Intercâmbio em Portugal amplia horizontes de estudantes do Câmpus Garopaba

BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 26 mai 2026 09:40 Data de Atualização: 26 mai 2026 10:12

Maria Luiza Brum Miranda e Luah Magaton são as duas estudantes do Câmpus Garopaba que participam neste semestre do nosso programa de intercâmbio, o Propicie. No post de hoje, trazemos seus relatos sobre como está sendo realizar projetos de pesquisa no Instituto Politécnico de Beja em Portugal. A Maria faz o curso técnico concomitante em Biotecnologia. Já a Luah é aluna do curso técnico integrado em Administração. 

Leiam os relatos abaixo:

Relato de Luah Magaton - Projeto: Ares de Beja

Desde o início do meu intercâmbio tenho vivido experiências muito diferentes daquelas vividas no Brasil, principalmente por conta da cultura do país e da vida com estilo universitário, com mais tarefas e responsabilidades. A viagem de avião foi bem tranquila e a locomoção nos aeroportos também. Achei que seria mais difícil, pois eu nunca havia viajado de avião, muito menos sozinha. 

Cheguei na rodoviária de Beja - PT dia 08 de março (domingo) e depois pedi um Bolt para casa (Bolt é a concorrência do Uber, mais comum aqui em Portugal). A viagem de ônibus também foi boa, mas como estava há dois dias completamente sozinha, não consegui relaxar até chegar em casa. Apesar disso, cheguei em casa em segurança e bem acolhida pelas minhas amigas e colegas de apartamento.

Logo na segunda-feira (09/03) já fui conhecer o IPBeja, minha colega de projeto, Maria Flor, e a coordenadora do projeto que eu participo, Flávia Matias Oliveira. Conheci onde ficam todas as escolas, como a Escola Superior Agrária, a Escola Superior de Educação, a Escola Superior de Saúde, a Escola Superior de Tecnologia e Gestão, a Escola Superior de Saúde e a Escola Superior Agrária de Beja - ESAB que é onde a maior parte do nosso projeto se desenvolve. 

A participação no projeto Ares de Beja tem se mostrado uma oportunidade importante para aprender como realmente funciona um estágio na faculdade. Além disso, o contato com uma nova realidade educacional tem me permitido observar diferentes métodos de ensino, contribuindo para o desenvolvimento do meu olhar crítico sobre diferentes contextos educacionais.

Na terça-feira (10/03) fui me informar sobre o handebol, pois pratico no Brasil, e quero continuar treinando durante o período do intercâmbio. Descobri que no IPBeja eles ainda não estão tendo treinos, mas tem uma equipe chamada Zona Azul, que fica do outro lado da cidade, no Pavilhão de Santa Maria, e tem três treinos por semana de uma hora e meia cada. Na quinta-feira (12/03) fui ao meu primeiro treino no Zona Azul e desde então tenho treinado lá todas as semanas. Vou a pé da minha casa até lá (20 minutos de caminhada) e volto na Van do time, junto com o treinador e as outras atletas que também voltam com ele. Os treinos têm me ajudado muito a evoluir mais e criar melhor noção de jogo, principalmente por conta do nível técnico mais elevado das atletas, que inclusive me receberam super bem, ficaram bem curiosas por eu ser brasileira e são bem pacientes para me ensinar os treinos delas, que são diferentes dos nossos no Brasil.

Na minha primeira semana em Beja também aproveitei para conhecer um pouco da cidade, como o Castelo de Beja e o Jardim público. Além das atividades acadêmicas, também tive a oportunidade de conhecer outras cidades. Eu e meus amigos fizemos uma viagem de uma semana juntos por Portugal como nossa viagem principal do intercâmbio. Ficamos hospedados em Airbnb 's. Quatro dias em Lisboa e três dias no Porto. Conhecemos vários pontos turísticos e comemos muitas comidas gostosas! 

Minhas primeiras impressões culturais e curiosidades percebidas foram:

- As pessoas fumam muito aqui, tanto, que fora de vários estabelecimentos tem cinzeiros.
Até mesmo no IPBeja ao lado de fora de várias portas. Além disso, existem cigarros
eletrônicos diferentes dos que eu já vi no Brasil, usados até por muitos jovens.
- Para ajudar o meio ambiente, as sacolas nos supermercados e na maioria dos estabelecimentos não são de graça, é preciso pagar por elas. Por isso, a maioria das
pessoas levam suas próprias sacolas ou bolsas para fazer suas compras.
- Na mesma linha de cuidado com o meio ambiente, as tampas das garrafas plásticas não se abrem por completo, são acopladas ao lacre para não serem jogadas no chão.
- É muito mais comum ver carros “bons” e elétricos nas ruas, como BMW, Porsche, BYD...
- Os motoristas são muito respeitosos e sempre param na faixa de pedestres, até mesmo quando ainda não estamos nela, mas eles vem que vamos ir e daria tempo deles passarem, eles param.
- Diferente do Brasil, aqui é muito mais comum as pessoas saberem falar pelo menos o básico de inglês, pois eles recebem muitos estrangeiros no país.

Até o momento, o intercâmbio tem sido uma experiência extremamente enriquecedora, tanto no âmbito acadêmico quanto pessoal, têm sido fundamental para minha adaptação, crescimento pessoal, autonomia e confiança. Estou motivada a continuar aproveitando ao máximo essa oportunidade, buscando aprender cada vez mais e representar bem o IFSC durante toda a minha trajetória aqui!

Relato de Maria Luiza Brum Miranda - Projeto: Análise do consumo de água, da geração de dejetos e da emissão dos gases de efeito estufa na produção animal

A preparação para a viagem foi um pouco burocrática, mas simples! Os prazos eram curtos então exigiu uma boa programação. Sobre os desafios, acho que a viagem em si, sozinha, foi complicada! Estar perdida no enorme aeroporto de Guarulhos foi emocionante. Mas já aqui, tive muito suporte dos colegas e professores e sempre tirei minhas dúvidas, então tive tudo bem claro sempre. Claro que uma nova instituição, um novo campus e os laboratórios que eu não conhecia foram difíceis no começo mas nada impossível.

Me surpreendi com a empatia das pessoas. Talvez eu esperasse o esteriótipo europeu “frio” mas conheci pessoas muito legais. A cidade de Beja é bem vazia e universitária, então não é difícil se enturmar e conhecer pessoas e lugares. Minhas colegas de casa, são da Geórgia e me acolheram muito bem! Depois chegaram mais duas alunas Propicie para morar conosco e são amizades que tenho certeza que vou levar pra vida. Eu tenho amado as companhias e as nossas comilanças. O apoio do professor orientador do projeto tem sido incrível e sei que será alguém com quem vou poder contar futuramente.

O projeto em si está indo muito bem, tenho trabalhado em coisas que gosto e num híbrido entre escritório e laboratório muito confortável. Tivemos até o feriado de Páscoa livre para passear pelo país! Além do projeto destinado, tenho trabalhado em outros com o professor Jorge e estou gostando muito e ganhando muita experiência. Para os próximos passos, quero conseguir voltar para o Brasil com todos os projetos finalizados e contatos aqui, para quem sabe voltar um dia. Acho que o mais inusitado que me ocorreu, foram as amizades! Não achei que eu fosse voltar com tantos amigos, tanto do próprio IFSC quanto daqui.

O desenvolvimento do projeto anda como esperado. Já finalizei boa parte das tarefas laboratoriais e agora ando mais na pesquisa bibliográfica. Eu diria que o principal resultado obtido foi o aprendizado que vou levar, mas até agora já realizei (com as amostras de dejetos de porcos, puras e digeridas): quantificação de sólidos totais e voláteis e índice de fósforo (vou mandar algumas fotos). Com certeza aprendi muito sobre a prática laboratorial e convivência. A experiência de dividir casa com cinco pessoas é bem legal! Acabamos virando muito amigas e aprendemos todo dia umas com as outras!

Os professores são todos muito queridos e acolhedores, mas o Prof. Jorge, que é orientador do projeto, é excepcional! Desde o primeiro dia ele me fez sentir em casa! Até encontrei com ele e a família no parque, no dia em que comemoramos o meu aniversário e foi muito especial. Ele me acolheu muito bem e me enturmou com seus outros alunos, explicando sobre seus projetos e oferecendo apoio sempre. As técnicas de laboratório também são muito solícitas em tudo. Eu diria que está sendo muito melhor do que eu imaginei!

Agora, aos futuros participantes: se preparem para a pré-viagem, pois antes de chegar aqui tem muita coisa pra resolver, mas não se assustem porque tudo se resolve! A viagem de vinda é bem pesada emocionalmente então estejam preparados. Os primeiros dias vão ser assustadores, mas façam amigos! É bem mais fácil do que parece. Entrem em contato com os outros alunos Propicie porque eles serão seus maiores aliados, desde a documentação inicial até as saídas de fim de semana. Mas o mais importante; aproveitem cada segundo pois eu nem fui embora e já estou com saudades!

Intercâmbio no IFSC

Para mais informações sobre intercâmbio no IFSC, acesse a página de intercâmbio estudantil.

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