BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 19 mai 2026 14:32 Data de Atualização: 19 mai 2026 14:46
Neste semestre, 12 estudantes do Câmpus Florianópolis estão participando do nosso programa de intercâmbio, o Propicie. No post de hoje, trazemos os relatos de três deles que estão realizando projetos de pesquisa no Instituto Politécnico de Beja: o Caio de Macedo Schweitzer, do curso de Engenharia Mecatrônica; o João Victor Rochinski Vieira, do curso superior de tecnologia em Gestão da Tecnologia da Informação; e a Maria Flor Melo Maia, do curso técnico Integrado em Química. O Caio e o João, inclusive, estão atuando no mesmo projeto de pesquisa.
Vejam abaixo como está sendo a experiência para eles:
Relato do Caio de Macedo Schweitzer - Projeto: Reconhecedor de Instabilidade Corporal em Atividades Humanas
A oportunidade de realizar um intercâmbio em Portugal foi aguardada com grande expectativa desde a divulgação dos resultados do programa Propicie 2025. Mais do que a vivência internacional, havia o interesse em expandir minha formação acadêmica por meio do contato com novos contextos, desafios e abordagens de pesquisa. Embora essa expectativa viesse acompanhada de certo receio, ela também contribuiu para uma preparação mais consciente diante das mudanças que viriam.
Na semana seguinte à minha chegada, ocorreu a primeira reunião presencial com o professor Luís Bruno, da área de Engenharia Informática, e com a professora Patrícia Santos, da área de Terapia Ocupacional. O projeto desenvolvido tem como objetivo a criação de um sistema capaz de coletar dados a partir de cinco sensores inerciais posicionados nos membros inferiores do corpo, com a finalidade de analisar a instabilidade corporal. A partir desses dados, busca-se classificar pacientes com doença de Parkinson em diferentes grupos, de acordo com sua probabilidade de queda.
O desenvolvimento do projeto tem avançado de forma consistente, em grande parte devido à complementaridade de conhecimentos entre mim e meu colega de equipe. Essa sinergia permitiu não apenas um progresso mais ágil, mas também a exploração de soluções com maior profundidade técnica. Atualmente, já estão sendo realizadas coletas de dados experimentais, que posteriormente serão utilizados na aplicação de modelos estatísticos e/ou de aprendizado de máquina para análise e classificação dos padrões observados.
Entre os principais desafios enfrentados até o momento, destaca-se o custo de vida em Portugal. De modo geral, os preços de itens de mercado apresentam valores próximos aos do Brasil quando considerada a conversão direta, com algumas exceções. No entanto, os custos relacionados à moradia são significativamente mais elevados. No Instituto Politécnico de Beja (IPBeja), por exemplo, a moradia estudantil oferece quartos compartilhados por 160 euros mensais para estudantes locais, enquanto estudantes estrangeiros pagam cerca de 195 euros. A questão da habitação, inclusive, tem sido um tema de grande relevância no contexto nacional, tendo figurado como uma das principais pautas das eleições portuguesas de 2025.
Além das atividades acadêmicas, o intercâmbio também proporcionou experiências culturais relevantes. Tive a oportunidade de visitar diferentes cidades, incluindo Lisboa, Évora e Portimão, além de realizar uma viagem a Paris. Essas experiências contribuíram para uma compreensão mais ampla do contexto europeu, enriquecendo não apenas minha formação acadêmica, mas também minha vivência pessoal.
Nesta etapa final do intercâmbio, meu foco está na consolidação dos resultados do projeto, buscando garantir uma entrega consistente e de qualidade. Paralelamente, procuro aproveitar ao máximo as oportunidades proporcionadas pela experiência no IPBeja e em Portugal como um todo. De forma geral, o intercâmbio tem se mostrado uma experiência extremamente enriquecedora, tanto do ponto de vista acadêmico quanto pessoal, contribuindo significativamente para o meu desenvolvimento e para a ampliação de perspectivas futuras.
Relato de João Victor Rochinski Vieira | Projeto Reconhecedor de Instabilidade Corporal em Atividades Humanas
A preparação para o intercâmbio começou desde do momento que acreditei que seria possível! Portanto, assim que fui aprovado, me dediquei com muito afinco a planejar e organizar a viagem desde o financeiro ao logístico. Tive que abrir mão de coisas muito importantes pra mim no Brasil e tomar esse tipo de decisão nunca é fácil, mas tive o apoio de minha família, amigos e professores do IFSC para fazer dar certo!
Para mim, a adaptação foi bem tranquila pois Portugal é muito parecido com o que estava acostumado em Santa Catarina. Lembro da fala do meu orientador do IFSC que descreve bem a sensação: “As cidades em Portugal são como uma Florianópolis ‘estricnada’!”. E de fato são! Andando pelas ruas de Lisboa me sinto como se estivesse em casa. E Beja, que é a cidade onde estou fazendo o projeto, lembra as cidades pequenas do interior do estado.
Me surpreendi como as pessoas são respeitosas no trânsito aqui. Os carros sempre param na faixa de pedestre assim como deve ser. Também me surpreende que a água potável se pega da torneira da pia. Portanto, não é comum ver bebedouros por aqui. Inclusive não tem nenhum aqui no IPBeja. Se quero tomar água, ou eu pego da pia (que apesar de ser potável tem um gosto muito ruim) ou compro galão no mercado mesmo.
Minha integração tem sido muito boa! Os portugueses foram muito gentis e colaborativos comigo. Tanto nossos orientadores do projeto quanto os colegas que fazemos pela faculdade. Aqui comecei a participar dos treinos do time de vôlei do IPBeja e isso ajudou mais ainda na minha integração com os locais. A integração com meus colegas brasileiros do IFSC começou desde antes da viagem com muita parceria que só se intensificou do lado de cá! Estamos sempre juntos apoiando uns aos outros, fazendo viagens, estudando e até criamos um ritual de nos reunir e fazer uma janta especial todo sábado.
Eu tenho gostado muito da facilidade de conhecer novos lugares, outras culturas e da rotina pacata que tenho aqui em Beja. Já tive a oportunidade de conhecer algumas cidades por Portugal e também algumas fora como Paris, Madrid e Roma. Todas elas com a companhia de colegas do IFSC que vieram fazer intercâmbio aqui em Portugal. Tudo isso colabora para o meu crescimento sociocultural além do trabalho de pesquisa que realizo aqui.
Estou muito feliz em compartilhar o avanço do nosso sistema de análise de dados voltado para o auxílio no diagnóstico da doença de Parkinson, focado na análise da instabilidade corporal dos pacientes. Juntamente com o Caio — meu grande amigo e parceiro de projeto — desenvolvemos um software capaz de gerenciar, coletar e processar dados provenientes de sensores inerciais. Nosso progresso tem sido consistente, impulsionado pela complementaridade de conhecimentos entre nós. Essa sinergia nos permitiu avançar de forma ágil e explorar soluções com alta profundidade técnica. É muito gratificante ver esse esforço validado pelo feedback bastante positivo que temos recebido dos nossos orientadores aqui no IPBeja! Atualmente, já iniciamos as coletas de dados experimentais.
Nossos próximos passos envolvem expandir essa coleta para pacientes com e sem Parkinson, construindo uma amostra significativa. Com essa base consolidada,
aplicaremos modelos estatísticos e de Machine Learning para analisar os padrões de movimento, classificar dados e extrair insights valiosos para a área da saúde.
-> Intercâmbio: Ouça a entrevista do João para o podcast IFSC em Pauta
Relato de Maria Flor Melo Maia - Projeto: Ares de Beja
Cheguei na cidade no dia 03/03, e de lá para cá tantas coisas aconteceram que parece que estou a bem mais tempo por aqui! A cidade é pequena, mas muito charmosa! Minhas colegas portuguesas de apartamento são muito fofas e queridas, elas cursam enfermagem no IPBeja e estão no último período.
Tenho gostado muito do IPBeja, é uma instituição com uma infraestrutura muito boa! A biblioteca é incrível, o refeitório é bom e com comidas boas (tem uma brasileira que trabalha no refeitório, e tenho certeza que as melhores comidas é ela quem faz, haha), os laboratórios são equipados e é um campus relativamente grande, com vários prédios, corredores e salas.
Meu projeto é coordenado pela professora Flávia Matias, que dá aula na Escola Superior Agrária, no prédio onde geralmente fico. Meu projeto tem como objetivo investigar os poluentes atmosféricos presentes no ar de Beja e fazer um controle dos mesmos. No momento, estamos começando a trabalhar com uma metodologia nova: no começo do mês de março, foi instalado um aparelho que capta o material particulado do ar (como fuligem, areia, pólen), e armazena-o em um filtro. Então nós conseguimos retirar esses filtros e por meio de análises, químicas e instrumentais, descobrir quais os componentes que foram captados do ar.
Estando aqui há um mês e pouquinho, percebo o tanto de coisas que eu já aprendi! Não apenas na pesquisa que estou fazendo, mas no dia a dia mesmo! A gente aprende a se virar, a fazer e resolver o que é preciso, na cara e na coragem (e muitas vezes com um google,rsrs)! E o mais interessante é o sentimento contrastante entre o novo e o diferente: são muitas coisas novas e isso nos anima! Queremos ir, fazer, conhecer, ver, experimentar.... Mas ao mesmo tempo, é tudo tão diferente, e você precisa se adaptar a tudo: casa, alimentação, rotina, pessoas, fuso-horário... tudo diferente! Então, uma hora você está super alegre fazendo compras no mercado, e na outra você sente falta do conforto e segurança do seu lar. Mas está tudo bem! Isso faz parte de crescer e de realizar seus sonhos; a mudança é inevitável. E não apenas o nosso redor muda, mas nós mudamos também; agora é a gente com a gente mesmo, e isso proporciona um autoconhecimento muito especial!
Tivemos uma semana de feriado na Páscoa, então junto com um grupo de amigos consegui dar uma boa volta por Lisboa, Porto e cidades próximas. Conhecer tantos lugares faz a gente se sentir pequenininho perante a grandeza desse mundo e da quantidade de pessoas que existem!
Para finalizar, quero contar que passei meu aniversário de 18 anos aqui em Beja, e esse dia foi quando realmente me dei conta de tudo que estou vivendo! Estou realizando o meu sonho de fazer um intercâmbio, e na Europa! Estou tirando do papel algo que quero desde pequena. Não está sendo exatamente como eu imaginei, mas está sendo exatamente como eu preciso que seja. Foi difícil passar uma data tão feliz longe da minha família, mas eu encontrei felicidade no novo, pois todo o esforço e sacrifício vale a pena. Comemorei meu aniversário com pessoas e em um lugar onde nunca imaginaria estar 1 ano antes... isso é a prova de que a vida é mesmo imprevisível, e de certa forma, é isso que a torna mágica. Aonde mais será que a vida me levará, e até onde será que eu consigo ir?
-> Intercâmbio: Ouça a entrevista da Maria Flor para o podcast IFSC em Pauta
Intercâmbio no IFSC
Para mais informações sobre intercâmbio no IFSC, acesse a página de intercâmbio estudantil.