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Em tempo de valorização da Ciência, pesquisa como princípio pedagógico conquista seu lugar no debate educacional

PESQUISA Data de Publicação: 16 jun 2020 15:50 Data de Atualização: 16 jun 2020 16:04

Nunca a pesquisa foi tão essencial em nossos dias, em nível mundial, como neste momento de pandemia da Covid-19. Primordial não só em nível social – para auxiliar nos pontos afetados pela enfermidade, como economia e educação - mas também para a evolução profissional de todos ligados à ciência, que estão prontos para o trabalho em suas áreas de conhecimento. Ao seu lado temos a evolução científica e tecnológica conquistada até aqui.

De encontro ao panorama da pesquisa na atualidade, a técnica em Assuntos Educacionais da Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação (Proppi), Bárbara Colossi Felippe, sob orientação de Salete Valer, discutiu a pesquisa como princípio pedagógico ao finalizar seu Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica (ProfEPT). Ela reconhece a importância da pesquisa na promoção da aprendizagem. Segundo Bárbara, a adoção da pesquisa como princípio pedagógico é elemento essencial do fazer educação, do produzir conhecimento e da transformação social.

Compartilhando desse viés educacional, o estudante do curso de Engenharia de Produção do Câmpus Caçador, Gabriel Leites Souza, integra o grupo de pesquisa que produz equipamentos de proteção individual (EPIs) para a profissionais de saúde do município.  Ele desenvolveu outro modelo de impressão, que tornou mais dinâmica e eficiente a produção. Para ele, a realização da pesquisa é uma ação fundamental na formação acadêmica, sendo um importante instrumento na construção do conhecimento, além do desenvolvimento profissional que o ato de pesquisa proporciona na formação dos graduandos.

Na mesma linha, a estudante Laura Magnus, que desenvolveu a pesquisa sobre branqueamento óptico,  acredita que ela (pesquisa) é importante para a trajetória dos alunos principalmente no sentido de que ele se torna mais ativo no seu aprendizado. “Não fica dependente somente dos conhecimentos passados pelo professor. Pesquisar e escrever textos acadêmicos fez com que eu me sentisse capaz de produzir conhecimentos e não apenas absorvê-los”, conta ela que concluiu o curso técnico em Vestuário do Câmpus Araranguá, ano passado; e que ingressou no curso de Design da UFSC no início de 2020.

Conforme nos relata ela, entre os aspectos que se destacaram em sua dissertação, está o fato de que uma quantidade expressiva de sujeitos desta pesquisa relatou não ter tido contato anterior com o objeto de estudo (pesquisa como princípio pedagógico) durante a formação acadêmica. “Além disso, muitos afirmaram não terem recebido orientações do IFSC acerca do objeto de estudo (pesquisa como princípio pedagógico). Entre os sujeitos desta investigação que apresentaram um melhor domínio do conceito de pesquisa como princípio pedagógico estão os 18% que afirmaram terem tido contato anterior com o objeto de estudo durante alguma etapa de sua formação acadêmica”, conta.

Para ela, esse fator reforça a importância da prática educativa da pesquisa durante o percurso formativo do docente da educação profissional, seja por meio de sua formação técnica ou licenciatura, ou mediante formação/complementação pedagógica em Educação Profissional e Tecnológica. Também o estudo de Freiberger e Berbel (2009) concluiu que os sujeitos entrevistados, docentes da educação básica, não vivenciaram experiências com pesquisa durante sua formação acadêmica e que, por essa razão, essa prática  não se manifesta de modo pleno em suas ações  educativas, a não ser em situações pontuais e isoladas.

Incentivo e divulgação

Bárbara atribui a experiências mais sociais, por parte dos alunos, a “aprendizagem” através da pesquisa. “Ver o conhecimento produzido e como esse conhecimento retorna e contribui com a sociedade é um estímulo para a inserção do estudante nessas práticas”, pontua ela. Laura diz que o fato de ter percebido que poderia estar no meio acadêmico e ao mesmo tempo fazer mudanças positivas fora da escola foi o que mais influenciou sua trajetória acadêmica ao fazer pesquisa. “Por meio da pesquisa pude compreender melhor vários problemas que a nossa sociedade enfrenta e a partir disso e de atividades de extensão também, fazer com que os conhecimentos que eu e meus colegas tivemos em aula fossem levados para fora da escola. Acho que isso foi fundamental pra que eu sentisse que de fato eu aprendi algo e que os aprendizados que tive foram e são válidos fora da sala de aula”, relata a caloura da UFSC.

A servidora da Proppi e autora da dissertação problematiza ainda o acesso a essas oportunidades: “o incentivo pode vir através da divulgação das atividades de pesquisa e extensão desenvolvidas em nossa instituição. Muitos não estão inseridos nas atividades de pesquisa e extensão porque desconhecem o caminho para chegar a elas, o que são, como fazer, a quem pedir auxílio, onde encontrar os editais e chamadas? Equivocadamente, achamos que isso é do conhecimento de todos, quando na realidade, ainda não é”. 

Para Bárbara, é preciso se aproximar do estudante, mostrar os trabalhos realizados, explicar a importância de se envolver nessas atividades para o crescimento pessoal. “O desconhecimento acarreta medo, receio, muitos alunos se sentem inseguros em realizar pesquisa ou extensão, não se sentem capazes. Precisamos mostrar a eles o quanto essas práticas são gratificantes e o caminho para chegar a elas”, afirma.

Ela acredita que a Instituição deve estimular o envolvimento e inclusão dos estudantes em grupos de pesquisa, além do mínimo estipulado pelo CNPq: “a inclusão dos alunos em grupos de pesquisa é extremamente importante para entrosá-los nas atividades de pesquisa. Os grupos de pesquisa fornecem um ambiente propício à discussão, planejamento e acompanhamento das atividades de pesquisa da instituição. Muitas vezes, além da participação como bolsistas em projetos contemplados por editais, é por meio da atuação nesses grupos que os alunos são introduzidos na prática da pesquisa”. Atualmente, 326 estudantes do IFSC participam de pesquisas com bolsas de iniciação científica e iniciação tecnológica, através de editais da Proppi. Esse número, no entanto, é maior se contabilizados aqueles que participam voluntariamente das iniciativas ou ainda aquelas pesquisas desenvolvidas com apoio direto do câmpus a qual pertence.

Gabriel diz que é preciso que o estudante seja incentivado e orientado a conhecer os caminhos da pesquisa e do conhecimento científico logo no início da graduação, além da melhor destinação de recursos para que os pesquisadores possam executar suas pesquisas com laboratórios e equipamentos necessários. “A pesquisa me permitiu um aprofundamento nos conhecimentos adquiridos ao longo da graduação, possibilitando novas descobertas de forma a obter habilidades para planejamento, ter pensamentos críticos, ter foco, entres tantos outras. Pretendo seguir no meio das pesquisas, pois produzir conhecimento é aprender permanentemente”, diz ele.

Bárbara lembra que o IFSC tem desenvolvido algumas práticas para incentivar os alunos, desde o lançamento de editais, organização de eventos como o Seminário de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação (Sepei). “Apesar de muitos já estarem inseridos nessas práticas, precisamos estender esse alcance para incluirmos cada vez mais estudantes nessas atividades. Devemos nos aproximar mais deles por meio de encontros, conversas... É preciso apresentar as pesquisas desenvolvidas, assim também com as atividades de extensão. Convidar os estudantes a fazerem parte dos grupos de pesquisa, promovendo uma maior aproximação e entrosamento deles com essas práticas”, sugere a autora do trabalho sobre pesquisa como princípio pedagógico.

Dentre os editais, destaca-se o de “Pesquisa como Princípio Educativo” que busca estabelecer uma intrínseca relação entre pesquisa e ensino, tornando-se um instrumento essencial no processo de ensino e de aprendizagem, fortalecendo a formação integral e a natureza investigativa de nossos alunos.

Para o pró-reitor pro tempore de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação, Ailton Durigon, a formação integral dos estudantes passa pela integralização curricular, permeada pela participação em projetos de ensino, pesquisa e de extensão. “Ao participar de projetos de pesquisa o estudante vivencia situações que ampliam a visão profissional da sua área de formação e das possibilidades de soluções de problemas reais relacionados a sua atuação futura na sociedade. Esta experiência vivenciada e adquirida torna-se um diferencial durante a integralização curricular, na busca pela formação de profissionais cada vez mais críticos e capazes de buscar soluções para novos problemas e produzir novos conhecimentos”, destaca ele.

Durigon acredita que um discente que se envolve em projetos e atividades de pesquisa gera em si uma maior sensação de pertencimento à Instituição e dificilmente abandona o curso, reduzindo os índices de retenção e de evasão. “Ademais, a realização de atividades práticas na solução de problemas das mais diversas áreas vivenciadas por meio da pesquisa, possibilita a aplicação dos conhecimentos teóricos estudados em sala de aula”, ratifica.

Dissertação

Bárbara explica como desenvolveu seu trabalho e ressalta o perfil dos pesquisadores do IFSC: "entre os docentes, têm-se a predominância de indivíduos do sexo masculino, com idade média entre 30 e  40 anos. Alusivo à formação e atuação, a maioria dos sujeitos desta pesquisa possui formação na área das Engenharias, seguida por Ciências Exatas e da Terra, Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas e Ciências Biológicas. Quanto à titulação a maior parte possui título de doutor e mestre”. A agora mestre, diz ainda que a maioria possui experiência profissional no exercício de atividade técnica e a maior parte dos sujeitos também atuou como docente antes de ingressar na instituição.

Em acréscimo neste estudo, como se observou, a titulação do sujeito influiu menos sobre a concepção acerca de pesquisa como princípio pedagógico que o contato anterior com o objeto de estudo.

Na prática, Bárbara realizou seu trabalho em etapas: “em um primeiro momento, fez-se um estudo teórico das bases conceituais da educação politécnica, no qual se delineou os princípios e fundamentos da Educação Profissional e Tecnológica, principalmente aqueles que concernem à concepção de pesquisa como princípio pedagógico. Em um segundo momento fez-se a análise dos documentos institucionais para caracterizar as propostas de projetos, como tema do projeto de pesquisa, quantidade de submissões por proponente, recorrência de submissão entre outros”. Depois, segundo ela,  investigou-se, por meio de diferentes documentos institucionais e externos e também da entrevista, as variáveis que compõem o perfil dos docentes participantes do referido edital, como o sexo, idade, área de formação docente, titulação, exercício de trabalho técnico anterior ao ingresso no IFSC, contexto educacionais em que atuou como docente antes de ingressar no IFSC, formação/complementação pedagógica em Educação Profissional e Tecnológica,  tempo de docência como professor efetivo no IFSC, contato anterior com o objeto de estudo (pesquisa como princípio pedagógico) durante a formação acadêmica, orientações do IFSC acerca do objeto de estudo (pesquisa como princípio pedagógico) entre outros.

“Por fim, por meio da realização da entrevista, verificou-se o entendimento dos sujeitos em relação ao conceito de pesquisa, aos procedimentos didático-pedagógicos utilizados para desenvolver nos discentes as habilidades cognitivas e linguísticas pertinentes ao processo de elaboração de uma pesquisa”, conclui. 

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