Preciso ir ao dentista. É seguro?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 08 set 2020 15:55 Data de Atualização: 08 set 2020 16:11

Gostar, ninguém gosta. Mas as visitas regulares ao dentista são um cuidado que deve integrar a rotina de todas as pessoas desde a infância, com foco na saúde bucal e também no bem-estar integral.

Porém, com a pandemia do novo coronavírus – um patógeno transmitido pela saliva – vários cuidados devem ser tomados quando é hora de consultar um profissional da área. Além do reforço nas medidas de biossegurança dos consultórios, normas dos órgãos de saúde preveem também critérios para definir que tipos de atendimentos devem ser priorizados e quais podem esperar.

Neste post, você vai entender:

-Por que os atendimentos odontológicos são motivo de atenção dos órgãos de saúde durante a pandemia;
-Que atendimentos devem ser priorizados e quais podem ser deixados para depois;
-A diferença entre urgência e emergência odontológica;
-Como proceder caso você precise de atendimento odontológico.

Quais os riscos do atendimento odontológico com a pandemia?

De acordo com a dentista do Câmpus São José do IFSC, Patrícia Rocha Kawase, a especificidade do atendimento odontológico deixa suscetíveis tanto o paciente quanto o profissional, em função, principalmente, da proximidade física obrigatória entre ambos.

Além disso, o atendimento também envolve o contato com fluidos corporais, em especial a saliva. Na realização dos procedimentos, o uso de equipamentos que geram aerossol – “sprays” com gotículas de saliva e fluidos, em geral imperceptíveis, mas potenciais transmissores do coronavírus – é outro fator de atenção. No vídeo, a profissional explica essas peculiaridades.
 

 

Então o que muda no atendimento odontológico com a Covid-19?

Patrícia Kawase explica que a principal recomendação no momento atual é adiar todos os atendimentos que podem esperar (os chamados procedimentos eletivos), dando prioridade apenas a casos de urgência ou emergência. Segundo ela, embora a nota técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) detalhe o que pode ser enquadrado como urgência e como emergência, a decisão por fazer o atendimento ou não deve ser baseada em casa caso. “O critério e a decisão final são sempre resolvidos na relação entre o paciente e o profissional de saúde”, ressalta.

Além da nota da Anvisa, que serve de base a recomendações específicas feitas pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO), as orientações para os atendimentos odontológicos no contexto da pandemia também são assunto de uma publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS). O documento recomenda que visitas de rotina ao dentista que visem apenas check-ups, limpeza e cuidados preventivos devem ser adiadas por enquanto, assim como as consultas para procedimentos estéticos. 

O que pode ser considerado urgência ou emergência odontológica?

Pode-se resumir da seguinte forma: as urgências são os atendimentos que devem ser priorizados, mas não representam risco maior para o paciente; já as emergências podem envolver risco à vida. Os casos urgentes são os que envolvem dor, como a fratura de um dente, por exemplo. Os de emergência abrangem sangramentos não controlados, infecções, celulite facial (doença bacteriana) e traumatismos. A Secretaria da Saúde de Santa Catarina emitiu, em abril deste ano, nota técnica que detalha os quadros que podem ser considerados urgência ou emergência odontológica. A dentista Patrícia Rocha Kawase explica no vídeo esses critérios.
 

 

Estou com dor e inchaço na gengiva. Devo ir ao dentista ou esperar?

Tanto a OMS quanto os órgãos de saúde locais recomendam que, neste momento de pandemia, seja adotado um sistema de atendimento remoto para a avaliação prévia dos pacientes a distância. Essa primeira triagem visa garantir que somente os pacientes que se enquadrem em casos de urgência ou de emergência desloquem-se até o espaço de atendimento, seja ele clínica particular ou posto de saúde.

Em Florianópolis, por exemplo, o paciente odontológico pode fazer esse contato prévio por meio do Whatsapp do seu centro de saúde de referência (veja a lista). Na conversa com o profissional de atendimento, ele dá o máximo possível de detalhes sobre o caso e, a depender da gravidade, pode ser apenas orientado sobre cuidados básicos, receber prescrição de medicação ou ser encaminhado para consulta de urgência ou emergência. Nesse atendimento remoto, o paciente também é questionado sobre possíveis sintomas de Covid-19 e, caso necessário, é feito o devido encaminhamento.

Neste momento, portanto, o recomendável é buscar uma avaliação prévia do seu caso antes de ir ao consultório. Informe-se em sua cidade sobre o funcionamento dos serviços odontológicos na rede pública ou, caso prefira atendimento particular, converse com seu dentista.

-> Conheça o protocolo de atendimento remoto dos postos de saúde de Florianópolis.

E no consultório, o que mudou?

Profissionais de odontologia e equipes de suporte que atuam nos ambientes de atendimento devem obedecer a uma série de regras em função da pandemia. A recomendação de que se evitem procedimentos eletivos resulta na diminuição da circulação de pessoas nos ambientes, o que reduz os riscos de transmissão.

Porém, para urgências e emergências o comparecimento presencial é compulsório, assim como a interação do paciente com os profissionais em atendimento. Por isso, novos protocolos de biossegurança foram implementados.

Esses cuidados abrangem basicamente o reforço na higienização dos ambientes e equipamentos, o maior rigor no potencial de proteção da indumentária dos profissionais – tanto dentistas quanto equipe auxiliar – e a diminuição no número de atendimentos, possibilitando maior intervalo de tempo entre um paciente e outro e evitando a presença de muitas pessoas na sala de espera.

Os pacientes, por sua vez, são solicitados a higienizar as mãos na entrada da clínica ou consultório, utilizar proteção nos cabelos (touca), pés (sapatilhas) e rosto (máscara facial) – esta última, claro, enquanto não estiver em atendimento.

Meu dentista parece um astronauta :D

Antes da pandemia, a indumentária dos dentistas já previa uso obrigatório de jaleco, luvas, óculos e máscaras faciais, no intuito de reduzir o potencial de contágio por quaisquer micro-organismos. Com a Covid-19 e seu risco de transmissão por meio da saliva, esses profissionais passaram a adotar, também, avental impermeável por cima do jaleco e protetor facial tipo “face shield”. A especificação das máscaras faciais também ficou mais rigorosa.

“A contaminação por partículas aéreas é uma situação que já é esperada na área de saúde, e especificamente na odontologia. Para esse vírus, o que mudou foi a especificação da máscara, que agora deve ter uma capacidade maior de proteção. O protetor facial, que não fazia parte da nossa indumentária, agora também é necessário, assim como o uso de avental impermeável”, descreve a dentista Patrícia Kawase. Outra recomendação que ela destaca é a troca do sugador convencional por uma bomba de vácuo, que ajuda a diminuir a formação de aerossóis e reduz, também, a necessidade de o paciente cuspir durante o procedimento.

Os protocolos de segurança envolvem também a manutenção de janelas abertas e o não uso de ar-condicionado, para favorecer a troca constante de ar do ambiente.

-> Consulte o documento da OMS sobre atendimentos odontológicos durante a pandemia de Covid-19 (em inglês)

-> Leia as normativas da Anvisa, do CFO e da Secretaria de Estado da Saúde sobre atendimentos odontológicos na pandemia

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