Presença de estudantes reforça ações por educação inclusiva

ENSINO Data de Publicação: 17 abr 2019 13:54 Data de Atualização: 17 abr 2019 14:24
Presença de estudantes reforça ações por educação inclusiva
Wagner em sala de aula, fazendo prova com o uso de um tablet

Wagner e Gustavo têm pelo menos três coisas em comum além da idade de 18 anos. São apaixonados por tecnologia e decidiram ingressar no curso superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas do Câmpus Tubarão. Ainda na primeira fase, não sabem responder ao certo qual área profissional devem seguir após a formatura, mas estão abertos aos horizontes que o curso pode oferecer. Por fim, a terceira característica que os une é a cadeira de rodas, que antes de ser um obstáculo para que frequentem o IFSC, é muito mais um desafio para que servidores e professores trabalhem cada vez mais pela inclusão na sala de aula.

“Tem sido um grande desafio e grande aprendizado. Temos estudado muito sobre o assunto, temos feito reuniões com os servidores para atendê-los da melhor maneira possível”, explica a diretora do Câmpus, Consuelo Sielski. “Entendendo que trabalhamos dentro de uma escola inclusiva, que eles precisam conviver e aprender”, completa.

A primeira mudança na rotina do Câmpus foi estrutural. Ainda que o prédio tenha acessibilidade, foram construídas novas rampas na entrada e instalada uma elevatória para o piso superior, que constava no projeto original.

“O Câmpus é bem acessível, comparado com outros lugares. Precisamos basicamente de espaço”, diz Gustavo Vieira. O estudante defende que basta um ambiente acessível para que o cadeirante busque seu espaço, sem que seja tratado de forma diferente. “É importante tornar o ambiente acessível mas não fazer com que o aluno ‘cadeirante’ tenha algum tipo de vantagem, é tratar como trataria um aluno comum”, diz Gustavo, que era atleta de handebol adaptado em sua antiga escola, em Criciúma.

Tecnologias Assistivas

Wagner tem paralisia cerebral e, além de espaço para circular com sua cadeira, tem recebido atendimento especial para que as aulas se adaptem às suas necessidades. Eventualmente, ele é atendido no recém inaugurado Laboratório de Tecnologias Assistivas, do Câmpus Palhoça-Bilíngue. As provas para Wagner são adaptadas para que ele possa responder utilizando um tablet, e agora ele está treinando o uso de um mouse adaptado para os pés. Um equipamento foi instalado em sua casa, que fica em Morro da Fumaça, a cerca de 40 quilômetros do Câmpus Tubarão.

Para o coordenador do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Alexssandro Antunes, o desafio tem sido uma oportunidade para que o Câmpus aprimore suas práticas pedagógicas e de gestão. “Como por exemplo a inserção de tecnologias assistivas e inovadoras para apoiar os conteúdos e assuntos trabalhados em cada unidade curricular. O desempenho deles nas unidades curriculares do primeiro semestre têm sido satisfatório na medida em que os professores aplicam respectivas atividades avaliativas nos componentes curriculares técnicos e propedêuticos”, afirma o professor.

O acolhimento aos alunos, especialmente no caso de Wagner, é realizado de forma multidisciplinar por diferentes profissionais que atuam na Coordenadoria Pedagógica e em outros setores do Câmpus, como explica a assistente social Rosiana Andreolla. “Ao realizarmos os atendimentos com os estudantes com deficiências, partimos da prerrogativa constitucional que garante a educação como direito social, assim como a Lei Brasileira de Inclusão, que estabelece o direito de acesso às pessoas com deficiência no sistema educacional em todos os níveis e aprendizado ao longo da vida. Procuramos dar encaminhamentos e resolutividade às demandas apresentadas pelo estudante, sempre levando em consideração os princípios de equidade, justiça social e inclusão”, afirma.

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