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IFSC participa de resgate histórico de uma receita típica do bairro Estreito, em Florianópolis

CÂMPUS FLORIANÓPOLIS-CONTINENTE Data de Publicação: 14 out 2020 14:37 Data de Atualização: 16 out 2020 09:45

A dobradinha é um prato tradicional de várias comunidades pelo Brasil. Em Florianópolis, ela faz parte da história do bairro Estreito, na parte continental da cidade. Antigos moradores receberam até um apelido: tripeiros, porque faziam fila à espera das doações de miúdos em frente ao matadouro que havia na comunidade antes da década de 1960 e que destinava as partes nobres do boi aos moradores da ilha, "mais endinheirados". 

Resgatar essas histórias e manter as receitas vivas nas cozinhas de moradores e restaurantes é o objetivo da Comida de Fato, uma mostra virtual que está reunindo, nas redes sociais, receitas e causos sobre a dobradinha. O Grupo de Pesquisa Patrimônio, Gastronomia e Cultura do IFSC e a organização FloripAmanhã são parceiros do projeto, realizado pelo grupo Sou Estreito.

Para falar sobre esse prato tão rico de cultura, quatro cozinheiros foram convidados a dar seus depoimentos e a fazer as suas receitas de dobradinha, entre eles a professora de Gastronomia do Câmpus Florianópolis-Continente e coordenadora do grupo de pesquisa, Silvana Graudenz Muller, que participa da mostra nesta sexta-feira (dia 16 de outubro). A professora e pesquisadora vai falar sobre aspectos históricos e culturais da dobradinha, sua relação com o prato e apresentar sua versão da receita. 

Uma conversa sobre história e culinária

Para buscar mais elementos sobre essa cozinha local, Silvana foi até a casa de outra cozinheira que faz parte da mostra, Dona Terezinha Egnácio, de 81 anos, moradora do Estreito, que tem orgulho da sua história como tripeira e que já fez o seu relato ao projeto.

Confira aqui!

As duas se encontraram para trocar detalhes desta receita típica: "Ela me contou como era feita a dobradinha 50 anos atrás. Não ia extrato de tomate, usava colorau, era banha de porco em vez do azeite, os cortes mais quadradinhos. E falou também das adaptações aos produtos mais industrializados."

A partir desta leitura histórica, a professora gravará um vídeo com três momentos: uma apresentação de sua atuação e do grupo de pesquisa, a relação de resgate com a dobradinha e por fim a sua versão do prato. Tudo será compartilhado pelas redes sociais do Câmpus Continente do IFSC no Facebook e do Seu Estreito no Facebook e no Instagram.

Os outros dois cozinheiros são: Narbal Corrêa, pescador profissional, pesquisador e consultor gastronômico, e Daniel Castro, personal chef que participou do programa The Taste Brasil (2019).

O Gestor de Design do Sou Estreito, Jorge Elias Dolzan, afirma que as quatro receitas também vão compor um "Menu de Fato", que ficará disponível para download gratuito no site www.souestreito.com.br. Está prevista ainda uma exposição itinerante pela capital com as receitas e as histórias dos autores e das instituições envolvidas no projeto. 

Vale lembrar a importância deste resgate para a diversidade culinária de Florianópolis, que tem o Selo Cidade Unesco da Gastronomia. Para Silvana, identificar a prática das cozinhas locais contribui para a manutenção e o fortalecimento da identidade local e utilização pelas novas gerações.

CÂMPUS FLORIANÓPOLIS-CONTINENTE