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I’Fashion 2019: desfile do Câmpus Araranguá discute o futuro da moda

CÂMPUS ARARANGUÁ Data de Publicação: 20 nov 2019 18:17 Data de Atualização: 21 nov 2019 15:14
I’Fashion 2019: desfile do Câmpus Araranguá discute o futuro da moda
Formandas do curso de Design de Moda trabalharam junto com artistas e artesãos da região | Foto: Divulgação

Qual é o futuro da moda? Algumas pistas para responder a esta pergunta serão apresentadas no próximo dia 30 de novembro, a partir das 20h, no Praiano Centro de Eventos de Araranguá. É lá que acontece o I’Fashion 2019, desfile das formandas do curso superior de Design de Moda do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Neste ano, o evento tem como tema “O futuro da moda: caminhos para a responsabilidade socioambiental” e traz coleções de 20 designers que se inspiraram em artistas, designers e artesãs da região para pensar uma moda inovadora, inclusiva e sustentável.

O I’Fashion é realizado anualmente pelo curso superior de tecnologia em Design de Moda do Câmpus Araranguá do IFSC. O objetivo do evento é difundir novas ideias na área da moda e apresentar à comunidade os futuros profissionais formados pelo IFSC. Em 2019, além do desfile, o I'Fashion contou com uma programação científica, realizada nos dias 19 e 20 de novembro, com a apresentação de pesquisas acadêmicas, palestras e workshops.

Uma das novidades do desfile deste ano está na interação com artistas que atuam na região de Araranguá. As formandas de Design de Moda foram desafiadas pelas professoras Rafaela Soratto e Grazi Kauling, da disciplina de Desenvolvimento de Coleção Avançado, a buscarem referências na criatividade local para elaborarem coleções inovadoras e que projetassem um futuro da moda consciente e sustentável, baseada nos conceitos da economia criativa.

“Cada aluna trabalhou em conjunto com um artesão, introduzindo nas coleções o que eles produzem. Tivemos trabalhos em forma de estampa, acessórios. A ideia de trabalhar em conjunto foi justamente pensando na questão da economia criativa, trabalhando com sustentabilidade, inclusão social e diversidade cultural, gerando assim inovação”, explica a professora Rafaela Soratto. “Saíram trabalhos lindíssimos e esperamos contar com a presença de todos. Nosso objetivo é fazer com que o aluno pense, pegue a riqueza da região, o que as pessoas estão produzindo aqui, para transformar em produtos diferenciados, ainda não vistos”, conclui.

Valorização da região

As coleções elaboradas pelas estudantes de Design de Moda variam entre o tradicional, o contemporâneo e o futurista, viajando pelo universo urbano, rural e popular, além de trazer reflexões sobre gênero, religiosidade e etnia. Mas o grande diferencial dos trabalhos que serão apresentados no desfile é a colaboração com gente da região, de forma a valorizar o trabalho local e projetar uma moda sustentável dos pontos de vista social e ambiental.

A aluna Mirela Nava, por exemplo, trabalhou em colaboração com Alvaci da Rosa, artesã que trabalha há mais de 20 anos em Criciúma e se notabiliza pelas roupas que costura para as bonecas Barbie. Inspirada neste universo e no trabalho de dona Alvaci, Mirela criou a coleção “Do artificial ao exagero”: coloridas, exageradas e volumosas, as peças prometem uma experiência única para o público.

“Quero dar um choque de conceito e informação de moda no público. Algumas pessoas vão achar maravilhoso e outras vão pensar meu deus, quem usaria isso? Essa é a sensação que quero gerar. E principalmente enaltecer o trabalho dessa artesã, que sempre esteve muito presente. O público vai ver um show de atuação. Vai ser muito mais do que um desfile, vai ser uma interpretação. Minhas modelos serão verdadeiras Barbies fora da caixa. Vai ser uma experiência muito bacana para quem estiver assistindo”, promete Mirela.

Na elaboração de uma coleção baseada na moda praia, a estudante Ramone Martins recorreu ao trabalho da artista plástica Patrícia Vargas, de Torres (RS), especialista na técnica da aquarela. A partir de ilustrações de Patrícia, a aluna do IFSC desenvolveu estampas e criou novos elementos para sua coleção que traz para a passarela a leveza e a fluidez da aquarela. Para Ramone, a valorização dos artistas locais é um dos caminhos para repensar o futuro da moda.

“O trabalho manual exige dedicação, habilidade e tempo. É um trabalho que muitas vezes não é reconhecido. Por isso, valorizar o trabalho dessas pessoas faz parte do futuro da moda”, diz a aluna. “Além das questões relacionadas ao meio ambiente, outro pilar da sustentabilidade é a questão social, a valorização do trabalho, o preço justo. Acredito muito na colaboração e na união, porque a gente tem que parar de pensar no individual e pensar mais no coletivo para ter um futuro melhor”, defende.

Diversidade

O público que for assistir ao desfile do curso de Design de Moda verá a versatilidade dos futuros profissionais, que transitaram por diferentes temas e se inspiraram em diferentes referências para a composição das coleções. A diversidade – étnica, religiosa, de gênero – estará presente como reflexão por trás de cada peça confeccionada.

Denise Justino, por exemplo, buscou inspiração nos próprios avós, Manoel Estevão e Juventina Lima, para falar da história da população negra em Criciúma. Em colaboração com a designer Laís Costa, proprietária da marca Zkaya, Denise elaborou uma coleção que parte de elementos da cultura afrobrasileira para defender a sustentabilidade social da moda e o empoderamento da mulher negra. “O público poderá experimentar a inovação, se surpreender com a beleza das coleções, que este ano apresentam algo novo. Fomos desafiadas e o público vai se maravilhar”, destaca.

Já Maria Luiza Saturno foi até a obra de João Cabral de Melo Neto, “Morte e Vida Severina”, para desenvolver a coleção “Sobreviventes”. “Criei a coleção para fugir do convencional e das rotulações de gênero, procurando transformar roupa em inspiração sentimentos, arte e cultura. ‘Morte e Vida Severina’ é um poema lírico que relata a vida sertaneja e as dificuldades dos habitantes dessa terra árida, que procura trazer inúmeras críticas sociais, como a falta de emprego, condições de trabalho forçado e a morte prematura. E o público poderá presenciar a busca pelo subversivo e a fuga de padrões na coleção”, descreve.

Uma marca voltada para o público LGBTQI+ foi a criação de Renan Favaro. Com uma pegada futurista e referências ao metal que aprisiona as pessoas, a coleção propõe uma reflexão sobre a liberdade da mente. “Para nós que vivemos a moda esse desfile é uma experiência única. Ver todo um semestre de dedicação se transformando nas nossas peças é uma sensação incrível. Temos a oportunidade de mostrar ao público tudo que aprendemos durante esses seis semestres de curso”, afirma Renan.

A revista digital do I’Fashion 2019, com as 20 coleções que serão apresentadas, está disponível para download. Clique aqui para acessar. O evento é gratuito e aberto ao público.

Ifashion 2019
30 de novembro de 2019, às 20h
Praiano Centro de Eventos
(Rodovia ARA 227, 1575, Lagoa da Serra, Araranguá)
Entrada franca

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