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Pesquisa ambiental marca intercâmbio de estudantes do IFSC no IPBeja

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 08 jun 2026 10:56 Data de Atualização: 08 jun 2026 11:06

Mundo Park, Jhonny de Melo Feitoza e Júlia Crochemore Restrepo são estudantes do Câmpus Florianópolis que participaram neste semestre do nosso programa de intercâmbio, o Propicie. No post de hoje, trazemos seus relatos sobre como foi realizar projetos de pesquisa no Instituto Politécnico de Beja. Eles já retornaram ao Brasil, mas suas percepções são do início da experiência em Portugal.

Leiam os relatos abaixo:

Mundo Park - Aluno do curso técnico integrado em Química 

Tenho aproveitado bastante os dias em Portugal. Visitei diversas cidades, castelos, igrejas... Sempre há algo a mais para explorar. A vantagem é que as cidades são relativamente próximas, pois o país em si é pequeno comparado ao Brasil, menor do que Santa Catarina. Descobri que a cultura e a história de Portugal são extremamente ricas, uma mistura complexa de vários povos ao longo do tempo. Antes de chegar aqui, nunca havia estudado bem sobre Portugal e pensava nos portugueses como uma coisa só. Mas agora estou completamente fascinado pela história deste país e das respectivas culturas que o construíram. 

Tive dificuldade em encontrar um apartamento antes de chegar porque a maioria dos anúncios aceitavam apenas estudantes raparigas, e eu não sabia que as pessoas do Facebook eram tão desconfiadas. Depois que publiquei uma foto minha e algumas informações, finalmente consegui receber respostas, garantindo um quarto num apartamento compartilhado. Provavelmente meu nome também não ajudou muito nisso, pois as pessoas suspeitavam que eu fosse uma empresa ou um imigrante ilegal. Assim que cheguei, tive a surpresa de descobrir que nenhum dos moradores era estudante. Eram todos imigrantes, trabalhadores da região. Isso não tinha sido bem informado pelo senhorio, porém até agora não houve problemas, e penso que é uma boa experiência de qualquer forma.

A culinária de Portugal é ótima, e combina maravilhosamente com o meu paladar. Os pratos daqui costumam conter uma grande variedade de frutos do mar, como polvo, amêijoa, cavala e cara-pau, algo que sempre senti falta em Santa Catarina. Assim como no Brasil, o carboidrato principal é o arroz. No entanto, em casa tenho cozinhado massas na maioria das vezes por praticidade, e também por conta da ausência de arroz japonês no mercado. Quase sempre compro o almoço no refeitório do instituto, e faço o jantar em casa.

O IPBeja é uma escola aconchegante. A infraestrutura é de boa qualidade, novo e limpo, com espaços de lazer e canteiros com flores. Muitos estudantes são intercambistas, e não é raro encontrar brasileiros. Tanto que até agora fiz apenas amigos do Brasil. O almoço custa apenas 3 euros, o que é bem acessível em comparação ao preço de mercado.

No projeto de pesquisa ao qual me inscrevi, faço parte de uma equipe de 4 estudantes, todos do IFSC. A pesquisa aborda o uso de zonas úmidas artificiais – leitos com solo e vegetação, em estado de saturação de água – para a remoção de resíduos na água. Atualmente estamos enfrentando problemas de atraso da chegada dos materiais e do crescimento das plantas. Honestamente, me decepcionei com a falta de planejamento e organização tanto da orientação do projeto quanto do instituto em si. Atraso de editais, de bolsas, muita burocracia, com sérios problemas de gestão. As nossas orientadoras são atenciosas e de boa vontade, porém aparentam ser muito ocupadas com as aulas, nos deixando levemente perdidos. 

O projeto inicial tinha como objetivo avaliar a remoção de microplásticos no meio aquático, porém isso não será mais possível no período disponível. Portanto, estamos tentando substituir os microplásticos pelo ibuprofeno, que também é um contaminante emergente. Realizamos medições diárias de pH, oxigênio dissolvido, potencial redox, temperatura, condutividade e sólidos suspensos totais, de amostras antes e depois do tratamento. Nesses testes, a minha experiência em química e técnicas laboratoriais no IFSC tem sido um grande apoio. No entanto, a mais importante medição de ibuprofeno ainda não foi feita. Estamos aguardando as orientadoras para que possamos adicionar o ibuprofeno nas amostras e aprendermos a usar o cromatógrafo HPLC para realizar as análises.

A minha melhor experiência até o momento foi a visita ao Castelo dos Mouros em Sintra. Um lugar com uma vista de tirar o fôlego, absolutamente lindíssima. Me fez sentir muitas emoções ao mesmo tempo, dificilmente descritível. Parecia que eu estava no topo do mundo. O castelo foi construído pelos árabes entre os séculos VII e IX em um dos cumes da serra de Sintra. As muralhas lembravam um pouco a Grande Muralha da China.

Ouça a entrevista do Mundo Park para o poscast IFSC em Pauta sobre sua experiência de intercâmbio

Jhonny de Melo Feitoza - Aluno do curso técnico subsequente em Meio Ambiente

As minhas primeiras semanas aqui em Beja foram de muita descoberta. Todos no Instituto me receberam muito bem. O que mais me chamou a atenção é que Beja é uma cidade que acolhe bem o estudante internacional. A proximidade com as técnicas Mariana Raposo e Maria José no Laboratório de Controle de Qualidade de Águas tem foi fundamental para o meu desenvolvimento prático e tornou a adaptação técnica muito mais leve.

No início, o maior desafio foi organizar a rotina de estudos teóricos com a prática de laboratório, visto que houveram adaptações no projeto. A minha pesquisa aqui no IPBeja começou com o foco nos microplásticos, mas, conforme avançamos nas discussões, na fundamentação teórica e na logística das análises, direcionamos nossos esforços para o impacto do Ibuprofeno nas matrizes aquáticas. Essa transição foi bastante interessante porque me permitiu entender como a pesquisa
se adapta a problemas ambientais urgentes.

Atualmente, além das leituras sobre fitorremediação, tenho seguido uma rotina bem prática. Me familiarizei com a rotina de preparo de soluções nutritivas para cultivo das Vetiver (plantas utilizadas para fitorremediação) para os testes com o fármaco, assim como a medição de parâmetros básicos como pH, condutividade, OD etc, através de métodos convencionais e equipamento de Sonda. Adicionalmente, ver os dados surgindo na prática e buscar soluções com a equipe tem sido uma experiência única, isso já tem feito a experiência valer muito a pena.

Júlia Crochemore Restrepo - Aluna do curso técnico em Meio Ambiente

Quando soube que tinha sido selecionada, fiquei muito animada e comecei logo a pesquisar mais sobre o tema do projeto, entreguei todos os documentos no IFSC, fui pesquisar passagem e moradia, organizar uma licença no meu trabalho, enfim, teve correria e ansiedade, mas também muito otimismo e vontade de vivenciar a experiência que o Propicie me ofereceu. Troquei muita ideia com meu colega de turma que também foi selecionado e com os alunos dos vários IFSC que foram contemplados. É bom saber que não estamos sozinhos!

A cidade onde estamos se chama Beja. Fica no Baixo Alentejo, a duas horas e meia de Lisboa. Tem cerca de 30 mil habitantes e muita história (povos fenícios, celtas, romanos, visigodos e árabes compõem as raízes do povo português), que podemos conhecer pelos diversos museus, arquitetura e sítios arqueológicos. A área urbanizada é pequena, dá pra fazer tudo a pé ou de bicicleta. O Instituto Politécnico tem um programa de incentivo à atividade física, e uma das frentes do programa é o empréstimo de bicicletas durante toda a nossa estadia. Pedalar me faz sentir muito mais ativa do que em Florianópolis. Logo atrás do instituto tem um complexo esportivo e consigo nadar por um valor muito baixinho. No sábado tem feira e na terça tem filme no único cinema da cidade. Tenho adorado a rotina aqui!

Na minha casa moram mais três estudantes: duas cabo-verdianas e uma nigeriana. Aprendo diariamente com elas sobre sua cultura, música, hábitos, comidas. A relação entre nós é ótima, apesar de ser muito desafiador ter de conversar em inglês com a colega nigeriana. Conversar com os portugueses é tranquilo, mas difícil é entender quando falam rápido entre eles. 

Sobre os desafios que encontrei, acho que o maior deles é lidar com a ansiedade que o ritmo do projeto gera. Quando chegamos tivemos uma surpresa, o projeto ainda não estava em andamento. Para iniciar o trabalho de fitorremediação, precisávamos de plantas que ainda não haviam sido entregues e de material que ainda não tinha recurso para ser comprado. Então as professoras nos propuseram um projeto alternativo. Em vez de trabalhar com fitorremediação para a remoção de microplástico da água, trabalharíamos com a remoção de ibuprofeno. Mas para isso, teríamos de cuidar de plantas já usadas em zonas úmidas artificiais antigas antes de poder trabalhar com elas. Então, como as plantas ainda não estão sadias o suficiente para podermos usá-las na fitorremediação, dedicamos a maior parte das horas a cuidá-las, a manter o sistema de zonas úmidas funcionando controladamente, a ler artigos sobre o tema e a treinar alguns métodos de laboratório que vamos usar mais para a frente para medir parâmetros de qualidade da água.

Me angustia um pouco que o tempo de estágio termine e não tenhamos resultados, mas lidar com os desafios também é um grande aprendizado. O próximo passo é testar de fato a eficiência da fitorremediação na remoção do ibuprofeno, aprender a operar um aparelho de HPLC para detectar a presença do poluente, aprender a ler os resultados e apresentar as nossas conclusões. Espero em breve estar de volta com boas notícias!

Ouça a entrevista de Júlia para o podcast IFSC em Pauta sobre sua experiência de intercâmbio

Intercâmbio no IFSC

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BLOG DOS INTERCAMBISTAS

Intercâmbio na Alemanha aproxima estudante do IFSC da pesquisa aplicada

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 02 jun 2026 12:00 Data de Atualização: 02 jun 2026 14:24

Suzana Cardoso é aluna do curso de Engenharia Elétrica do Câmpus Jaraguá do Sul-Rau e está na Alemanha participando do nosso programa de intercâmbio, o Propicie. Desde março, ela atua no projeto de pesquisa “Replacing test bench testing with simulations, collecting data for innovative propulsion systems" na Technische Hochschule Ingolstadt (THI).

Leia o relato dela sobre esta experiência:

Foi uma grande surpresa e alegria quando descobri ter sido contemplada com uma bolsa, já que havia ficado em 1º na lista de espera. Encontrar uma acomodação não foi fácil, os preços são altos e o mercado é concorrido, então quanto maior a antecedência, melhor. Outra questão foi que não somos considerados estudantes da instituição, então não tínhamos desconto de estudante no restaurante universitário e não podemos acessar a biblioteca fora dos horários normais de funcionamento (coisa que os estudantes daqui podem fazer). Mas de modo geral, as coisas têm se resolvido.  Um dos professores supervisores descobriu que podemos comprar um cartão que tem o desconto de estudante no RU e foi o que fizemos, quanto à biblioteca, o acesso ainda está sendo verificado. 

Meu professor Supervisor, Alexander Gelner, me aconselhou a participar da semana de orientação para os estudantes internacionais e foi a decisão mais acertada. Ali pude interagir com muitas pessoas novas de diversos países diferentes e fazer boas amizades. Inclusive, minha rotina se resume em trabalhar no laboratório durante os dias da semana, participar das aulas de alemão (também aconselhado pelo meu supervisor) e no final de semana, visitar diversos outros lugares com meus amigos. Tenho amado todas essas experiências novas, apesar da barreira de linguagem e choque cultural.

Gostaria de deixar registrado também que temos muita liberdade, não há horários fixos e nem prazos complexos de entrega de resultados; o que hoje em dia considero positivo, mas me deixava muito perdida no início. Tudo isso tem desenvolvido muito minha autonomia. Meu trabalho no laboratório resume-se em fazer um sistema de Crankangle antigo se comunicar com uma KiBox (sistema de análise dos testes). E o maior problema é a incompatibilidade de sinais, então estou aplicando engenharia reversa nos equipamentos que temos disponíveis para tentar identificar o que é cada PIN do cabo conector e achar uma maneira de converter o sinal (já que a empresa fabricante não produz mais o cabo adaptador que precisávamos). Porém considero um trabalho relativamente dificultoso, já que temos muitos sinais que necessitam de uma precisão elevada e esse é um problema que eles têm enfrentado antes mesmo da minha chegada. 

Paralelamente, com um intuíto mais didático, tenho usado o osciloscópio, coletado dados do encoder e construído um código no MATLAB que nos permite calcular a velocidade e a frequência da rotação de uma furadeira. O objetivo até o final da minha estadia é conseguir resolver esse problema da incompatibilidade de sinais do encoder com a KiBox e aproveitar o máximo possível de experiências novas nesse intercâmbio. 

Além disso, gostaria de agradecer ao IFSC por proporcionar esse tipo de experiência imersiva e transformadora. Sem dúvidas, é algo que está me marcando profundamente e sei que marcará minha trajetória pessoal e profissional. Sempre fui fascinada por pesquisa e poder viver o dia-a-dia ao lado de excelentes pesquisadores tem sido inspirador, além é claro, de muito educativo.

Intercâmbio no IFSC

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BLOG DOS INTERCAMBISTAS

Intercâmbio em Portugal amplia horizontes de estudantes do Câmpus Garopaba

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 26 mai 2026 09:40 Data de Atualização: 26 mai 2026 10:12

Maria Luiza Brum Miranda e Luah Magaton são as duas estudantes do Câmpus Garopaba que participam neste semestre do nosso programa de intercâmbio, o Propicie. No post de hoje, trazemos seus relatos sobre como está sendo realizar projetos de pesquisa no Instituto Politécnico de Beja em Portugal. A Maria faz o curso técnico concomitante em Biotecnologia. Já a Luah é aluna do curso técnico integrado em Administração. 

Leiam os relatos abaixo:

Relato de Luah Magaton - Projeto: Ares de Beja

Desde o início do meu intercâmbio tenho vivido experiências muito diferentes daquelas vividas no Brasil, principalmente por conta da cultura do país e da vida com estilo universitário, com mais tarefas e responsabilidades. A viagem de avião foi bem tranquila e a locomoção nos aeroportos também. Achei que seria mais difícil, pois eu nunca havia viajado de avião, muito menos sozinha. 

Cheguei na rodoviária de Beja - PT dia 08 de março (domingo) e depois pedi um Bolt para casa (Bolt é a concorrência do Uber, mais comum aqui em Portugal). A viagem de ônibus também foi boa, mas como estava há dois dias completamente sozinha, não consegui relaxar até chegar em casa. Apesar disso, cheguei em casa em segurança e bem acolhida pelas minhas amigas e colegas de apartamento.

Logo na segunda-feira (09/03) já fui conhecer o IPBeja, minha colega de projeto, Maria Flor, e a coordenadora do projeto que eu participo, Flávia Matias Oliveira. Conheci onde ficam todas as escolas, como a Escola Superior Agrária, a Escola Superior de Educação, a Escola Superior de Saúde, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão, a Escola Superior de Saúde e a Escola Superior Agrária de Beja - ESAB que é onde a maior parte do nosso projeto se desenvolve. 

A participação no projeto Ares de Beja tem se mostrado uma oportunidade importante para aprender como realmente funciona um estágio na faculdade. Além disso, o contato com uma nova realidade educacional tem me permitido observar diferentes métodos de ensino, contribuindo para o desenvolvimento do meu olhar crítico sobre diferentes contextos educacionais.

Na terça-feira (10/03) fui me informar sobre o handebol, pois pratico no Brasil, e quero continuar treinando durante o período do intercâmbio. Descobri que no IPBeja eles ainda não estão tendo treinos, mas tem uma equipe chamada Zona Azul, que fica do outro lado da cidade, no Pavilhão de Santa Maria, e tem três treinos por semana de uma hora e meia cada. Na quinta-feira (12/03) fui ao meu primeiro treino no Zona Azul e desde então tenho treinado lá todas as semanas. Vou a pé da minha casa até lá (20 minutos de caminhada) e volto na Van do time, junto com o treinador e as outras atletas que também voltam com ele. Os treinos têm me ajudado muito a evoluir mais e criar melhor noção de jogo, principalmente por conta do nível técnico mais elevado das atletas, que inclusive me receberam super bem, ficaram bem curiosas por eu ser brasileira e são bem pacientes para me ensinar os treinos delas, que são diferentes dos nossos no Brasil.

Na minha primeira semana em Beja também aproveitei para conhecer um pouco da cidade, como o Castelo de Beja e o Jardim público. Além das atividades acadêmicas, também tive a oportunidade de conhecer outras cidades. Eu e meus amigos fizemos uma viagem de uma semana juntos por Portugal como nossa viagem principal do intercâmbio. Ficamos hospedados em Airbnb 's. Quatro dias em Lisboa e três dias no Porto. Conhecemos vários pontos turísticos e comemos muitas comidas gostosas! 

Minhas primeiras impressões culturais e curiosidades percebidas foram:

- As pessoas fumam muito aqui, tanto, que fora de vários estabelecimentos tem cinzeiros.
Até mesmo no IPBeja ao lado de fora de várias portas. Além disso, existem cigarros
eletrônicos diferentes dos que eu já vi no Brasil, usados até por muitos jovens.
- Para ajudar o meio ambiente, as sacolas nos supermercados e na maioria dos estabelecimentos não são de graça, é preciso pagar por elas. Por isso, a maioria das
pessoas levam suas próprias sacolas ou bolsas para fazer suas compras.
- Na mesma linha de cuidado com o meio ambiente, as tampas das garrafas plásticas não se abrem por completo, são acopladas ao lacre para não serem jogadas no chão.
- É muito mais comum ver carros “bons” e elétricos nas ruas, como BMW, Porsche, BYD...
- Os motoristas são muito respeitosos e sempre param na faixa de pedestres, até mesmo quando ainda não estamos nela, mas eles vem que vamos ir e daria tempo deles passarem, eles param.
- Diferente do Brasil, aqui é muito mais comum as pessoas saberem falar pelo menos o básico de inglês, pois eles recebem muitos estrangeiros no país.

Até o momento, o intercâmbio tem sido uma experiência extremamente enriquecedora, tanto no âmbito acadêmico quanto pessoal, têm sido fundamental para minha adaptação, crescimento pessoal, autonomia e confiança. Estou motivada a continuar aproveitando ao máximo essa oportunidade, buscando aprender cada vez mais e representar bem o IFSC durante toda a minha trajetória aqui!

Relato de Maria Luiza Brum Miranda - Projeto: Análise do consumo de água, da geração de dejetos e da emissão dos gases de efeito estufa na produção animal

A preparação para a viagem foi um pouco burocrática, mas simples! Os prazos eram curtos então exigiu uma boa programação. Sobre os desafios, acho que a viagem em si, sozinha, foi complicada! Estar perdida no enorme aeroporto de Guarulhos foi emocionante. Mas já aqui, tive muito suporte dos colegas e professores e sempre tirei minhas dúvidas, então tive tudo bem claro sempre. Claro que uma nova instituição, um novo campus e os laboratórios que eu não conhecia foram difíceis no começo mas nada impossível.

Me surpreendi com a empatia das pessoas. Talvez eu esperasse o esteriótipo europeu “frio” mas conheci pessoas muito legais. A cidade de Beja é bem vazia e universitária, então não é difícil se enturmar e conhecer pessoas e lugares. Minhas colegas de casa, são da Geórgia e me acolheram muito bem! Depois chegaram mais duas alunas Propicie para morar conosco e são amizades que tenho certeza que vou levar pra vida. Eu tenho amado as companhias e as nossas comilanças. O apoio do professor orientador do projeto tem sido incrível e sei que será alguém com quem vou poder contar futuramente.

O projeto em si está indo muito bem, tenho trabalhado em coisas que gosto e num híbrido entre escritório e laboratório muito confortável. Tivemos até o feriado de Páscoa livre para passear pelo país! Além do projeto destinado, tenho trabalhado em outros com o professor Jorge e estou gostando muito e ganhando muita experiência. Para os próximos passos, quero conseguir voltar para o Brasil com todos os projetos finalizados e contatos aqui, para quem sabe voltar um dia. Acho que o mais inusitado que me ocorreu, foram as amizades! Não achei que eu fosse voltar com tantos amigos, tanto do próprio IFSC quanto daqui.

O desenvolvimento do projeto anda como esperado. Já finalizei boa parte das tarefas laboratoriais e agora ando mais na pesquisa bibliográfica. Eu diria que o principal resultado obtido foi o aprendizado que vou levar, mas até agora já realizei (com as amostras de dejetos de porcos, puras e digeridas): quantificação de sólidos totais e voláteis e índice de fósforo (vou mandar algumas fotos). Com certeza aprendi muito sobre a prática laboratorial e convivência. A experiência de dividir casa com cinco pessoas é bem legal! Acabamos virando muito amigas e aprendemos todo dia umas com as outras!

Os professores são todos muito queridos e acolhedores, mas o Prof. Jorge, que é orientador do projeto, é excepcional! Desde o primeiro dia ele me fez sentir em casa! Até encontrei com ele e a família no parque, no dia em que comemoramos o meu aniversário e foi muito especial. Ele me acolheu muito bem e me enturmou com seus outros alunos, explicando sobre seus projetos e oferecendo apoio sempre. As técnicas de laboratório também são muito solícitas em tudo. Eu diria que está sendo muito melhor do que eu imaginei!

Agora, aos futuros participantes: se preparem para a pré-viagem, pois antes de chegar aqui tem muita coisa pra resolver, mas não se assustem porque tudo se resolve! A viagem de vinda é bem pesada emocionalmente então estejam preparados. Os primeiros dias vão ser assustadores, mas façam amigos! É bem mais fácil do que parece. Entrem em contato com os outros alunos Propicie porque eles serão seus maiores aliados, desde a documentação inicial até as saídas de fim de semana. Mas o mais importante; aproveitem cada segundo pois eu nem fui embora e já estou com saudades!

Intercâmbio no IFSC

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BLOG DOS INTERCAMBISTAS

Intercâmbio em Portugal une pesquisa, adaptação e crescimento pessoal

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 19 mai 2026 14:32 Data de Atualização: 19 mai 2026 14:46

Neste semestre, 12 estudantes do Câmpus Florianópolis estão participando do nosso programa de intercâmbio, o Propicie. No post de hoje, trazemos os relatos de três deles que estão realizando projetos de pesquisa no Instituto Politécnico de Beja: o Caio de Macedo Schweitzer, do curso de Engenharia Mecatrônica; o João Victor Rochinski Vieira, do curso superior de tecnologia em Gestão da Tecnologia da Informação; e a Maria Flor Melo Maia, do curso técnico Integrado em Química. O Caio e o João, inclusive, estão atuando no mesmo projeto de pesquisa.

Vejam abaixo como está sendo a experiência para eles:

Relato do Caio de Macedo Schweitzer - Projeto: Reconhecedor de Instabilidade Corporal em Atividades Humanas

A oportunidade de realizar um intercâmbio em Portugal foi aguardada com grande expectativa desde a divulgação dos resultados do programa Propicie 2025. Mais do que a vivência internacional, havia o interesse em expandir minha formação acadêmica por meio do contato com novos contextos, desafios e abordagens de pesquisa. Embora essa expectativa viesse acompanhada de certo receio, ela também contribuiu para uma preparação mais consciente diante das mudanças que viriam.

Na semana seguinte à minha chegada, ocorreu a primeira reunião presencial com o professor Luís Bruno, da área de Engenharia Informática, e com a professora Patrícia Santos, da área de Terapia Ocupacional. O projeto desenvolvido tem como objetivo a criação de um sistema capaz de coletar dados a partir de cinco sensores inerciais posicionados nos membros inferiores do corpo, com a finalidade de analisar a instabilidade corporal. A partir desses dados, busca-se classificar pacientes com doença de Parkinson em diferentes grupos, de acordo com sua probabilidade de queda.

O desenvolvimento do projeto tem avançado de forma consistente, em grande parte devido à complementaridade de conhecimentos entre mim e meu colega de equipe. Essa sinergia permitiu não apenas um progresso mais ágil, mas também a exploração de soluções com maior profundidade técnica. Atualmente, já estão sendo realizadas coletas de dados experimentais, que posteriormente serão utilizados na aplicação de modelos estatísticos e/ou de aprendizado de máquina para análise e classificação dos padrões observados.

Entre os principais desafios enfrentados até o momento, destaca-se o custo de vida em Portugal. De modo geral, os preços de itens de mercado apresentam valores próximos aos do Brasil quando considerada a conversão direta, com algumas exceções. No entanto, os custos relacionados à moradia são significativamente mais elevados. No Instituto Politécnico de Beja (IPBeja), por exemplo, a moradia estudantil oferece quartos compartilhados por 160 euros mensais para estudantes locais, enquanto estudantes estrangeiros pagam cerca de 195 euros. A questão da habitação, inclusive, tem sido um tema de grande relevância no contexto nacional, tendo figurado como uma das principais pautas das eleições portuguesas de 2025.

Além das atividades acadêmicas, o intercâmbio também proporcionou experiências culturais relevantes. Tive a oportunidade de visitar diferentes cidades, incluindo Lisboa, Évora e Portimão, além de realizar uma viagem a Paris. Essas experiências contribuíram para uma compreensão mais ampla do contexto europeu, enriquecendo não apenas minha formação acadêmica, mas também minha vivência pessoal.

Nesta etapa final do intercâmbio, meu foco está na consolidação dos resultados do projeto, buscando garantir uma entrega consistente e de qualidade. Paralelamente, procuro aproveitar ao máximo as oportunidades proporcionadas pela experiência no IPBeja e em Portugal como um todo. De forma geral, o intercâmbio tem se mostrado uma experiência extremamente enriquecedora, tanto do ponto de vista acadêmico quanto pessoal, contribuindo significativamente para o meu desenvolvimento e para a ampliação de perspectivas futuras.

Relato de João Victor Rochinski Vieira | Projeto Reconhecedor de Instabilidade Corporal em Atividades Humanas

A preparação para o intercâmbio começou desde do momento que acreditei que seria possível! Portanto, assim que fui aprovado, me dediquei com muito afinco a planejar e organizar a viagem desde o financeiro ao logístico. Tive que abrir mão de coisas muito importantes pra mim no Brasil e tomar esse tipo de decisão nunca é fácil, mas tive o apoio de minha família, amigos e professores do IFSC para fazer dar certo!

Para mim, a adaptação foi bem tranquila pois Portugal é muito parecido com o que estava acostumado em Santa Catarina. Lembro da fala do meu orientador do IFSC que descreve bem a sensação: “As cidades em Portugal são como uma Florianópolis ‘estricnada’!”. E de fato são! Andando pelas ruas de Lisboa me sinto como se estivesse em casa. E Beja, que é a cidade onde estou fazendo o projeto, lembra as cidades pequenas do interior do estado.

Me surpreendi como as pessoas são respeitosas no trânsito aqui. Os carros sempre param na faixa de pedestre assim como deve ser. Também me surpreende que a água potável se pega da torneira da pia. Portanto, não é comum ver bebedouros por aqui. Inclusive não tem nenhum aqui no IPBeja. Se quero tomar água, ou eu pego da pia (que apesar de ser potável tem um gosto muito ruim) ou compro galão no mercado mesmo. 

Minha integração tem sido muito boa! Os portugueses foram muito gentis e colaborativos comigo. Tanto nossos orientadores do projeto quanto os colegas que fazemos pela faculdade. Aqui comecei a participar dos treinos do time de vôlei do IPBeja e isso ajudou mais ainda na minha integração com os locais. A integração com meus colegas brasileiros do IFSC começou desde antes da viagem com muita parceria que só se intensificou do lado de cá! Estamos sempre juntos apoiando uns aos outros, fazendo viagens, estudando e até criamos um ritual de nos reunir e fazer uma janta especial todo sábado.

Eu tenho gostado muito da facilidade de conhecer novos lugares, outras culturas e da rotina pacata que tenho aqui em Beja. Já tive a oportunidade de conhecer algumas cidades por Portugal e também algumas fora como Paris, Madrid e Roma. Todas elas com a companhia de colegas do IFSC que vieram fazer intercâmbio aqui em Portugal. Tudo isso colabora para o meu crescimento sociocultural além do trabalho de pesquisa que realizo aqui.

Estou muito feliz em compartilhar o avanço do nosso sistema de análise de dados voltado para o auxílio no diagnóstico da doença de Parkinson, focado na análise da instabilidade corporal dos pacientes. Juntamente com o Caio — meu grande amigo e parceiro de projeto — desenvolvemos um software capaz de gerenciar, coletar e processar dados provenientes de sensores inerciais. Nosso progresso tem sido consistente, impulsionado pela complementaridade de conhecimentos entre nós. Essa sinergia nos permitiu avançar de forma ágil e explorar soluções com alta profundidade técnica. É muito gratificante ver esse esforço validado pelo feedback bastante positivo que temos recebido dos nossos orientadores aqui no IPBeja! Atualmente, já iniciamos as coletas de dados experimentais.

Nossos próximos passos envolvem expandir essa coleta para pacientes com e sem Parkinson, construindo uma amostra significativa. Com essa base consolidada,
aplicaremos modelos estatísticos e de Machine Learning para analisar os padrões de movimento, classificar dados e extrair insights valiosos para a área da saúde.

-> Intercâmbio: Ouça a entrevista do João para o podcast IFSC em Pauta

Relato de Maria Flor Melo Maia - Projeto: Ares de Beja

Cheguei na cidade no dia 03/03, e de lá para cá tantas coisas aconteceram que parece que estou a bem mais tempo por aqui! A cidade é pequena, mas muito charmosa! Minhas colegas portuguesas de apartamento são muito fofas e queridas, elas cursam enfermagem no IPBeja e estão no último período.

Tenho gostado muito do IPBeja, é uma instituição com uma infraestrutura muito boa! A biblioteca é incrível, o refeitório é bom e com comidas boas (tem uma brasileira que trabalha no refeitório, e tenho certeza que as melhores comidas é ela quem faz, haha), os laboratórios são equipados e é um campus relativamente grande, com vários prédios, corredores e salas. 

Meu projeto é coordenado pela professora Flávia Matias, que dá aula na Escola Superior Agrária, no prédio onde geralmente fico. Meu projeto tem como objetivo investigar os poluentes atmosféricos presentes no ar de Beja e fazer um controle dos mesmos. No momento, estamos começando a trabalhar com uma metodologia nova: no começo do mês de março, foi instalado um aparelho que capta o material particulado do ar (como fuligem, areia, pólen), e armazena-o em um filtro. Então nós conseguimos retirar esses filtros e por meio de análises, químicas e instrumentais, descobrir quais os componentes que foram captados do ar.

Estando aqui há um mês e pouquinho, percebo o tanto de coisas que eu já aprendi! Não apenas na pesquisa que estou fazendo, mas no dia a dia mesmo! A gente aprende a se virar, a fazer e resolver o que é preciso, na cara e na coragem (e muitas vezes com um google,rsrs)! E o mais interessante é o sentimento contrastante entre o novo e o diferente: são muitas coisas novas e isso nos anima! Queremos ir, fazer, conhecer, ver, experimentar.... Mas ao mesmo tempo, é tudo tão diferente, e você precisa se adaptar a tudo: casa, alimentação, rotina, pessoas, fuso-horário... tudo diferente! Então, uma hora você está super alegre fazendo compras no mercado, e na outra você sente falta do conforto e segurança do seu lar. Mas está tudo bem! Isso faz parte de crescer e de realizar seus sonhos; a mudança é inevitável. E não apenas o nosso redor muda, mas nós mudamos também; agora é a gente com a gente mesmo, e isso proporciona um autoconhecimento muito especial!

Tivemos uma semana de feriado na Páscoa, então junto com um grupo de amigos consegui dar uma boa volta por Lisboa, Porto e cidades próximas. Conhecer tantos lugares faz a gente se sentir pequenininho perante a grandeza desse mundo e da quantidade de pessoas que existem! 

Para finalizar, quero contar que passei meu aniversário de 18 anos aqui em Beja, e esse dia foi quando realmente me dei conta de tudo que estou vivendo! Estou realizando o meu sonho de fazer um intercâmbio, e na Europa! Estou tirando do papel algo que quero desde pequena. Não está sendo exatamente como eu imaginei, mas está sendo exatamente como eu preciso que seja. Foi difícil passar uma data tão feliz longe da minha família, mas eu encontrei felicidade no novo, pois todo o esforço e sacrifício vale a pena. Comemorei meu aniversário com pessoas e em um lugar onde nunca imaginaria estar 1 ano antes... isso é a prova de que a vida é mesmo imprevisível, e de certa forma, é isso que a torna mágica. Aonde mais será que a vida me levará, e até onde será que eu consigo ir?

-> Intercâmbio: Ouça a entrevista da Maria Flor para o podcast IFSC em Pauta

Intercâmbio no IFSC

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BLOG DOS INTERCAMBISTAS

Um mundo sob nova perspectiva

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 11 mai 2026 09:47 Data de Atualização: 12 mai 2026 09:41

Estavam com saudades dos relatos dos nossos intercambistas? A gente também! Mas agora voltamos com muito conteúdo e fotos da turma que está neste semestre participando do nosso programa de intercâmbio, o Propicie. Na 25ª edição do Programa de Cooperação Internacional para estudantes do IFSC, foram selecionados 21 estudantes de cursos técnicos e de graduação de nove câmpus, contemplados com bolsas integrais ou parciais. 

O relato de hoje é da Ana Clara Vieira Blanger, aluna do curso técnico integrado em Sistemas de Energia Renovável do Câmpus Chapecó. Ela está desde março em Portugal, participando de um projeto de pesquisa no Instituto Politécnico de Beja.

Leiam abaixo o que ela nos contou desta experiência:

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Minha chegada a Portugal foi no dia 4 de março, mas a preparação começou muito antes, com todas as pesquisas prévias para entender melhor a cultura e o projeto, além de toda a organização referente às disciplinas do curso técnico que estão sendo feitas remotamente. Infelizmente, ao chegar ao Politécnico de Beja, descobri que o projeto do qual eu deveria participar ainda não tinha recebido todas as verbas e, por consequência, não estava pronto para ser iniciado.

Dessa forma, as três primeiras semanas foram constituídas de revisão bibliográfica e introdução às análises laboratoriais, por exemplo:

- Determinação de pH com pHmetro;
- Determinação de condutividade com condutivímetro;
- Testes de Carência Química de Oxigênio (CQO) por meio de fotômetros e reagentes pré-
doseados em cuvete (gamas baixa, média e alta);
- Lavagem de vidraria, de acordo com o protocolo local;
- Apresentação do Laboratório de Controle e Qualidade de Águas (LCQA) e as análises de alta precisão realizadas;
- Experiências com cromatografia iônica, absorção atômica e Cromatografia Líquida de Alta
Eficiência (HPLC);
- Determinação de nitritos.

Na parte teórica, foram feitas diversas leituras de artigos sobre fitorremediação com Vetiveria zizanioides (espécie que será usada no projeto). Simultaneamente, aproveitei para conhecer mais da cultura e atividades locais por meio de visitas ao castelo da cidade e cidades vizinhas, participação nos treinos de atletismo da equipe da cidade, visita aos parques e degustação de pastéis de nata (o qual virou meu doce favorito).

Atualmente, estamos iniciando a etapa de testes diários para garantir que a adaptação das plantas foi eficaz, medindo os seguintes parâmetros: pH, condutividade, oxigênio dissolvido, temperatura e potencial redox, por meio de uma sonda multiparâmetro Hanna HI 998194. Também estou com a tarefa diária de garantir uma boa “alimentação” para as plantas que constituem a pesquisa, o que envolve a produção de uma solução nutritiva, calibrar a irrigação e analisar seu estado geral.

Entretanto, também faço o possível para experienciar novas situações e culturas, o que resulta na descoberta de algumas diferenças culturais, como diversos substantivos:

- Béquer → Copo
- Pisseta → Esguicho
- Entender → Perceber
- Grama → Relva
- Carona → Boleio
- Panturrilha → Gêmeo
- DQO → Carência Química de Oxigênio
- Jaleco → Bata

E é claro que, por muitas vezes, usei expressões brasileiras sem perceber e não fui entendida; entretanto, muitas vezes fui surpreendida pela  quantidade de informações que os portugueses têm do Brasil e o seu imenso apreço por nossa cultura. Portanto, posso afirmar que, até o momento, estou tendo ótimas vivências nesse intercâmbio e já tenho certeza de que essa experiência vai me marcar para sempre, não apenas pelas competências técnicas adquiridas no laboratório, mas pela capacidade de me adaptar ao novo e de enxergar o mundo sob uma nova perspectiva.

Intercâmbio no IFSC

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BLOG DOS INTERCAMBISTAS

Podcast do IFSC traz série com intercambistas

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 09 abr 2026 15:03 Data de Atualização: 09 abr 2026 15:07

A nova turma de intercambistas do nosso programa de intercâmbio, o Propicie, já está na Europa participando de projetos de pesquisa em instituições de Portugal e da Alemanha. Na 25ª edição do Programa de Cooperação Internacional para estudantes do IFSC, foram selecionados 21 estudantes de cursos técnicos e de graduação de nove câmpus, contemplados com bolsas integrais ou parciais. Logo mais, compartilharemos seus relatos por aqui. E mais: neste semestre, teremos uma série especial no podcast "IFSC em Pauta" com alguns intercambistas. 

A primeira aluna a participar do podcast foi Carolina Martins Pedro, do curso superior de Engenharia Mecatrônica do Câmpus Florianópolis. Ela está participando de um projeto no Instituto Politécnico de Viana do Castelo, em Portugal, desde março deste ano, onde permanecerá até o início de junho. 

A trajetória de Carolina com o IFSC começou em 2018, ainda no Ensino Médio, e desde então a instituição tem sido a base de seu desenvolvimento. O desejo de realizar um intercâmbio já a acompanhava desde o ingresso na instituição, inspirado por uma tia que trabalha no IFSC, mas a oportunidade só se concretizou agora, em seu quinto ano de graduação e nono ano de vivência no Instituto.

Confira aqui a conversa completa com a Carol

Sobre o IFSC em Pauta

O IFSC em Pauta é um podcast semanal no Spotify que destaca notícias, eventos e oportunidades dos câmpus do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) na Grande Florianópolis (Florianópolis, Continente, São José e Palhoça), com atualizações recentes sobre projetos de sustentabilidade, parcerias internacionais e cursos. O projeto visa conectar a instituição à comunidade local. 
 

BLOG DOS INTERCAMBISTAS

É hora de voltar

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 10 fev 2026 11:39 Data de Atualização: 10 fev 2026 11:49

Neste mês, os últimos quatro intercambistas que participaram do nosso Programa de Cooperação Internacional para estudantes do IFSC, o Propicie, no segundo semestre do ano passado retornam para o Brasil. Eles já compartilharam seus relatos iniciais por aqui e agora destacamos algumas impressões finais de cada um com essa experiência transformadora que é participar de um intercâmbio.

Gabriele Camile Albino | Curso de licenciatura em Física do Câmpus Jaraguá do Sul - Centro - Portugal

A amizade passou a ter um significado ainda mais profundo. Estar longe de casa faz com que os laços criados durante esse período ganhem um valor especial, pois são construídos a partir do apoio mútuo, da convivência diária e das experiências compartilhadas. As pessoas que conheci ao longo do intercâmbio deixaram de ser apenas colegas e se tornaram uma verdadeira rede de acolhimento. Aos poucos, as conversas, os momentos simples do dia a dia e a troca de vivências fortaleceram essas relações. Aprendi que a amizade em um contexto de intercâmbio nasce da escuta, do respeito às diferenças e da disposição para compartilhar tanto desafios quanto conquistas. Levo comigo a certeza de que essas conexões ultrapassam fronteiras e permanecem como uma das partes mais significativas dessa experiência.

Após cinco meses no projeto de metalinguística, adquiri uma compreensão mais profunda de como as crianças refletem sobre a própria linguagem durante a produção textual. A experiência de transcrição e análise das falas ampliou meu olhar para os processos criativos, a oralidade e as estratégias linguísticas utilizadas pelos alunos. O projeto possibilitou a articulação entre teoria e prática e contribuiu significativamente para minha formação acadêmica e docente, reforçando a importância da escuta e da valorização da linguagem no processo educativo.

Minha rotina ao longo desses cinco meses tem sido marcada por um equilíbrio entre as atividades do projeto, os estudos e o cotidiano da casa. Durante a semana, dedico boa parte do tempo às tarefas acadêmicas, especialmente à análise dos materiais e às transcrições das falas das crianças, o que exige concentração e organização. No dia a dia, a rotina inclui tarefas domésticas, como cozinhar, além de momentos de convivência com colegas, que ajudam a tornar a experiência mais leve. Aos fins de semana, sempre que possível, aproveito para descansar, explorar a cidade e conhecer um pouco mais da cultura local. Essa rotina, apesar de simples, tem sido fundamental para minha adaptação e para aproveitar ao máximo a experiência acadêmica e pessoal. Estou indo visitar o grupo escoteiro da cidade no final de semana, conhecendo sobre o movimento escoteiro.

Estar longe da família, dos amigos e da rotina no Brasil faz com que pequenos detalhes do dia a dia ganhem ainda mais significado, como as conversas presenciais, os encontros espontâneos e, claro, os sabores de casa. Em alguns momentos, a distância pesa, especialmente em datas importantes ou quando surge a vontade de compartilhar conquistas e dificuldades de perto. Ao mesmo tempo, a saudade também se tornou uma forma de conexão. Ela reforça os laços com quem ficou, valoriza as memórias e dá ainda mais sentido à experiência vivida aqui. Aprendi a conviver com esse sentimento, transformando-o em motivação para aproveitar cada oportunidade e em gratidão por tudo o que essa vivência tem proporcionado.

Leia o primeiro relato da Gabriele

Bárbara Thiem Curso de graduação em Agronomia do Câmpus Canoinhas - Portugal

Durante o meu intercâmbio, tive o privilégio de explorar lugares que antes só via em fotos. Minhas últimas viagens pela região de Lisboa foram transformadoras: senti a paz espiritual de Fátima, vi a imponência do mar na Nazaré, caminhei pelas muralhas medievais de Óbidos durante o mercado de natal e me perdi nos encantos de contos de fadas de Sintra e Cascais. São memórias que carregarei para sempre. 

Finalizar o ano em Roma, na Itália, foi a realização de um sonho que superou todas as minhas expectativas. Caminhar pela cidade foi como visitar um museu a céu aberto: fiquei diante da grandiosidade do Coliseu, admirei a arquitetura perfeita do Pantheon e, claro, fiz meu pedido na mágica Fontana de Trevi. 

No entanto, o momento mais marcante dessa viagem foi, sem dúvida, a visita ao Vaticano. Foi uma experiência avassaladora. Ao pisar naquele lugar sagrado, fui tomada por uma emoção inexplicável, algo que transcende a beleza visual e toca a alma. Vivenciar a história e a fé pulsante daquele local foi um privilégio que marcou profundamente. 

No laboratório, tenho dado continuidade às análises dos compostos fenólicos em folhas e bagos da casta Loureiro, proveniente do Vale do Lima. A rotina diária ao lado dos técnicos e professores da ESA (Escola Superior Agrária) tem sido uma fonte inesgotável de aprendizado; admiro profundamente a didática, a paciência e o rigor técnico com que me orientam. 

Ao longo destes meses, conquistei uma autonomia significativa na execução dos protocolos. Essa independência na bancada não apenas aprimorou minhas habilidades técnicas, mas foi fundamental para o meu crescimento pessoal. Hoje, sinto-me muito mais confiante na condução de trabalhos científicos e consigo enxergar com clareza o meu potencial como pesquisadora. Essa vivência confirmou que estou no caminho certo e preparada para contribuir ativamente na área de fruticultura e enologia. 

Embora minha rotina acadêmica e no laboratório siga um ritmo já conhecido e estável desde o início do intercâmbio, o cenário ao meu redor mudou drasticamente. O inverno europeu chegou com força total e mostrou sua verdadeira face. Aqui em Viana do Castelo, a estação é intensa: o vento constante e as chuvas frequentes fazem a sensação térmica despencar, criando um frio que penetra os ossos. Essa nova realidade climática acelerou minha adaptação aos costumes gastronômicos da região. Aprendi a valorizar a sabedoria local, especialmente o hábito de consumir sopa antes do prato principal. Se antes eu estranhava essa tradição, hoje compreendo perfeitamente sua função. A sopa tornou-se uma aliada indispensável para enfrentar o frio, proporcionando conforto térmico e energia para seguir o dia. É interessante perceber como a cultura local se molda às necessidades do ambiente, e como, aos poucos, passamos a fazer parte disso. 

A saudade do Brasil, da minha família e do nosso calor aperta a cada dia que passa. Confesso que já estou contando os dias no calendário para o retorno, ansiosa pelo abraço dos meus. No entanto, vive-se agora um paradoxo sentimental: ao mesmo tempo que quero voltar, já começo a sentir a 'pré-saudade' deste lugar que me acolheu tão bem. Nesses meses, Viana do Castelo e Portugal deixaram de ser apenas um destino de viagem para se tornarem minha casa. As ruas, a rotina e, principalmente, as pessoas, criaram raízes em mim. Já sinto um aperto no peito ao pensar em me despedir dos amigos que fiz aqui. Foram conexões verdadeiras, amizades construídas na convivência diária e no apoio mútuo, laços que tenho a absoluta certeza que levarei para a vida toda, independentemente da distância.

Leia o primeiro relato da Bárbara

Clarice Barreto de Souza | Curso superior de tecnologia em Sistemas de Informação do Câmpus Caçador - Finlândia

Após o envio do último relato, minha experiência de intercâmbio entrou em sua reta final. Este período foi marcado pelo equilíbrio entre o descanso durante as festas de fim de ano, a conclusão das atividades do projeto e os preparativos logísticos para o meu retorno ao Brasil. No início do mês passado, aceitei um convite do professor Fernando Pacheco, que leciona robótica na HAMK em Riihimäki e já atuou no IFSC em Florianópolis. 

Foi interessante notar as similaridades e diferenças entre os campus, já que Riihimäki situa-se na mesma região de Hämeenlinna. Além de conhecer a infraestrutura local, participei de um evento de integração com alunos, funcionários, professores e parceiros municipais. O encontro além de celebrar o encerramento do ano propôs uma reflexão sobre as possibilidades de desenvolvimento futuro para os estudantes.

Em relação ao projeto da ferramenta de comparação, encontro-me na etapa de conclusão, está agora focado nos últimos ajustes: a implementação da internacionalização, permite a adaptação do sistema para múltiplos idiomas, e o deploy (publicação da aplicação).

Para quem pretende realizar um intercâmbio, minha dica é: se tiver a oportunidade, apenas faça, mesmo se estiver inseguro. O intercâmbio proporciona uma intensa curva de aprendizado. A convivência diária com tantas culturas diferentes é a parte mais valiosa para abrir novos horizontes.

Leia o primeiro relato da Clarice

Antonio Rinaldi Filho | Curso superior em Gestão Ambiental do Câmpus Garopaba - Portugal

Minha experiência de intercâmbio acadêmico em Portugal representou um marco significativo em minha trajetória pessoal e formativa. Durante o período em que estive no exterior, atuei como representante do IFSC – Câmpus Garopaba, tendo a oportunidade de vivenciar um contexto educacional, cultural e social distinto, que contribuiu de forma relevante para minha ampliação de perspectivas, autonomia e senso de responsabilidade institucional. O intercâmbio proporcionou contato direto com novas metodologias de ensino, diferentes formas de organização acadêmica e uma imersão cultural que favoreceu o desenvolvimento de competências como adaptação, comunicação intercultural e amadurecimento pessoal. Essas experiências, embora nem sempre mensuráveis por indicadores tradicionais de desempenho, constituem aprendizados profundos e duradouros, que impactam diretamente minha formação como estudante e cidadão, agora,felizmente, estou ajudando colegas que virão e buscaram contato com informações relevantes.

Leia o primeiro relato do Antônio

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Experiências da Dupla Diplomação de estudantes do Câmpus Lages

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 13 jan 2026 08:00 Data de Atualização: 19 jan 2026 09:58

O relato desta semana é dos estudantes do Câmpus Lages que estão participando do programa de Dupla Titulação em Portugal. Eles viajaram para Portugal em setembro e ficam lá até setembro de 2027. Ao final do intercâmbio eles terão o diploma de curso superior e também um diploma de mestrado.

Felipe Macedo Oliveira é estudante de Engenharia Mecânica e participa do programa de Dupla Diplomação no Instituto Politécnico do Porto (IPP). Ao final do intercâmbio ele terá a graduação em Engenharia Mecânica do Câmpus Lages e o Mestrado em Engenharia Mecânica do Instituto Politécnico do Porto.

Desde que cheguei, o Programa de Dupla Titulação tem sido uma experiência notável. Além de aprender mais sobre a cultura local e adquirir novas perspectivas que expandem meu olhar sobre o mundo, o mestrado está sendo crucial para a minha capacitação técnica. Essa vivência está contribuindo imensamente para meu crescimento pessoal e profissional. Será, sem dúvida, um marco na minha trajetória!

Marcus Vinícius da Silva Maluche é estudante de Engenharia Mecânica e participa do programa de Dupla Diplomação no Instituto Politécnico do Porto (IPP). Ao final do intercâmbio ele terá a graduação em Engenharia Mecânica do Câmpus Lages e o Mestrado em Engenharia Mecânica do Instituto Politécnico do Porto

A minha experiência em Portugal tem sido extremamente enriquecedora, tanto a nível pessoal como acadêmico. Tive a oportunidade de conhecer uma cultura rica, explorar cidades históricas e interagir com pessoas acolhedoras. No plano acadêmico, o ambiente estimulante e os desafios do meu curso tem me permitido desenvolver competências técnicas e fortalecer a minha capacidade de adaptação. Esta experiência tem, sem dúvida, contribuído para o meu crescimento profissional e pessoal, deixando-me memórias e aprendizagens que levarei para toda a vida.

Julia Koene Moreira da Silva é estudante de Ciência da Computação e participa do programa de Dupla Diplomação no Instituto Politécnico de Beja (IPBeja). Ao final do intercâmbio ela terá a graduação em Ciência da Computação do Câmpus Lages e o Mestrado em Engenharia Informática e Internet das Coisas do Instituto Politécnico de Beja.

Já conheci algumas cidades em Portugal: Batalha, Leiria, Nazaré e, claro, Beja. Pra mim foi surreal ver os castelos mais velhos que o Brasil e ainda assim bem cuidados. Chegando em Beja fui a procura de quartos pra alugar, já que não deu certo ficar na residência deles por um problema no sistema, mas estou dividindo um apartamento com duas portuguesas que me ajudam a entender algumas expressões e corrigir como chamo algumas coisas. Não é banheiro, é casa de banho, não é geladeira, é frigorífico, não é grampo de roupa é mola de plástico. Assim vou aprendendo, mas as vezes não consigo entender nada do que falam e só concordo.

A cidade é muito calma, segura pra andar a noite e cheia de estudantes, na rua onde moro, que é a mesma rua da faculdade, é cheia de estudantes do Brasil, da África e da Europa inteira. Os preços aqui são um pouco mais caros, principalmente carne de gado, mas temos um almoço barato na faculdade. Eles também tem vários esportes de graça, estou participando do vôlei, e a turma é bem animada e inclusiva. Peguei a bicicleta da universidade, que eles oferecem de graça pra você ficar com ela pelo semestre, tendo até opções elétricas. 

No geral estou muito feliz de ter vindo, sou grata ao IFSC por ter proporcionado isso, e só saio daqui com mestrado!

Lucas De-Toffol Lemos é estudante de Ciência da Computação e participa do programa de Dupla Diplomação no Instituto Politécnico de Beja (IPBeja). Ao final do intercâmbio ele terá a graduação em Ciência da Computação do Câmpus Lages e o Mestrado em Engenharia Informática e Internet das Coisas do Instituto Politécnico de Beja.

A experiência que estou tendo aqui, eu jamais esperava ter em minha vida. Além da cultura portuguesa ser diferente da brasileira, há pessoas de diversos lugares do mundo na cidade, e você pode fazer amizades, praticar o inglês etc. A minha expectativa é aprimorar meus conhecimentos técnicos na área da ciência da computação e especificamente no campo de estudos IOT, acredito que vou melhorar muito meu inglês e pretendo conhecer novas cidades e países.
 

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Crescimento pessoal e acadêmico

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 06 jan 2026 08:00 Data de Atualização: 19 jan 2026 09:56

O relato desta semana é do estudante Jeferson Italo Dantas, da 4ª fase do curso de Engenharia Mecânica do Câmpus Jaraguá do Sul - Rau. O estudante está desde setembro na Europa, onde participa de um intercâmbio no Instituto Politécnico de Viana do Castelo, em Portugal. 

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Meu Intercâmbio em Viana do Castelo, Portugal

Realizar meu intercâmbio em Portugal tem sido uma experiência incrível, embora tenha sido desafiadora. Um dos maiores obstáculos foi a falta de apoio financeiro da minha instituição de ensino, o que tornou a realização deste sonho ainda mais difícil. No entanto, com o apoio e o esforço da minha família, consegui concretizar esse objetivo e estou vivendo uma experiência única em Viana do Castelo.

Logo no início, o fuso horário foi um dos maiores desafios. A diferença de 4 horas a mais em relação ao Brasil impactou bastante a adaptação, mas aos poucos fui me ajustando. A língua também foi um fator de adaptação, já que, apesar de falarmos o mesmo idioma, muitas palavras têm significados diferentes aqui em Portugal. No começo, me senti um pouco perdido em algumas conversas, mas com o tempo fui me acostumando.

Um ponto positivo é o uso do inglês, que tem me ajudado muito na interação com outros estudantes que também estão fazendo intercâmbio. Conheci pessoas de diversos países, como Alemanha, Itália, Polônia, entre outros, o que tem sido uma experiência enriquecedora. Além disso, tive a oportunidade de compartilhar um pouco da cultura brasileira com meus novos amigos, apresentando nossas músicas e comidas típicas.

A metodologia de ensino também é diferente da que estamos acostumados no Brasil. O curso de Engenharia Mecânica, que aqui tem a duração de 3 anos para o bacharelado, é bem mais intensivo do que no Brasil, onde o bacharelado normalmente dura 5 anos. Os trabalhos de apresentação são frequentes e a carga de leitura de livros é alta, mas estou conseguindo me adaptar e expandir meus conhecimentos na área.

Viana do Castelo é uma cidade cheia de história, cultura e tradições. É uma cidade costeira, com belas paisagens, e um ambiente tranquilo, ideal para estudar e ao mesmo tempo explorar. Quando tenho algum tempo livre, gosto de conhecer os pontos turísticos da cidade, como o Santuário de Santa Luzia, que oferece uma vista panorâmica incrível da cidade e do mar. Além disso, a cidade possui um centro histórico encantador, com ruas estreitas e calçadas de pedra que fazem você se sentir como se estivesse voltando no tempo.

A culinária de Viana do Castelo é uma verdadeira delícia e uma parte importante da cultura local. O prato típico da região é o arroz de sarrabulho, que é feito com arroz, carne de porco e sangue de porco, um prato rústico, mas muito saboroso. Outro prato famoso é a feijoada de búzios, que é uma combinação de feijão, arroz e frutos do mar. Não posso deixar de mencionar os pastéis de bacalhau, que são servidos em diversos lugares e são um dos meus favoritos.

Embora meu intercâmbio seja focado nos estudos, sempre que tenho oportunidade, tento explorar outras cidades e regiões de Portugal. Cada lugar tem sua particularidade e história, e cada viagem tem me proporcionado uma nova experiência e aprendizado. Minha família, claro, sempre me liga com saudade e faz muitas perguntas sobre como está sendo essa experiência, o que me dá ainda mais motivação para seguir com esse sonho.

Conhecer novas culturas, costumes e línguas tem sido uma oportunidade incrível de crescimento pessoal e acadêmico. Estou aproveitando cada momento ao máximo e tenho certeza de que vou voltar para o Brasil com uma bagagem cultural imensa, pronta para aplicar tudo o que aprendi aqui.
 

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Desafios do intercâmbio

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 30 dez 2025 08:00 Data de Atualização: 19 jan 2026 09:55

O relato desta semana é do estudante Antonio Rinaldi Filho, da 3ª fase do curso superior em Gestão Ambiental do Câmpus Garopaba. O estudante está desde setembro na Europa, onde participa de um projeto de pesquisa na Escola Superior de Tecnologia do Barreiro do Instituto Politécnico de Setúbal, em Portugal. Antonio retorna ao Brasil em fevereiro.

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A experiência nos últimos meses está se tornando mais desafiadora à medida que ainda não havia feito contato com nada na área que está sendo solicitada no projeto e a orientadora responsável pela parte Ambiental dos projetos não está mais orientando, portanto há uma dificuldade para dar andamento adequado. 

A responsável pela minha orientação, diretora do curso de Engenharia Civil, é uma pessoa muito atarefada com a qual estou tendo contato limitado e muitas vezes não recebo retorno, apesar de sua grande boa vontade nas poucas conversas que tivemos. Estou focado para que haja tempo hábil para a grande curva de aprendizado e desafios, e vou seguir em busca dos resultados propostos.

Ademais as experiências extracurriculares seguem muito enriquecedoras, bem como as pessoas e cultura local. Estou conhecendo a cidade de Barcelona, experiência a qual recomendo fortemente, e pretendo seguir ainda para a Noruega. 

O custo de viagens, bem como as atividades turísticas são altos. O custo de vida em Portugal é alto, para que haja uma experiência tranquila é recomendável organização financeira prévia. Aconselho isso porque estou custeando toda minha experiência.

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Uma experiência para a vida

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 23 dez 2025 08:00 Data de Atualização: 19 jan 2026 09:53

O relato desta semana é da Larissa Pires, da 7ª fase do curso técnico integrado em Comunicação Visual do Câmpus Palhoça Bilingue. A estudante está desde setembro na Europa, onde participa de um projeto de pesquisa no Instituto Politécnico de Beja. Larissa retornou ao Brasil no início de dezembro.

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A chegada a Portugal e o início do intercâmbio trouxeram um desafio constante de adaptação linguística. Embora eu já esteja familiarizada com as gírias e nuances entre o português brasileiro e o português de Portugal, a língua que realmente domina o meu dia a dia é o inglês. Ele se tornou a ponte essencial de comunicação e, mesmo em um país que fala português, provou ser extremamente necessário neste ambiente acadêmico globalizado e socialmente diversificado.

A vida na Universidade é vibrante. A instituição de acolhimento é grande, com equipamentos e profissionais de ponta, o que torna as tardes no laboratório extremamente produtivas. Meu projeto foca em um tema para a sustentabilidade agrícola: a fertilização do solo com análises diagnósticas. O estudo visa quantificar e classificar parâmetros essenciais em amostras de terra, incluindo textura, reação do solo, matéria orgânica, e os nutrientes fósforo e potássio. Os resultados que estamos obtendo ajudam-nos a planejar correções e fertilizações específicas, otimizando a produtividade e ajudando o agricultor a economizar.

Mas o intercâmbio é muito mais do que a excelência acadêmica. Fora do laboratório, a rotina ganha um “tempero especial”. A universidade oferece ótimas atividades extracurriculares, como funcional, vôlei e kickboxing. É nesses momentos que o corpo e a mente descansam para dar espaço à vida social. Diariamente, convivo com estudantes Erasmus de diversos países, nos tornamos uma família grande, diversa e cheia de cultura.

Compartilho o quarto com minha amiga brasileira no alojamento do IPBeja. Todas as noites, nos reunimos para cozinhar, dançar, cantar e conversar. Em meio a tantas culturas, o lar se reconstrói. Conheci pessoas incríveis que vou levar para a vida toda e já temos planos ambiciosos para nos encontrar em nossos países de origem. São esses laços que fazem este lugar soar como casa.

Apesar de tudo ser ótimo, a saudade aperta, e é sempre bom lembrar de onde viemos. Sinto uma falta imensa da família, amigos e comida do Brasil. Embora a culinária portuguesa seja deliciosa, nada se compara à comida de mãe. Com vídeochamadas, tento compensar essa saudade diária. Fazer intercâmbio é uma constante surpresa, e é isso o que torna a experiência tão rica.

Se eu puder deixar uma dica para os estudantes que sonham com o intercâmbio, é esta. Lembre-se daquela maravilhosa piada italiana do filme Comer Rezar Amar, sobre o homem pobre que reza para ganhar na loteria até que o santo, exausto, responde: "Meu filho, por favor, por favor, por favor... compre um bilhete." A reflexão é para você: a vaga de intercâmbio é o seu bilhete! Você já teve a coragem de se candidatar. Agora, venha e viva o inesperado. O crescimento está em se permitir "dar um jeito" nos imprevistos e em participar ativamente desta jornada global. O intercâmbio é uma experiência que te prepara não só para a carreira, mas, sobretudo, para a vida.

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Oportunidade única de crescimento

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 16 dez 2025 17:55 Data de Atualização: 16 dez 2025 18:18

O relato desta semana é do Lucas Felipe Reus Rieger, da 6ª fase do curso técnico integrado em Modelagem do Vestuário do Câmpus Jaraguá do Sul - Centro. O estudante está desde setembro na Europa, onde participa de um projeto de pesquisa na Escola Superior Agrária de Ponte de Lima do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (ESA - IPVC). Lucas retorna esta semana para o Brasil.

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Estando mais tempo aqui, me acostumei muito bem tanto com o sotaque como com o jeito de se falar o idioma. O português daqui é mais formal comparado ao que nós falamos no Brasil, as construções são um pouco diferentes, mas tudo faz sentido, o que pode ser complicado é entender em que momento se fala algo com essa diferença, o que não soa tão natural. Ainda assim, passados já dois meses, a língua não é problema algum para mim e me sinto bem em entender e também em ser entendido, e todos são bem solícitos caso tenhamos quaisquer dificuldades em nos entender, o que é muito positivo.

Aqui na residência em que estou morando tem poucas pessoas que ficam nos finais de semana e a maioria já se conhece pois tem aulas juntos ou algo assim, então nas primeiras semanas foi um pouco mais difícil realmente se aproximar de alguém. Porém, nos últimos tempos eu e a Letícia nos aproximamos de outras meninas que moram aqui, pois pegamos o mesmo ônibus, temos horários parecidos e acabamos criando um laço. Além de mim e da Letícia, temos mais duas brasileiras e duas portuguesas nesse nosso grupo de amigos, acredito que esse ponto de sermos estrangeiros também nos aproximou bastante. Essas duas brasileiras moram aqui em Portugal e fazem a faculdade no mesmo lugar que a gente, e não são intercambistas como nós. Antes de vir para cá eu imaginei que isso aconteceria, leva um tempo até você se adaptar e achar as pessoas que se encaixam, e infelizmente quando é criado esse laço já está quase na hora de ir embora, mas mesmo assim, é incrível além de estar aqui, ainda ter esse contato mais próximo das pessoas que são daqui.

Um ponto que eu estava um pouco apreensivo antes de vir para cá era relacionado ao preconceito que poderíamos sofrer de alguma forma. Porém, até então não tivemos nenhum problema com isso, as pessoas não parecem se importar que somos brasileiros, e se sim, não demonstram, então tudo ótimo. Aqui em Portugal tem muitos brasileiros também, é muito comum acharmos em qualquer lugar. Uma das cidades que visitamos, Braga, acredito que era a que mais tinha, ou que mais reparei, em todos os lugares era extremamente provável de se encontrar, sendo turista ou morador.

O projeto que estamos trabalhando trata do reaproveitamento do descarte dos subprodutos da produção de vinho da região, e nossa pesquisa abrange as vinícolas de duas cidades: Ponte de Lima e Ponte da Barca. Nos primeiros momentos nós estávamos focados em separar e tratar os subprodutos para posteriormente trabalharmos em cima deles. Agora, nosso foco está sendo fazer diversos testes que determinam as propriedades desses materiais, abrangendo a parte físico-química. Até então, estamos nesse processo pois temos muita quantidade de material de estudo e muitos testes a serem feitos. Como esse projeto se trata de um estágio de um colega que estuda no instituto, ele seguirá com os estudos deste até o ano que vem, então sairemos daqui tendo dados e a experiência, porém sem o trabalho completo, apenas acompanharemos de longe ao retornarmos.

Em nossa rotina, trabalhamos o dia inteiro no laboratório, utilizamos o transporte do instituto e temos carona no fim do dia, moramos na residência, e aproveitamos para viajar aos finais de semana. Ultimamente as coisas têm se tornado mais reais e comuns, então diminuí a frequência de passear mais pela cidade, isso se dá pelo frio que começou com força por aqui também. Porém, a cidade ainda tem sua beleza e é um privilégio poder conhecer sempre um pouquinho a mais e ter um contato com ela a cada dia.

Além da rotina comum, nossa dinâmica dos testes no laboratório por vezes não nos necessita todos os dias lá, então temos dias mais livres para descansar um pouco mais dos passeios do final de semana, ou conseguir ir ao mercado mais cedo. Assim, os dias são no instituto e tento passar tempo atualizando quem está longe, interagindo com o pessoal daqui e aproveitando esses momentos.

Estou aproveitando para viajar muito e conhecer o máximo possível daqui de Portugal e da Europa. Já fomos a diversas cidades portuguesas, pois são muito bonitas e é muito fácil se locomover dentro do país com os ônibus, e também à Espanha, onde já visitei três cidades, incluindo Madri. Ainda temos viagem planejada para Londres, Paris, pretendemos voltar ao Porto, e passar nosso último final de semana em Lisboa. Sempre foi um sonho muito grande para mim, e estar fazendo isso e tão cedo é tão incrível, tudo é muito lindo e me dá cada vez mais vontade de voltar e conhecer mais e se possível até morar aqui. As paisagens ajudam, mas também estou explorando meu gosto por tirar fotos, então para todo lugar carrego minha câmera, ou com o celular mesmo, e são infinitas as fotos até agora.

Desde o início, eu e a Letícia nos tornamos muito parceiros para todas as coisas e a cozinha foi uma delas, então nos organizamos para fazer as compras juntos e preparar nossas marmitinhas para a semana, economizando e comendo bem. Além disso, esse tempo aqui me deu mais vontade de experienciar mais a cozinha, pois nunca tive muito interesse, e acabou que aqui está se tornando até um hobby que pretendo explorar um pouco mais em casa.

Já estamos quase indo embora e ainda não experimentei o prato de bacalhau tão famoso, mas ainda pretendo. Desde que eu cheguei aqui são incontáveis os pastéis de nata que já comi, é algo muito tradicional e que tem em todo lugar, e são realmente muito bons. Quando for embora vou ter que aprender a fazer eu mesmo, tanto pra matar a vontade quanto para que os outros experimentem também. Como todos os lugares e cidades têm, tento provar vários para comparar, e, até então, tem uma padaria perto da ponte D. Luís no Porto que é a minha favorita sem dúvidas.

É impossível não sentir saudades, não sei se é o tempo longe ou se é porque está chegando cada vez mais perto de reencontrar minha família e meus amigos, mas o aperto no peito vai aumentando a cada dia. Ainda assim, penso o mesmo desde que cheguei, que eu estou muito feliz por estar aqui e esse sempre foi meu sonho e eu sei que todos que eu sinto saudade e que sentem saudade de mim sabem disso e também estão muito felizes por mim, o que me conforta. Também não sei dizer se ter essa data de volta me faz me sentir mais tranquilo com a saudade ou não, pois se torna agora uma ânsia de voltar, mas também sei que depois vai ser a saudade de tudo aqui. No geral, eu tento equilibrar esses pensamentos, pois sei que logo estou de volta e que tenho que focar em aproveitar os momentos aqui. Então, sim, a saudade é imensa, mas estar aqui é um sentimento indescritível e logo tudo vai passar, e penso que tenho que aproveitar cada dia da melhor forma possível.

Acredito que tudo que eu falei se for lido por alguém que pensa em um intercâmbio já pode ser o suficiente do que eu teria a dizer diretamente, mas de verdade, isso tudo é uma oportunidade única, e se de alguma forma você puder ao menos tentar, tente e agarre com todas as forças, são momentos extremamente diferentes de tudo que você está habituado, mas ainda assim é uma forma tão incrível de viver cada dia e qualquer sensação, seja boa ou ruim, vale a pena porque tudo passa e só te faz crescer, então tem que ser aproveitado ao máximo. Sou grato todos os dias por essa oportunidade :)

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Uma experiência rica e surpreendente

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 09 dez 2025 10:52 Data de Atualização: 09 dez 2025 10:56

O relato desta semana é da Letícia Floriani Rodrigues, da 7ª fase do curso técnico em Química do Câmpus Jaraguá do Sul - Centro. A estudante está desde setembro na Europa, onde participa de um projeto de pesquisa na Escola Superior Agrária de Ponte de Lima do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (ESA - IPVC). Ela já retorna na próxima semana para o Brasil, mas nos contou como foi viver esta experiência.

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Fazer intercâmbio em Portugal tem sido uma das experiências mais ricas e surpreendentes  da minha vida. Mesmo sendo um país que fala português, logo percebi que a língua aqui tem outra  personalidade, com palavras diferentes, expressões curiosas e um sotaque que, no início, me  deixava completamente perdida. Lembro de vezes em que precisei pedir para repetirem três vezes  a mesma frase. Mas, com o tempo, tudo ficou natural, hoje entendo praticamente tudo e, se calhar,  até consigo imitar o sotaque português. 

Durante esse período, fiz muitos amigos, tanto outros intercambistas do IFSC quanto colegas  da escola. O alojamento ajudou muito nisso, porque convivemos juntos bastante e sempre acaba  surgindo uma conversa que vira amizade.  

Visitando várias cidades portuguesas, reparei que as menores têm uma semelhança  encantadora entre si, com ruas estreitas, construções típicas e um clima calmo que parece ter saído  de um filme. Já as cidades grandes carregam identidades fortes e únicas. Outra coisa que sempre  chama a atenção são as igrejas, verdadeiras obras de arte repletas de detalhes, figuras, história e  muito ouro. Mesmo quem não é religioso acaba se impressionando. 

Na instituição, algo que observei é o costume dos portugueses de almoçarem tarde, muitas  vezes entre 13h e 14h. Essa diferença cultural foi curiosa no começo, mas logo me adaptei. No  laboratório, onde desenvolvo meu projeto, percebi também diferenças na forma de trabalhar de  alunos e professores. Senti que os processos poderiam ser mais organizados e técnicos, mas, por  outro lado, os técnicos do laboratório são bem capacitados e estão sempre dispostos a ajudar. 

O projeto em si acabou ficando um pouco atrasado, e algumas das minhas expectativas  iniciais não foram totalmente atendidas, especialmente em relação à metodologia. Ainda assim,  seguimos avançando sempre que possível. Meu projeto é sobre o reuso de subprodutos da  vinicultura das regiões de Ponte de Lima e Ponte da Barca. Eu e meu colega intercambista, Lucas,  trabalhamos junto com o Miguel, um estagiário do laboratório. Primeiro fizemos a separação dos  componentes desses subprodutos, e agora estamos realizando diferentes testes e caracterizações  para avaliar seu possível reaproveitamento. Como toda pesquisa, enfrentamos dificuldades,  principalmente na separação, além de atrasos quando dependemos de técnicos ou de outras etapas  do processo. 

Mesmo assim, aprendi muito, incluindo técnicas novas e equipamentos que nunca tinha  visto, nos quais ampliaram demais minha visão profissional e acadêmica. Sei que tudo isso volta  comigo na bagagem, não só como aprendizado acadêmico, mas como crescimento pessoal. Aprendi  a confiar mais em mim, a resolver problemas sozinha e a me adaptar rapidamente, lições que só a  vida fora de casa proporciona. 

Atualmente moro no Lar Maria Pia, uma instituição ligada à Santa Casa da Misericórdia aqui  de Ponte de Lima. Consegui a vaga ainda no Brasil pela plataforma dos Serviços de Assistência Social do IPVC, o SAS. Primeiro fiquei em um quarto duplo com banheiro e depois mudei para um quarto  triplo com banheiro compartilhado. Hoje moro com duas meninas e tem sido uma convivência  ótima. 

Minha rotina é bem marcada. Acordo, vou ao ponto de ônibus e sigo para o IPVC de  autocarro, geralmente comendo algo no caminho. No laboratório, trabalhamos pela manhã,  almoçamos e seguimos com as atividades até o fim da tarde. Quase sempre volto de boleia com a  técnica Maria da Conceição, ou como todos a conhecem, Dona Suzy. Ao chegar no alojamento, tomo  café, trabalho algumas horas no meu home office para uma agência de marketing, tomo banho e  descanso para começar tudo de novo no dia seguinte. Mas, claro, há exceções. Às quartas vamos ao  famoso Continente fazer as compras da semana e lavar roupas. Nos fins de semana quase sempre  viajamos. Enquanto escrevo este relato, por exemplo, estou indo para Londres! 

Tenho cozinhado todas as semanas no alojamento. Eu e Lucas preparamos nossas marmitas  para levar ao IPVC, o que é mais prático e econômico. A comida portuguesa é bem diferente da  brasileira, menos temperada, mas ainda sim, muito boa. No restaurante do IPVC tive a chance de  experimentar pratos típicos como bacalhau com natas e rojões. E, claro, minha paixão gastronômica  absoluta, o pastel de nata. 

Meus pais sempre me apoiaram desde a candidatura e, como vim sem bolsa, tivemos  conversas importantes sobre organização e custos, por conta disso, não teve uma reação  propriamente dita. Não foi minha primeira viagem para fora do país nem minha primeira vez de  avião, mas foi a segunda depois de muitos anos e confesso que bateu aquele frio na barriga. Sinto  muita saudade da minha família, dos amigos e dos meus gatos, por isso falo com meus pais todos  os dias e com meus amigos pelo menos uma vez por semana.  

Para quem pretende fazer intercâmbio, minha maior dica é planejar tudo com antecedência.  É importante organizar documentos, moradia, transporte, viagens e finanças para evitar chegar  perdido, como aconteceu comigo em alguns momentos. Planeje-se economicamente para não  passar aperto, equilibre lazer e responsabilidades e, se puder, viaje. Estar em outro continente é  uma oportunidade única de explorar culturas e países vizinhos. E acima de tudo, viva intensamente  essa experiência. Ela passa rápido, mas deixa marcas, histórias e aprendizados que ficam para  sempre!

 

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Desenvolvimento de software na Finlândia

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 02 dez 2025 11:35 Data de Atualização: 02 dez 2025 11:38

A estudante Clarice Barreto de Souza está na 7ª fase do curso superior de tecnologia em Sistemas de Informação do Câmpus Caçador. Desde final de agosto, ela está na Finlândia, onde participa do projeto de pesquisa “Software development in Research of Smart Bioeconomy” na Häme University of Applied Sciences (HAMK) pelo nosso programa de intercâmbio, o Propicie. 

Vejam como tem sido esta experiência para a aluna no relato abaixo:

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Resido em uma acomodação estudantil que divido com uma estudante marroquina, localizada a cerca de 13 minutos de caminhada da universidade. Consegui organizar a locação ainda no Brasil, com base nas informações disponibilizadas no site da universidade e com o apoio da equipe de HAMK International durante um webinar para os intercambistas. Durante a semana, normalmente estou no campus das 9h às 16h. 

Estou contribuindo no desenvolvimento de um aplicativo voltado ao gerenciamento de dados agrícolas, com foco atual na implementação de uma ferramenta para a comparação desses dados. Temos um planejamento e semanalmente, me reúno com meu orientador para apresentar o progresso. A experiência tem sido muito produtiva, aprofundando minha compreensão sobre o processo de desenvolvimento de software como um todo. 

Participo de encontros semanais com um grupo de pessoas de diversas nacionalidades, incluindo outros brasileiros, o que proporciona uma troca de experiências muito interessante. 

Minha impressão sobre as pessoas aqui é bastante positiva. Todos com quem tive contato até o momento se mostraram muito gentis e solícitos. Além disso, uma grata surpresa foi descobrir a existência de um café brasileiro na cidade, administrado por uma mineira. Foi algo inesperado encontrar esse café em uma cidade finlandesa com cerca de 70 mil habitantes. 

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Convivência multicultural

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 17 nov 2025 11:02 Data de Atualização: 02 dez 2025 10:36

A estudante Júlia Rafaela Hanauer está na 7ª fase do curso técnico em Química integrado ao Ensino Médio do Câmpus Jaraguá do Sul - Centro. Desde setembro, ela está em Portugual onde participa do projeto de pesquisa “Pyhtopharremoval” no Instituto Politécnico de Beja pelo nosso programa de intercâmbio, o Propicie

Vejam como tem sido esta experiência para a aluna no relato abaixo:

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Estar em Portugal tem sido a realização de um sonho de infância e uma experiência transformadora. Desde a minha chegada, fui muito bem acolhida pelas pessoas, o que facilitou minha instalação, apesar da dificuldade inicial de adaptação ao fuso horário (quatro horas a mais que no Brasil). Atualmente, moro no alojamento da instituição, que fica a apenas 2 minutos de onde estudo. Aqui, divido o quarto com outra brasileira, que chamo de amiga, a Larissa Pires, que também veio para cá pelo programa Propicie do IFSC Câmpus Palhoça Bilíngue. É um grande alívio ter alguém para compartilhar e contar nessa jornada de perto comigo. 

Em relação à língua, embora seja português, já notei várias diferenças, como "casa de banho" para banheiro. No entanto, o inglês é o idioma dominante nas nossas conversas, usado em mais de 90% do tempo, pois todas as aulas e encontros de intercâmbio são nesse idioma. Isso até me levou a uma situação engraçada no início, ao me dirigir em português a um colega estrangeiro. Vez ou outra, o cérebro ainda nos confunde: a gente esquece que se falarmos na nossa língua materna, poucos ou ninguém nos entende, o que é muito confuso de assimilar. É curioso como uma língua que me parece tão fácil de falar soa totalmente incompreensível para eles. Muitas vezes, brincamos uns com os outros, falando na nossa língua materna só para confirmar se a pessoa realmente não nos entende — é um desafio divertido, especialmente sendo esta a minha primeira vez fora do Brasil. 

A convivência tem sido maravilhosa e enriquecedora, permitindo-me fazer amizades com pessoas de diversas nacionalidades, como Montenegro, Geórgia, Ucrânia, entre outras, além de portugueses e brasileiros. Nós costumamos organizar encontros semanais com jantares e danças típicas, literalmente descobrindo o mundo em Beja. É como se eu tivesse conhecido diversas culturas em um lugar só. Cozinhamos, cantamos, dançamos e compartilhamos um pouco das nossas raízes. 

Culturalmente, o que mais me chama a atenção é a diversidade de estrangeiros — irônico, pois é por conta deles que falamos mais inglês do que português, mesmo estando em Portugal. Além disso, a arquitetura das cidades é bem característica e única, parecendo coisa de novela. E, claro, as comidas diferentes, que em sua maioria levam peixe, muita sopa e pouco feijão e arroz, como estava acostumada no Brasil. 

Na parte acadêmica, estou desenvolvendo o projeto PhytoPharremoval, que visa avaliar a remoção de carbamazepina em águas residuais por fitorremediação. Meu papel envolve alimentar o sistema com água residual e realizar a coleta e análise das amostras. A única dificuldade encontrada até agora foi o adiamento do início efetivo das atividades devido a um atestado médico da coordenadora, mas aproveitei o tempo para estudar e auxiliar em outros projetos do laboratório. Nesses outros projetos, estou aprendendo técnicas que serão fundamentais para o meu trabalho principal, como habilidades para a caracterização da água e a utilização de equipamentos de ponta, com os quais nunca havia tido contato.

Academicamente, estou absorvendo novos métodos laboratoriais e sistemas de análise. Pessoalmente, amadureci muito, desenvolvendo autonomia por morar sozinha, já que agora tenho que fazer meu próprio mercado, cozinhar, lavar minhas roupas e pagar minhas contas, tudo por conta própria. Também estou aprendendo a valorizar o coletivo e a diversidade cultural em um ambiente internacional, em contato constante com pessoas de lugares tão diferentes do mundo. O principal aprendizado de vida que levo é que "Nenhum sonho é grande demais" e que é preciso correr atrás para realizá-los. Eu achava que o intercâmbio seria apenas um sonho distante, e agora ele se tornou uma realidade. 

Moro em um alojamento feminino da universidade, vaga que consegui pelo site da própria instituição. Minha rotina é organizada: passo a manhã e à tarde no laboratório e, no final do dia, gosto de caminhar ou correr. À noite, me reúno com os amigos do intercâmbio. Eu mesma preparo minhas refeições (cozinho meus almoços e jantares na cozinha do alojamento e lavo minhas roupas aqui também), mas já experimentei alguns pratos típicos deliciosos, como o famoso pastel de nata, de que gostei muito. 

Esta é minha primeira viagem internacional e a primeira vez que andei de avião, o que torna a experiência ainda mais especial e marcante. Para lidar com a saudade, converso com a minha família todos os dias por mensagens, onde trocamos fotos e vídeos que nos mantêm conectados neste momento. 

Por fim, o conselho que deixo para futuros intercambistas é: não desistam dos seus sonhos e acreditem no poder dos seus objetivos. Se você sonha com alguma coisa, acredite e se dedique. Pode ser com 18, 40 ou 60 anos, por que não? E por que não ser você o próximo intercambista do Propicie? Foi assim que eu pensei, foi isso que me motivou a participar do programa. E agora eu estou aqui, realizando o sonho da minha vida.

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Vivências acadêmicas e culturais em Portugal

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 06 nov 2025 10:16 Data de Atualização: 06 nov 2025 10:24

O relato desta semana é da estudante Bárbara Thiem, da 8ª fase do curso de graduação em Agronomia do Câmpus Canoinhas. Ela está desde o início de setembro em Portugal, onde participa de um projeto de pesquisa no Instituto Politécnico de Viana do Castelo pelo nosso programa de intercâmbio, o Propicie.

Veja o que ela nos escreveu sobre os primeiros meses desta experiência:

Mesmo sendo português, o idioma falado em Portugal tem suas particularidades e, no início, isso foi um pequeno desafio. Algumas palavras têm significados diferentes e a forma de se expressar é mais formal e mais rápida, o que às vezes causa pequenas confusões. No entanto, com o convívio diário, fui me adaptando rapidamente e hoje já compreendo praticamente tudo com naturalidade. Ainda assim, algumas expressões portuguesas soam engraçadas no começo. Além disso, uso o inglês em algumas situações, especialmente quando há alunos estrangeiros no laboratório, o que tem contribuído para aprimorar ainda mais minha comunicação. 

Tenho conhecido pessoas incríveis desde que cheguei. Estou morando com uma brasileira, a Gabi, que embarcou comigo do Brasil, e mais cinco portugueses. A convivência com eles tem sido muito boa e me ajudou muito na adaptação. A Gabi se tornou uma amiga essencial nessa jornada, sem dúvida, uma pessoa que quero levar para a vida. Além dela, fiz amizade com colegas portugueses e com alguns estudantes internacionais que também participam de projetos na Escola Superior Agrária de Ponte de Lima. Essa troca cultural tem sido muito rica e divertida; aprendemos juntos todos os dias, seja sobre o idioma, a culinária ou o jeito de viver. 

Algo que me chamou muita atenção é o quanto Portugal preserva sua história e cultura. A arquitetura, os monumentos e até os pequenos vilarejos parecem contar uma história a cada esquina. A cidade onde moro, Viana do Castelo, é simplesmente linda, cheia de tradição e com um clima acolhedor. A Escola Superior Agrária, ESA, onde realizo o projeto, também impressiona pela estrutura. O câmpus está instalado no antigo Mosteiro de Refóios de Lima, um prédio histórico adaptado para o ensino superior, o que torna o ambiente de estudo inspirador. Outro ponto curioso é a forma como os professores e alunos se relacionam: há muito respeito e colaboração, e o ensino é bastante prático, o que facilita a compreensão dos conteúdos. Além disso, os horários do início das aulas aqui é bastante diferente do Brasil, dificilmente as aulas começam antes das 9h da manhã aqui, algo que me deixou bem surpresa no começo. 

As aulas e atividades práticas na ESA têm sido muito produtivas. A metodologia é bastante voltada à prática, o que me permite aplicar os conhecimentos em situações reais de laboratório e campo. Os professores/técnicos são atenciosos e sempre dispostos a explicar e mostrar os procedimentos de forma detalhada. Essa abordagem tem superado minhas expectativas, pois consigo aprender com profundidade e perceber as diferenças entre o ensino no Brasil e em Portugal. No início, senti um pouco de dificuldade com os termos técnicos e com o ritmo das atividades, mas logo me adaptei, especialmente com o apoio dos colegas e do técnico do laboratório. 

Participo de um projeto voltado à área de enologia, no qual realizo microvinificações de vinhos tintos e brancos nos laboratórios da ESA. Auxilio o técnico Virgílio nas atividades de rotina, no preparo das aulas práticas e na organização do espaço. Com o projeto, consigo compreender os processos de fermentação e qualidade dos vinhos, desde a colheita das uvas até as análises físico-químicas. No início, precisei me adaptar às metodologias específicas usadas aqui, mas hoje já consigo executar boa parte das atividades com autonomia. Essa vivência tem sido extremamente enriquecedora, pois estou aprendendo novas técnicas e aprimorando minha visão sobre o trabalho laboratorial. 

Do ponto de vista acadêmico, o intercâmbio tem ampliado muito meu conhecimento técnico, especialmente sobre os processos de vinificação, controle de qualidade e práticas laboratoriais. Tenho aprendido a observar detalhes, seguir protocolos com precisão e compreender a importância da padronização no trabalho científico. No âmbito pessoal, o aprendizado é ainda maior: aprendi a ser mais independente, organizada e confiante. Estar longe de casa me fez valorizar ainda mais minha família, meus amigos e as oportunidades que tive no Brasil. Essa
experiência está me ensinando sobre resiliência, empatia e sobre como é possível crescer enfrentando novos desafios. 

Atualmente moro em Viana do Castelo, em uma casa compartilhada com seis pessoas, cinco portugueses e uma brasileira. Consegui o local ainda no Brasil, com o apoio da Gabi, a qual me indicou o lugar. Minha rotina é bem dinâmica: pego o bus acadêmico todas as manhãs para ir até a ESA, que fica em Refóios de Lima, cerca de 36 km de distância. Passo boa parte do dia no laboratório, auxiliando nas atividades do projeto, e retorno no fim da tarde. À noite, costumo estudar, conversar com a família e aproveitar um pouco da cidade. 

A culinária portuguesa é gostosa, mas bem diferente da brasileira. Os temperos são mais suaves. Eu e a Gabi cozinhamos juntas com frequência, e às vezes preparamos pratos brasileiros para matar a saudade de casa. Entre os pratos locais, gostei muito do pastel de nata, uma sobremesa típica daqui. 

A reação da minha família ao saber do intercâmbio foi de muita emoção e orgulho. Foi a minha primeira viagem internacional, o que tornou tudo ainda mais marcante. Apesar da felicidade, a saudade é constante, sinto falta do convívio com minha família, amigos e da rotina familiar. Falo com eles quase todos os dias por vídeo chamada, o que ajuda a amenizar a distância. Mesmo com o coração apertado, sei que essa experiência vale cada momento, pois está me transformando e abrindo caminhos para novas oportunidades pessoais e profissionais.

É uma experiência transformadora, vale a pena, façam!!!

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Aprendizados que atravessam fronteiras

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 30 out 2025 10:05 Data de Atualização: 30 out 2025 11:01

Nesta semana, trazemos o relato da Gabriele Camile Albino, aluna da 3ª fase do curso de licenciatura em Física do Câmpus Jaraguá do Sul - Centro. Ela está em Portugal desde o início de setembro, onde participa de um projeto de pesquisa chamado “Produção textual e metalinguística” no Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Gabriele é uma das estudantes selecionadas no nosso programa de intercâmbio deste semestre, o Propicie 24.
Leia abaixo o que ela nos escreveu sobre esses primeiros meses por lá:



Nunca vou esquecer a sensação de pisar no aeroporto de Paris pela primeira vez. O frio na barriga, as pessoas falando francês e inglês por todos os lados e a mistura de nervosismo e empolgação me mostraram que eu estava de fato vivendo meu sonho. Tenho facilidade com o inglês então não houve dificuldades. Chegando em Portugal já foi mais tranquilo, mesmo às vezes ficando com um sinal de interrogação acima da cabeça após uma pronúncia que nunca ouvi na vida. Minha orientadora de pesquisa é portuguesa e então já estou me familiarizando com a língua daqui. 

Na programação para viagem, conheci a Bárbara do Câmpus Canoinhas do IFSC. Trocamos mensagens e alinhamos nossa vinda para cá juntas. Estamos morando juntas e temos nos dado muito bem. As pessoas dizem que parece que nos conhecemos há muito tempo. Atualmente fizemos amizade com um aluno italiano, que veio para cá fazer pesquisa também, Floriano, nosso “portachiavi italiano” (Chaveiro italiano, pois está sempre com a gente). 

Rotina

Estou morando em uma residência próxima a minha faculdade. Há outros alunos do IPVC aqui também. A convivência é tranquila, mas a troca de diálogo é diária com a Bárbara. Ela é uma irmã mais velha! Consegui essa residência quando ainda estava no Brasil, através de um grupo de alunos no Facebook que procuravam residências, assim entrei em contato com vários anfitriões e a atual residência era a com melhor localização, num bairro seguro e próximo a faculdade. 

Tenho cozinhado diariamente. A casa é equipada com utensílios de cozinha, o que facilita o processo. Eu e a Bárbara revezamos na cozinha. Tem sido um grande aprendizado. Aprendi até a fazer bolo! Há algumas semelhanças na culinária, mas não se compara ao sabor do Brasil. Por exemplo, aqui existem pratos com arroz e feijão, mas com um preparo diferente. A francesinha é um prato comum aqui, ainda não experimentei, mas é bem cultural daqui. É boa hora para enaltecer o famoso pastel de nata, que é delicioso, e sentirei falta de comer isto no Brasil 

Aqui existem diversas diferenças, mas muitas semelhanças também. O fato de existirem muitos brasileiros por aqui é reconfortante. Às vezes, em algum estabelecimento, sempre há a troca de diálogo “Você é do Brasil também?”. É engraçado. 

Projeto de pesquisa

A instituição possui uma metodologia interessante. Existe a possibilidade de você ingressar na graduação e se formar com mestrado. Achei isso fantástico! Os professores parecem bem atarefados aqui e no entanto não tenho tido contato com outros alunos, pois atuo sozinha na minha pesquisa. 

No primeiro contato com o projeto tive um pouco de dificuldade para dar os primeiros passos. Por ser uma projeto que é constituído principalmente pela área de Pedagogia e Letras, tive um pouquinho de receio durante o processo inicial. Mas já fiz uma primeira entrega parcial e ocorreu tudo bem. É divertido e interessante. O meu projeto é voltado para a análise de processos criativos das crianças durante atividades de produções textuais. Meu papel é fazer transcrições verbatim de vídeos falados de crianças da quarta série. No entanto, quando cheguei aqui, meus coordenadores se surpreenderam por eu ser da área da Física e vir pesquisar algo totalmente voltado para Pedagogia e Letras, então enfrentei um pouco de dificuldade no primeiro contato, mas agora está fluindo.

Academicamente, participar deste projeto tem ampliado muito minha compreensão sobre o papel da linguagem no processo de ensino e aprendizagem, mesmo em áreas como a Física. Trabalhar com produção textual e metalinguística com crianças me fez perceber como a forma de se expressar, escrever e refletir sobre o próprio pensamento influencia diretamente na construção do conhecimento científico. Aprendi que a comunicação clara e a valorização da linguagem dos alunos são fundamentais para tornar conteúdos complexos mais acessíveis e significativos. Pessoalmente, essa experiência tem sido transformadora. 

Na vivência, tenho adquirido a sensibilidade para entender diferentes formas de aprender e de se comunicar, algo essencial tanto para a docência quanto para a vida. Na bagagem de aprendizado de vida, levo a certeza de que ensinar vai muito além de transmitir fórmulas e teorias: é também um exercício constante de diálogo, escuta e reflexão. Essa vivência me fez compreender que a educação é um processo de troca, no qual o professor aprende tanto quanto o aluno. 

Minha rotina é tranquila. Meu projeto demanda bastante tempo e atenção. Assim tenho ido para faculdade de 3 a 4 vezes na semana e, nos outros dias, trabalho em casa. Folgo no final de semana também. Estou aproveitando os finais de semana para conhecer as cidades ao redor. Ainda não me envolvi em outra atividade, mas está nos planos iniciar na academia e entrar no time de vôlei da faculdade (ambas atividades são disponibilizadas pelo IPVC) 

Saudades

A saudade é um tópico sensível…Quando me inscrevi no projeto, estava meio desesperançosa pela alta concorrência, sabia que seria difícil conseguir a bolsa de auxílio financeiro e sem isto não seria possível. Então quando contei a meus pais sobre a inscrição no projeto, falei que era de fato muito difícil, ia me inscrever pelo aprendizado. No entanto, veio a primeira etapa do sorteio e eu passei em primeiro lugar para a bolsa da graduação. Foi um susto! Minha família começou a acompanhar o processo. Após o resultado da entrevista foi só felicidade, fizemos festa e a notícia comoveu toda a família. 

Esta é a primeira vez que saio do Brasil e também a primeira vez que andei de avião. Fui também a primeira da minha família a sair do país para estudos. A saudade é diária, a rotina de casa faz bastante falta, os almoços de domingo são momentos de saudade, sem contar os amigos no sábado à tarde no escoteiro. Tenho mantido o contato com frequência com meus pais, meu irmão e meus avós. Todos os dias fazemos ligação de vídeo, com os amigos também. Durante a semana recebo ligações. 

Experiência transformadora

Enfim, participar do Propicie e vivenciar um intercâmbio é uma experiência que transforma profundamente, não apenas o lado acadêmico, mas também o humano. Para quem sonha em embarcar nessa jornada, o primeiro passo é acreditar que é possível. Planeje-se com antecedência, busque informações, converse com quem já viveu essa experiência e se permita sonhar com tudo

Mais do que um projeto ou uma viagem, o intercâmbio é um convite para sair da zona de conforto e descobrir novas formas de pensar, aprender e ensinar. Durante o processo, é importante manter o coração e a mente abertos. Aprender outro idioma, conhecer novas culturas e lidar com desafios faz parte do crescimento, e são justamente esses momentos que trazem os maiores aprendizados. 

O Propicie nos mostra que a educação é um ato de troca e que o conhecimento ganha ainda mais sentido quando compartilhado com pessoas de diferentes realidades. A quem deseja participar, eu diria: vá com coragem, curiosidade e disposição para aprender com cada experiência, grande ou pequena. O que você traz na bagagem ao voltar não cabe em malas, são novas ideias, novos amigos, uma visão de mundo mais ampla e a certeza de que a educação pode transformar vidas, começando pela sua.

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Vivendo e aprendendo na Alemanha

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 23 out 2025 09:28 Data de Atualização: 23 out 2025 09:28

Em setembro, uma nova turma de estudantes embarcou para a Europa para participar de mais uma edição do nosso programa de intercâmbio, o Propicie. E já começamos a receber os relatos sobre o que eles estão vivendo por lá.

Vamos começar com o depoimento da aluna Cecília Hoerbe Pippi, que está no 7º semestre do curso técnico integrado integrado em Informática do Câmpus Chapecó. Pois é, aqui no IFSC, já é possível fazer intercâmbio no Ensino Médio.

A Cecília está na Alemanha desde o início de setembro, onde realiza um projeto de pesquisa  na Neubrandenburg University of Applied Sciences. O nome do seu projeto é “Analytic Software for Signalprocessing – FFT analysis”. Além de compartilhar conosco o relato abaixo super completo sobre suas primeiras percepções, ela tem produzido vídeos para o seu canal no YouTube:

Leiam o que ela escreveu:

Antes de vir para a Alemanha todos diziam que a comunicação em inglês (língua  oficial do meu projeto) seria tranquila e que praticamente todos aqui no país falariam inglês, o que definitivamente não é verdade. Nem mesmo muitos professores da universidade falam inglês. No dia a dia da cidade, em mercados, padarias, farmácias, cantina etc, a  comunicação é exclusivamente em alemão. Então, com certeza, ter uma noção básica de  alemão foi e está sendo essencial. A Universidade também oferece curso de alemão, em  diversos níveis, gratuitamente para alunos. Dessa forma, estou aproveitando a oportunidade  para melhorar meu conhecimento da língua com o curso de alemão nível A2. 

Fiz diversos amigos internacionais, de nacionalidades como Ucrânia, Jordânia,  Palestina e meus preferidos: Latinos. Fazer amigos alemães é a parte mais difícil, porque  naturalmente é mais confortável de se identificar com pessoas que falam sua língua e muitos  já possuem seu círculo de amigos, mas também conheci pessoas muito legais que podem vir a se tornarem meus amigos. A universidade tem um grupo de conexão internacional bem  grande e estruturado, em que quase toda semana acontecem atividades entre os  intercambistas, como teatros, concertos, esportes, festas, etc.  Há apenas um brasileiro estudando na universidade, de outra universidade, e somos amigos.  

A convivência na universidade me lembra bastante o IFSC Chapecó. Apesar de a estrutura aqui ser consideravelmente melhor: os laboratórios são mais equipados, as salas  de aula contam com mais recursos tecnológicos, há mais blocos, um refeitório enorme com  diversas opções de cardápio. Os professores são acessíveis e amigos entre si, há um grêmio  estudantil bastante ativo e as pessoas, em geral, são muito receptivas. 
Algo que me chamou bastante atenção na universidade foram as aulas de línguas  estrangeiras — além do alemão, eles oferecem espanhol, inglês, alemão baixo  (Plattdeutsch), russo, entre outros. E, claro, a imensa variedade de clubes e grupos  universitários. Além dos tradicionais clubes esportivos, há clubes de arte, coral, teatro, rádio,  grupo de caminhadas no parque, grupo de caminhadas com cachorros, coletivo feminista,  grupo de refugiados…  

Outra curiosidade cultural que me chamou atenção foi em relação ao período da  Oktoberfest, que está acontecendo agora em outubro. A festa é tradicional do sudeste da  Alemanha, mais especificamente de Munique, na região da Baviera (Bayern). Já na região  onde estou, no nordeste do país, a tradição da Oktoberfest não é tão forte. Inclusive, muitos  alemães nem gostam ou não sentem orgulho da maior festa popular do mundo — que é a  Oktoberfest — comparando-a ao carnaval no Brasil: atrai muitos turistas, os preços sobem bastante, há muito consumo de álcool e uma certa “bagunça” que nem todos apreciam,  especialmente em regiões mais tranquilas ou menos turísticas. 

Por causa do estereótipo de que os alemães são mais frios e muito  literais, eu tinha receio de que meu orientador fosse muito rigoroso ou exigisse mais do que  eu conseguiria entregar. Mas ele não poderia ter sido mais compreensivo. Ele se preocupa  bastante com a minha experiência para além do projeto, sempre me incentivando a  conhecer o país, participar das atividades da universidade e aproveitar as experiências  culturais. 
Como estou desenvolvendo o projeto sozinha, ele é bem flexível e me dá liberdade para  trabalhar no meu próprio ritmo e espaço. Quando tenho resultados ou encontro  dificuldades, compartilho com ele e com os outros professores. Normalmente, nos reunimos  às quintas ou sextas-feiras de manhã para conversar sobre o que eu tenho feito e os  próximos passos. À medida que o projeto for avançando, vou precisar cada vez mais do apoio  dos professores para continuar o desenvolvimento. 

Estou morando no complexo de dormitórios da faculdade, que conta com 4 prédios  de dormitórios. Os dormitórios são muito bons, com quartos individuais, 1 banheiro para  cada 2 pessoas, e uma cozinha para cada 7 – 10 pessoas. Os dormitórios da faculdade são  uma opção barata e boa, tendo em vista que o preço do aluguel aqui na Alemanha é um dos  mais caros da Europa. Nesses dormitórios também moram pessoas que não estudam na  faculdade. Um dos requisitos da minha família para vir para o intercâmbio era ter definido uma moradia para mim durante os 3 meses, por isso tudo foi organizado e pago com  antecedência.  

Na minha primeira semana aqui, um dos professores me emprestou uma bicicleta para usar  durante o período do intercâmbio. Ela tem me ajudado bastante a fazer compras, a andar  pela cidade e conhecer lugares que normalmente seriam mais longes e desconfortáveis de  ir a pé. 

Uma das coisas que mais gosto aqui na Alemanha é a comida. A combinação de sabores e principalmente doce e salgado nos molhos, nas saladas, nos temperos em geral  me agrada muito. Todos os dias almoço na cantina/ refeitório da universidade e o valor é em  média 5¢ por refeição – que conta com carboidrato, proteína, legumes e salada – tendo  opções de menu vegetariano e vegano. Todos os dias a refeição na cantina é uma experiência 
cultural pra mim, porque já provei inúmeros pratos típicos (se não todos). As outras refeições  como café da manhã e janta eu faço em casa, cozinhando para mim mesma. 

Apesar de serem  várias pessoas compartilhando a cozinha, os espaços de geladeira e armários de cada um  são bem divididos e nem todos os colegas de apartamento de fato cozinham (muitos só  comem lanches práticos como sanduíches, pizza ou iogurte). No dia a dia sinto falta da carne  de gado, como bife, carne de panela, até mesmo carne moída, porque aqui as proteínas são  70% porco, 25% frango e 5% carne bovina.  

Academicamente, tenho gostado muito da área que estou estudando e do projeto que estou desenvolvendo aqui na Alemanha, que envolve desenvolvimento de  sistemas com aplicação mecatrônica e uso de hardware com microcontroladores. A  experiência do intercâmbio tem me dado uma direção mais clara sobre a área que quero  seguir quando voltar ao Brasil, especialmente em relação ao mercado de trabalho, salários  e até mesmo a possibilidade de uma carreira internacional. 

Ainda no âmbito acadêmico, fazer pesquisa é também aprender a lidar com erros e  fracassos. É aceitar que você não vai conseguir fazer ou aprender tudo sozinha, nem mesmo  se estudar o máximo possível. Além disso, durante o intercâmbio, é essencial saber separar  a vida acadêmica da vida pessoal. Mesmo nos dias em que você está frustrada ou  sobrecarregada, continua sendo a única responsável por você mesma, então precisa limpar  a casa, cozinhar, lavar roupas e seguir com a rotina normalmente. 

Teve momentos em que me senti tão cansada ou triste que nem queria falar com a minha  família. É nesses momentos que a gente percebe o quanto é importante saber separar as  coisas para conseguir aproveitar de forma saudável a experiência do intercâmbio. Na prática, os aprendizados da vida pessoal e acadêmica acabam se misturando muito. Mas,  do ponto de vista pessoal, o que mais aprendi foi a lidar com os sentimentos de saudade e  solidão. Às vezes, a saudade é tão intensa que se confunde com ansiedade ou uma espécie de "luto" pela vida que ficou no Brasil. Mesmo estando rodeada de pessoas, o tempo parece  não passar, e você não consegue se enxergar voltando pra casa. 

Algumas coisas que me ajudaram a lidar com a saudade foram: nunca deixar de falar com a  minha família, mesmo quando não queria mostrar o quanto estava sendo difícil; escrever no  meu diário de viagem sobre tudo o que eu estava vivendo e sentindo; e evitar ao máximo  comparar a minha experiência ou meus sentimentos com os dos outros. 

No fim das contas, aprendi que sou capaz de enfrentar qualquer desafio e que não é  qualquer ventinho que vai me derrubar. Também percebi que essa ideia de que “a Europa é  outro mundo” não verdade. Somos cidadãos do mundo. A gente se adapta a outras cidades,  outras culturas, outras línguas… e segue em frente. 

Dicas para intercâmbio na Alemanha

A Cecília destacou algumas dicas para quem pensa em fazer um intercâmbio na Alemanha:

  • Não venha sem saber falar inglês, ou sem ter confiança no idioma (se o país não for  Portugal). Mas também não deixe de vir só porque você não entende a língua local  do país (como Alemão, francês, Dutch etc) porque é uma ótima oportunidade de  aprender.  
  • Saiba que não vai ser tudo incrível, e nem do jeito que você imaginou, mas vai te  mostrar um lado seu eu e uma força que você talvez nunca conheceria.  
  • Você vai amadurecer 5 anos em 3 meses.  
  • A saudade não passa, mas você se torna mais racional com ela, e quando você menos  espera a agonia de querer voltar se transforma em um sentimento bom e de  conforto. 
  • Viaje e conheça o país onde você está. Procure saber a história 
  • Uma dica um pouco mais delicada, mas importante: Uma vez que você está no  intercâmbio, se possível não se prive das experiências, festas, viagens, comidas por causa de dinheiro. Esse é o momento que você tanto esperou e que não vai mais  voltar. Tenha o apoio da sua família, se organize antes de vir para o intercâmbio para  você poder viver, aproveitar, conhecer, experimentar o que você tiver vontade e  curiosidade onde você está.

Intercâmbio no IFSC

Para mais informações sobre intercâmbio no IFSC, acesse a página de intercâmbio estudantil.

BLOG DOS INTERCAMBISTAS

O intercâmbio como uma experiência coletiva

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 22 jul 2025 08:30 Data de Atualização: 22 jul 2025 08:30

Nessas últimas semanas no Blog dos Intercambistas temos postado os relatos dos estudantes que participaram do 23º Propicie, o programa de intercâmbio do IFSC, em Portugal, na cidade de Beja. Em todas essas narrativas sobre a viagem vemos algo em comum: a união para enfrentar os desafios do intercâmbio e aproveitar ao máximo essa experiência!

O relato do Lucas Roberto Lausus, estudante do curso de bacharelado em Design do Câmpus Florianópolis, é mais um exemplo disso. Também participante do Propicie, o Lucas fez parte de um projeto no Instituto Politécnico de Beja (IPBeja), e contou para nós como foi desenvolver esse projeto e também como foi morar fora, experimentar novas culinárias e se comunicar em outros idiomas.

Veja o relato do Lucas:
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O intercâmbio foi, sem dúvida, uma experiência marcante para mim, com descobertas que se estenderam muito além do campo acadêmico. Ao longo dos três meses que passei em Portugal, percebi que o aprendizado se dava de forma constante — nas conversas cotidianas, nos ajustes de rotina, nas diferenças culturais e até nas pausas que o dia impunha. Estar fora do país te obriga a observar mais e falar menos, a escutar o que normalmente passaria despercebido.

A convivência com os colegas brasileiros foi essencial nesse processo, não apenas pelo apoio mútuo, mas pelo vínculo que se construiu a partir da convivência intensa. A distância de casa e o desconhecido em comum nos aproximaram de um jeito que dificilmente teria acontecido em outra situação. Ao mesmo tempo, criamos amizades com estudantes de diversas partes da Europa, como Rússia, Eslováquia e Alemanha, e foi no meio dessas trocas que percebi o quanto a pluralidade de visões, hábitos e valores pode ampliar a nossa forma de enxergar o mundo, mesmo quando há barreiras linguísticas ou diferenças marcantes no jeito de viver.

A exigência de transitar entre idiomas foi constante: em um único dia, era comum começar uma conversa em português, passar para o inglês e, em seguida, improvisar um espanhol. Isso exigia atenção, paciência e uma boa dose de flexibilidade mental. Hoje, de volta ao Brasil, percebo com mais clareza o quanto meu inglês evoluiu — não só tecnicamente, mas na fluência real, aquela de conseguir entender, pensar e responder com naturalidade, inclusive assistindo a conteúdos sem legenda, o que antes não era tão fácil.

Outro ponto curioso foi o ritmo da cidade. Beja tem um tempo próprio, mais lento e silencioso, típico de cidades do interior. A pausa para o almoço, por exemplo, dura horas, e muita coisa só volta a funcionar no meio da tarde. Para quem está acostumado à correria das grandes cidades, essa pausa parece estranha no começo, mas com o tempo, começa a fazer sentido — é uma outra lógica de funcionamento, mais voltada à convivência e ao tempo pessoal.

No projeto Healthy Campus, iniciativa da União Europeia focada em sustentabilidade nas instituições de ensino, atuei especificamente na área de comunicação. O IPBeja, onde fiquei, já possuía o selo máximo de certificação, o que demonstra seu comprometimento com os critérios da iniciativa. No entanto, mesmo com esse reconhecimento, o projeto era pouco conhecido dentro do próprio campus, a comunicação era praticamente inexistente, e meu papel foi justamente criar uma estrutura mínima para que as pessoas pudessem entender o que era o projeto, por que ele existia e como se conectava com a rotina delas. Trabalhei na construção de uma identidade visual, na padronização dos canais e na produção de conteúdos acessíveis, tudo isso em um ambiente onde o design ainda não era uma linguagem comum, o que exigiu adaptações, escuta ativa e muita clareza na hora de apresentar cada ideia.

Durante parte do intercâmbio, dividi uma casa com uma portuguesa e uma francesa, o que transformou até a vida doméstica em um exercício de adaptação. O inglês era o idioma em comum, então até as tarefas mais simples exigiam atenção na comunicação. As diferenças culturais eram evidentes — desde os horários até o modo de lidar com a limpeza, o barulho ou a alimentação —, mas, com o tempo, tudo foi se ajustando, mais do que compartilhar um espaço, foi sobre aprender a respeitar e encontrar equilíbrio entre rotinas tão distintas.

A comida, por sua vez, foi uma das adaptações mais visíveis, a culinária portuguesa é menos temperada que a brasileira, com muitos pratos cozidos e pouco uso de carne bovina. Como gaúcho, senti falta do churrasco, claro, mas acabei descobrindo sabores que me surpreenderam, como a carne de “porco preto”. As sopas, por exemplo, estão sempre presentes, quase como um ritual antes de qualquer refeição, e a variedade de pães disponíveis em qualquer lugar era algo que eu realmente não esperava.

Sobre a saudade, ela apareceu em momentos diferentes. Por já morar sozinho em Florianópolis, a ausência da família não era exatamente nova, mas estar em outro país muda a sensação de distância — ela deixa de ser uma questão de tempo e vira uma questão de geografia.

Ainda assim, talvez o mais interessante tenha sido observar como cada um lidava com isso. Alguns dos meus colegas estavam saindo de casa pela primeira vez e sentiram a falta da família de forma mais intensa. Acabei sendo uma espécie de apoio em alguns momentos, e isso também fez parte da vivência — perceber que o intercâmbio não é só individual, ele é coletivo, e a forma como nos ajudamos também ensina bastante.

Voltar ao Brasil, depois de tudo isso, foi trazer na bagagem muito mais do que documentos ou registros acadêmicos: foram três meses vivendo um cotidiano diferente, tentando entender realidades novas, encontrando formas de contribuir com aquilo que sei fazer e descobrindo, no processo, novos jeitos de me posicionar. O intercâmbio me ensinou, acima de tudo, a lidar com o novo — não como um obstáculo, mas como oportunidade de escuta, adaptação e crescimento.
 

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Desafios e conexões durante o intercâmbio

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 08 jul 2025 08:30 Data de Atualização: 08 jul 2025 08:30

A experiência de intercâmbio é diversa, repleta de desafios e de oportunidades. No relato da Ana Beatriz Faustino Souza, estudante do curso de bacharelado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas no Câmpus Gaspar, percebemos um pouquinho disso. Ela fez parte, durante este semestre, do Propicie, o programa de intercâmbio do IFSC, no Instituto Politécnico de Beja, em Portugal. Por lá, ela participou de um projeto de pesquisa, fez amizade com outros estudantes do IFSC e conheceu outros intercambistas de diversas nacionalidades.

Veja o relato completo da Ana:
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Me chamo Ana Beatriz Faustino Souza, tenho 20 anos de idade e estou em Beja, Portugal, desde o dia 10 de março. Iniciei minha participação no projeto do Reconhecedor Automático de Movimentos Físicos, um subprojeto do CAPACITA aqui no IPBEJA. Até a presente data (27 de março) realizei uma pesquisa sobre Datasets, suas características, como são criados, treinados e testados, assim como quais seriam mais aplicáveis para nosso projeto. Também tenho analisado as features do projeto CAPACITA para alinhar quais dados serão necessários para o dataset escolhido ou desenvolvido. Tudo isso está sendo documentado para futuramente gerar um artigo científico.

Sobre meu intercâmbio cultural, admito que acreditava ser mais fácil a comunicação por se tratar de um país com a mesma língua, mas encontrei diversas palavras e regionalismos do baixo alentejo que tive que questionar o que significava, ou até mesmo palavras que utilizamos mas que possuem significados diferentes aqui (giro, por exemplo, significa legal, ou se cumprimentamos mais de uma pessoa dizemos boas tardes, no plural).

Além disso, tem diversos intercambistas do projeto ERASMUS que não falam português, então nos comunicamos usando espanhol ou o inglês, principalmente, no caso de colegas da Bélgica, Alemanha, Eslováquia, Bulgária, Croácia, entre outros países. Assumo que tem sido um desafio, mas é reconfortante saber que nenhum de nós é nativo da língua inglesa e que possuímos as mesmas dificuldades. No final, sempre conseguimos nos comunicar. 

Estou morando numa residência do instituto, na qual a maioria dos moradores é de Cabo Verde, Angola e Guiné Bissau, então costumamos nos comunicar em português. Minha colega de quarto é de Cabo Verde. Ela está aqui realizando seu mestrado e é uma pessoa muito organizada e respeitosa, nós nos entendemos bem. Mas meus principais e mais próximos parceiros nessa jornada continuam sendo os Brasileiros que vieram junto comigo para cá; Maria, minha amiga que é doce mas decidida, com quem eu divido todas as minhas compras pra casa e os momentos de aperto; Lucas possui um coração lindo, uma inteligência invejável, e assim, como Maria, é extremamente responsável; Lorenzo sem dúvidas é a alma do grupo, sua animação em estar aqui e viver todas as experiências possíveis é inspiradora; Victor, que trabalha comigo no projeto, não poderia ser uma companhia melhor, sempre prestativo, buscando se aperfeiçoar, cada dia se mostra mais competente. Sempre que possível nos reunimos, às vezes cozinhamos e, não adianta, nossa comida não fica igual com os produtos daqui.

O almoço da faculdade em geral é muito completo, a melhor parte é sempre ter sopa de entrada. Nesse frio, pude me acostumar com essa tradição fácil. Passamos por um momento difícil, climaticamente falando, durante o período de fortes chuvas e vento. Agora tem melhorado, já vemos o sol e diminuímos as camadas de roupa.

Cada dia que passa me sinto melhor aqui. Mas confesso que o início foi difícil, nos momentos de silêncio, a saudade é arrebatadora: do nosso lar, nossa rotina, amigos, família, relacionamento. Pelo menos vivo na era da ligação de vídeo onde podemos nos aproximar um pouco. Também criei uma conta no Instagram (@aanabeatrip) para fazer postagens sobre minha trajetória aqui, para que possam me acompanhar, compartilhar dicas e experiências.

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