Intercâmbio na Alemanha desafia estudante a construir bases para pesquisa em energia

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 14 jul 2026 10:30 Data de Atualização: 14 jul 2026 10:30

Rhian Eric Cabral Branco é estudante do curso de Engenharia Mecatrônica do Câmpus Florianópolis do IFSC e passou três meses participando de uma pesquisa na Technische Hochschule Ingolstadt (THI), na Alemanha, pelo nosso programa de intercâmbio, o Propicie. Ele atuou no projeto “Development of Energy Management Systems for Supermarkets with Large-Scale EV Charging Stations”.

Leia seu relato abaixo sobre os últimos dias desta experiência:

Ao longo do meu intercâmbio, participei de um projeto de pesquisa desenvolvido em ciclos de continuidade, no qual cada estudante era responsável por avançar uma etapa do trabalho antes de passá-lo ao próximo participante. Como fui o primeiro aluno do projeto, minha principal responsabilidade foi realizar os estudos iniciais e estabelecer uma base sólida para o desenvolvimento futuro da pesquisa. O objetivo geral do projeto era contribuir para a construção de um simulador relacionado ao comportamento térmico de diferentes setores de um supermercado, integrado a uma iniciativa maior de monitoramento energético. Durante meu período de mobilidade, concentrei meus esforços principalmente na pesquisa bibliográfica, no levantamento de requisitos técnicos e na elaboração dos primeiros modelos conceituais que serviriam de referência para as
próximas etapas do projeto.

Grande parte do trabalho consistiu na análise de artigos científicos, documentos técnicos e legislações aplicáveis na Alemanha. Ao longo desse processo, desenvolvi uma metodologia própria de pesquisa, na qual utilizava a literatura científica como ponto de partida para identificar normas, exigências técnicas e parâmetros relevantes para a modelagem do sistema. A partir dessas informações, foi possível construir um conjunto de referências e diretrizes que orientaram o desenvolvimento inicial do projeto. Também realizei testes preliminares em Python para validar algumas ideias e acompanhei as discussões iniciais relacionadas à futura implementação do simulador em MATLAB/Simulink. 

Embora o projeto não tenha sido concluído durante meu período na instituição, esse resultado já era esperado, pois a proposta previa que cada estudante contribuísse com uma etapa específica. Considero que uma das minhas principais contribuições foi a organização e documentação das informações levantadas, permitindo que os próximos participantes tenham uma base consistente para dar continuidade ao trabalho.

A instituição me surpreendeu positivamente desde os primeiros dias. Sempre encontrei apoio dos diferentes setores da universidade e tive uma supervisora extremamente atenciosa, que não apenas orientava o desenvolvimento da pesquisa, mas também oferecia apoio em relação à adaptação à vida na Alemanha. Ao mesmo tempo, a dinâmica de trabalho era diferente do que eu imaginava. Eu esperava uma rotina mais presencial e integrada a uma equipe, mas grande parte das atividades era realizada de forma independente. Essa autonomia exigiu disciplina, organização e a capacidade de buscar soluções por conta própria. Também me ajudou a desenvolver uma comunicação mais clara e objetiva, especialmente nos momentos em que precisava apresentar resultados, explicar dificuldades encontradas ou solicitar orientações específicas.

Além dos aprendizados acadêmicos, o intercâmbio teve um impacto no meu desenvolvimento pessoal. Viver em outro país, comunicar-me em uma língua estrangeira e lidar com desafios cotidianos fora da minha zona de conforto contribuíram para que eu me tornasse mais independente e confiante. Tive a oportunidade de conhecer pessoas de diferentes nacionalidades, aprender sobre outras culturas e ampliar minha visão de
mundo. Minhas expectativas foram atendidas apenas parcialmente: a experiência internacional correspondeu plenamente ao que eu imaginava, enquanto a dinâmica do projeto foi diferente do esperado. Ainda assim, considero que essa diferença também trouxe aprendizados importantes e me permitiu desenvolver competências que dificilmente seriam adquiridas em um ambiente mais tradicional.

Como recomendação aos futuros participantes, sugiro que aproveitem a experiência para além das atividades acadêmicas. Conhecer a região onde se está vivendo, explorar cidades e países vizinhos e interagir com pessoas de diferentes culturas faz parte do aprendizado proporcionado pelo intercâmbio. Também recomendo que não tenham receio de cometer erros ao se comunicar em outro idioma ou de enfrentar situações desconhecidas, pois são justamente esses desafios que tornam a experiência tão enriquecedora. Para aqueles que participarem de projetos semelhantes ao meu, acredito que desenvolver uma rotina própria de trabalho e aproveitar a flexibilidade oferecida pela instituição pode contribuir significativamente para o sucesso da experiência.

Ouça a entrevista do Rhian para o podcast IFSC em Pauta:

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