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Professora do IFSC é coautora de artigos que destacam a importância da atividade física durante a pandemia

CÂMPUS PALHOÇA BILÍNGUE Data de Publicação: 02 jul 2020 00:38 Data de Atualização: 03 jul 2020 18:41

Enquanto uma vacina não é desenvolvida, ou surge um medicamento comprovadamente eficaz contra o novo coronavírus, o isolamento social tem sido usado por governos e sociedades mundo afora como estratégia de combate à pandemia da covid-19. Mesmo nessa situação em que o recomendado é permanecer em casa o máximo de tempo possível, não se deve deixar de praticar exercícios físicos. Essa recomendação é feita por profissionais da área de educação física, como a professora Carmem Cristina Beck, do Câmpus Palhoça Bilíngue, coautora de dois artigos sobre o tema publicados recentemente.

Um dos artigos foi publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia (“Atividade física e redução do comportamento sedentário durante a pandemia do coronavírus”) e aborda a importância dos exercícios para a saúde física e mental durante a pandemia. O outro, em inglês, foi publicado no International Journal of Cardiovascular Sciences (“Should physical activity be considered essential during the covid-19 pandemic?”) e, nele, os autores fazem uma defesa de que os exercícios físicos ao ar livre sejam considerados atividades essenciais durante a pandemia, como ocorreu em outros países. Os artigos são de autoria de Carmem com Cristiano Penas Seara Pitanga (Universidade Católica de Salvador, na Bahia) e Francisco José Gondim Pitanga (Universidade Federal da Bahia).

Nos artigos, os autores destacam que exercícios físicos trazem benefícios para os sistemas cardiovascular, metabólico e imunológico - este último, responsável pela defesa do corpo humano contra doenças. Também ajudam na melhoria da saúde mental - principalmente entre os idosos, de acordo com pesquisas -, auxiliando a combater estresse, ansiedade, depressão e síndrome de burnout.

Há evidências científicas também de que faz bem para a saúde reduzir o comportamento sedentário ou seja, “o tempo que permanecemos sentados, deitados ou reclinados durante o dia, excetuando-se as horas de sono”, como explicam os autores. O recomendado por eles é, no máximo, seis a oito horas de comportamento sedentário por dia, com duas a quatro horas em frente a telas (computador, televisão, entre outros) e fazer pausas no tempo sentado, de pelo menos, cinco minutos a cada hora para ficar em pé.

“Caso a pessoa trabalhe em frente ao computador, deve buscar fazer a maior quantidade de interrupções/pausas, ou seja: a cada hora sentado, ficar em pé por pelo menos 5 minutos”, ressalta Carmem.

Os autores sugerem que, assim como países como Alemanha, Austrália, França, Grécia, Portugal e Reino Unido, que reconheceram a prática de atividade física em ambientes abertos como essencial, qualquer determinação legal que venha a ser publicada por órgãos públicos no Brasil também a considere como atividade essencial, respeitadas as normas de segurança.

Cuidados

Os exercícios devem ser feitos, porém, seguindo alguns cuidados. Devem-se priorizar atividades aeróbicas feitas individualmente (esportes coletivos devem ser evitados) ou entre pessoas que moram juntas, evitando aglomerações ou mesmo pequenos grupos e respeitando o distanciamento social recomendado pelas autoridades da área da saúde.

Se os espaços públicos estiverem fechados, as atividades podem ser feitas em casa, preferencialmente com auxílio tecnologia, como vídeos com séries de exercícios, aplicativos e orientação profissional on-line. Para as atividades físicas em casa, os pesquisadores sugerem exercícios de fortalecimento muscular (como agachamentos, flexões e abdominais), alongamentos, exercícios de equilíbrio e subida e descida de escadas.

Os exercícios devem ser feitos sem exagero na duração e intensidade, o que pode levar a um efeito inverso do desejado: podem causar imunossupressão mais acentuada com necessidade de mais tempo para recuperação. Essa orientação vale também para quem já praticava algum esporte anteriormente (como corridas, por exemplo). “De acordo com a teoria da ‘janela aberta’, para esse período de pandemia não são recomendadas atividades físicas de alta intensidade e duração prolongada. Assim, as orientações são as mesmas: buscar realizar atividade física na intensidade/duração leve a moderada”, diz a professora do IFSC.

A teoria da “janela aberta” diz respeito à  depressão no sistema imunológico após um exercício extenuante, deixando o organismo mais suscetível a vírus e bactérias por um período de 3 a 72 horas, como relatam os autores dos artigos.

Tome nota:

- É importante manter as atividades físicas mesmo durante o isolamento social

- Devem ser priorizadas atividades aeróbicas individuais ou entre pessoas que moram juntas em espaços abertos, respeitando o distanciamento social

- Esportes coletivos devem ser evitados

- Em casa, o recomendado são exercícios de fortalecimento muscular, de equilíbrio, subida e descida de escadas e alongamentos.

-  Cada sessão de exercícios deve durar aproximadamente entre 30 a 60 minutos por dia numa intensidade de leve a moderada.

- Quem trabalha em frente ao computador deve fazer pausas de 5 minutos a cada hora para ficar em pé.

 
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