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Desafios nos negócios: como egressos do Câmpus Xanxerê lidam com a pandemia?

CÂMPUS XANXERÊ Data de Publicação: 28 out 2020 14:30 Data de Atualização: 04 jan 2021 12:08

A pandemia do novo coronavírus deixou a vida de muita gente de “cabeça para baixo”. Alguns perderam o emprego, outros sentiram as vendas despencarem e ainda têm aqueles que de uma hora para outra se viram “presos” dentro de casa. Essa mudança brusca de comportamento trouxe diversos desafios, ainda mais para quem está se formando e saindo para o mercado de trabalho. Em meio a esse cenário, egressos do IFSC Câmpus Xanxerê vivem novas experiências. Conversamos com alguns profissionais formados em diferentes cursos da instituição para entender como estão lidando com os problemas e se posicionando diante da crise.

A coragem de empreender

Janete Rossi, 39, começou a empreender este ano, durante a pandemia. Estava muito tempo “parada” em casa, até que um dia sua mãe comprou ingredientes e a incentivou a fazer doce de leite para vender. O empurrãozinho deu certo. De lá pra cá se passaram quatro meses e ela nunca imaginou que venderia tanto. “Foi uma coisa que a gente não esperava e deu uma organizada geral na vida de todo mundo da família”, comemora.

Janete aprendeu a técnica para produzir o doce de leite artesanal no curso do Programa Mulheres Sim, realizado no ano passado em uma parceria entre o IFSC Câmpus Xanxerê e a Rede Feminina de Combate ao Câncer da cidade. Atualmente cursa na instituição a especialização em Ciência e Tecnologia de Alimentos com ênfase em Alimentos Funcionais. “Eu tenho orientação de professores do Instituto Federal e eu, como microempreendedora, busco muita coisa no Sebrae também”, conta.

Ela adaptou um espaço na própria casa para produzir os doces, comprou alguns equipamentos e abriu um MEI. Faz divulgações nas redes sociais e por “boca a boca”. Está se dedicando em tempo integral para essa atividade. Acredita que é preciso perceber as necessidades dos clientes e persistir. “No meu caso a gente vai de porta em porta, não pode ter vergonha, não pode ter medo, a gente tem que buscar cada vez mais fazer melhor e inovar dentro daquilo que já faz”, aconselha. 

Confeiteiro de profissão

Marcos Felipe Gronenschild, de 21 anos, também acredita que o segredo está em entender as necessidades dos clientes. “Eu via que começava a sair aqueles copos da felicidade, então era o que eu fazia naquele momento, é o que as pessoas gostam, elas querem comprar aquilo que está saindo, que está na moda, então tudo que eu fazia era coisa que eu via que tava começando agora e o povo não conhecia”, relata. 

Egresso do curso de Confeitaria do IFSC Câmpus Xanxerê, nunca imaginou que um dia levaria a sério como profissão. Em 2016, ele fez o curso para aprendizado próprio, com a intenção de fazer doces em casa para a família. Mas tudo mudou com a pandemia, quando se viu desempregado, então a saída foi empreender.

No começo, divulgava os bolos que fazia no perfil do seu instagram pessoal. Aí as vendas aumentaram e ele criou uma página própria do seu negócio na rede social. Também adaptou um espaço da sua casa e comprou equipamentos novos. Hoje trabalha por encomendas. 

No entanto, Marcos lembra que não é fácil empreender. “As pessoas acabam tendo receio de comprar alguma coisa de alguém que não é tão conhecido e ser ruim”, afirma. Por isso, fazia alguns produtos em versão menor para oferecer como degustação. Segundo ele, isso também ajudou a ganhar clientes. 

Estudar para poder se reinventar

“A pandemia veio para mostrar que se eu estava fazendo de uma maneira e aí de repente parou tudo e eu não consigo mais fazer desse jeito, existem outros caminhos, outras maneiras de se fazer”, diz Eliana Moreira, de 46 anos, que trabalha como autônoma. Segunda ela, encontrou um nicho de mercado que cresceu muito durante esse período: o da alimentação saudável.

Eliana presta consultorias, orienta desde a escolha dos alimentos até o seu preparo. Sua experiência mostra que, com as pessoas tendo que preparar as refeições em casa, surgem mais preocupações e dúvidas em relação a isso. A consultora aproveitou o momento e se reinventou, hoje também atende on-line. “Além de fazer algo que eu gosto, ajudo as pessoas”, afirma.

Ela cursou o técnico em Agroindústria no IFSC Câmpus Xanxerê e diz que foi importante para se capacitar e agregar conhecimento à sua atividade. “A partir do momento que você estudar, pesquisar e querer fazer bem feito você consegue se reinventar", relata.

Confeiteira para restrições alimentares

Adriana Gasparetto, 35, trabalha com confeitaria há seis anos. Mas nos últimos meses viu o movimento cair e aí o jeito também foi buscar se reinventar. Fez um novo cardápio com foco em pessoas que têm restrições alimentares, por exemplo, com intolerância à glúten, à lactose, alergia à proteína do leite, etc. Ela percebeu a dificuldade que essas pessoas tinham em encontrar alimentação pronta e aproveitou para se dedicar nisso.

Egressa do curso técnico em Agroindústria do IFSC Câmpus Xanxerê em 2012, conta que já gostava de cozinhar, mas viu na formação uma oportunidade de estar se especializando em técnicas que contribuíram para abrir o seu negócio. 

Para a empreendedora, as pessoas que estão passando por dificuldades neste período pandêmico precisam se capacitar para se reinventar. “Não deixar de pesquisar, estudar e se manter informado com o que precisa para evoluir nessa questão do mercado de trabalho”, aconselha.

Explosão de vendas

Durante a pandemia, Giovanna Nunes Pereira, 19, também viu os seus planos mudarem. Estava fazendo graduação em medicina, mas precisou voltar para sua cidade, São Domingos. A mãe dela, que é professora, já era conhecida pelas habilidades que tem com a confeitaria e, com a filha em casa, sugeriu que empreendessem juntas. E ela aceitou: “A partir da pandemia, o negócio explodiu, a gente tem feito bastante coisa, bastante encomendas, temos trabalhado bastante”, conta.

Giovanna se formou no curso técnico em Alimentos do IFSC Câmpus Xanxerê no ano passado e isso lhe deu conhecimentos que hoje procura passar para a mãe. “O que eu aprendi no IFSC, no curso técnico, eu repassei para minha mãe, para a gente poder empreender, na questão de boas práticas, de manipulação também, a gente redobrou os cuidados”, assegura. 

“Nessa crise que a gente vive, a gente tem que se reinventar. Às vezes o desânimo vem, mas a gente tem que ser forte e batalhar por aquilo que quer, não podemos desistir dos nossos sonhos por conta de um momento difícil”, afirma.

 

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