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Projetos do Câmpus Florianópolis atuam junto a maricultores da Ilha

PESQUISA Data de Publicação: 10 fev 2020 14:22 Data de Atualização: 10 fev 2020 14:38
Projetos do Câmpus Florianópolis atuam junto a maricultores da Ilha

Dois projetos do Câmpus Florianópolis têm trabalhado a sustentabilidade e a segurança no cultivo de ostras e mariscos no Sul da Ilha de Santa Catarina. Um deles está sob a coordenação da professora Cláudia Lira, do curso de Química, do Departamento Acadêmico de Linguagem, Tecnologia, Educação e Ciência (Daltec). O outro é coordenado pelo professor Fernando José Fernandes Gonçalves, do Departamento Acadêmico de Metal Mecânica (DAMM), e engloba três iniciativas, envolvendo também o Departamento Acadêmico de Construção Civil (DACC) e o Departamento Acadêmico de Saúde e Serviços (DASS). Apesar de serem projetos sem ligação acadêmica, os dois acabam se complementando.

Na Química, a pesquisa envolve como utilizar o resíduo das 'cascas' das ostras como adubo ou em substituição a pedras como granito e mármore. O produtor e empresário Leonardo Cabral Costa conta que, por tradição, as conchas eram jogadas de volta ao mar. Com o tempo e o aumento na produção – atualmente, 98% da produção de ostras no Brasil é feita em Santa Catarina, as conchas começaram a formar uma “montanha” sob o mar, o que pode trazer sérios problemas ambientais. Já o também produtor e empresário David Freitas Carriconde lembra que até é possível colocar no lixo, mas isso não é a melhor opção. “A Comcap até recolhe, mas é inadequado, pois mistura com o lixo comum. Além disso, também gera um custo para a prefeitura, o peso desse resídio que ela paga para ir para o aterro sanitário”.

Mariana Dick, aluna de Química e bolsista do projeto, conta que a ideia era pesquisar usos que fossem rentáveis e pudessem evitar essa poluição ambiental. A primeira ideia foi a utilização como adubo natural para a agricultura ou jardinagem. “O objetivo é aproveitar a concha de ostra, que é rica em calcário, e utilizar para a correção de acidez do solo”, explica Sara Hernampérez Walter, também bolsista e estudante do curso técnico integrado em Química.

Outra alternativa é compactar as conchas para produzir placas que substituam rochas ornamentais como granito e mármore. “A gente já realizou testes de dureza e de absorção de água, para medir a resistência e obtivemos bons resultados. Mas é preciso ainda fazer mais testes de resistência mecânica para confirmar que esse resíduo é um bom substituto para essas rochas”, conta Mariana.

Isso tudo foi feito em 2019. Para 2020, a ideia é desenvolver um forno que utilize energia solar para baratear os custos da produção do material. “As conchas absorvem umidade e para a secagem a gente teria que gastar energia elétrica num forno, o que poderia tornar inviável o processamento”, diz a professora Cláudia Lira. “E também faremos um estudo de viabilidade econômica dos materiais que estamos produzindo tanto em relação ao volume do resíduo descartado quanto em relação ao preço que eles poderiam alcançar”, completa.

Leonardo Costa destaca que a iniciativa do IFSC fomenta a cadeia produtiva. “Primeiro, dando valor comercial a um produto que seria lixo. Segundo, é a profissionalização do setor”.



Segurança, Saúde e Sustentabilidade

E é exatamente na profissionalização do setor que entra o projeto " maricultura.ilh@ifsc.edu.br: Segurança, Saúde e Sustentabilidade”, coordenado pelo professor Fernando Gonçalves. Também iniciado em 2019, ele terá duração de 22 meses e a ideia é justamente qualificar a cadeia produtiva desde o monitoramento da qualidade da água e capacitação na área de Segurança no Trabalho até a criação do protótipo de um equipamento para triturar as conchas.

“A ideia é solucionar problemas do dia a dia dos maricultores. Desde questões de segurança do trabalho, processos, até a criação de equipamentos que possam ajudá-los na produção. É bem amplo”, explica Gonçalves. A iniciativa tem ainda o objetivo de contribuir com a cultura, economia, história, gastronomia, hospitalidade e conhecimento técnico e científico para o bem-estar de todos que estão envolvidos na cadeia produtiva da maricultura.

“Acho que só vem a somar essa parceria. O desafio é ver como montar as unidades de beneficiamento especialmente aqui no Ribeirão da Ilha, que é o maior produtor de ostras do Brasil. Além de melhorar economicamente, pois agregará o setor de beneficiamento dos resíduos, ainda tem essa parte social e ecológica”, ressalta David Carriconde.

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