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Projeto do Câmpus Criciúma propõe diretrizes para reaproveitamento de estufas de fumo

PESQUISA Data de Publicação: 07 dez 2021 18:33 Data de Atualização: 23 dez 2021 10:55

No trajeto para chegar ao IFSC, passando pela estrada entre Morro da Fumaça e Criciúma, o arquiteto e professor Fabrício Rocha da Silva observava um número considerável de edificações características da região: as estufas para secagem de fumo. Muitas delas já abandonadas ou utilizadas para outros fins. Uma delas, notou o professor, havia sido transformada em uma sorveteria. Foi assim que surgiu a ideia: e se existissem parâmetros arquitetônicos para que essas estruturas fossem reaproveitadas para fins residenciais, de forma segura e funcional?

Em fase de conclusão, o projeto de pesquisa “Diretrizes de (re)adequação de estufas de fumo para fins residenciais” fez um levantamento da legislação e da literatura existentes sobre a readequação dos equipamentos, buscou conhecer exemplos de estufas de fumo usadas para outros fins, projetou uma residência a partir de uma estufa de fumo e propôs diretrizes para que as estufas sejam reformadas de acordo com os padrões arquitetônicos e com a legislação vigente. O projeto é coordenado pelos arquitetos Fabrício Rocha da Silva e Lee Oliveira, professores da área de Construção Civil do IFSC, com a participação dos estudantes Matheus Batista e Eduardo Palhano, do curso técnico em Edificações, e Marcele Neutzling, da Engenharia Civil.

Na pesquisa, professores e estudantes concluíram que em geral as estufas de fumo são abandonadas ou subutilizadas quando os agricultores familiares deixam de trabalhar com a fumicultura. É muito comum ver as antigas estufas de fumo, que têm aquele formato tradicional, com uma área quadrada ou retangular e um pé direito alto, acabem se transformando num depósito de materiais e equipamentos da propriedade rural. Muitas vezes, elas também ficam abandonadas ou parcialmente destruídas. Daí surgiu o interesse em propor a reutilização destas estruturas tão presentes na paisagem da região.


Plantas de uma estufa de fumo adaptada para fins residenciais

“O que a gente observou é que grande parte dessas estufas ficam ociosas. Então, são dois destinos: ou bota para o chão ou eles acabam dando, a grosso modo, predominantemente um uso agrícola, as estufas viram depósitos”, explica Fabrício. “Além de as estufas muitas vezes ficarem ociosas, em função do desinteresse do produtor em continuar produzindo fumo, há também o aspecto cultural de reaproveitar estas estruturas. Então procuramos fazer este link, reaproveitando estufas desativas e projetando residências pequenas que atendam ao Código de Obras e toda a parte de legislação”, conclui.

Procurando nas estradas e também na internet, os autores encontraram alguns exemplos de estufas de fumo que ganharam usos inovadores, como a sorveteria na estrada para Morro da Fumaça e um espaço de festas encontrado em uma propriedade rural familiar. Há também uma estufa de fumo que foi transformada em capela no bairro Verdinho, em Criciúma, um hostel em Gravatal que fez de uma estufa de fumo a recepção e uma pousada no norte catarinense que tem como uma de suas hospedagens uma estufa repaginada.


Maquete eletrônica da estufa

Como resultados, o projeto vai trazer algumas questões arquitetônicas, como a instalação dos dormitórios na parte superior, como mezanino, bem como a necessidade de que a escada fique do lado de fora da edificação e que janelas e portas não fiquem alinhadas verticalmente, por razões estruturais. Sobre a questão da possível presença, nas paredes internas, de toxinas provenientes da cultura do fumo, o projeto concluiu que uma limpeza das paredes garante a segurança das pessoas. O projeto também produziu uma planta residencial e uma maquete eletrônica.

“O que vai ficar de mais interessante neste projeto, para além das diretrizes, é mostrar que as estufas hoje subutilizadas podem ter uma cara de casa, abrindo um leque para questões de turismo rural e outros fins. Esperamos suscitar nos agricultores esse olhar de que é possível transformar e reutilizar essas estruturas”, destaca o professor.

CÂMPUS CRICIÚMA PESQUISA

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