BLOG DOS INTERCAMBISTAS Data de Publicação: 28 jul 2026 10:37 Data de Atualização: 28 jul 2026 10:42
Carolina Martins Pedro, Arthur Duarte Biehl e Mariana Meyer de Matos são estudantes do Câmpus Florianópolis que participaram neste semestre do nosso programa de intercâmbio, o Propicie. Os três tiveram a oportunidade de integrar projetos de pesquisa no Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC). No post de hoje, trazemos seuss últimos relatos antes de retornar ao Brasil sobre como foi a experiência em Portugal.
Leiam os relatos abaixo:
Carolina Martins Pedro - estudante da 7ª fase do curso de Engenharia Mecatrônica
O projeto que eu desenvolvi ao longo do intercâmbio teve como objetivo desenvolver um mapa de fatores de risco e vulnerabilidade à dengue em Portugal, utilizando uma abordagem integrada baseada em indicadores climáticos, demográficos, socioeconómicos e entomológicos. A primeira etapa consistiu na realização de uma revisão bibliográfica, com o objetivo de compreender como outros estudos internacionais analisaram a distribuição espacial da dengue e quais variáveis eram consideradas mais relevantes para explicar o risco de transmissão. Em seguida, foi realizada a coleta e organização dos dados de Portugal a partir de diferentes fontes estatísticas e climáticas. Essa fase exigiu um trabalho cuidadoso de compatibilização dos dados, uma vez que diferentes instituições utilizavam divisões territoriais distintas, o que gerou desafios relacionados à consistência geográfica das informações.
Após a construção da base de dados, os indicadores foram normalizados e integrados em um índice de risco capaz de sintetizar diferentes fatores associados à potencial transmissão da dengue. Com base nesse índice, foram produzidos mapas temáticos que permitiram visualizar a distribuição espacial do risco no território português. Os resultados indicaram uma heterogeneidade significativa entre as regiões analisadas. As áreas com maior vulnerabilidade concentraram-se principalmente na Grande Lisboa e no Algarve, onde fatores como elevada densidade populacional, mobilidade turística intensa e condições climáticas favoráveis se sobrepõem. Por outro lado, regiões do interior norte apresentaram os menores níveis de risco relativo.
Como resultado final, foi produzido um artigo científico descrevendo a metodologia, os resultados obtidos e as implicações da pesquisa para a vigilância epidemiológica e o planejamento em saúde pública. A professora orientadora do projeto deu bastante autonomia paralelo a uma boa orientação das atividades e principalmente das etapas do desenvolvimento do projeto. Realizamos reuniões quinzenais para verificar o andamento. Por ser uma área diferente da que eu estava acostumada, inicialmente fiquei com receio de ser uma pesquisa muito pesada, mas acabou que foi tudo muito leve e tranquilo e aprendi bastante!
Esse intercâmbio foi uma das experiências mais transformadoras e imersivas da minha vida. Sou muito grata ao IFSC por essa oportunidade! Se eu pudesse dar uma dica aos novos participantes seria: Vai com medo mesmo! Realizar um sonho não é um processo linear de felicidade. Muito provavelmente você vai sentir medo e se sentir perdido diante tantas possibilidades. Não deixe isso te paralisar. Se jogue nessa experiência, viaje sozinho, faça amigos, treine seu inglês, descubra novas versões tuas que dentro da realidade que você cresceu às vezes ficam escondidas. Viaje para além dos roteiros turísticos e pense que cada pessoa que cruza seu caminho pode te ensinar algo! Essa é uma das experiências mais incríveis da sua vida, viva ela por inteiro!
Ouça a entrevista da Carolina para o poscast IFSC em Pauta sobre sua experiência de intercâmbio
Arthur Duarte Biehl - estudante da 5ª fase do curso superior de tecnologia em Gestão da Tecnologia da Informação
Me inscrevi pelo Propicie 25 para o projeto “Food Chase”, onde me encaixava pois a área de estudo relacionada, dentre várias que eles colocaram, poderia ser gestão ou marketing, então me inscrevi e preparei pensando que iria gerenciar equipes, planejar etapas de projetos e eventos, entre outras coisas geralmente esperadas da parte de gestão e que englobam um pouco de marketing também. Quando cheguei e me estabeleci em Viana do Castelo, fui compreendendo a necessidade deles para essa parte de gestão e marketing, onde na realidade acabei ficando responsável por apenas produzir slides, pôsteres e outros conteúdos midiáticos sobre os projetos e/ou eventos que viriam a acontecer. Como estava bem animado com essa nova experiência no exterior, acabei adiantando muitos dos materiais que precisavam ser produzidos, o que resultou em não ter muito o que produzir depois de algumas semanas. A velocidade com que o projeto produz conteúdo novo para que seja necessário mais conteúdo midiático é bem lenta, porém tinham muito conteúdo acumulado que ainda não tiveram tempo para produzir, o que resultou em que, mais ou menos no meio do período de intercâmbio, eu não tivesse praticamente nenhum conteúdo para produzir durante a semana.
Como o intercâmbio é uma oportunidade para adquirir novas experiências, comentei com a coordenadora do projeto se haveria algo a mais que eu pudesse realizar e, após um momento de conversa, concordamos em trocar de projeto, agora ao invés de ficar focado só no “food chase” (ainda recebo um material ou outro, mas como falei, é pouca coisa para se fazer em uma semana), estou trabalhando diretamente com o gabinete de comunicação do IPVC, produzindo conteúdo para todos os campos e eventos do IPVC, alguns exemplos são o recente “dia da Europa” ou a comemoração dos 40 anos do IPVC, onde ajudei na produção tanto de vídeos comemorativos quanto na produção de materiais físicos como flyers ou marca-páginas. Como estou no próprio gabinete de comunicação, tenho acesso à maquinários profissionais e apropriados para essas produções, diferente de antes que tinha apenas meu computador e minha criatividade. Em resumo, por mais que não esteja fazendo algo diretamente da minha área (Gestão de TI), estou ganhando bastante experiência e prática com produção de conteúdo, algo que já tinha gosto mas nunca pude explorar mais a fundo. Por mais que minhas expectativas não foram 100% do modo que eu esperava (pensei que faria contato com outras empresas e que faria mais gestão de fato), a metodologia mais “flexível” e tranquila (regida apenas pela própria data dos eventos, que sempre dão bastante tempo para pensar e trabalhar sobre) permitiu que eu me adaptasse bem, me dando bastante tempo para produzir o que precisasse no tempo certo e com boa qualidade, mas também flexibilizando os horários para que eu pudesse continuar com minhas tarefas e projetos que ainda mantenho no Brasil.
Para futuros participantes, recomendo vir sabendo que você irá fazer algo fora do planejado e da sua “zona de conforto”, acho que isso é inevitável para qualquer projeto, mas saiba que sempre é possível resolver o problema, por mais que o tempo e a complexidade não pareçam fechar as contas, no final sempre dá para encontrar uma boa solução. O estresse e falta de tempo (principalmente se você possui outras atividades além do intercâmbio) podem parecer assustadores, mas as experiências e oportunidades, além das novas amizades que você vai fazer, não apenas é recompensador, mas faz você se sentir
bem mais produtivo e capaz.
Mariana Meyer de Matos - aluna da 7ª fase do curso superior de tecnologia em Radiologia
A oportunidade de fazer parte da rotina de uma instituição europeia me permitiu não apenas um aprofundamento técnico-científico, mas também um imensurável crescimento pessoal através do contato diário com novos métodos de trabalho e diferentes culturas.
No âmbito científico, integrei o projeto Food Chase, focado no desenvolvimento e na inovação da área alimentar. Durante o intercâmbio, tive o privilégio de acompanhar de perto a mestranda Ana Catarina Ferreira em suas atividades de investigação. Minhas principais frentes de atuação conjunta com ela envolveram o estudo e o aproveitamento tecnológico de matérias-primas locais:
● Alho Francês: Colaborei na análise de propriedades e nos processos de reaproveitamento e valorização do vegetal.
● Kiwi: Acompanhei os ensaios práticos e as formulações utilizando o fruto, compreendendo
as dinâmicas de conservação e o desenvolvimento de novos produtos alimentares.
Além da rotina nos laboratórios, fiz parte e participei ativamente de um evento promovido pelo Núcleo de Estudantes de Ciências e Tecnologia Alimentar. Essa inserção foi fundamental para me aproximar dos estudantes locais, partilhar experiências sobre o ecossistema acadêmico da área e ver de perto como os próprios alunos organizam a divulgação científica na instituição.
Toda essa imersão laboratorial e associativa solidificou minhas competências em pesquisa,
desenvolvimento e inovação, além de exercitar muito a minha capacidade de trabalhar em
equipes multidisciplinares e de fazer networking acadêmico.
Para além dos muros da universidade, a experiência da mobilidade foi potencializada por uma intensa troca cultural. Como vivi em um ambiente internacional, tive a oportunidade de fazer muitas amizades com pessoas de todas as partes do mundo, o que expandiu imensamente meus horizontes e me fez praticar a comunicação intercultural diariamente.
A localização e o planejamento pessoal também me permitiram explorar novos cenários europeus.
Entre as viagens marcantes que enriqueceram minha bagagem cultural, destaco:
● Madrid (Espanha): Onde pude me imergir na cultura espanhola, visitar monumentos
históricos e entender a dinâmica de uma grande capital europeia.
● Paris (França): Onde tive um contato inesquecível com o patrimônio histórico, artístico e
gastronômico global.
O intercâmbio no IPVC superou todas as minhas expectativas iniciais. O envolvimento direto no projeto Food Chase, a parceria com a investigadora Ana Catarina Ferreira, a mentoria contínua da professora orientadora brasileira Andrea Huhn e da professora orientadora portuguesa Rita Pinheiro, e a bagagem cultural que adquiri através das viagens e das amizades internacionais consolidaram uma formação verdadeiramente global.
Atualmente, já me encontro nas últimas semanas desta jornada, com o meu retorno ao Brasil agendado para o dia 18/06. O sentimento neste momento é completamente agridoce: a saudade da minha família e de casa é enorme, mas o coração aperta só de pensar em ir embora, pois uma parte de mim gostaria de ficar mais tempo e aproveitar as tantas oportunidades que este lugar oferece.
Essa experiência foi, sem dúvida, o maior divisor de águas da minha vida até aqui, impulsionando meus próximos passos com muito mais bagagem, maturidade e paixão pela ciência e pela inovação.
Ouça a entrevista da Mariana para o podcast IFSC em Pauta sobre sua experiência de intercâmbio
Intercâmbio no IFSC
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