informações de satélites (coordenadas e a distância ao satélite receptor) e assim calcula a coordenada e a altitude do ponto. A precisão é de 15 centímetros, para mais ou para menos.

Rodrigo explicou ainda que as cartas do IBGE que citam a altura do Cambirela (Cartas Paulo Lopes e Florianópolis), foram restituídas na década de 1980 com base em medições feitas por aerofotogrametria nos anos 1960. “Elas não foram feitas para medir altitudes com precisão. Elas foram feitas para mostrar o relevo”.

Para ele, essa medição pode ser encarada como o primeiro de muitas. “Há vários picos não medidos de forma moderna em Santa Catarina. Um exemplo é a Serra do Tabuleiro. Fica a ideia para próximos desafios”.

 

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