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Evento online dos cursos de Enfermagem do IFSC vai abordar a prevenção ao suicídio

EVENTOS Data de Publicação: 11 set 2020 15:49 Data de Atualização: 11 set 2020 16:03

O servidor do IFSC e ativista em Saúde Mental Raphael Henrique Travia é um dos participantes da abertura do debate de abertura do evento on-line “Promover a vida não pode ser tabu – uma ação de prevenção ao suicídio”, promovido pelos cursos de Enfermagem dos câmpus Florianópolis e Joinville com transmissão ao vivo pelo Youtube dos cursos de Enfermagem no dia 16 de setembro, das 15h até as 18hConfira aqui a programação completa.

Para Travia, quando as ações de conscientização não são bem feitas, os meses “coloridos” (Setembro Amarelo, Outubro Rosa, etc), desviam a atenção do fato que precisamos cuidar da saúde de forma integral. “Essas campanhas chamam a atenção muito pontualmente”, explica Raphael.

“Eu sou pessoa com transtorno bipolar então essa área da saúde mental me toca muito. O Setembro Amarelo acabou tirando a atenção das pessoas pra saúde mental de forma ampla e só focou no suicídio. Mas, antes da pessoa chegar ao ponto de querer se suicidar, ela está enfrentando algum tipo de problema que precisa ser visto. E muitas vezes quando você está, por exemplo, com uma depressão, as pessoas não se importam muito. Dizem que é frescura. E acaba que o suicídio todo mundo presta uma atenção, mas, querendo ou não, é um atestado de que a gente falhou como um projeto de sociedade”, defende.

Sobre o evento promovido pelo IFSC, ele considera muito importante que essa conscientização seja feita nas escolas e faculdades. “Eu fui aluno do Câmpus Joinville e, no primeiro semestre do meu curso de Gestão Hospitalar, eu passei mal na sala de aula, tive uma crise e fui socorrido pela professora Vanessa Jardim, que é enfermeira e entendeu o que estava acontecendo. É muito importante que os nossos docentes tenham esse olhar e essa sensibilidade para saber que muitas vezes as pessoas podem estar ali na sala de aula precisando de um apoio com relação à saúde mental”.

Raphael já compartilhou sua história em sites, congressos e imprensa - especialmente em 2012, quando ganhou um prêmio nacional. Apesar de apresentar os sintomas da bipolaridade desde a infância, ele só teve o diagnóstico correto a partir dos 25 anos, depois, inclusive, de internações psiquiátricas sem resultado positivo. Hoje, defende que o debate sobre a depressão e o suicídio vá além da superfície, pois a saúde mental abrange uma diversidade muito grande de assuntos que podem ser abordados. Ele cita o caso do esgotamento profissional dos trabalhadores de saúde e da educação, acometidos pela síndrome de Burnout. “Antes de a gente falar de suicídio, por que a gente não fala de condições de trabalho mais dignas, mais humanas? Algumas pessoas se suicidam porque ficaram desempregadas, estão com dívidas. Por que a gente não fala de como inserir essas pessoas de volta na sociedade? O suicídio de jovens, em números cada vez mais altos: por que a gente não fala das relações familiares, cada dia mais artificiais, do excesso de mídias e que acaba roubando o lugar da conversa? Por que a gente não coloca o dedo na ferida um pouco e fala sobre aceitar a diversidade das pessoas: as pessoas têm depressão, têm transtornos mentais, não são obrigadas a sorrir 24 horas do dia, que ninguém tem a vida como posta nas redes sociais, aquela vida de comercial de margarina”.

Segundo o servidor, é preciso promover a vida também falando sobre a morte, como algo natural, algo sem tabu, pois a única certeza que se tem é de que um dia todos morrerão – só não precisa ser por suicídio. Ele alerta também para o excesso de medicalização quando se fala em transtornos mentais. “Não se pode ignorar que há pressão para girar a economia da indústria farmacêutica e da medicalização da vida, que muitas vezes abafa os nossos sentimentos. Então, um recado que eu gostaria de dar é que é necessário mudar as relações e resolver os conflitos, e não ficar apenas atacando sintomas, porque o problema principal vai continuar ali”.
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