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Pesquisadoras do IFSC: poucas em número, grandes em resultado

PESQUISA Data de Publicação: 06 mar 2020 16:28 Data de Atualização: 10 mar 2020 16:16

Ciência: palavra derivada do latim “scientia”, que significa “conhecimento”. E que lugar mais propício para fazer ciência do que em uma instituição de ensino? No IFSC, atualmente, mais de 50 mil estudantes buscam e compartilham conhecimento com o auxílio de 1.443 professores e 1.173 técnicos-administrativos. ‘

Em meio a todos os alunos e servidores engajados na busca por conhecimento, há aqueles que veem a ciência de uma forma particular e dedicam tempo além da sala de aula, muitas vezes, boa parte de suas vidas, para buscar, gerar e compartilhar conhecimento. Este direito inclusive está garantido no artigo 207 da Constituição Federal, quando garante que a pesquisa deve caminhar junto ao ensino e à extensão, nas instituições de ensino federais. 

Ao encarar este direito/dever, aos poucos, tem aumentado o número de servidores que fazem ciência com o auxílio da pesquisa dentro do IFSC. O ano de 2016 fechou com 175 pesquisadores. Três anos mais tarde, a pesquisa engajou 282 servidores. Este número mostra que 10% dos servidores terminaram 2019 fazendo ciência oficialmente na instituição. Em 2020, por enquanto, são 8%.

Ao olhar de forma mais atenta para esses números, encontram-se percentuais ainda menores de servidoras pesquisadoras. Neste universo de 282 pesquisadores, por exemplo, a proporção é de dois homens para cada mulher. Ao observar as áreas de pesquisa, as diferenças ficam mais nítidas. Até o final de 2019, a participação de mulheres em pesquisas de Engenharias era de uma mulher a cada 2,5 homens; e neste ano, por enquanto, é de uma mulher a cada nove homens. Em Ciências Exatas e da Terra são quatro homens para cada mulher. 

Esses números podem ser sentidos nas histórias de mulheres que fazem ciência no IFSC. Com 27 anos de experiência como professora e pesquisadora, sendo oito anos dedicados à instituição, Roberta Pasqualli conta que o fato de ser mulher, do “interior” (Câmpus Chapecó) e com formação inicial na área de exatas a fez sofrer preconceito. Mesmo assim, tornou-se mestre em Ciência da Computação e doutora em Educação e hoje está envolvida em pelo menos seis grandes projetos que buscam qualificar o ensino na Educação Profissional e Tecnológica (EPT).

As experiências e a forma de compreender a ciência fazem Roberta lutar para que suas alunas também possam ter escolha: “luto para que minhas alunas possam escolher seus caminhos e, caso esses caminhos sejam parecidos com os meus, que elas estejam fortalecidas para caminhar seu próprio caminho. Fortalecidas para que não aceitem, de ninguém, que elas podem menos simplesmente por serem mulheres [...] e porque o mundo precisa de pessoas consigam enxergar mais do que o próprio olho pode ver”.

O engajamento de cada vez mais mulheres na pesquisa também faz parte da trajetória da professora Tahís Baú, do Câmpus São Miguel do Oeste. Para ela, que é focada na área de Alimentos, “as mulheres pesquisadoras são capazes de gerenciar uma série de atividades ao mesmo tempo, o que as torna muito práticas e com relativa facilidade de planejamento”, afirma. Essas habilidades garantiram a Tahís nove prêmios em eventos científicos e um prêmio nacional (Prêmio Jovem Cientista em 2015). 

Ser mulher também facilita alguns pontos da pesquisa da professora Elena Ruscheinsky, do Câmpus São Carlos. “Facilita meu acesso a rodas de conversa de variados grupo de falantes, o que proporciona grande material para pesquisa linguística”, conta. Elena segue a linha de pesquisa “Variação e diversidade linguística” e está envolvida em projetos que enfatizam o bilinguismo alemão/português, português/inglês. Como tem maior facilidade em fazer com o que o falante use sua linguagem cotidiana, coleta um material rico e, consequentemente, publica artigos em importantes revistas científicas. Esta área (Linguística, Letras e Artes), inclusive, é uma das que as mulheres destacam-se, já que o número de homem/mulher se igualava até final do ano passado e, em 2020, até agora, são quatro mulheres para cada homem pesquisador.

Daiana Schmidt, do Câmpus São Lourenço do Oeste, é outra grande incentivadora das mulheres pesquisadoras. “As mulheres têm um grande potencial na pesquisa. No meu caso, sou muito criteriosa e detalhista na execução das atividades relativas aos experimentos. Mas consigo ser objetiva na comunicação dos resultados”, conta. A professora focou sua busca por conhecimento na área de Produção Vegetal, tornou-se doutora em Genética e Melhoramento de Plantas, inclusive com a melhor tese de seu Programa de Doutorado, em 2015, na Universidade de São Paulo. A trajetória e a experiência feminina a faz trabalhar em inúmeros projetos voltados a mulheres, para promover inclusão social e produtiva principalmente de mulheres em vulnerabilidade social, por meio da cooperação e produção de plantas medicinais.

Este tipo de incentivo, proporcionado pela força feminina, foi fundamental na trajetória de Melissa Bettoni, do Câmpus Chapecó. Mesmo sendo doutora há dez anos, ela voltou a estudar uma segunda graduação e mais uma especialização. A busca por tanto conhecimento a tornou responsável por implantar o programa e-Tec Idiomas no IFSC, coordenando 17 unidades da instituição a partir de Chapecó. “Estudar, pesquisar, produzir conhecimento e compartilhar tanto as descobertas quanto os caminhos para chegar a elas é, no meu ponto de vista, a forma mais adequada de fazer ciência”.

Ao se apropriar como mulher e como pesquisadora, Melissa percebeu que, infelizmente, a pesquisa realizada por uma mulher com frequência tende a ser menos valorizada do que a pesquisa realizada por um homem. A partir desta compreensão, percebeu o quanto teve modelos de pesquisadoras fortes e seguras em sua trajetória. E, por outro lado, compreendeu que “é preciso ter claro que mulheres podem ser tão racionais quanto homens e eles tão sensíveis quanto elas”.

 

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