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Câmpus Florianópolis oferece curso on-line e gratuito de Aprendizagem de Máquina

CÂMPUS FLORIANÓPOLIS Data de Publicação: 25 mai 2020 11:09 Data de Atualização: 25 mai 2020 11:54

O estudante de Engenharia Eletrônica Leonardo Santiago Benitez Pereira, com orientação do professor Rafael Nilson Rodrigues, está oferecendo o curso Aprendizagem de Máquina (Machine Learning): da concepção à operacionalização, totalmente pelo Youtube. Benitez e Rodrigues integram o Laboratório de Redes Inteligentes (LabSmart) do Câmpus Florianópolis. São 12 aulas, divididas em quatro módulos, com o desenvolvimento de experimentos práticos. Não há necessidade de saber programação.

Clique aqui para assistir as aulas.

O curso teve uma caminhada longa. De 2017 para 2018, o Labsmart fez uma parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), voltada para a Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT – sigla em inglês para Internet of Things). O foco do laboratório é usar a inovação para melhorar a eficiência energética, pesquisar e desenvolver soluções sobre o tema – tanto que o projeto SmartIFSC faz o monitoramento de energia em vários câmpus do IFSC. “A aplicabilidade da IA é imensa. Passa por modelo de previsão de curvas de contágio do Covid-19 e vai até simular resultados de votações do programa Big Brother. E ela possui uma série de vantagens em relação aos modelos clássicos de otimização. Entre elas, por exemplo, não precisamos criar uma série de equações, fazer a customização. Se você tem uma série de dados, você consegue treinar o algoritmo de maneira muito mais simples e rápida, com resultados muito bons”, explica Rodrigues.

No segundo semestre de 2019, Benitez foi selecionado para uma bolsa do Propicie na Finlândia, no projeto Barn 4.0, uma pesquisa aplicada à indústria de laticínios que utiliza tecnologias como Internet das Coisas, Inteligência Artificial, Visão Computacional, Computação em Nuvem, entre outras, para identificar e analisar o comportamento de vacas leiteiras, como ele é afetado por condições climáticas e qual o seu impacto na produtividade e qualidade do leite. “Depois que eu voltei, a ideia de fazer um curso sobre Aprendizado de Máquina, uma área de IA, surgiu de forma bem natural buscando ‘matar três lebres com uma cajadada só’: socializar o conhecimento obtido na Finlândia; capacitar alunos, professores e comunidade externa na área de IA, que é uma tecnologia muito importante e com aplicações nas mais diversas áreas; e fazer divulgação científica, mostrando para as pessoas o que nós fazemos”.

Além de atender esses três objetivos gerais, o curso ganhou a parceria do Polo Embrapii e foi pensado para ser presencial, com aulas bem práticas. Foi quando as atividades presenciais foram suspensas em razão da pandemia causada pelo coronavírus. Rodrigues passou a postar aulas de suas disciplinas no Youtube e logo surgiu a ideia de transformar o curso planejado por Benitez em uma versão digital. “Acho que foi uma decisão muito feliz: conseguimos alcançar mais pessoas e também disponibilizamos material para que outras iniciativas educacionais venham e ser desenvolvidas a partir dessa estrutura que criamos. Vários detalhes foram adaptados para aumentar essa possibilidade de expansão”, conta o estudante, lembrando que foi produzido um e-book, a produção dos slides foi mais bem elaborada e foi disponibilizado um um projeto prático que, apesar de simples, passa pelos principais tópicos de aprendizado de máquina.

E Benitez não consegue esconder a paixão pelo tema. Ele diz que o curso pode ser feito por estudantes de qualquer área. “Uma das características da nossa espécie é sermos fazedores de coisas, somos homo faber. Algumas dessas coisas mudaram drasticamente a nossa vida, tipo dominarmos a eletricidade ou construirmos máquinas a vapor. A IA é uma área antiga (nasceu ali pela década de 50) e que já decepcionou bastante, mas eu a vejo como uma dessas tecnologias que vão mudar muito nossa sociedade: a forma como trabalhamos, como distribuímos os benefícios desse trabalho, como aproveitamos nosso tempo”.

Para ele, mesmo quem não é da área precisa saber o que é a IA e saber trabalhar com ela, ainda que indiretamente. “Caso contrário você será como alguém que, hoje em dia, não sabe o que é um celular, um computador, nem nenhuma tecnologia de informação e comunicação. Seja você um engenheiro, sociólogo, comerciante ou artesão, eu acho que todo cidadão deveria entender o que é e para quê serve IA, até para tomarmos decisões políticas mais conscientes”, diz, citando como exemplo as fakes news tão faladas atualmente. “Você não precisa entender em detalhes como um computador funciona, mas se você não souber nem o que é um computador você vai ver como uma coisa mística, talvez até tenha medo. O conhecimento liberta desse misticismo, e aí você vai poder interagir com a tecnologia de uma forma muito mais saudável, seja como um usuário avançado ou só como alguém que vê TV e entende quando o jornalista fala sobre fake news, ataque cibernético, ou qualquer tema similar”.

CÂMPUS FLORIANÓPOLIS INOVAÇÃO

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