Pular para o conteúdo

Notícias

Oficinas de fotografia aplicadas à comunicação visual preparam estudantes surdos para o mundo do trabalho

ENSINO Data de Publicação: 16 out 2020 13:58 Data de Atualização: 16 out 2020 14:07

Quem não quer uma foto que exibe o seu melhor ângulo ou uma característica que mais lhe valoriza para postar nas redes sociais? Ou aquele clique maravilhoso que maximiza as qualidades e vantagens do seu produto, serviço ou da sua marca? Foi pensando nisso que o fotógrafo, professor e pesquisador, Eduardo Gomes, desenvolveu uma pesquisa no âmbito da sua dissertação de mestrado, defendida em agosto, junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação Profissional e Tecnológica (Profept).

O trabalho teve como objetivo operacionalizar uma abordagem de ensino da fotografia de produto aplicada à comunicação visual para os estudantes surdos do curso técnico integrado de Comunicação Visual do Câmpus Palhoça Bilíngue, por meio de uma sequência didática para o ensino de foto. Sequência didática é um termo da área da educação que indica uma série de conteúdos, relacionados entre si, com a intenção de facilitar o processo de ensino e aprendizagem.

Eduardo explica que a sequência didática proposta abrangeu seis oficinas, de três diferentes temas sobre fotografia de produto aplicada à comunicação visual, para as quais foram desenvolvidos planos de aula, que sugerem dentro de cada tema: conteúdos, objetivos de aprendizagem, recursos didáticos, procedimentos metodológicos e avaliação da aprendizagem; além de vídeoaulas. Todo esse material tem como público-alvo professores da área da fotografia e afins, e estudantes interessados nesse conhecimento, surdos ou ouvintes.

Com a realização das oficinas, foi possível a instrumentalização dos estudantes com técnicas fotográficas, a partir da concepção didática de que eles aprendem fazendo. Para isso, ele planejou um conjunto de condições técnicas e pedagógicas para que os alunos pudessem potencializar as suas experiências com a imagem, se profissionalizar com autonomia e criatividade, facilitando assim a sua inserção no mundo do trabalho.

“Embora não se possa generalizar que todo o estudante surdo tenha aptidão para imagem, nas oficinas que constituíram a sequência didática embasada no ‘saber pelo fazer’, ficou evidente que os participantes têm facilidade e sensibilidade necessárias para produzirem fotografias com riqueza de detalhes, habilidades extremamente importantes no universo da fotografia voltada à comunicação visual”, destacou Eduardo.

As oficinas

Nos meses de outubro e novembro de 2019, nos turnos matutino e noturno, foram ministradas seis oficinas com três diferentes temas: fotografia de produto, fotografia de comida e fotografia de splash. Todas com foco na iluminação do produto e na calibragem de câmera adequada à situação. Os temas foram escolhidos em razão de serem muito utilizados no mundo do trabalho, no contexto da comunicação visual, da publicidade e do marketing.

Para a sua realização o professor utilizou recursos metodológicos de ensino que incluíram a preparação do ambiente de ensino, com a organização das bancadas de produção, dos equipamentos e do set de produção. Todos os materiais necessários para a produção das fotos, ou seja, os produtos a serem fotografados, os alimentos, a cenografia, os equipamentos de iluminação, as câmeras e outros aparatos profissionais, ficaram à disposição para manuseio dos alunos, mesmo não havendo no câmpus um estúdio fotográfico próprio para esse fim.

“Todo ambiente de ensino foi pensado para que os estudantes pudessem se comunicar olhando para os seus colegas, para os intérpretes da língua de sinais, para o professor e para as bancadas de trabalho, as quais foram cuidadosamente dispostas pela sala de aula, que foi totalmente remodeladas para as oficinas. Isso tornou o ambiente muito próximo daquilo que eles irão encontrar no mundo do trabalho”, explicou o professor. Toda essa organização foi percebida positivamente pelos participantes, como fica evidente na declaração de Luan Vinícus, “adorei as oficinas. Aprendi muitas coisas. Elas ajudarão a ter um futuro melhor profissionalmente”, afirmou o estudante que frequentou assiduamente os encontros.

Outro cuidado foi em relação aos materiais voltados à especificidade de aprendizagem do estudante surdo, como o uso de apresentações em slides bem ilustrados, materiais impressos bem visuais e videoaulas. Tudo para facilitar a compreensão dos conteúdos propostos; além da articulação com o intérprete de Libras, que esteve presente em todo processo, já que o professor não domina a língua de sinais.

Outros recursos

Além da criação dos planos de ensino com o passo de como pode ser dada a aula de cada tema e da realização das oficinas, foram propostas ainda três videoaulas com os mesmos temas das oficinas [fotografia de produto; fotografia de comida e fotografia de splash], as quais têm tradução na Língua Brasileira de Sinais (Libras) e estão disponíveis no canal do YouTube do professor. Em breve elas estarão disponíveis no YouTube do câmpus também. 

Os vídeos foram divididos em vários blocos, a fim de transformá-los em um material didático e dinâmico, já que é possível escolher os tópicos que se pretende assistir. “Eu quis produzir um material de apoio para que estudantes e professores possam revisitar os conteúdos após participarem das aulas”, contextualizou Eduardo.

A ideia inicial do pesquisador era a apresentação dos resultados das oficinas em uma exposição fotográfica no câmpus, mas em razão do término do semestre [2019/2] e do início da pandemia, no início do ano deste ano, não foi possível realizá-la. Por isso, as fotos foram organizadas em um site, criado pelo pesquisador como portfólio dos alunos, onde é possível solicitar orçamento e tirar dúvidas. 

Os participantes

Os integrantes do estudo foram, na época, oito alunos surdos do curso técnico integrado de Comunicação Visual, os quais já tinham cursado a disciplina de fotografia e tratamento de imagem, Caroline Stefany, Felipe Miranda, Félix Mickael, Laura Ribeiro, Luan Oliveira, Luan Vinícius, Lucas Santana e Wallyson Roberto; alguns deles já se formaram inclusive.

Já os tradutores e intérpretes de Libras, que mediaram o diálogo entre os estudantes e o professor, foram os servidores do câmpus, Jéssika da Silva Garcia, Sulivan Wainer Netto e Tom Min Alves.

Para conferir as demais fotos das oficinas, acesse https://comunicadoresvisuais.46graus.com/.

ENSINO CÂMPUS PALHOÇA BILÍNGUE PESQUISA