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As faces do autismo: projeto do Câmpus Canoinhas compartilha informações com alunos de escolas públicas

EXTENSÃO Data de Publicação: 02 abr 2020 18:06 Data de Atualização: 03 abr 2020 03:03

Exercícios de empatia direcionam as oficinas do projeto de extensão "As faces do autismo", desenvolvido pelo Câmpus Canoinhas em escolas municipais e estaduais, para promover explicações sobre transtornos do espectro do autismo (TEA) e dinâmicas práticas em que os adolescentes se colocam nas situações que os autistas vivenciam. No ano passado, as oficinas atenderam cerca de duzentos alunos de nonos anos da rede pública de Canoinhas, que podem atuar como multiplicadores de práticas inclusivas junto às famílias e à comunidade.

“É muito importante para as pessoas saberem que o autismo existe, e que pode mudar a vida de várias pessoas”, afirma o estudante André Mateus Carlon Maroso, um dos primeiros bolsistas do projeto. Diagnosticado com síndrome de Asperger, um estado do espectro autista, há cerca de dois anos, André foi um dos protagonistas das oficinas, ao falar sobre sua própria experiência, da insegurança da descoberta à importância da sua trajetória escolar.

Para ele, estar no IFSC faz uma grande diferença. “Representa parte da minha vida, pois eu passei três anos aqui no IFSC, fiz muitas amizades e me conheci ainda mais”, destaca André, recém-formado no curso técnico integrado em Edificações e calouro do curso superior de tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

A participação de estudantes com e sem deficiência, trabalhando juntos como responsáveis pelas ações, é um dos diferenciais do projeto de extensão. Dos cinco participantes da primeira edição, uma aluna possui deficiência intelectual (DI) e outra DI e autismo, além do André. O grupo inicial foi formado por André, Gabriele Hiera Hatschbach, Victória Marcela Pedroso Carniel, Rafaela Schelbauer Wendt e Luana Porfírio da Luz, dos cursos técnicos integrados em Alimentos e Edificações.

Segundo o coordenador do projeto e professor de Educação Especial dos Câmpus Canoinhas e Caçador, Cláudio Adão da Rosa, foi-se o tempo em que os sujeitos só tinham o direito de participar ativamente das atividades sociais se conseguissem se adaptar aos ambientes rígidos e padronizados estabelecidos pela sociedade. “Atualmente, o entendimento é de que, independente das condições biopsicossociais, todos os cidadãos possuem o direito de participar de forma ativa e plena da sociedade”, enfatiza.

Dia do Autismo

Desde 2008, 2 de abril é considerado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo – data definida pela Organização das Nações Unidas (ONU) no final de 2007. Conforme professor Cláudio, o objetivo é chamar a atenção e conscientizar sobre o TEA e situações que não nos damos conta no dia a dia.

Mas, para André, um dia só é pouco. “Na minha opinião, poderia ter a Semana do Autista, para que os alunos façam uma espécie de pesquisa e seminários sobre o autismo, para que esses se conscientizem sobre essa condição especial”, sugere.

Aos 17 anos, André se encaixa no tema mundial da data deste ano, que é "Transição para a idade adulta", escolhido “para chamar a atenção para questões como poder de decisão, acesso à educação secundária, ao emprego e à vida independente”.

“Os maiores desafios para um autista são mudar a rotina, pois possuímos hiperfoco -  o qual faz com que focamos em uma rotina específica, e nos relacionar bem com as pessoas, visto que temos um grande desafio de começar uma conversa com alguém e, quando falamos com alguém, gostamos apenas de falar sobre algo que nos interessa”, conta André.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o TEA se refere a uma série de condições caracterizadas por algum grau de comprometimento no comportamento social, na comunicação e na linguagem, e por uma gama estreita de interesses e atividades que são únicas para o indivíduo e realizadas de forma repetitiva. Estima-se que, em todo o mundo, uma em cada 160 crianças tem transtorno do espectro autista.

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