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Roda de Cotistas permite discutir realidade vivida no cotidiano

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 26 nov 2019 15:21 Data de Atualização: 26 nov 2019 15:45

Segundo dados divulgados dia 13 passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pela primeira vez, há mais pretos e pardos (50,3%) no ensino superior das instituições públicas brasileiras que brancos. Na rede privada de ensino, a prevalência ainda são de brancos e outros (53,4%). Um dos fatores que o IBGE credita esse avanço é o programa de cotas. 
Numa iniciativa da Diretoria de Assuntos Estudantis (Dae) aconteceu no último dia 19 mais uma Roda de Cotistas. O evento reuniu, na véspera do Dia da Consciência Negra (20), não só alunos dos câmpus, mas também professores, psicólogos, e assistentes sociais para conversar sobre o assunto e tudo que envolve a assistência estudantil. 

Para o professor do Câmpus Gaspar Luiz Herculano de Sousa Guilherme, a luta dos cotistas é diária e constante. Segundo ele, a grande maioria da população acredita que cota é esmola. “Cota incomoda; e é preciso pensar em meios para que se possa fomentar e oportunizar ainda mais a inclusão”, ressaltou. 

Ele argumenta que reserva de vagas não é meritocrática. “Os negros são aprovados por nota. Sem nota não entra no IFSC. A cota pega os alunos vencedores que já passaram por todas as dificuldades do sistema”defende Luiz Herculano. Nesse sentido, uma das alunas do Câmpus Criciúma participante da Roda, diz que hoje conhece seu potencial: “sei que sou capaz de ser o que quero e de fazer o que desejo depois que sair do IFSC. Eu tenho um propósito na vida”. 

Como sugestão do evento ficou oportunizar mais encontros para discutir e debater as questões dos grupos cotistas, além de lançar pensamentos e expor posicionamentos, ocupando as redes sociais, como forma de inclusão e resistência. 

Na prática

Ualison Oliveira de Jesus, veio da Bahia há pouco tempo, tem 30 anos e cursa Técnico em Cozinha, no Câmpus Florianópolis-Continente, para ter uma boa formação e alavancar sua carreira profissional. “O IFSC é bem conceituado e seus professores são muito capacitados. Muitas pessoas têm o sonho de ingressar no IFSC e eu tive o meu. Quando surgiu a oportunidade simplesmente a agarrei com as duas mãos e aqui estou em um aprendizado esplêndido”, ressalta o aluno do 1o semestre.

Ele argumenta que, no Brasil, o racismo é um problema existente desde a era colonial. “Esse preconceito causa impacto o tempo todo na sociedade gerando um sistema separatista de cor da pele trazendo sofrimento para a raça negra que é vista inferior ao branco”, desabafa, e segue: “contudo temos alcançado o nosso lugar na sociedade quebrando esse racismo estipulado”.

Para o aluno, as cotas têm feito ingressar pessoas da sociedade que buscam estudo e que por vezes é dificultoso. “A oportunidade de entrar por cotas em uma universidade tem grande valor para muitas pessoas que têm dificuldades... é um espaço para alcançar o lugar na sociedade estudantil”, finaliza Ualison.

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