Professor do IFSC Caçador assume cargo na diretoria da Associação Brasileira de Editores Científicos

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 06 abr 2026 09:57 Data de Atualização: 06 abr 2026 10:16

O professor Eli Lopes da Silva, professor do Câmpus Caçador e coordenador de Publicações do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), tomou posse como 2º secretário da diretoria da Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC Brasil) para a gestão 2026–2028. A cerimônia ocorreu no dia 24 de março, no Teatro da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em São Paulo. 

Com uma carreira no ensino iniciada em 1991, Eli construiu sua atuação na área editorial de forma progressiva. “Em maio de 2026, completarei 35 anos de docência, mas minha trajetória na área de publicações científicas é bem mais recente”, relata. O envolvimento com periódicos teve início em 2008, na revista e-Tech do Senai, e se consolidou a partir de 2012, quando assumiu como editor científico da revista Navus – Revista de Gestão e Tecnologia, onde permaneceu até 2022. 

Sua relação com a ABEC também se desenvolveu ao longo dos anos. Desde 2012, participa de eventos da associação e, entre 2020 e 2024, integrou o Conselho Deliberativo da entidade. Nesse período, contribuiu para a criação da Certificação ABEC Brasil para Editor Científico, iniciativa voltada à formação de profissionais da área. “Em 2020, em parceria com a conselheira Elisabete Werlang, apresentamos ao Conselho Deliberativo, do qual também fazíamos parte, a proposta de criação da Certificação ABEC Brasil para Editor Científico, que foi aprovada e implementada pela diretoria”, destaca. 

Atuação na Coordenação de Publicações do IFSC 

Com base nessa experiência, somada à atuação no primeiro Diálogos Acadêmicos do IFSC, o professor assumiu a Coordenação de Publicações em 2024, a convite da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Proppi), sendo mantido na função pela gestão atual. À frente da área, atua no assessoramento aos periódicos institucionais, sejam eles as revistas científicas ou os anais de eventos. Por estar na coordenação de publicações, Eli integra ainda o Conselho Editorial do IFSC, responsável pelos livros editados com o prefixo da instituição junto à Câmara Brasileira do Livro (CBL).   

Entre as atribuições da coordenação, está a gestão da emissão do Digital Object Identifier (DOI) – ferramenta essencial para a identificação e rastreabilidade das produções científicas. Conforme explica o professor, o DOI é um código numérico padronizado que identifica documentos digitais de forma permanente na internet. Com ele, é possível localizar publicações, acompanhar métricas de acesso, referenciar trabalhos e acessar textos completos. Além disso, pode ser adicionado ao currículo Lattes para validar as produções cadastradas. O cadastro é realizado por agências credenciadas pela International DOI Foundation (IDF), como a Crossref. 

A formação das equipes editoriais também tem sido uma das prioridades do setor. “No ano de 2025, três editores fizeram, pela ABEC Brasil, os cursos de Política Editorial Científica, Gestão Editorial Científica e Indexação para periódicos científicos, com recursos da gestão de pessoas, intermediados pela Coordenadoria de Publicações”, conta.  

Além disso, a coordenação trabalha na reformulação das equipes editoriais de seus periódicos científicos. Como parte dessa iniciativa, será lançado em breve um edital para a seleção de editores associados. Para isso, já foi realizada uma consulta com o objetivo de identificar a necessidade de especialistas em diferentes áreas do conhecimento, além de revisores de idiomas e de normas científicas.  

Paralelamente, o IFSC também aguarda a publicação de uma portaria que instituirá um Grupo de Trabalho (GT) composto pelos editores dos periódicos científicos da instituição. Esse grupo terá a responsabilidade de elaborar Diretrizes de Políticas Editoriais, que servirão como base para a construção das políticas específicas de cada periódico. 

Outra frente de atuação envolve a reestruturação da publicação de anais de eventos, com foco na qualificação dos metadados e na publicação individual dos trabalhos. “Até o ano passado, era recorrente a publicação de anais em arquivos PDF únicos, contendo a totalidade dos trabalhos apresentados em determinada edição do evento. Embora essa prática atendesse à necessidade imediata de disponibilização do conteúdo, ela acarretou limitações relevantes do ponto de vista da gestão e da preservação dos metadados, uma vez que não permitia a indexação individualizada por autor, título, palavras-chave ou outros elementos descritivos fundamentais”, avalia Eli.  

De acordo com o professor, a proposta agora é incentivar que eventos consolidados na instituição tenham a sua página no portal de periódicos do IFSC, além de apoiar tecnicamente aqueles que ainda não realizam o registro correto dos metadados de cada trabalho publicado – como dados dos autores, palavras-chave, resumo, entre outros elementos – para que passem a fazê-lo de forma adequada.  

Outra importante frente de trabalho da coordenação são os Diálogos Acadêmicos, uma sessão de palestras que ocorre ao menos quatro vezes ao ano com o objetivo de debater temas relevantes ligados à autoria, criação, publicação e divulgação científica. A atividade é voltada a toda equipe editorial, contemplando desde editores-chefe, autores e avaliadores até bibliotecários e demais atores envolvidos na editoria científica do IFSC. “A iniciativa reforça o compromisso da Coordenação de Publicações com a formação continuada e o fortalecimento de toda a cadeia de produção do conhecimento científico na instituição”, ressalta o coordenador.  

O papel estratégico da ABEC Brasil 

Nesse cenário, a atuação da ABEC Brasil é considerada estratégica. A entidade tem como objetivo congregar profissionais e instituições interessados no aprimoramento das publicações científicas e na divulgação do conhecimento. Para o professor, o papel da associação vai além da formação técnica. A entidade também contribui para a articulação com políticas públicas e iniciativas voltadas à ciência aberta, além de oferecer suporte técnico e promover eventos e capacitações.  

Sobre a eleição para a diretoria, Eli destaca que o convite partiu da atual gestão da ABEC e está alinhado à sua trajetória profissional. “Esta é uma atividade que se alinha à minha biografia e está totalmente ligada à função que exerço atualmente na Coordenadoria de Publicações do IFSC”, afirma. Para ele, o cargo representa não apenas uma forma de contribuir com os trabalhos da  associação junto às diversas instituições que atende, inclusive o IFSC, como também “levar para a ABEC demandas que nós, como instituição pública, temos em relação às nossas necessidades”.  

Entre as pautas prioritárias para a gestão 2026–2028, o docente destaca temas como o uso ético da inteligência artificial na editoria científica, o acompanhamento das mudanças nos critérios de avaliação da Capes, a ampliação de recursos das agências de fomento para apoio aos periódicos brasileiros e a consolidação de boas práticas na publicação científica. 

Ao projetar o futuro da área, Eli Lopes da Silva observa tendências de crescimento e novos desafios. Ele considera que, para o atendimento da sempre crescente demanda de publicações por parte dos programas de pós-graduação, haverá aumento no número de periódicos, nas submissões e na demanda de trabalho de editores e avaliadores. Ao mesmo tempo, alerta para riscos associados ao uso inadequado de tecnologias, como o uso indiscriminado e não ético da IA no processo de avaliação por pares. 
 
 

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