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Curso de licenciatura promove estágios integrados e supervisionados para formação dos estudantes

ENSINO Data de Publicação: 20 nov 2018 17:21 Data de Atualização: 24 nov 2018 01:39

O estágio é um momento importante para formação profissional e, para futuros professores, não é diferente. Por isso, os estudantes do curso de licenciatura em Química do Câmpus São José passam não por um, mas por quatro estágios supervisionados e integrados. Eles foram criados pela reforma curricular de 2015, que mudou também o nome do curso, antes chamado "Ciências da Natureza com habilitação em Química".

Os estágios supervisionados começam a partir da sexta fase da licenciatura em Química (são nove fases no total). No primeiro, chamado Estágio Supervisionado I, os estudantes visitam, em grupo, espaços formais e não formais (que não promovem elevação de escolaridade) de educação, com supervisão de um professor da área pedagógica. É um momento de observar possibilidade de atuação depois de formados e de entender mais sobre a pesquisa em educação.

Mesmo nas visitas a espaços formais, a busca é por locais onde os estudantes do IFSC podem conhecer realidades diferentes da de uma escola comum. “A intenção é ampliar o leque de possibilidades da inserção profissional deles no futuro”, explica a professora Paula Alves de Aguiar.

A turma mais avançada do curso, atualmente na oitava fase, fez várias visitas Estágio Supervisionado I. Entre elas, a um curso de educação de jovens e adultos (EJA) prisional na penitenciária de Florianópolis. Assistiram também a uma palestra sobre a EJA prisional na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), onde conheceram ações de um projeto de extensão da universidade que trata da educação no sistema prisional e conversaram com uma ex-aluna do IFSC que atua no ramo. “Foi bom para conhecer outros ambientes nos quais podemos trabalhar”, comenta Fernando Elias Guckert, estudante da licenciatura em Química.

Outras visitas foram a um curso pré-vestibular comunitário e ao curso técnico integrado em Química do Câmpus Florianópolis (ensino formal). No início do semestre seguinte, visitaram também a escola municipal Visconde de Taunay, em Blumenau, que atua com a metodologia dos projetos criativos ecoformadores (PCEs), também adotada no curso de São José.

Supervisão e orientação

Nos estágios II, III e IV, os estudantes são orientados por um professor da área pedagógica e outro da de química. A partir do Estágio Supervisionado II, na sétima fase, os alunos começam a desenvolver atividades individualmente, interagindo com a instituição que visitam, sempre com o apoio dos professores orientadores do IFSC e do professor supervisor da escola campo de estágio. Também começam a trabalhar na definição do tema de seu trabalho de conclusão de curso (TCC) e a preparar os projetos de intervenção e os materiais didáticos que serão usados no Estágio Supervisionado III, o que mostra o caráter processual e integrados dos estágios.

“Eles observam a escola e a turma onde vão fazer regência no terceiro estágio, além de conhecer o professor que vai ser o supervisor deles na escola. E eles constroem o projeto do terceiro estágio a partir da observação. Não é algo que levam pronto do IFSC”, conta a professora Franciele Drews de Souza.

Foi no segundo estágio que a estudante Denise Gomes da Silva Costa desenvolveu, para trabalhar junto com turmas da escola estadual Francisco Tolentino, no Centro Histórico de São José, composteiras produzidas com material reciclável (garrafas de água mineral de cinco litros). Por meio delas, os alunos do ensino médio puderam observar a decomposição de matéria orgânica e a formação do húmus.

No Estágio Supervisionado III, na oitava fase, os alunos da licenciatura têm dois meses de atividade de regência, ministrando aulas (16 no total) para turmas de ensino médio, desenvolvendo os projetos de intervenção e usando o material didático elaborado no segundo estágio. As aulas de regência são acompanhadas por professores orientadores do IFSC e por professor supervisor da escola onde os estudantes fazem estágio. O supervisor fornece aos docentes do IFSC e aos próprios alunos um retorno sobre como foi o desempenho dos estagiários.

“O planejamento das regências elaborado no projeto é revisto a cada aula a partir das orientações dos professores do IFSC e do professor supervisor, almejando que as aulas cada vez mais atinjam os objetivos propostos nos projetos e sejam significativas para os estudantes das escolas”, explica a professora Paula.

No final de setembro, três dos alunos da licenciatura do IFSC que fizeram estágio III na escola estadual Irmã Maria Teresa, em Palhoça, orientaram a organização de uma feira de ciências por estudantes do terceiro ano do ensino médio com trabalhos desenvolvidos durante as 16 aulas de regência. Foi uma forma dedifundir para a comunidade escolar os conhecimentos que construíram no decorrer do bimestre. Cada turma trabalhou com um tema diferente: “A química dos aromas”, “A química das drogas” e “Absorventes íntimos femininos e preservativos masculinos - impactos ambientais”.

Os estagiários do IFSC definiram os temas em conjunto com os alunos de cada turma e ajudaram-nos a elaborar os trabalhos, que incluíram jogos didáticos. O público da exposição foram outros alunos e professores do ensino médio da escola palhocense.

Para Aline Gonçalves, professora da Irmã Maria Teresa que foi supervisora local dos estágios, os estagiários de Química do IFSC, que ela recebe na escola desde 2015, sempre trazem novidades em termos de materiais e de métodos de ensino. Aline percebe que os estagiários foram melhorando seu desempenho didático à medida que se familiarizaram com o ambiente escolar. “Todos evoluíram, compreenderam e internalizaram o que passávamos. Aqui eles veem como é uma escola pública e aprendem a trabalhar com o que tem e com o que não tem de recursos. E para os nossos alunos, é instigante fazer coisas diferentes”, conta ela, que atua desde 2008 como professora e desde 2014 na escola Irmã Maria Teresa.

Registro das atividades

No decorrer das observações feitas no Estágio Supervisionado II, estudantes produzem relatos chamados “diários de campo”. No Estágio Supervisionado III, organizam também o que chamam de portfólio, no qual sistematizam as experiências que vivenciaram, incluindo resultados e depoimentos dos alunos do ensino médio que participaram das atividades. Além disso, a cada semestre, os estudantes apresentam as atividades que realizaram nos estágios durante o Seminário de Estágio.

No Estágio Supervisionado IV, o último do ciclo, os estudantes da licenciatura vão socializar suas experiências nos três estágios anteriores por meio de artigos. O verbo no futuro não é por acaso: nenhum dos alunos do curso já chegou ao estágio IV, pois a turma mais avançada desde a última mudança curricular hoje está na oitava e penúltima fase.

Nesses artigos, eles devem relatar as experiências nos estágios II e III, trazer análises e dados de pesquisas que realizaram. Há a possibilidade de esses textos serem publicados em um dossiê de uma revista científica. “A ideia é que o estágio não seja só para executar, mas que tenha momentos de reflexão sobre o que foi feito”, diz Franciele.

Além dos artigos, outra publicação que vai ser resultado dos estágios é um livro contando sobre as práticas dos estágios no curso de licenciatura em Química, que deve ser lançado até o fim do ano. O curso de licenciatura em Química possui desde 2016 o Grupo de Estudos em Identidade e Formação Docente (Grifo), que promove projetos de pesquisa e de extensão sobre estágios.

Importância do estágio

“O estágio é onde a identidade do professor vai se formar”, avalia a estudante Denise Costa. “Cada aluno é diferente e cada turma é diferente”, acrescenta a também aluna de licenciatura Mariana Schneider. Por isso, elas consideram que a prática ao longo do curso é importante para o licenciado.

Denise e Mariana estiveram, junto com outros colegas, no Encontro Nacional de Ensino de Química (Eneq), realizado em julho em Rio Branco, e lá conseguiram, pelos relatos dos outros participantes perceber como os estágios no curso do Câmpus São José comparam-se com os de outras instituições. “É como se o estágio aqui fosse a união de tudo de bom que falaram lá no Eneq”, elogia Denise. “Foram apresentadas como novidades coisas que já temos aqui há algum tempo”, fala Mariana.

Saiba mais na página do Guia de Cursos sobre o curso de licenciatura em Química do Câmpus São José.

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