BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 08 jun 2026 10:56 Data de Atualização: 08 jun 2026 11:06
Mundo Park, Jhonny de Melo Feitoza e Júlia Crochemore Restrepo são estudantes do Câmpus Florianópolis que participaram neste semestre do nosso programa de intercâmbio, o Propicie. No post de hoje, trazemos seus relatos sobre como foi realizar projetos de pesquisa no Instituto Politécnico de Beja. Eles já retornaram ao Brasil, mas suas percepções são do início da experiência em Portugal.
Leiam os relatos abaixo:
Mundo Park - Aluno do curso técnico integrado em Química
Tenho aproveitado bastante os dias em Portugal. Visitei diversas cidades, castelos, igrejas... Sempre há algo a mais para explorar. A vantagem é que as cidades são relativamente próximas, pois o país em si é pequeno comparado ao Brasil, menor do que Santa Catarina. Descobri que a cultura e a história de Portugal são extremamente ricas, uma mistura complexa de vários povos ao longo do tempo. Antes de chegar aqui, nunca havia estudado bem sobre Portugal e pensava nos portugueses como uma coisa só. Mas agora estou completamente fascinado pela história deste país e das respectivas culturas que o construíram.
Tive dificuldade em encontrar um apartamento antes de chegar porque a maioria dos anúncios aceitavam apenas estudantes raparigas, e eu não sabia que as pessoas do Facebook eram tão desconfiadas. Depois que publiquei uma foto minha e algumas informações, finalmente consegui receber respostas, garantindo um quarto num apartamento compartilhado. Provavelmente meu nome também não ajudou muito nisso, pois as pessoas suspeitavam que eu fosse uma empresa ou um imigrante ilegal. Assim que cheguei, tive a surpresa de descobrir que nenhum dos moradores era estudante. Eram todos imigrantes, trabalhadores da região. Isso não tinha sido bem informado pelo senhorio, porém até agora não houve problemas, e penso que é uma boa experiência de qualquer forma.
A culinária de Portugal é ótima, e combina maravilhosamente com o meu paladar. Os pratos daqui costumam conter uma grande variedade de frutos do mar, como polvo, amêijoa, cavala e cara-pau, algo que sempre senti falta em Santa Catarina. Assim como no Brasil, o carboidrato principal é o arroz. No entanto, em casa tenho cozinhado massas na maioria das vezes por praticidade, e também por conta da ausência de arroz japonês no mercado. Quase sempre compro o almoço no refeitório do instituto, e faço o jantar em casa.
O IPBeja é uma escola aconchegante. A infraestrutura é de boa qualidade, novo e limpo, com espaços de lazer e canteiros com flores. Muitos estudantes são intercambistas, e não é raro encontrar brasileiros. Tanto que até agora fiz apenas amigos do Brasil. O almoço custa apenas 3 euros, o que é bem acessível em comparação ao preço de mercado.
No projeto de pesquisa ao qual me inscrevi, faço parte de uma equipe de 4 estudantes, todos do IFSC. A pesquisa aborda o uso de zonas úmidas artificiais – leitos com solo e vegetação, em estado de saturação de água – para a remoção de resíduos na água. Atualmente estamos enfrentando problemas de atraso da chegada dos materiais e do crescimento das plantas. Honestamente, me decepcionei com a falta de planejamento e organização tanto da orientação do projeto quanto do instituto em si. Atraso de editais, de bolsas, muita burocracia, com sérios problemas de gestão. As nossas orientadoras são atenciosas e de boa vontade, porém aparentam ser muito ocupadas com as aulas, nos deixando levemente perdidos.
O projeto inicial tinha como objetivo avaliar a remoção de microplásticos no meio aquático, porém isso não será mais possível no período disponível. Portanto, estamos tentando substituir os microplásticos pelo ibuprofeno, que também é um contaminante emergente. Realizamos medições diárias de pH, oxigênio dissolvido, potencial redox, temperatura, condutividade e sólidos suspensos totais, de amostras antes e depois do tratamento. Nesses testes, a minha experiência em química e técnicas laboratoriais no IFSC tem sido um grande apoio. No entanto, a mais importante medição de ibuprofeno ainda não foi feita. Estamos aguardando as orientadoras para que possamos adicionar o ibuprofeno nas amostras e aprendermos a usar o cromatógrafo HPLC para realizar as análises.
A minha melhor experiência até o momento foi a visita ao Castelo dos Mouros em Sintra. Um lugar com uma vista de tirar o fôlego, absolutamente lindíssima. Me fez sentir muitas emoções ao mesmo tempo, dificilmente descritível. Parecia que eu estava no topo do mundo. O castelo foi construído pelos árabes entre os séculos VII e IX em um dos cumes da serra de Sintra. As muralhas lembravam um pouco a Grande Muralha da China.
Ouça a entrevista do Mundo Park para o poscast IFSC em Pauta sobre sua experiência de intercâmbio
Jhonny de Melo Feitoza - Aluno do curso técnico subsequente em Meio Ambiente
As minhas primeiras semanas aqui em Beja foram de muita descoberta. Todos no Instituto me receberam muito bem. O que mais me chamou a atenção é que Beja é uma cidade que acolhe bem o estudante internacional. A proximidade com as técnicas Mariana Raposo e Maria José no Laboratório de Controle de Qualidade de Águas tem foi fundamental para o meu desenvolvimento prático e tornou a adaptação técnica muito mais leve.
No início, o maior desafio foi organizar a rotina de estudos teóricos com a prática de laboratório, visto que houveram adaptações no projeto. A minha pesquisa aqui no IPBeja começou com o foco nos microplásticos, mas, conforme avançamos nas discussões, na fundamentação teórica e na logística das análises, direcionamos nossos esforços para o impacto do Ibuprofeno nas matrizes aquáticas. Essa transição foi bastante interessante porque me permitiu entender como a pesquisa
se adapta a problemas ambientais urgentes.
Atualmente, além das leituras sobre fitorremediação, tenho seguido uma rotina bem prática. Me familiarizei com a rotina de preparo de soluções nutritivas para cultivo das Vetiver (plantas utilizadas para fitorremediação) para os testes com o fármaco, assim como a medição de parâmetros básicos como pH, condutividade, OD etc, através de métodos convencionais e equipamento de Sonda. Adicionalmente, ver os dados surgindo na prática e buscar soluções com a equipe tem sido uma experiência única, isso já tem feito a experiência valer muito a pena.
Júlia Crochemore Restrepo - Aluna do curso técnico em Meio Ambiente
Quando soube que tinha sido selecionada, fiquei muito animada e comecei logo a pesquisar mais sobre o tema do projeto, entreguei todos os documentos no IFSC, fui pesquisar passagem e moradia, organizar uma licença no meu trabalho, enfim, teve correria e ansiedade, mas também muito otimismo e vontade de vivenciar a experiência que o Propicie me ofereceu. Troquei muita ideia com meu colega de turma que também foi selecionado e com os alunos dos vários IFSC que foram contemplados. É bom saber que não estamos sozinhos!
A cidade onde estamos se chama Beja. Fica no Baixo Alentejo, a duas horas e meia de Lisboa. Tem cerca de 30 mil habitantes e muita história (povos fenícios, celtas, romanos, visigodos e árabes compõem as raízes do povo português), que podemos conhecer pelos diversos museus, arquitetura e sítios arqueológicos. A área urbanizada é pequena, dá pra fazer tudo a pé ou de bicicleta. O Instituto Politécnico tem um programa de incentivo à atividade física, e uma das frentes do programa é o empréstimo de bicicletas durante toda a nossa estadia. Pedalar me faz sentir muito mais ativa do que em Florianópolis. Logo atrás do instituto tem um complexo esportivo e consigo nadar por um valor muito baixinho. No sábado tem feira e na terça tem filme no único cinema da cidade. Tenho adorado a rotina aqui!
Na minha casa moram mais três estudantes: duas cabo-verdianas e uma nigeriana. Aprendo diariamente com elas sobre sua cultura, música, hábitos, comidas. A relação entre nós é ótima, apesar de ser muito desafiador ter de conversar em inglês com a colega nigeriana. Conversar com os portugueses é tranquilo, mas difícil é entender quando falam rápido entre eles.
Sobre os desafios que encontrei, acho que o maior deles é lidar com a ansiedade que o ritmo do projeto gera. Quando chegamos tivemos uma surpresa, o projeto ainda não estava em andamento. Para iniciar o trabalho de fitorremediação, precisávamos de plantas que ainda não haviam sido entregues e de material que ainda não tinha recurso para ser comprado. Então as professoras nos propuseram um projeto alternativo. Em vez de trabalhar com fitorremediação para a remoção de microplástico da água, trabalharíamos com a remoção de ibuprofeno. Mas para isso, teríamos de cuidar de plantas já usadas em zonas úmidas artificiais antigas antes de poder trabalhar com elas. Então, como as plantas ainda não estão sadias o suficiente para podermos usá-las na fitorremediação, dedicamos a maior parte das horas a cuidá-las, a manter o sistema de zonas úmidas funcionando controladamente, a ler artigos sobre o tema e a treinar alguns métodos de laboratório que vamos usar mais para a frente para medir parâmetros de qualidade da água.
Me angustia um pouco que o tempo de estágio termine e não tenhamos resultados, mas lidar com os desafios também é um grande aprendizado. O próximo passo é testar de fato a eficiência da fitorremediação na remoção do ibuprofeno, aprender a operar um aparelho de HPLC para detectar a presença do poluente, aprender a ler os resultados e apresentar as nossas conclusões. Espero em breve estar de volta com boas notícias!
Ouça a entrevista de Júlia para o podcast IFSC em Pauta sobre sua experiência de intercâmbio
Intercâmbio no IFSC
Para mais informações sobre intercâmbio no IFSC, acesse a página de intercâmbio estudantil.


















































