Será que é gripe? Entenda a diferença entre gripe, resfriado e Covid-19

BLOG DO IFSC Data de Publicação: 05 ago 2020 10:44 Data de Atualização: 07 out 2020 21:00

Pegar uma gripe faz parte da vida de todo mundo, não é? Mas por que será que isso ocorre? Você sabe qual a diferença entre gripe e resfriado? E por que o coronavírus não pode ser considerado uma gripe?

Para nos explicar tudo isso, conversamos com os professores Maria Alice de Freitas e Rene Ferreira da Silva Junior do curso de Enfermagem do Câmpus Joinville. 

O que é gripe?

Gripe, também conhecida como Influenza, é uma infecção aguda do sistema respiratório provocada pelo vírus da Influenza, com grande potencial de transmissão. O vírus da gripe (Influenza) propaga-se facilmente e é responsável por elevadas taxas de hospitalização. Ele também se espalha rapidamente, com tendência a se disseminar facilmente em epidemias sazonais, podendo causar pandemias.

-> Veja neste vídeo a definição de epidemias e pandemias

Tipos de vírus da gripe

Existem três tipos de vírus Influenza: A, B e C. Os vírus Influenza A e B são responsáveis por epidemias sazonais, sendo o vírus Influenza A responsável pelas grandes pandemias. O vírus Influenza C causa apenas infecções respiratórias brandas, não possui impacto na saúde pública e não está relacionado com epidemias. 

Mas.. eram nomes complicados que você queria? Pode pegar :D: 

O vírus Influenza A, variante H5N1, foi responsável pela gripe aviária e guarda o potencial de causar doença grave em humanos. Os vírus Influenza A são ainda classificados em subtipos de acordo com as proteínas de superfície: hemaglutinina (HA ou H) e neuraminidase (NA ou N). 

Dentre os subtipos de vírus Influenza A, atualmente os subtipos A(H1N1)pdm09 e A(H3N2) circulam de maneira sazonal e infectam humanos. Alguns vírus Influenza A de origem animal também podem infectar humanos causando doença grave, como os vírus A(H5N1), A(H7N9), A(H10N8), A(H3N2v), A(H1N2v) e outros, como observado em epidemias localizadas ocorridas recentemente. 

Gripes famosas

A gripe que ficou conhecida como ‘espanhola’ e gerou uma epidemia em 1918, por exemplo, também foi causada pelo vírus Influenza tipo A com as proteínas H1 e N1. No entanto, a nova gripe não é igual à Gripe Espanhola. 

Em meados de março de 2009 surgiram, no México, casos de gripe associados a um novo subtipo de Influenza A, H1N1. A infecção se espalhou rapidamente em pouco tempo, caracterizando uma epidemia no país, que ameaçava se estender a outros países. Os relatos iniciais, divulgados pelos meios de comunicação, apontavam para uma taxa de mortalidade excessiva associada com essa nova infecção. Depois de dois meses, casos da inicialmente chamada “gripe suína” eram descritos em dezenas de países, inclusive no Brasil.

E chegamos ao assunto do momento: em dezembro de 2019, houve a transmissão de um novo coronavírus (SARS-CoV-2), o qual foi identificado em Wuhan na China e causou a Covid-19, sendo em seguida disseminada e transmitida pessoa a pessoa.

Mas a Covid-19 é um gripe?

Não, porque ela não é causada por um vírus do tipo Influenza. A Covid-19 é uma doença causada pelo coronavírus, denominado SARS-CoV-2, que apresenta um espectro clínico variando de infecções assintomáticas a quadros graves. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de 80% dos pacientes com Covid-19 podem ser assintomáticos ou oligossintomáticos (poucos sintomas) e aproximadamente 20% dos casos detectados requerem atendimento hospitalar por apresentarem dificuldade respiratória, dos quais aproximadamente 5% podem necessitar de suporte ventilatório.

-> Veja o post que fizemos Coronavírus: esclarecendo dúvidas de saúde 
-> Entenda a diferença entre pacientes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos
-> Esclareça mais dúvidas sobre o coronavírus na página do projeto IFSC Verifica

E como saber a diferença?

Para ficar mais claro, vamos entender como cada uma funciona?

Covid-19: o período de incubação (período entre a infecção e o aparecimento dos primeiros sintomas) é de aproximadamente 14 dias. Os sintomas mais comuns são tosse, febre, coriza, dor de garganta, dificuldade para respirar, perda de olfato (anosmia), alteração do paladar (ageusia), distúrbios gastrintestinais (náuseas/vômitos/diarreia), cansaço (astenia), diminuição do apetite (hiporexia), dispneia ( falta de ar). A maioria das pessoas com Covid-19 podem ser assintomática (sem sintomas) ou oligossintomáticos (poucos sintomas). 

Gripe (Influenza A, B e C): já a gripe tem período de incubação de um a quatro dias. Seus sintomas mais comuns são febre, dor de garganta, tosse, dor no corpo e dor de cabeça. Agora, preste bem atenção no seguinte:

Adultos: o quadro clínico pode variar de intensidade.
Crianças: a temperatura pode chegar a níveis mais altos e pode também ocorrer aumento dos linfonodos, até quadros de bronquite ou bronquiolite e sintomas gastrointestinais.
Idosos: no caso desta faixa etária é importante se atentar a qualquer mudança, pois mesmo com o agravamento do quadro, a temperatura pode não ser tão alta.

Os sintomas da gripe duram, geralmente, sete dias e, na maioria dos casos, apenas os sintomas são tratados (normalmente com analgésicos e antitérmicos). Só em alguns casos recomendam-se antivirais específicos. A melhor forma de prevenção contra a gripe é a vacinação, disponibilizada anualmente pelo Sistema Único de Saúde para grupos de risco.

Mas e o resfriado? Onde ele surge nessa história?

Deixamos o mais calminho por último, pois é melhor enfrentar os mais difíceis primeiro, não é mesmo? 

O resfriado é uma infecção que afeta as vias aéreas superiores (laringe, faringe), sendo causado, na maioria das vezes, pelos rinovírus. Tais vírus ficam em circulação na população o ano todo e são menos graves que a gripe por Influenza ou a Covid-19. O período de incubação destes vai de um a nove dias e os sintomas mais comuns são coriza, obstrução nasal e tosse. Os sintomas duram em média quatro dias e não existe um tratamento específico, no máximo tratam-se os sintomas e recomenda-se beber bastante líquido, manter uma boa alimentação e fazer repouso.

E como eu diferencio a gripe do resfriado?

A confusão entre gripe e resfriado é muito comum, mas é possível diferenciá-los pelos sintomas. Veja no quadro abaixo os principais:

Ok, já entendi as diferenças entre cada um. Quando devo ligar o alerta?

É importante esclarecer que, independente de qual seja a infecção que a pessoa tenha contraído todas podem apresentar complicações, principalmente se houver comorbidades (palavra difícil que quer dizer “outros problemas de saúde”). Além disso, a pessoa que está em casa e apresenta sintomas não pode se diagnosticar sozinha (alô, Dr Google!), devendo, em caso de complicações como febre alta, dificuldade respiratória, cianose (coloração azul arroxeada da pele) e tosse produtiva (com catarro/secreções), procurar o mais rápido possível um serviço de saúde. 

E não esqueçam: crianças e idosos com sintomas gripais precisam de cuidado redobrado!

Parece gripe, mas não é

Além do resfriado e da Covid-19, tem outra doença muito comum no Brasil que apresenta sintomas similares, mas não é nem resfriado, nem Covid, nem gripe… A doença que mais comumente se confunde com um quadro gripal é a dengue (esse mosquito não dorme!).

Apesar de também ser causada por um vírus, existem algumas características que diferem a dengue da gripe e não a deixam passar despercebida. Sintomas mais comuns são as dores nas articulações, febre que vai ficando cada vez mais alta, erupções na pele e problemas gastrointestinais, além de poder ocasionar sangramentos, que é a forma mais grave da doença ou também chamada de “dengue hemorrágica”. 

Mais raramente (mas nem tudo que é raro é impossível), a meningite meningocócica também pode ser confundida com a gripe, sobretudo no início, em decorrência das dores de cabeça e rigidez no pescoço que dificultam a movimentação. A meningite meningocócica é uma doença grave, causada por bactérias (meningococos) que atingem a meninge (membrana que envolve o cérebro e a medula). 

A gente não está aqui pra assustar ninguém, mas acho que já deu pra entender que as doenças que abordamos aqui precisam de um diagnóstico criterioso. Então, nada de se tratar pelo Google, ok? Nem de ficar acreditando em promessa milagrosa do grupo do zap. Procure sempre o serviço de saúde para realizar um tratamento adequado. 

E para quem quiser saber mais, os nossos professores recomendam os seguintes materiais:

-> Aumento da carga de dengue no Brasil e unidades federadas, 2000 e 2015: análise do Global Burden of Disease Study 2015
-> Meningite: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção
-> Coronavírus e novo coronavírus: o que é, causas, sintomas, tratamento e prevenção 
-> Gripe (Influenza): causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção
-> Biblioteca Virtual em Saúde: Gripes e resfriados
-> Informe técnico: 22ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza

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