Atividades não presenciais X Educação a distância: é tudo a mesma coisa?

Atividades não presenciais X Educação a distância: é tudo a mesma coisa?

BLOG DO IFSC Data de Publicação: 13 mai 2020 10:30 Data de Atualização: 03 jul 2020 11:21

Com a suspensão das aulas presenciais por causa da pandemia da Covid-19 há quase dois meses, as instituições de ensino - como a nossa - tiveram que buscar alternativas para  reorganizar o calendário acadêmico de 2020. Quem decidiu manter o calendário, precisou  se adaptar e passar a oferecer atividades não presenciais para os alunos.

Vocês têm lido a gente falar muito sobre isso aqui, não é mesmo? As atividades não presenciais passaram até a ser chamadas pela sigla ANP para facilitar.

O próprio Ministério da Educação permitiu esta nova forma de atuação das instituições diante do contexto que estamos vivendo de distanciamento social. A portaria do MEC nº 345 autorizou, em caráter excepcional, a substituição das disciplinas presenciais, em andamento, por aulas que utilizem meios e tecnologias de informação e comunicação como forma de manter a rotina de estudos e dar continuidade ao ano letivo.  Mas, afinal, o ensino remoto por meio de atividades pedagógicas não presenciais é a mesma coisa que a educação a distância?

A gente também sempre falou bastante de educação a distância - EaD - até porque temos cursos ofertados nessa modalidade e nosso Centro de Referência em Formação e EaD, o Cerfead. Mas atenção: ANP e EaD não são a mesma coisa.

Homem faz cara de confuso


Para trazer as explicações que apresentaremos por aqui, recorremos à chefe do Departamento de Educação a Distância do Cerfead do IFSC, Maria da Glória Silva e Silva, e ao pró-reitor de Ensino, Luiz Otávio Cabral. Vamos lá, então?

Educação a distância

Primeiro, é importante saber que a educação a distância é definida como modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica, nos processos de ensino e aprendizagem, ocorre com: 1) a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação; 2) pessoal qualificado; 3) políticas de acesso; e 4) acompanhamento e avaliação compatíveis.

Isso significa que, formalmente, não poderíamos chamar as ações emergenciais que temos realizado de educação a distância. A educação a  distância é uma modalidade de ensino que vem sendo pesquisada, estudada e praticada há muitos anos. 

Aqui no IFSC, as primeiras iniciativas nessa modalidade tiveram espaço na então Unidade São José da Escola Técnica Federal, em 1999. Os programas de fomento como Universidade Aberta do Brasil (UAB) e a Escola Técnica Aberta do Brasil (e-Tec) foram os grandes impulsionadores para a oferta de cursos a distância a partir de 2008, mas hoje a lógica foi invertida e temos mais ofertas próprias por meio dos câmpus e do Cerfead e do, criado oficialmente em 2014 e que é vinculado à Pró-Reitora de Ensino. 

Aliás, já fizemos um post só sobre Ead (Leia aqui).

Quando tivemos um contexto que nos obrigou a suspender as aulas presenciais, isso não significa que simplesmente transformamos as aulas presenciais em educação a distância. Não se trata de uma simples transposição de conteúdos e materiais didáticos para o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Na EaD, a formação permanente é necessária para a mediação pedagógica on-line. Porém, no contexto atual, nem todos os professores que buscam migrar para esta modalidade de ensino possuem formação e experiência.

De acordo com a Associação Universidade em Rede - UniRede, que integra as instituições públicas que oferecem cursos na modalidade de educação a distância no Brasil, um componente curricular passa por diversas etapas de planejamento para ser ofertado na modalidade EaD: elaboração do plano de ensino, segmentação do conteúdo programático em módulos de estudo, escolha de materiais didáticos, escolha ou produção de videoaulas e/ou podcasts, fóruns de discussão, chats, videoconferências e outras atividades de aprendizagem, de acordo com cada AVA, definição das atividades de aprendizagem e avaliação, realização de atividades presenciais e/ou síncronas, entre outras ações. Esse processo costuma durar meses até que um componente curricular esteja pronto para ser oferecido aos estudantes.

Além do longo período de planejamento, a educação a distância envolve várias estratégias didáticas para efetivação dos processos de ensino-aprendizagem, diversificação de linguagens (áudio, vídeo, imagens), com clareza das atividades propostas, feedback qualificado, atendimento às dúvidas dos estudantes e avaliação processual. Os materiais didáticos e as estratégias são elaborados com revisão e apoio de profissionais especializados. 

Portanto, a educação a distância é uma modalidade de ensino cuja mediação pedagógica depende do uso das tecnologias de informação e comunicação (TIC), além de outras exigências legais em termos de autorização/credenciamento da instituição de ensino. Essa concepção já tem que ser estruturada a partir do projeto pedagógico do curso. 

Vejam aqui os cursos que temos a distância (só lembrando que nosso calendário de ingresso sofreu alterações por causa da pandemia). Aliás, os nossos cursos EaD que estavam em andamento não foram suspensos, as aulas continuaram e continuam ocorrendo.

Se não é EaD, o que é então?

De uma semana para outra, nós tivemos que passar o que tínhamos de ensino presencial - que, no IFSC, são a maioria dos nossos cursos - para ensino remoto. O ensino remoto, por sua vez, nem sempre é mediado por tecnologias e pode se basear, por exemplo, no oferecimento de material impresso para estudo em casa e realização de tarefas. O tempo de planejamento, nesse caso, foi tão curto quanto a urgência da situação que o demandou. 

No final de abril, o Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou o parecer CNE/CP nº 05/2020 - que ainda precisa ser homologado pelo MEC - com as diretrizes que orientam as escolas de educação básica e instituições de ensino superior na organização das atividades acadêmicas em função da pandemia do novo coronavírus. O documento dá especial destaque à definição das atividades não presenciais - ANP - que podem ser usadas como estratégias pedagógicas quando não é possível a presença física do estudante no espaço escolar, não necessariamente com uso de tecnologias de comunicação e informação (TIC). Conforme o documento coloca:

Por atividades não presenciais entende-se, neste parecer, aquelas a serem realizadas pela instituição de ensino com os estudantes quando não for possível a presença física destes no ambiente escolar. A realização de atividades pedagógicas não presenciais visa, em primeiro lugar, que se evite retrocesso de aprendizagem por parte dos estudantes e a perda do vínculo com a escola, o que pode levar à evasão e abandono.

Portanto, as atividades não presenciais são um conjunto de atividades pedagógicas, mediadas ou não pelas tecnologias, e que estão sendo utilizadas pelas instituições de ensino para substituir ou compensar a suspensão das aulas presenciais em função da pandemia da Covid-19. O parecer indica ainda que:

O desenvolvimento do efetivo trabalho escolar por meio de atividades não presenciais é uma das alternativas para reduzir a reposição de carga horária presencial ao final da situação de emergência e permitir que os estudantes mantenham uma rotina básica de atividades escolares mesmo afastados do ambiente físico da escola.

Apesar dessa indicação, nem todas as disciplinas e cursos do IFSC estão desenvolvendo ANP. O nosso pró-reitor de Ensino explicou que a maior dificuldade que temos são nos cursos e unidades curriculares predominantemente práticas. A portaria nº 343 do MEC veda as ANP pras atividades de estágio, práticas e de laboratório, apesar do parecer do CNE abrir a possibilidade de pelo menos parte dessas atividades serem desenvolvidas de forma remota, desde que não tragam prejuízo pedagógico significativo aos estudantes e estejam devidamente regulamentadas. Por isso, como definiu nosso Conselho Superior em 27 de abril, cada câmpus pode decidir a situação de seu calendário acadêmico e o grau de aplicação de ANP, podendo variar de curso para curso e de unidade curricular para unidade curricular.

Aqui no IFSC, o Colegiado de Ensino, Pesquisa e Extensão - conhecido como Cepe - aprovou  em 26 de junho a Resolução nº 37/2020, que estabelece as orientações para a realização de atividades não-presenciais (ANPs) e o atendimento da carga horária letiva, em função da pandemia de Covid-19. Leia aqui o documento na íntegra.

A utilização da internet e do computador para o ensino remoto tem sido a opção mais comum, mas não é a única, no contexto da pandemia. O ensino remoto admite uma gama mais ampla de ações que possibilitem o acesso emergencial dos estudantes a conteúdos e formas de estudar fora da escola. O parecer do CNE sugere também uma gama diversa de atividades que podem ser realizadas de forma não presencial, tais como: 

  • - reorganização dos ambientes virtuais de aprendizagem, e outras tecnologias disponíveis para atendimento do disposto nos currículos de cada curso;
  • - realização de atividades on-line síncronas ou assíncronas;
  • - realização de testes on-line ou por meio de material impresso;
  • - distribuição de vídeos educativos, de curta duração, por meio de plataformas digitais, mas sem a necessidade de conexão simultânea;
  • - realização de estudos dirigidos, pesquisas, projetos, entrevistas, experiências, simulações e outros; 
  • - utilização de mídias sociais de longo alcance (WhatsApp, Facebook, Instagram etc.) para estimular e orientar os estudos; entre outras possibilidades.  

Como é um cenário novo para todos, nossos professores também tiveram que se adaptar rapidamente às ANP na linha daquele ditado de trocar o pneu do carro com o carro andando.

Logo no início do distanciamento, a Pró-Reitoria de Ensino enviou para todos os docentes orientações para o planejamento, envio e acompanhamento de atividades pedagógicas aos estudantes. Além disso, a equipe do Cerfead - que já tem a expertise em EaD - está fazendo capacitações e implantou uma Comissão de Servidores para apoiar os docentes na realização de atividades não presenciais nos ambientes de ensino e aprendizagem digitais do IFSC. Veja aqui como tem sido este apoio. 

Mais dúvidas sobre ANP?

A diretora-geral do Câmpus Gaspar, Ana Paula Kuczmynda da Silveira, escreveu um texto para o site do câmpus explicando também o que são as ANPs, desde quando elas começaram a ser aplicadas no IFSC e o que tem sido realizado pelos servidores do Câmpus Gaspar, após decisão da assembleia virtual pela suspensão das ANPs. Leiam aqui para ter ainda mais esclarecimentos.

Enlouquecendo com as ANP?

Sabemos que, no começo do distanciamento social, pode ter havido um excesso de atividades não presenciais.

Mulher estressada e sem saber o que fazer primeiro


Temos ouvido nossos estudantes, servidores e os câmpus têm se reunido com frequência para avaliar a situação. Nosso objetivo não é sobrecarregar ninguém.

Se você está angustiado(a) com as atividades não presenciais do seu curso ou com alguma dificuldade, entre em contato com a coordenação do curso ou com o Núcleo Pedagógico do seu câmpus

Destacamos alguns conteúdo que já publicamos por aqui e podem ser úteis:

- Como fazer as atividades acadêmicas de casa
- Dicas para estudar sozinho
- Dicas para não pirar

Mais um detalhe: para que as atividades não presenciais possam ser realizadas, sabemos que é preciso ter uma infraestrutura e que nem todos os nossos alunos têm. Por isso, lançamos um auxílio-internet

Mas atenção: quem não está conseguindo acompanhar as atividades ou conhece alguém nesta situação por algum problema, pode ficar tranquilo(a) ou aconselhar seu/sua amigo(a) a também ficar. Como já dissemos, ninguém será prejudicado(a).

   


#IFSCemcasa

Sabemos que, na prática, não importa se você está fazendo atividade não presencial ou um curso na modalidade de educação a distância. Neste momento, o importante é você ficar bem e, se possível, ficar em casa. #IFSCemcasa

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