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Projeto do IFSC mapeia necessidades das indústrias na redução de impactos ambientais

PESQUISA Data de Publicação: 18 set 2019 15:24 Data de Atualização: 18 set 2019 15:42
Projeto do IFSC mapeia necessidades das indústrias na redução de impactos ambientais
Pesquisa identificou principais necessidades das empresas | Foto: Paulo Vitor Monteiro

Um projeto de pesquisa desenvolvido no Câmpus Criciúma do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) analisou os impactos ambientais gerados pelos principais setores da indústria da região e as demandas que as próprias empresas identificaram para solucionar estes impactos. A ideia é que o resultado da pesquisa sirva como ponto de partida para que futuras pesquisas aplicadas sejam feitas a partir das demandas identificadas.

O projeto “Principais Setores Industriais de Criciúma (SC): Impactos e Soluções Ambientais” foi coordenado pela professora de Biologia, Erica Mastella Benincá, com a participação do bolsista Luís Fernando Silvestre, estudante do curso de Engenharia Mecatrônica.

Utilizando o Portal Sebrae e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) como norte para a pesquisa, foram identificadas as indústrias de vestuário, tintas e cerâmica como as maiores produtoras de resíduos prejudiciais ao meio ambiente. Uma visita a nove empresas, três de cada setor, demonstrou que elas estão adequadas à legislação ambiental para reduzir impactos, mas não avançam para outras medidas.

“Muitas destas empresas apenas fazem estas ações para se adequarem à lei, como o tratamento de efluentes, então não há uma eficácia comprovada de que isso esteja ajudando o contexto de geração de resíduos. Eles só são descartados de acordo com a norma, ficam no aterro e lá não sabemos como é tratado”, diz Luís Fernando.

De acordo com o levantamento, a maior demanda por parte das empresas na área ambiental é a automatização dos processos de tratamento de efluentes, que exigem um certo investimento econômico. “Além da automatização das estações de tratamento, outra tecnologia solicitada seria na parte do vestuário, em que as empresas geralmente pegam os retalhos de tecidos e ateiam fogo em locais isolados ou vendem para terceiros. Uma solução para isso seria uma máquina que pudesse moer a fibra até um nível granulométrico muito pequeno, para que se pudesse produzir estofas para estofados de sofá e brinquedo”, comenta o aluno.

Apesar da demanda por novas tecnologias, a burocracia e a falta de tecnologias e pesquisas economicamente viáveis são alguns dos problemas apontados para as empresas para não avançarem na redução dos impactos ambientais.

“Todas as empresas visitadas apresentaram medidas mitigatórias. Um fator muito pontuado pelos setores é a complexidade do processo burocrático, que envolve a adequação às normas ambientais mínimas exigidas. Além disso, a falta de tecnologias e pesquisas economicamente viáveis que permitam às empresas investirem um pequeno capital também foi enfatizada”, diz a pesquisa.

Para a professora Érica, os resultados da pesquisa podem ser importantes não apenas para os alunos, que terão noção de como os principais setores industriais impactam o meio ambiente, como para pesquisadores, que terão uma visão das demandas do setor, e também para empresas, que podem buscar alternativas. “As empresas, ao terem acesso aos resultados da pesquisa, passam a conhecer alternativas para solucionar problemas existentes em sua área, às vezes saídas simples que além de reduzir o impacto ambiental, podem ainda gerar ganho econômico”, explica.

A partir das demandas, as diferentes áreas do Câmpus podem pensar em projetos de pesquisas e inovações que atendam as necessidades do setor produtivo. O projeto também buscou estreitar as relações entre o IFSC e a sociedade, possibilitando futuros projetos de extensão, oficinas e eventos idealizados para atender as demandas regionais.

O projeto foi apresentado na oitava edição do Seminário de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação do IFSC (Sepei), realizando entre 30 de julho e 1º de agosto em Chapecó.

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