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Projeto do Câmpus Araranguá desenvolve equipamento para automatização do tingimento natural de tecidos

INOVAÇÃO Data de Publicação: 16 mar 2022 09:54 Data de Atualização: 17 mar 2022 10:53

O processo de tingimento natural de tecidos ainda é feito de forma bastante artesanal e intuitiva por artesãos e pequenos empreendedores. E foi observando panelas, resistências, controladores e demais equipamentos utilizados na fabricação de cerveja artesanal, durante um curso realizado em 2019, que Fernando Giacomini, doutor em Engenharia Química e professor do curso técnico em Têxtil do IFSC Câmpus Araranguá, teve uma ideia.

“Neste curso pude perceber certas semelhanças do processo de fabricação de cerveja com o processo de tingimento natural. Sempre tive essa vontade de montar um aparato que tornasse o processo de tingimento natural menos trabalhoso e mais controlável e, ao realizar este curso, tive a ideia de utilizar alguns recursos da cervejaria artesanal para a montagem de uma panela de tingimento automatizada”, relata o professor.

Foi dessa ideia que nasceu um projeto de pesquisa no Câmpus Araranguá. Com o título “Desenvolvimento do tingimento de algodão com corante natural em escala semi-industrial”, o projeto foi aprovado no edital de pesquisa universal 02/2020, da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Proppi) do IFSC. Coordenado por Fernando, o projeto teve colaboração do professor Ariel Teixeira, do curso técnico em Eletromecânica. As alunas Suyanne de Souza e Victoria Gabriel, ambas do curso técnico integrado em Vestuário, foram bolsistas do projeto, encerrado em dezembro do ano passado. Os resultados foram apresentados na décima edição do Simpósio de Integração Científica e Tecnológica do Sul Catarinense (SICT-Sul).

A arte de mexer

De acordo com o professor do IFSC, o tingimento natural de tecidos ainda é feito de forma bastante artesanal. “Assim como na antiguidade, atualmente o tingimento natural na maioria das vezes continua sendo realizado de forma artesanal, por meio da fervura de partes de plantas tintureiras e do tecido em tachos de metal, com agitação por pás de madeira. Um processo arcaico, sem controle de temperatura, agitação e pH, que são parâmetros importantes de serem controlados em qualquer processo de tingimento”, explica.

Por outro lado, o tingimento de artigos têxteis de forma industrial é realizado utilizando corantes sintéticos, prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, já que o processo exige o uso excessivo de água e de produtos químicos. Mais um motivo para automatizar e melhorar o processo de tingimento natural.

Tendo os equipamentos e o processo de fabricação de cerveja artesanal como ponto de partida, foi desenvolvido um protótipo dentro do Laboratório de Usinagem do curso técnico em Eletromecânica. A panela automatiza operações necessárias no tingimento natural, já que possui dispositivos que realizam automaticamente a agitação e o aquecimento de forma controlada, além de contar com um medidor de pH acoplado. As automatizações, controles e mensurações oferecidas pelo equipamento permitem obter artigos tintos com qualidade, padronizando os processos e também reduzindo custos.

A panela de tingimento desenvolvida no Câmpus Araranguá tem baixo custo. Os primeiros testes foram feitos no tingimento de tecidos de algodão com o corante extraído da casca de cebola. Os resultados foram animadores. “O equipamento desenvolvido se mostrou como uma solução tecnológica de tingimento natural eficiente e prática quando comparado à utilizada nos tingimentos artesanais. Também se mostrou de baixo custo se comparado com equipamentos industriais disponibilizados no mercado para o tingimento com corantes sintéticos”, afirma Fernando. 


Esquema de funcionamento da panela de tingimento | Foto: Reprodução

Próximos passos

A panela de tingimento seguirá em testes no Laboratório de Química Têxtil. Interessados podem marcar uma visita para conhecer o protótipo. Um novo projeto de pesquisa foi submetido a um edital, com o objetivo de realizar o tingimento de calças de sarja com corante natural, extraído da casca de cebola, utilizando a panela automatizada. 

Segundo o professor, um equipamento como esses pode beneficiar tintureiros, artesãos, pequenos empresários, além da própria comunidade que tenha interesse no processo de tingimento natural com mais praticidade e qualidade. 

“A panela de tingimento automatizada pode ser destinada a artesãos que já realizam o tingimento natural de forma artesanal em seus artigos produzidos e que gostariam de melhorar o processo de tingimento e torná-lo menos trabalhoso. Também, pode se destinar a artesãos que produzem peças, como tapetes, mas que não realizavam o tingimento natural devido à complexidade do processo artesanal, mas que com a panela automatizada podem passar a realizar o tingimento natural para agregar valor aos seus produtos”, conclui.

CÂMPUS ARARANGUÁ PESQUISA INOVAÇÃO

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