Decifrando o Enem

Decifrando o Enem

BLOG DO IFSC Data de Publicação: 27 mai 2020 10:48 Data de Atualização: 03 jun 2020 18:32

Achamos difícil que alguém - com mais de 10 anos e menos de 80 vai… - não saiba ainda o que é Enem. Quem desconhecia o termo, provavelmente, escutou alguma vez a sigla nas últimas semanas com toda a polêmica que teve de #AdiaEnem (que fez com que o Governo Federal, de fato, adiasse a prova deste ano). Mas, afinal, o que é o Enem, como surgiu, para o que serve e o que nós temos a ver com isso?

Primeira coisa: Enem é a sigla de Exame Nacional do Ensino Médio. Nacional porque, obviamente, é o mesmo exame aplicado para estudantes de todo o País. 

O Enem tem como principal finalidade a avaliação individual do desempenho do participante ao final do Ensino Médio. Conforme edital do exame, os resultados do Enem deverão possibilitar:

- a constituição de parâmetros para a autoavaliação do participante, com vistas à continuidade de sua formação e a sua inserção no mercado de trabalho;
- a criação de referência nacional para o aperfeiçoamento dos currículos do ensino médio;
- a utilização do Exame como mecanismo único, alternativo ou complementar para acesso à educação superior, especialmente a ofertada pelas instituições federais de educação superior;
- o acesso a programas governamentais de financiamento ou apoio ao estudante da educação superior;
- a sua utilização como instrumento de seleção para ingresso nos diferentes setores do mundo do trabalho;
- e o desenvolvimento de estudos e indicadores sobre a educação brasileira.

Atualmente, o Enem é utilizado como critério de seleção para os estudantes que pretendem concorrer a uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni). Além disso, cerca de 500 universidades - segundo dados do Ministério da Educação (MEC) - já usam o resultado do exame como critério de seleção para o ingresso no ensino superior, seja complementando ou substituindo o vestibular (que é o nosso caso).

Quem organiza todo o exame é o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o Inep, que é uma autarquia federal vinculada ao MEC.  

No post de hoje, vamos explicar tudo isso. Se você vai fazer o Enem, prometemos informação útil sobre a prova. Se você já fez ou conhece alguém que ainda vai prestar o exame, este texto vai ajudar na contextualização da prova para você não ficar boiando nessas discussões.

Só um recado antes: as inscrições para o Enem 2020 - que foram prorrogadas - terminam nesta quarta-feira (27), às 23h59. Veja as informações neste link.

Um pouco de história

No site do Inep, tem todo o histórico do Enem. Destacamos os principais pontos abaixo:

O Enem foi instituído pela portaria do MEC nº 438, de 28 de maio de 1998 - e suas alterações - , ou seja, ele completa 22 anos amanhã! 

Velas de aniversário


A primeira edição do Enem foi realizada em 20 de agosto de 1998. Foram registradas 157.221 inscrições e 115.575 estudantes fizeram a prova em 184 municípios. O exame foi criado para avaliar o domínio de competências pelos estudantes concluintes do ensino médio e a participação era voluntária

O ano 2000 marcou o início da oferta de recursos de acessibilidade. A edição contou com 390.180 inscritos. Em 2001, as inscrições para a prova passaram a ser feitas pela internet e o número de inscritos chegou a 1.624.131. Neste ano também, os alunos de escolas públicas passaram a ter isenção do pagamento da taxa de inscrição

No ano seguinte, a taxa de abrangência do exame superou 50%. Em 2002, foram 1.829.170 inscritos e as provas foram realizadas em 600 municípios.

Em 2004, o recém-criado Programa Universidade para Todos, o ProUni, começou a usar a nota do Enem para concessão de bolsas de estudos integrais e parciais aos participantes em instituições de ensino superior privadas. Por causa do ProUni, aumentou consideravelmente o número de participantes que realizaram o Enem com o objetivo de entrar em uma faculdade. Eles representaram 67% do total de 3.004.491 inscritos em 2005.

Dez anos após a criação do Enem, o Inep e o MEC anunciaram que o Enem se tornaria o processo nacional de seleção para ingresso na educação superior e também serviria para fazer a certificação do ensino médio. Neste ano, mais de 70% dos 4.018.050 inscritos afirmaram que fizeram o Enem para entrar na faculdade ou conseguir pontos para o vestibular. A prova foi aplicada em 1.437 municípios.

E o Sisu?

Em 2009, com a criação do Sistema de Seleção Unificada, o Sisu, o Enem mudou de formato. O exame passou a ter 180 questões objetivas, 45 para cada área do conhecimento, e a redação. A aplicação passou a ser em dois dias e o exame começou a certificar a conclusão do ensino médio. No ano seguinte, em 2010, os resultados passaram a ser adotados pelo Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies, um programa do Ministério da Educação destinado a financiar a graduação na educação superior em instituições privadas.

Em 2013, pela primeira vez, quase todas as instituições federais adotaram o Enem como critério de seleção. Foi neste ano que o IFSC passou a utilizar a nota do Enem como forma de seleção em seus cursos de graduação - mas falaremos disso mais pra frente.

E o Enem serve como processo seletivo fora do Brasil também. Desde 2014, algumas universidades portuguesas utilizam as notas do Enem como forma de ingresso de estudantes brasileiros.

A aplicação do exame em dois domingos consecutivos começou em 2017, após consulta pública para identificar melhorias para a prova, e assim segue até hoje. Em 2018, ano em que o exame completou 20 anos, a TV Escola fez um documentário sobre o Enem:

 

Para quem tiver mais curiosidade, há uma série de cinco minidocumentários sobre os bastidores do exame.  

Enem no IFSC

A utilização da nota do Enem como forma de processo seletivo para cursos de graduação do IFSC começou no ingresso de 2013.1, com 50% das vagas destinadas a esse tipo de seleção. Este percentual se manteve até 2017.

A partir do processo seletivo 2018.1, o IFSC deixou de realizar vestibular próprio e passou a adotar a nota do Enem como forma de seleção para todas as vagas de cursos de graduação, ou seja, o ingresso para cursos de graduação passou a ser 100% via Sisu como também divulgamos.

Arte de divulgação de quando o IFSC passou a adotar o Enem


É por isso que, nos nossos canais de comunicação, reforçamos tanto a necessidade de quem quiser fazer um curso de graduação no IFSC se inscrever no Enem. Por exemplo: quem quiser estudar em 2021 no IFSC, tem que já ter se inscrito no Enem 2020 - que sim, teve a sua aplicação adiada, mas o prazo de inscrições foi mantido e prorrogado até esta quarta-feira (27). Não se inscreveu? Corre que a inscrição é só até as 23h59 de hoje neste link

A principal razão que levou o IFSC a adotar o ingresso 100% via Sisu foi o entendimento de que seria uma forma de promover a inclusão - o que, aliás, faz parte da nossa missão. A utilização do Enem como forma de acesso permite que estudantes de qualquer lugar do Brasil possam se candidatar a vagas do IFSC sem ter que vir a Santa Catarina para fazer uma prova de seleção. 

Lógico que a mudança também facilitou a comunicação com o público, uma vez que a seleção para cursos de graduação virou um processo único - e você bem sabe como nosso sistema de ingresso como um todo é complexo diante de tantos tipos de cursos e especificidades, não? rsrs Por isso, sempre que conseguirmos simplificar, melhor, não?  ;)

Teve ainda a questão de redução de custos com a realização do vestibular e principalmente de esforços, considerando todas as etapas que um processo deste tipo envolve - tal como elaboração da prova, distribuição logística, seleção de fiscais, avaliação (inclusive de redação), aplicação...

Enem ou Sisu?

Enem e Sisu sempre vão aparecer juntos. Usamos os dois termos, pois um não existe sem o outro. 

Imagem de cachorro e garo juntos como se fossem o Enem e o Sisu

O Sistema de Seleção Unificada, o Sisu, é o sistema informatizado do Ministério da Educação, no qual instituições públicas de ensino superior oferecem vagas para candidatos participantes do Enem. Os candidatos com melhor classificação são selecionados, de acordo com suas notas no exame.

As inscrições para o Sisu ocorrem duas vezes ao ano: normalmente em janeiro e em junho. Inclusive, agora no meio do ano, o IFSC utilizará as notas do Enem 2019 para ingresso nos cursos superiores.

Não fiz o Enem do último ano. Posso fazer uma graduação no IFSC?

O processo seletivo para cursos de graduação do IFSC é feito 100% pela nota do Enem - então se você quer fazer um curso superior de tecnologia, um bacharelado ou uma licenciatura no Instituto (veja aqui os cursos que temos), precisa fazer o Enem ou já ter feito o Enem em algum ano.

Nas primeiras chamadas do nosso processo seletivo semestral para ingressos em cursos de graduação, são selecionados os candidatos com as melhores notas no Enem mais recente, via Sisu, considerando o sistema de cotas. Caso as vagas não sejam preenchidas - já que, algumas vezes, os candidatos são chamados e não fazem matrícula -, existem o que chamamos de vagas remanescentes. Para preencher as vagas remanescentes de alguns cursos, quando é o caso, o IFSC aceita as notas de outros anos do Enem, e aí nesse caso o processo é diretamente com o IFSC e não via sistema do Sisu. Tudo isso sempre é explicado nos editais.

Enem Digital X Enem Impresso

No ano passado, o Governo Federal anunciou uma novidade: a aplicação digital do Enem a partir de 2020. Neste primeiro ano, a aplicação ocorrerá em modelo piloto, mas a intenção é que a implantação do Enem Digital seja progressiva com previsão de consolidação em 2026. 

O Enem Digital, no entanto, não foi disponibilizado para todos. Neste primeiro ano de teste, foram disponibilizadas 101.100 inscrições para os primeiros participantes que optaram pela edição digital, conforme distribuição das vagas previstas no edital - sendo que a aplicação em 2020 só será em 99 municípios. Em Santa Catarina, haverá Enem Digital nas seguintes cidades: Blumenau, Brusque, Chapecó, Criciúma, Florianópolis, Joinville e São José.  Apesar das inscrições para o Enem terminarem nesta quarta-feira, todas as vagas para o Enem Digital já foram preenchidas de acordo com o MEC.

A grande diferença da prova digital do Enem para o formato impresso é que, quem for fazer o Enem Digital neste ano, irá responder às questões direto em um computador ao invés de utilizar cadernos de questões e cartões-resposta de papel. As provas digitais serão realizadas em laboratórios de informática de universidades. No cartão de confirmação do candidato, virá o endereço do laboratório de informática onde as provas serão feitas - que serão devidamente supervisionados por fiscais credenciados tal como ocorre na prova impressa.

Com essa nova versão, por meio de computador, o Governo Federal pretende realizar o exame em várias datas ao longo do ano, por agendamento. A aplicação permanecerá em dois domingos e os resultados serão divulgados de forma conjunta.

Em entrevista coletiva em que houve o anúncio do formato digital, o Governo destacou  a economia com a impressão de papel e um ganho para o meio ambiente. Do ponto de vista técnico, o Enem Digital vai permitir a utilização de novos tipos de questões com vídeos, infográficos e até a lógica dos games. Também será possível aplicar o Enem em mais municípios.

Sou estudante de um curso técnico integrado com término no meio do ano que vem. O que eu marco na hora da inscrição?

Os alunos que ingressam nos cursos técnicos integrados no segundo semestre, como é o caso de alguns de nossos cursos, só concluirão o ensino médio na metade do ano que vem. Porém, na hora da inscrição precisam informar qual ano do ensino médio estão cursando e fica a dúvida: escolho a opção segundo ano, que é a que estou cursando agora, ou a opção terceiro ano, que será minha condição quando fizer a prova?

Segundo a nossa Pró-reitoria de Ensino, a opção correta é selecionar terceiro ano, condição em que vocês estarão na hora da prova, pois assim a nota de vocês será considerada como avaliativa e vocês poderão se inscrever no Sisu do meio do ano que vem, por exemplo. Caso vocês marquem a opção segundo ano serão considerados "treineiros", ou seja, pessoas que estão fazendo a prova apenas para testar seus conhecimentos e, portanto, não poderão usar a nota para participar de processos seletivos (Sisu, Prouni ou Fies).

Como será o Enem 2020?

O Enem 2020 será estruturado a partir de matrizes de referência disponíveis no Portal do Inep. Aí você se pergunta: o que é matriz de referência?

Homem com cara de quem não entendeu nada

O termo é utilizado especificamente no contexto das avaliações em larga escala para indicar habilidades a serem avaliadas em cada etapa da escolarização e orientar a elaboração de itens de testes e provas, bem como a construção de escalas de proficiência que definem o que e o quanto o aluno realiza no contexto da avaliação. Traduzindo: a matriz de referência é um documento que descreve as competências e habilidades exigidas dos alunos e indica o que pode ser analisado, ou seja, o conteúdo do Exame que deve ser estudado.

O exame será constituído de quatro provas objetivas e uma redação em Língua Portuguesa. Cada prova objetiva terá 45 questões de múltipla escolha. As provas objetivas e a redação avaliarão as seguintes áreas de conhecimento do Ensino Médio e os respectivos componentes curriculares:

- Linguagens, códigos e suas tecnologias, que abrange o conteúdo de Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira (Inglês ou Espanhol), Artes, Educação Física, e Tecnologias da Informação e Comunicação;
- Matemática e suas tecnologias, que abrange os conteúdos de Matemática;
- Ciências da Natureza e suas tecnologias, que abrange os conteúdos de Química, Física e Biologia;
- Ciências Humanas e suas tecnologias, que abrange os conteúdos de Geografia, História, Filosofia e Sociologia.

No primeiro dia do exame, serão aplicadas as provas de Linguagens, Códigos e suas tecnologias, Redação e Ciências Humanas e suas tecnologias. A aplicação terá cinco horas e 30 minutos de duração. É neste dia que o participante responde às questões da prova de Língua Estrangeira (Inglês ou Espanhol) escolhida na inscrição.

No segundo dia do exame, serão aplicadas as provas de Ciências da Natureza e suas tecnologias e Matemática e suas tecnologias. A aplicação terá cinco horas de duração.

Como se preparar para o Enem?

Depois de toda uma mobilização nacional, o Enem 2020 foi adiado em função da pandemia do coronavírus. De acordo com o MEC, as datas serão adiadas de 30 a 60 dias em relação ao que foi previsto nos editais (as provas seriam nos dias 1º e 8 de novembro). O INEP pretende promover uma enquete direcionada aos inscritos do Enem 2020, que será realizada em junho, por meio da Página do Participante.

Mesmo sem data, quem conseguir, já pode ir se preparando para o exame. No ano passado, fizemos um post aqui no Blog com 10 dicas para se preparar para o Enem. O edital do exame é outro, mas as dicas podem ser seguidas. ;)

Mais informações do Enem podem ser obtidas no portal do Governo Federal. Os editais estão disponíveis aqui e tem esta página de Perguntas Frequentes do Inep. E se você não sabe o que é um edital, vale dar uma olhadinha nesse nosso outro post aqui.

Seguimos por aqui para ajudar como for possível! #IFSCemcasa

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