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Estudantes do Câmpus Joinville relatam experiência de intercâmbio em Portugal durante pandemia

CÂMPUS JOINVILLE Data de Publicação: 14 jul 2020 11:24 Data de Atualização: 15 jul 2020 09:56

Realizar um intercâmbio no exterior e participar de um projeto de pesquisa internacional são experiências inesquecíveis para qualquer estudante. E quando isso acontece em plena pandemia? Para as estudantes Ana Maria Henning Codeço e Isabela das Chagas Luiz, do curso técnico integrado em Mecânica do Câmpus Joinville, o intercâmbio de três meses em Portugal foi, literalmente, uma experiência inusitada.

Entre março e junho, elas participaram de projetos de pesquisa no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), pela 17ª edição do Programa de Intercâmbio Internacional para Estudantes do IFSC (Propicie). Isabela fez parte da equipe do projeto Smart Energy Sustainable Systems (Smarteness), sobre eficiência energética e sustentabilidade, e Ana participou do projeto Intelligence of Home (IoH), que estuda a incorporação de inteligência artificial em ambiente domiciliares.

Para Ana, apesar de todo o transtorno, foi uma experiência muito proveitosa. “Antes da quarentena, pude conhecer a instituição do meu projeto, meu orientador e ainda consegui conhecer um pouco da cidade de Porto. Durante a quarentena, apesar de ser mais difícil do que imaginava, foquei no meu projeto e nas atividades do IFSC”, resume.

Elas chegaram em Porto no dia 4 de março, quinze dias antes de Portugal estabelecer restrições à circulação das pessoas para conter a propagação da pandemia de Covid-19. Três meses depois, no final do intercâmbio, o país experimentava a segunda fase de abertura, quando as estudantes puderam retornar. Depois da chegada ao Brasil, no dia 9 de junho, elas ainda ficaram juntas até o dia 25 de junho, para cumprimento do período de isolamento domiciliar recomendado pelo Ministério da Saúde para quem retorna do exterior.

“Foi uma experiência única, não somente pela pandemia, mas por muitas coisas terem sido primeira vez, desde viajar de avião e morar longe dos pais. O intercâmbio permitiu ter novas percepções sobre as coisas e acreditar mais em mim, pois nunca imaginei que poderia estar realizando um estágio em uma universidade fora do país”, conta Isabela.

“A quarentena foi mais tranquila de passar também pois estávamos morando com mais pessoas e nos dávamos muito bem, assim durante esse tempo criei várias amizades. E, depois que o país foi abrindo gradualmente, pude conhecer mais de Portugal. Assim, mesmo com o coronavírus, conheci novas culturas, pude fazer um projeto sobre uma área que gosto muito, que é economia de energia, em uma universidade de prestígio e conheci novos grandes amigos”, complementa Ana.

Para conhecer melhor a experiência de intercâmbio das estudantes do Câmpus Joinville, convidamos Isabela das Chagas e Ana Maria Codeço a relatarem suas impressões sobre alguns tópicos, como medos, dúvidas, melhores momentos, aprendizado e o inevitável comparativo entre a realidade dos dois países no enfrentamento à pandemia. Acompanhe.

Melhores momentos e aprendizado

Isabela: No geral, os melhores momentos que tive foram com as pessoas que conheci no Intercâmbio. Eu dividia o quarto com a Ana e a aluna Isabelli Tavares, do Câmpus Itajaí, e tinha como moradores da casa ao lado, do mesmo proprietário, os estudantes Bernardo Mesko, do Câmpus Gaspar, e Jhou Trampusch e João Muller, do Câmpus Xanxerê. E foi com eles que realizamos viagens por Portugal e turistamos pelo Porto. Mas a primeira ida à Ponte D. Luís I foi mágica, pois era pôr do sol, tinha artistas locais na Ribeira e estava tudo muito lindo, tudo quando Portugal não tinha decretado isolamento social. Os melhores aprendizados que tive foram pessoais, foi onde aprendi a acreditar em mim mesma, a ser mais responsável, independente e autônoma. Foi no intercâmbio que eu adquiri uma visão mais ampla das coisas, e que por meio de tantas histórias, de pessoas únicas que conheci, eu pude pensar que posso chegar mais longe. Não sei quais serão meus planos após a faculdade, mas penso em voltar para Porto um dia e ver como realmente minha vida mudou após o intercâmbio.

Ana: Os melhores momentos para mim foram com as pessoas que conheci. Não só os passeios que fizemos, onde conhecemos um pouco mais de Portugal e o país maravilhoso que é, mas também as jantas que fizemos com jogos e até karaokê, pois ali estabelecemos um vínculo muito forte. Também gostei de passear um dia por Porto sozinha, onde pude sentir um pouco mais de autonomia e descobri alguns lugares diferentes. A sensação de andar pelas ruas sozinha durante o dia sempre foi muito satisfatória, e sentir que já sabia de cor um lugar que é tão longe de casa foi muito acolhedor, e logo depois me encontrei com a turma e continuamos o dia. Com certeza, foi uma experiência muito diferente de qualquer coisa que já vivi e sou muito grata ao IFSC me por ter proporcionado essa experiência.

Maiores medos e dúvidas

Isabela: Meu maior medo quando fui para o intercâmbio foi a responsabilidade, pois tudo que acontecesse dependeria de minha autonomia para resolver. Assim como minha maior dúvida, em meio à pandemia, era se conseguiríamos voltar ao Brasil e, se não conseguíssemos, como seria procedido. Essa dúvida começou a surgir quando nossos voos começaram a ser cancelados. Tivemos seis remarcações de voos até conseguir voltar finalmente, passando cerca de uma semana e meia do previsto inicialmente.

Ana: No começo minha maior dúvida era se eu iria conseguir me virar tranquilamente, estando em outro país longe da minha família (sem nem imaginar a pandemia). Com o passar do tempo, minha maior preocupação passou a ser como seria a volta para o Brasil, isso porque tudo estava muito incerto, com voos cancelados frequentemente e sem datas certas. Tivemos que remarcar nosso voo mais vezes do que gostaria, mas felizmente já posso dizer que conseguimos voltar com tranquilidade.

Comparativo entre as estratégias adotadas em Portugal e no Brasil

Isabela: Portugal foi um dos países que aderiu ao isolamento social cedo e, por isso, conseguiu controlar a situação, e pôde reabrir com medidas protetivas comércios e museus. Eu percebi que boa parte da população era adepta ao isolamento e às medidas tomadas pelo governo, então era comum ter organização e cuidados no transporte público e mercados, por exemplo. Ainda lá, víamos os noticiários e era comum o governo fazer pronunciamentos sobre quais seriam as medidas tomadas e como estava a situação do país. Quanto ao Brasil, acompanhamos por meio digital e por familiares, e acredito que o Brasil não consolidou o isolamento, bem como não apresenta estratégias quanto ao enfrentamento da Covid-19. A população brasileira, aos meus olhos, está bem dividida entre as pessoas que sabem dos riscos e as que duvidam da existência de um perigo real devido à instabilidade que o governo passa.

Ana: Concordo com o que a Isabela disse. Apesar de lá também terem pessoas que não seguiam as recomendações do governo, ao meu ver, as atitudes do governo de Portugal quanto à adoção do estado de emergência e da reabertura da economia foram melhor pensadas e executadas. Fiquei feliz pelo Brasil ter adotado o isolamento social mais cedo do que comparado a outros países, contudo a sua reabertura prematura me permitiu ver essas falhas.

Se soubessem das consequências da pandemia, viajariam mesmo assim?

Isabela: Viajaria. Nossos estágios foram feitos remotamente e várias semanas ficamos em casa. Entretanto, como o país tomou boas medidas inicialmente, pudemos visitar diversas cidades de Portugal, mesmo que de forma limitada. No geral, mesmo com a pandemia e o valor do euro em alta, pudemos aproveitar muito bem. Fizemos tudo que estava ao nosso alcance e que fosse seguro. Visitamos mais de dez cidades por Portugal e, ainda que limitado, foi um bom proveito.

Ana: Realmente não sei. Gostei muito da experiência e com certeza faria de novo, mas é claro que se pudesse fazer meu intercâmbio fora de uma pandemia seria preferível (além de que se soubesse, não me sentiria bem sabendo que estou viajando no meio de uma pandemia).

As experiências de Ana, Isabela e dos demais intercambistas do IFSC também podem ser conferidas no Blog dos Intercambistas, realizado a partir dos relatos pessoais dos estudantes.

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